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Lula: “Fico muito puto que a classe política não reaja”

 

Em seu primeiro pronunciamento após o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) marcar para 24 de janeiro o julgamento de seu recurso contra a condenação imposta pelo juiz Sérgio Moro, o ex-presidente Lula conclamou os políticos brasileiros a reagirem contra a onda de acusações que atinge todos os partidos. "Já desmoralizaram a política, os partidos. Eu fico muito puto que a classe política não reaja. Eu faço minha resistência não é por mim, não. É pelo PT", disse Lula em reunião com as bancadas do PT da Câmara e do Senado nesta quarta-feira (13).

O petista defendeu que a militância leia o processo contra ele no caso do tríplex, no qual foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por Moro, e que levante a cabeça diante das acusações. O ex-presidente voltou a reafirmar sua inocência e atribuiu os processos contra ele a uma “pactuação diabólica” entre imprensa, Ministério Público e Polícia Federal para impedir a volta do PT ao poder.

"Não quero ser candidato por ser candidato. E não quero ser candidato se for culpado. Eles (acusadores) que apresentem à sociedade uma única culpa. O máximo que conseguem dizer é que Lula sabia", discursou. "Se apresentarem provas contra mim de todas as acusações, terei a satisfação de vir aqui e dizer que não posso ser candidato", acrescentou.

Presidente de honra do PT, Lula disse que defende as investigações de corrupção, mas criticou os métodos da Lava Jato, que, segundo ele, têm causado enorme prejuízo para a economia brasileira. “Quanto eles causaram de prejuízo a esse país por falta de investimentos? Só da Petrobras 197 mil trabalhadores foram dispensados no Rio de Janeiro. Qual empresário delator tá passando fome? Agora vai ver quantos trabalhadores dessas empresas estão”, questionou.

O ex-presidente voltou a ressaltar seu caráter. “Se tem uma coisa que não abro mão é da minha honra. Tenho muito caráter e isso não se vende em supermercado”, afirmou. “Leiam a sentença e depois leiam a decisão sobre nosso recurso. E vocês vão perceber que tem algo além do jurídico nesse processo”, acrescentou.

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Triplex

O TRF-4, em Porto Alegre, marcou para o fim de janeiro o julgamento do recurso apresentado pelos advogados de Lula em relação à sentença de Moro que o condenou pelo caso do “triplex do Guarujá”. O julgamento é relativo ao caso em que o ex-presidente é acusado de receber propina disfarçada por meio de um apartamento no Guarujá, litoral de São Paulo.

De acordo com a condenação de Moro, Lula recebeu R$ 3,7 milhões da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012, em consórcio com a Petrobras. Ao todo, nas contas da Lava Jato, o esquema criminoso movimentou R$ 6,2 bilhões em propina, gerando à petrolífera um prejuízo estimado em R$ 42 bilhões. Para o MPF, Lula era o elo entre o esquema partidário de corrupção e a estrutura de governo.

O dinheiro foi usado, segundo a acusação, na reforma do triplex do Edifício Solaris, no Guarujá (SP), que a Lava Jato afirma ser de Lula. A denúncia também acusava Lula de usar parte do valor no custeio do armazenamento de bens do acervo presidencial, de 2011 a 2016, em empresa especializada. Na mesma sentença, no entanto, Moro absolveu o ex-presidente pelas “apesar das irregularidades no custeio do armazenamento do acervo presidencial, não há prova de que ele envolveu um crime de corrupção ou de lavagem”.

A defesa do ex-presidente contesta o que chama de “tramitação recorde”. “Estamos aguardando os dados que pedimos à Presidência do Tribunal sobre a ordem cronológica dos recursos em tramitação.”

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