“Legião vai cortar asa da cobra”, diz autora do pedido de impeachment

Em discurso com referências bíblicas na Faculdade de Direito da USP, Janaína Paschoal afirma que "acabou a república da cobra" e que defensores da saída de Dilma querem libertar o país do "cativeiro de almas e mentes"

Coautora do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a advogada Janaína Paschoal recorreu a uma parábola bíblica no discurso que fez ontem (4) à noite na Faculdade de Direito da USP Largo São Francisco. Professora de Direito da própria instituição, Janaína disse que o Brasil “não é a república da cobra”. Segundo ela, quando “a cobra cria asa”, Deus manda “uma legião para libertar o país do cativeiro de almas e mentes”.

“Desde pequenininha, meu pai, Ricardo, me diz: ‘Janaína, Deus não dá asa pra cobra’. Aí eu digo pra ele: ‘Pai, às vezes, a cobra cria asa. Mas, quando isso acontece, Deus manda uma legião para cortar a asa dessa cobra’. Nós queremos libertar o nosso país do cativeiro de almas e mentes, não vamos abaixar a cabeça pra essa gente que se acostumou ao discurso único. Acabou a república da cobra”, discursou uma incontida Janaína, em meio a aplausos, batidas de tambores e gritos de “Fora, PT”.

Assista ao discurso (o trecho mencionado acima aparece a partir do quarto minuto da gravação):

Mesmo sem citar o PT ou o nome da presidente Dilma ou do ex-presidente Lula, que se autocomparou a uma “jararaca” após ser conduzido coercitivamente para depor à Polícia Federal, a professora deixou bem claro, no início de sua exposição, a quem se referia. “As cobras que se apoderaram do poder e estão aproveitando as fraquezas humanas para se perpetuarem. Quais são as fraquezas mais características? A sede de poder, a sede de dinheiro e o medo. Eles se fortalecem no nosso medo, na omissão desmedida”, comparou.

Segundo ela, mais que discutir sobre o impeachment, o que está em jogo é a que Deus o país "quer servir": “É ao dinheiro? Nós queremos servir a uma cobra? O Brasil não é a república da cobra. Nós somos muitos Hélios, muitos Miguéis, muitas Lúcias, muitas Janaínas, nós somos muitos Celsos, muitos Danieis. Eles derrubam um, levantam-se dez”. A professora fez alusão aos outros coautores do impeachment, Hélio Bicudo e Miguel Reale Junior, e ao ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, assassinado em 2002. Filha de Hélio, Maria Lúcia Bicudo também foi alvo da referência de Janaína. O ex-petista e o ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso estavam presentes ao palanque do evento.

“Nós não vamos deixar essa cobra continuar dominando as nossas mentes, as salas dos nossos jovens, porque os professores de verdade querem mentes e almas livres. Por meio do dinheiro, por meio de ameaças, de perseguições, por meio de processos montados – e eu sei o que estou falando, porque estou defendendo muito perseguido político – eles querem nos deixar cativos”, discursou Janaína.

O Largo do São Francisco foi palco nessa segunda-feira de um grande ato com a participação de juristas, advogados, alunos e ex-alunos da tradicional instituição que se manifestaram a favor do impeachment de Dilma. No último dia 17, a faculdade sediou outra manifestação, mas a favor do ex-presidente Lula e da petista.

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