Jucá e Renan trocam acusações em plenário e divergem sobre protestos contra Temer

Líder do partido, Renan Calheiros diz considerar inconstitucional decreto de Temer que convoca Forças Armadas para conter manifestações. Presidente da legenda, Romero Jucá contesta o correligionário e diz que presidente vai resistir às pressões por renúncia e manter reformas

Em clima exaltado e com troca de agressões verbais, a sessão do Senado na noite desta quarta-feira (24) serviu para que o PMDB, partido do presidente Michel Temer, mostrasse as entranhas da crise política porque passam não só a legenda, mas o país inteiro. Enquanto nos arredores do Congresso policiais enfrentavam manifestantes contra Temer, o líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (AL), e o presidente do partido, Romero Jucá (RR), expuseram as profundas divergências sobre as reformas trabalhista e da Previdência propostas pelo governo e em discussão no Congresso.

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A polêmica também envolveu o senador Waldemir Moka (PMDB-MS), que foi chamado de puxa-saco por Renan e devolveu a acusação: “Não conheço mais puxa-saco que o senhor”. Líder do partido do presidente, Renan rompeu com Temer desde que assumiu o cargo e é contra a aprovação as reformas trabalhista e da Previdência. Mas é minoria na bancada e chegou a ser ameaçado de destituição do posto pela maioria do colegiado. Renan disse que não defende a renúncia do presidente. Mas sugeriu que o presidente busque uma solução negociada para a sua sucessão.

“Temer precisa ajudar a encontrar uma saída para a crise política. O presidente precisa encontrar uma solução para o país”, disse Renan, que também criticou o uso das Forças Armadas decretado por Temer para tentar conter excessos em manifestações. “Se esse governo não se sustenta, não são as Forças Armadas que vão sustentar esse governo.”

 

Roque de Sá/Agência Senado
 

Jucá respondeu a Renan dizendo que as propostas de interesse do governo serão aprovadas pela maioria da forma em que o congresso quiser. Sem citar Renan, Jucá disse que ninguém pode falar contra o governo em nome do PMDB.

“Acabou esta história de chegar aqui, falar bobagens, e ficar por isso mesmo. Estamos na democracia e cada um tem o direito de falar a imbecilidade que quiser, e temos que só ouvir. Mas as reformas terão que ser aprovadas pela maioria”, disse Jucá.

“Não temos medo de cara feia ou de bravata”, concluiu o presidente do PMDB.

Sem crise

“Não existe crise do PMDB. O que há é a insatisfação de alguns parlamentares que estão na fase ‘hamletiana’: com a caveira na mão sem saber se são Lula ou Temer”, disse Jucá ao Congresso em Foco, pouco depois do confronto em plenário, em analogia à personagem Hamlet, de William Shakespeare, internacionalmente conhecida pelo corpo arqueado diante de um crânio e a pergunta “ser ou não ser”.

A crise política no partido do presidente Temer reflete a crise no Congresso que se acentuou desde a última quarta-feira quando foi divulgada uma conversa do presidente na residência oficial com o empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo JBS, tratando de compra de juízes, procuradores e até de pagamento de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha, que está preso por corrupção e ameaçava delatar o presidente da República. A temperatura aumentou nesta quarta-feira com as manifestações contra o governo na Esplanada dos Ministérios que terminaram em incêndios em prédios públicos.

Na manhã desta quarta-feira 17 senadores do PMDB visitaram Temer para prestar solidariedade. O líder Renan não estava no grupo. O grupo foi prestar solidariedade ao presidente que tem sido pressionado a renunciar. Renan defende que todas as propostas de reforma política sejam adiadas até que o Congresso encontre uma solução política para a presidência da República.

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