Líderes tentam fechar requerimento da CPI do Cachoeira

Falta de acordo sobre o objeto da investigação entre governistas e oposição deve deixar a criação da comissão parlamentar para a próxima semana

Líderes partidários governistas e da oposição vão tentar fechar o texto do requerimento da CPI mista do bicheiro Carlinhos Cachoeira na manhã desta quinta-feira (12). Uma primeira versão foi apresentada ontem (11), mas acabou vetada pelos oposicionistas. Ela não citava, por exemplo, a investigação de agentes privados que se beneficiaram do esquema de Cachoeira. Também não era explícito o alcance da investigação em relação aos políticos envolvidos.

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O texto que circulou ontem à noite pela Câmara continha três páginas. Na primeira, estava o objeto da CPI. A intenção é investigar as "práticas criminosas desvendadas pela Operação Monte Carlo, da Policia Federal". A prévia do requerimento colocava como principal alvo de investigação a "existência de um esquema de interceptações e monitoramento de comunicações telefônicas e telemáticas" ilegais.

Nas outras duas páginas, está a justificativa para a comissão ser instalada. Nelas, é dito que "urge enfrentar o desafio de destrinçar as relações entre o poder público e atividades do senhor Carlos Augusto Ramos". Para o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE), é necessário deixar o texto mais explícito em determinados pontos. "A participação de agentes privados é uma delas", ressaltou.

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, diálogos telefônicos interceptados pela Polícia Federal sugerem que a construtora Delta, uma das maiores do país, pagou propinas para receber pagamentos por serviços prestados ao governo do Distrito Federal. Já O Estado de S. Paulo afirma que aliados do contraventor Carlinhos Cachoeira revelam que a diretoria da empresa no Rio "cobrava a fatura" de doações eleitorais ao pressionar o Palácio do Buriti por nomeações e a liberação de verbas.

Reuniões entre Araújo e os líderes do PT, Jilmar Tatto (SP), do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), e do DEM, ACM Neto (BA), foram realizadas na noite de ontem sem se chegar a um consenso. A oposição reclamou que, além da demora na confecção do texto e da falta de clareza do objeto, ele não passou pelos oposicionistas no Senado. "Como esse texto veio do Senado sem o líder Alvaro Dias ter acesso?", questionou Bruno Araújo.

Caso os deputados e senadores cheguem a um acordo sobre o objeto da investigação,  intenção é começar a recolher as assinaturas ainda hoje. Porém, com a demora para fechar o texto, a comissão deve ser criada somente na próxima semana. Inicialmente, seriam 11 membros titulares de cada Casa. Porém, os partidos decidiram aumentar a representação para 15. Para a CPI mista ser criada, o requerimento precisa ter a assinatura de 27 senadores e 171 deputados. O texto deve ser lido em sessão do Congresso.

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