Lava Jato: Marcelo Odebrecht diz que não tem o que dedurar

Em depoimento à CPI da Petrobras, empreiteiro afirma que não pretende fazer delação premiada. Cinco executivos foram convocados para depor na comissão em Curitiba, mas todos se calaram

Em depoimento à CPI da Petrobras em Curitiba (PR), o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, afirmou que não pretende colaborar com a Justiça por meio da delação premiada. “Para alguém dedurar, tem que ter o que dedurar, o que não é o caso”, respondeu à pergunta do deputado Altineu Cortes (PR-RJ), um dos sub-relatores da CPI.

O executivo se recusou a responder perguntas relativas às acusações contra a empresa sobre pagamento de propina e formação de cartel em contratos com a Petrobras.

“Gostaria de ter oportunidade, nessa CPI, de falar tudo o que sei, mas infelizmente estou engessado porque estou amarrado pela questão do processo penal que corre paralelamente, inclusive com depoimentos de testemunhas de acusação”, explicou.

Ele disse ter esperanças de que a empresa saia do processo da Operação Lava Jato fortalecida, apesar das acusações.

Calado, mas nem tanto

Apesar da negativa em falar sobre as acusações, Odebrecht respondeu a algumas perguntas.  Ao ser questionado pelo deputado Delegado Waldir (PSDB-GO) sobre uma informação publicada na imprensa a respeito da existência de um plano de fuga do país em função das investigações da Operação Lava Jato, ele negou. "Jamais pensei nisso", afirmou.

O deputado goiano perguntou ainda sobre a veracidade de outra informação publicada na imprensa. "É verdade que seu pai, Emilio Odebrecht, disse que se o senhor fosse preso seria preciso construir uma cela para a presidente Dilma e para o ex-presidente Lula?", perguntou.

"Senhor deputado, é muito perigoso falar em suposições. Eu tenho muito orgulho dos princípios morais que meu pai me transmitiu", rebateu o empresário.

Depoentes unidos

Outros quatro executivos da empresa convocados para depor fizeram o mesmo. Márcio Faria da Silva, Rogério Santos de Araújo, César Ramos Rocha e Alexandrino de Alencar também usaram o direito constitucional de permanecer calados diante das perguntas dos deputados.

Todos os cinco conseguiram no Supremo Tribunal Federal (STF) habeas corpus que lhes garante o direito de não responder aos questionamentos. O advogado deles, Nabor Bulhões, disse que a defesa será feita na Justiça. “O STF garantiu o direito de o teor da defesa não ser antecipada à CPI”, explicou.

Ao todo, a Polícia Federal prendeu oito executivos da Odebrecht, suspeita de pagar propinas de mais de R$ 500 milhões a diretores da Petrobras e agentes políticos em troca de contratos com a estatal. A empresa nega as acusações.

(Com informações da Agência Câmara)

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