Luiz Gushiken, ex-ministro de Lula, morre em São Paulo

Vítima de um câncer, petista estava internado no Hospital Sírio-Libanês. Ex-titular da Secom, chegou a ser investigado no mensalão, sendo depois absolvido. Petistas lamentaram a morte e lembraram da "condenação pública"

Luiz Gushiken, ex-ministro da Secretaria de Comunicação do Governo e Gestão Estratégia no início do primeiro mandato presidencial de Lula, morreu na noite desta sexta-feira (13), em São Paulo, aos 63 anos, vítima de um câncer. Ele lutava contra a doença há mais de uma década, tendo inclusive passado por uma cirurgia para retirada de parte do estômago em 2002. Ele deve ser enterrado amanhã (14), em Indaiatuba (SP).

Formado em administração de empresas, Gushiken fez carreira política como sindicalista no Sindicato dos Bancários de São Paulo. Foi deputado federal por três mandatos, entre 1987 e 1999, e coordenou a primeira campanha vitoriosa de Lula ao Palácio do Planalto em 2002. No governo federal, além de ministro da Secom, também foi chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE).

Fez parte dos 40 denunciados pela Procuradoria-Geral da República na ação penal do mensalão. No entanto, quando Roberto Gurgel formalizou a acusação, deixou Gushiken de fora por "falta de provas". Ele era acusado de peculato por supostamente ter autorizado o diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolatto, a liberar recursos do BB para uma das agências de Marcos Valério. A absolvição foi depois ratificada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Visita

Na terça-feira (10), o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) subiu à tribuna do Senado para relatar a visita que fez ao ex-ministro do primeiro mandato de Lula no Sírio-Libanês. Para o petista, Gushiken não era apenas um amigo, mas sim um samurai. Além de relatar a biografia política do ex-colega de partido, Suplicy lembrou a acusação feita durante o caso do mensalão.

"Luiz Gushiken, acusado e julgado pela imprensa, é o cidadão inocente que tem sua honra pisoteada com requintes de crueldade por 3.285 dias. Mesmo inocentado de forma cabal e irrefutável por nossa Corte Maior, Gushiken não receberá reparo algum", afirmou. O senador paulista lembrou do depoimento de Gushiken da CPI dos Correios, onde o ex-ministro chegou a bater boca com os deputados Onyx Lorenzoni (PFL-RS) e Eduardo Paes (PSDB-RJ). Onyx hoje é deputado pelo DEM e Paes prefeito do Rio de Janeiro pelo PMDB.

A discussão foi motivada na época quando os deputados questionaram a influência do petista nos fundos de pensão de estatais. Havia a suspeita que as entidades de previdência tinham contribuído para o caixa 2 do PT. Ele não aceitou acusações de corrupção e partiu para o contra-ataque contra os parlamentares da oposição.

Homenagens

"Perdemos nosso querido Luiz Gushiken. Um guerreiro da luta do povo brasileiro. Nossa bancada federal homenageia esse grande brasileiro", afirmou o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE). No Facebook, o deputado José Genoino (PT-SP), condenado no mensalão e que pediu aposentadoria após passar um mês internado depois de médicos constatarem o rompimento de uma das camadas da aorta, uma das artérias do coração, fez uma homenagem ao colega.

"Gushiken, você vive eternamente e permanentemente em nossos corações. Seu exemplo de vida, coragem e luta estará sempre presente, principalmente nesses momentos difíceis em que a gente vive", disse o petista, que esteve com Gushiken na quarta-feira (11) no Sírio-Libanês, de acordo com relato da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. "Ele deu enorme contribuição para fazer do Brasil um pais mais justo", comentou Paulo Teixeira (PT-SP).

Outros textos sobre o mensalão

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!