Lista de investigados inclui pai e filho, mensaleiros, pastor e padre

Relação dos políticos sob investigação no STF por causa da Lava Jato reúne pai senador e filho deputado, condenados no mensalão e dois sacerdotes religiosos

Além dos presidentes da Câmara e do Senado, a lista dos 47 políticos que serão investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) reúne outros integrantes de cargos importantes no Congresso, como líderes partidários, presidentes de comissões e lideranças partidárias. Mas a lista também traz curiosidades, como a presença de um pai e de um filho, de dois ex-parlamentares condenados pela Justiça, e até de um pastor e de um padre. Os sentenciados, que ainda cumprem pena por envolvimento em um dos mais rumorosos escândalos políticos da história recente do país, o mensalão, são os ex-deputados Pedro Corrêa (PP-PE) e Pedro Henry (PP-MT).

O sacerdote católico que será investigado no Supremo é o ex-deputado José Linhares (PP-CE), que exerceu cinco mandatos consecutivos na Câmara. Aos 84 anos, o religioso disputou sem sucesso a eleição para o Senado ano passado na condição de suplente de Mauro Benevides Filho (Pros), segundo colocado. O nome de Linhares consta da principal investigação da Lava Jato no STF (a PET 5260), que reúne 35 políticos suspeitos de praticarem os crimes de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro.

“Nova ordem satânica”

Outro religioso incluído nessa petição é o deputado Missionário José Olímpio (PP-SP). Em seu segundo mandato, o parlamentar é o primeiro representante no Congresso da Igreja Mundial do Poder de Deus, fundada e liderada pelo apóstolo Valdemiro Santiago, que rivaliza com a Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo. Antes de chegar à Casa, em 2011, Olímpio foi vereador em São Paulo com apoio da Universal. Ele é pai do vereador paulistano José Olímpio Júnior (PSD).

No ano passado, o deputado apresentou um projeto de lei contra a “nova ordem satânica mundial”. Essa foi a justificativa foi utilizada por ele ao propor a proibição da implantação de chips em seres humanos, equiparados por ele à “marca da besta”. “Tendo em conta que o fim dos tempos se aproxima, é preciso que o Parlamento brasileiro se antecipe aos futuros acontecimentos e resguarde, desde logo, a liberdade constitucional de locomoção dos cidadãos”, escreveu o religioso na argumentação do projeto. Arquivada no final da legislatura por não ter sido votada por nenhuma comissão, a proposta foi desarquivada ontem (6) a pedido do próprio deputado.

Reincidentes na suspeita

Ex-presidente do PP, Pedro Corrêa cumpre pena no presídio de Canhotinho (PE) por ter recebido recursos do mensalão. Seus advogados terão de defendê-lo agora da suspeita de ter embolsado R$ 5,3 milhões de uma só vez do esquema de corrupção na Petrobras, além de repasses mensais, apontados pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa.

Cumprindo pena em regime semiaberto desde outubro, o ex-líder do PP Pedro Henry foi citado por Paulo Roberto como peça-chave em sua indicação para a diretoria de Abastecimento. Delator do esquema, o ex-diretor disse que manobra de Henry no Congresso foi fundamental para sua ascensão ao posto de dirigente da estatal.

De pai para filho

Além de condenados e religiosos, as investigações no Supremo também unem dois membros de uma mesma família: o senador Benedito de Lira (PP-AL), que lidera o PP no Senado, e seu filho, o deputado Arthur Lira (PP-AL), que preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

Arthur aparece como alvo de três inquéritos. Em dois deles, terá a companhia do pai senador. Em sua delação premiada, o doleiro Alberto Youssef disse que pagou despesas de campanha de Arthur Lira em 2010. O doleiro afirmou, ainda, que o deputado recebia repasses mensais entre R$ 30 mil e R$ 150 mil da cota do PP no esquema de corrupção da Petrobras. Já o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa disse que repassou R$ 1 milhão para a campanha de Benedito de Lira em 2010 por meio de Alberto Youssef.

Arhur Lira, que também responde no Supremo por agressão física à ex-mulher, nega ter recebido propina e diz que não deixará o comando da CCJ, a mais poderosa das comissões da Câmara. Outro titular do colegiado, o ex-ministro Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) também está na lista dos investigados da Lava Jato.

Colegiado com a missão de examinar a conduta dos parlamentares, o Conselho de Ética da Câmara tem um investigado entre seus integrantes, o deputado Lázaro Botelho (PP-TO). Filhos de dois ex-deputados sob investigação na Lava Jato, também ocupam assentos no conselho: Covatti Filho (PP-RS), filho de Vilson Covatti (PP-RS), e Cacá Leão (PP-BA), suplente do colegiado e filho do atual vice-governador da Bahia João Leão (PP-BA). Ao saber que seu nome estava entre os investigados, João Leão alegou surpresa e inocência e acrescentou: “Estou cagando e andando, em bom português, na cabeça desses cornos”.

Lava Jato: a lista dos políticos que serão investigados no STF

Mais sobre a Operação Lava Jato

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!