Lula lamenta “grande farsa” que o tornou réu e recebe apoio de correligionários nos EUA

“O mundo jurídico brasileiro sabe que a denúncia da força-tarefa da Lava Jato tem caráter eminentemente político”, diz defesa. Lula falou para apoiadores que, em Nova York, organizaram campanha internacional em defesa do petista

Agora réu da Operação Lava Jato, o ex-presidente Lula disse nesta terça-feira (20) estar “triste” com a decisão do juiz Sérgio Moro de acatar denúncia formulada por membros do Ministério Público Federal. Para o petista, trata-se de uma “mentira” contada pelos investigadores em “grande show de pirotecnia” – referência à apresentação encabeçada pelo procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa que investiga o esquema de corrupção descoberto pela Polícia Federal na Petrobras; na ocasião, Lula foi classificado como “grande general do petrolão”, mas a postura de Dallagnol e seus colegas foi criticada e acabou virando piada na internet.

“Obviamente que eu estou triste, porque fiquei sabendo agora que o juiz Moro aceitou a denúncia contra mim. Mesmo a denúncia sendo uma farsa, uma grande mentira contada, um grande show de pirotecnia nesse país”, disse o petista, rodeado por apoiadores em São Paulo.

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Leia a íntegra da denúncia acatada por Moro

Com a decisão de Moro, Lula, sua esposa, Marisa Letícia, e mais seis investigados se tornam réus na Lava Jato, com acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O pano de fundo da acusação é um tríplex localizado à beira-mar no Guarujá (SP), cuja posse é atribuída a Lula e Marisa. Segundo as investigações, o imóvel foi bancado, incluindo-se reformas estruturais, pela empreiteira OAS, uma das empresas envolvidas em desvios de contratos com a Petrobras. De acordo com o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, já condenado a 16 anos de prisão e em processo de delação premiada, o valor referente ao imóvel seria abatido das propinas a serem pagas ao PT pela empreiteira, como obrigação do acordo ilegal de beneficiamento mútuo.

Por meio de nota em seu perfil no Facebook (íntegra abaixo), o ex-presidente diz que o juiz federal “confirmou sua parcialidade em relação a Lula”. Para o petista, Moro “simplesmente deu prosseguimento ao espetáculo de perseguição política iniciado pelos procuradores” da força-tarefa.

“O mundo jurídico brasileiro sabe que a denúncia da força-tarefa tem caráter eminentemente político, sendo o resultado de uma série de arbitrariedades e violações de direitos – como a condução ilegal de Lula para prestar depoimento, a violação e divulgação de telefonemas do ex-presidente e até de seus advogados, a invasão de sua casa, das casas de seus filhos e de diretores do Instituto Lula”, diz trecho da nota.

Já os advogados de Lula, que participaram de evento em Nova York em apoio ao cliente (leia mais a seguir), mantém a linha de confronto com Moro e os investigadores da Lava Jato. “Nem mesmo os defeitos formais da peça acusatória e a ausência de uma prova contra Lula, como amplamente reconhecido pela comunidade jurídica, impediu que o referido juiz levasse adiante o que há muito havia deixado claro que faria: impor a Lula um crime que jamais praticou. Esse é um processo sem juiz enquanto agente desinteressado e garantidor dos direitos fundamentais. Em junho, em entrevista, o procurador da República Deltan Dallagnol reconheceu que ele e o juiz de Curitiba são ‘símbolos de um time’, o que é inaceitável e viola não apenas a legislação processual, mas a garantia de um processo justo”, diz a defesa, também por meio de nota.

#StandWithLula

Em movimento paralelo à ação penal iniciada hoje (terça, 20) contra o ex-presidente, a Confederação Sindical Internacional (ITUC/CSI), entidade que representa 190 milhões de trabalhadores sindicalizados en 162 países, lançou nesta terça-feira (20), em Nova York, uma campanha internacional intitulada “Stand with Lula” (“Estamos com Lula”, em tradução livre) – durante o dia, a hashtag #StandWithLula esteve entre os assuntos mais mencionados no Twitter. Durante o evento, que foi transmitido em tempo real pela internet, na tarde desta terça-feira (20), Lula falou de São Paulo para os correligionários que estavam na cidade norte-americana e garantiu que vai “continuar lutando” por seus direitos e pela democracia no Brasil.

“De qualquer forma, como eu acredito na Justiça e tenho bons advogados aí [em Nova York] e aqui, vamos brigar para ver o que é que dá”, discursou o petista.

Por meio de teleconferência entre São Paulo e Nova York, Lula aproveitou para fustigar seus adversários políticos e disse que eles o temem em uma eventual disputa eleitoral para a Presidência da República, em 2018. “Poderiam me perguntar se eu queria voltar em 2018. Agora, a verdade é esta: eles sabem que, embora eu não tenha diploma universitário, eu sei fazer mais do que eles. E tem uma coisa que eu sei fazer, que é sentir o coração do povo pobre, do povo trabalhador deste país”, acrescenta o petista, aplaudido pelos correligionários em Nova York.

Veja no vídeo (a partir de 45 minutos e 23 segundos):

 

Confira a íntegra da nota de Lula:

“Sergio Moro confirma que é parcial em relação a Lula

Ao aceitar a denúncia inepta da Força Tarefa da Lava Jato contra o ex-presidente Lula, o juiz Sergio Moro confirmou sua parcialidade em relação a Lula, que já foi denunciada ao Supremo Tribunal Federal e à Corte Internacional de Direitos Humanos da ONU. Moro simplesmente deu prosseguimento ao espetáculo de perseguição política iniciado pelos procuradores semana passada.

O mundo jurídico brasileiro sabe que a denúncia da Força Tarefa tem caráter eminentemente político, sendo o resultado de uma série de arbitrariedades e violações de direitos – como a condução ilegal de Lula para prestar depoimento, a violação e divulgação de telefonemas do ex-presidente e até de seus advogados, a invasão de sua casa, das casas de seus filhos e de diretores do Instituto Lula.

Após dois anos de investigações, envolvendo 300 agentes do Ministério Público, da Polícia Federal e da Receita Federal, nada foi encontrado para relacionar Lula aos desvios na Petrobrás. Nenhuma conta secreta, no Brasil ou no exterior; nenhuma empresa de fachada; nenhum pagamento ilegal, direto ou indireto.

Tudo o que restou à Força Tarefa foram hipóteses e “convicções” em torno de um imóvel que não é e nunca foi de Lula, além do custeio da armazenagem do acervo de documentos reunidos em seu período de governo. Sobre essa base inconsistente foi apresentada uma denúncia inverossímil e insustentável no Direito Penal, acolhida por um julgador notoriamente faccioso em relação a Lula.

O povo brasileiro e a comunidade internacional sabem que Lula é vítima de perseguição, de uma verdadeira caçada judicial, largamente apoiada pela grande mídia brasileira, com objetivos políticos indisfarçáveis. Uma perseguição que não poupa sequer dona Marisa Letícia.

O povo brasileiro e a comunidade internacional sabem que estamos diante de um processo de cartas marcadas, com o claro objetivo de excluir da vida política o maior líder popular e o melhor presidente da História do Brasil.”

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