Kátia Abreu rejeita segregação entre produtores na Agricultura

No discurso durante a cerimônia de posse, nova titular da pasta disse que o ministério será dos diálogos. Questionada por movimentos ambientais e pelo MST, afirmou que não aceitará “nenhum tipo de provocação”

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, afirmou nesta segunda-feira (5) que a pasta não terá divisão nem segregação entre pequenos e grandes agricultores. Presidente licenciada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ela é vista por organizações ambientalistas e pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) como representante do agronegócio no ministério.

“Há momentos em que devemos ser capazes de transcender esses interesses em benefício de um interesse maior da sociedade. Esse será o ministério dos produtores rurais sem nenhuma espécie de divisão e segregação. Será acima de tudo o ministério dos diálogos, o ministério dos brasileiros”, disse Kátia durante o discurso de transmissão de cargo.

Ao dizer que não haverá segregação nem divisão, Kátia Abreu tenta acenar especialmente para os setores mais à esquerda da agricultura, ligados ao MST e à agricultura familiar. Eles são os maiores críticos da indicação da peemedebista para o cargo. Assim como os ambientalistas, que reclamam da indicação da senadora por ter ganho em 2010 o prêmio Motosserra de Ouro, do Greenpeace.

Kátia também é vista como um empecilho para a reforma agrária. “O meu ministério não é o responsável pela reforma agrária, a reforma agrária é do MDA [Ministério do Desenvolvimento Agrário]. Temos competências, cada ministério, e eu pretendo respeitar essa competência”, disse a ministra. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, esteve na cerimônia, realizada na calçada do Ministério da Agricultura.

Em entrevista após a cerimônia, Kátia Abreu respondeu indiretamente aos críticos. Desde que seu nome apareceu como favorito para assumir a pasta, ela vem enfrentando bombardeios do PT, de setores do meio ambiente e da agricultura familiar e até do PMDB, seu partido, que não se sentiu contemplado na reforma ministerial. Dos 15 peemedebistas no Senado, apenas dois compareceram à cerimônia: Valdir Raupp (RO), que é vice-presidente nacional da legenda, e o novo ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga (AM),

“Estamos prontos para trabalhar e ir para o bom combate. Nenhuma luta, nenhuma guerra, que venha a trazer conflitos que possam puxar o país para trás terá minha participação. Não aceitarei nenhum tipo de provocação. Quero conversar com todas as pessoas com espírito público porque fui convocada pela presidente Dilma para servir o país. É isso que eu vou fazer”, disparou.

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