Julgamento tem bate-boca e puxões de orelha de Lewandowski em senadores

Presidente do Supremo nega questionamentos de parlamentares, interfere em discussões e pede isenção aos congressistas para exercer papel de "juízes". Gleisi diz que falta "moral" aos colegas para julgar Dilma e bate boca com Caiado

Marcelo Camargo/ABr
No comando do julgamento do processo de impeachment de Dilma Rousseff, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, rejeitou os questionamentos feitos por senadores da base governista e da oposição no início da sessão. Parlamentares que defendem a cassação da petista acusam os apoiadores da presidente afastada de tentar procrastinar o julgamento com questionamentos e medidas protelatórias. Já os oposicionistas alegam que os aliados de Michel Temer tentam cercear o direito de defesa de Dilma para favorecer o peemedebista.

No momento de maior tensão, Lewandowski chegou a anunciar a suspensão da sessão depois de um bate-boca entre a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO). “Este Senado não tem moral para julgar Dilma”, atacou. Caiado reagiu, fora dos microfones, ressaltando que ela é investigada na Operação Lava Jato. A petista devolveu, acusando o líder ruralista de trabalho escravo.

Vários senadores repudiaram a afirmação de Gleisi, alguns deles enfatizando que as palavras da paranaense representam uma espécie de autoincriminação, além de incorrer em generalização e desrespeito para com os demais parlamentares.

 

Veja o vídeo da discussão:

Além de negar uma dezena de questões de ordem apresentadas pela oposição, Lewandowski teve de intervir em alguns momentos. “Calma, quem decide sou eu”, disse o presidente do Supremo ao interferir em uma troca de farpas entre os senadores Jorge Viana (PT-AC) e Simone Tebet (PMDB-MS).

No início da sessão, o líder da oposição no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ), questionou a promessa do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao presidente interino, Michel Temer (PMDB), de antecipar a conclusão do julgamento de Dilma, conforme noticiou a Folha de S.Paulo. “Juízes não podem negociar com as partes”, acusou. "A sessão tem prazo para começar, mas não tem prazo para acabar", respondeu o presidente do Supremo.

O líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), reagiu à crítica de Lindbergh: “Estratégia de procrastinação, de chicana. O presidente do Senado também esteve com a presidente Dilma, e o senador Lindbergh não falou nada. Ele inclusive não manifestou seu voto”.

"Eu quero protestar pelo uso da palavra chicana. Nós nunca tomamos medidas procrastinatórias", protestou o advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo.

Chamando Lindbergh de “jovem atleta”, Magno Malta disse que era preciso acabar com esse "mimimi". “Esse mimimi do processo protelatório tem limite...Ou ressuscita ou enterra, e até agora não ressuscitou. Com esse besteirol de jornal, com quem jantou o presidente da República, é que vamos resolver esse negócio”, afirmou Magno.

Lindbergh pediu direito de resposta para rebater o colega capixaba. Lewandowski negou: “Vossa Excelência foi citado, mas de maneira elegante, como jovem atleta".

Ainda no início da sessão, o presidente do Supremo pediu isenção aos senadores no julgamento de Dilma, lembrando que eles estão no papel de “juízes”. "Devem deixar de lado opções ideológicas, preferências políticas e inclinações pessoais", orientou. "Obstrução parlamentar não é admissível em processo judicial", acrescentou.

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