Lava Jato: Renan e Delcídio negam ter recebido propina

Senadores rebatem delator apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras. Segundo Fernando Baiano, ambos compõem grupo que dividiu desvio de US$ 6 milhões

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o líder do governo na Casa, Delcídio Amaral (PT-MS), negaram nesta terça-feira (20) ter recebido propina do esquema de corrupção descoberto pela Polícia Federal na Petrobras. Ambos investigados na Operação Lava Jato, Renan e Delcídio deram respostas diferentes às acusações, feitas pelo empresário Fernando Baiano, de que estão entre os beneficiários dos desvios na estatal. Segundo Baiano, preso desde novembro, eles compõem um grupo de figuras do partido que dividiram um montante final de US$ 6 milhões de dólares subtraídos de contratos para a construção de navios-sonda.

Além de Renan e Delcídio, atualmente figuras-chave na base de sustentação ao governo, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau compunham o grupo de beneficiados pela suposta propina, segundo os autos da delação premiada feita por Baiano ao Ministério Público Federal. Segundo o delator, o petista recebeu, por exemplo, "R$ 1 milhão ou R$ 1,5 milhão" quando da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobras.

A acusação, noticiada em primeira mão pelo Jornal Nacional (TV Globo) na última sexta-feira (16), foi considera "absurda" por Delcídio, como registrou um registro do próprio senador no Facebook. Hoje (terça, 20), o petista classificou como "lamentável" a inclusão de seu nome entre os supostos receptores de propina e disse que teve contato com Baiano apenas uma vez, nos anos 1990."

A mídia teve acesso aos autos e, nos autos, cita especificamente como os benefícios foram divididos. Está muito bem definido quem recebeu esses benefícios e meu nome não está na lista, não. Agora, onde está escrito isso, só o tempo vai dizer", esclareceu Delcídio. Para o petista, não há sentido no fato de ele ter sido escolhido para receber propina de um esquema amparado pelo governo à época das investigações, durante a CPI dos Correios - colegiado que ele presidiu e que deu origem ao processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), desagrando à cúpula do Planalto e ao então presidente Lula."

No momento em que ele faz a delação, eu era presidente da CPI dos Correios. Portanto, não tinha nenhuma aproximação com o governo. Até porque, naquela época, eu era persona non grata no governo em função do meu comportamento", acrescentou.

"Não conheço"

Já Renan, que figura na lista de investigados da Lava Jato no âmbito do STF, disse sequer conhecer Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção. "Não conheço [Baiano]. Não tem nenhuma consistência [a acusação]. Não há fato, não conheço a pessoa, nunca vi", defendeu-se o senador.

Alvo de inquérito referente à Lava Jato no âmbito do STF, Renan já prestou depoimento à Polícia Federal, em agosto, e negou ter sido beneficiado por dinheiro desviado de contratos com a Petrobras. Passível de ser denunciado ao Supremo pelo Ministério Público Federal, o peemedebista passou a se alinhar ao Planalto, como este site mostrou em 5 de agosto, depois do fim do recesso parlamentar, entre 17 de julho e 1º de agosto.

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