Serra é candidato desgastado, diz Lula

Com a voz ainda fraca, Lula disse que adversários do PT são "frágeis" e que Serra usa São Paulo como trampolim eleitoral

Poucos meses após encerrar o tratamento contra um câncer na laringe e no esôfago, o ex-presidente Lula voltou a gargantear em palanques palavras contra seus adversários políticos. Em discurso de pouco mais de 20 minutos, o cacique petista falou aos militantes do partido na cerimônia de oficialização da candidatura do ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, à Prefeitura de São Paulo, e aproveitou a oportunidade para fustigar o PSDB – obviamente, mirando o candidato tucano, José Serra.

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“Tem um [concorrente de Haddad] que já está desgastado”, iniciou o ataque Lula, sem precisar citar nomes para deixar evidente a referência a Serra, que já comandou a prefeitura e o Governo de São Paulo. “Nem sei por que ele quer ser candidato a prefeito”, arrematou Lula, arrancando risadas na plateia e lembrando que Serra “tomou uma tunga” da presidenta Dilma Rousseff nas eleições de 2010. Ao usar o termo “tunga”, Lula quis dizer “lavada”, para usar uma metáfora futebolística que indica vitória folgada – função de linguagem que o ex-presidente tanto gosta de usar.

Assista a trecho do discurso de Lula

Ao antecipar a volta aos palanques, mesmo contra prescrições médicas e com a voz ainda fraca, Lula coloca toda a sua popularidade em favor de Haddad, para tentar interromper um domínio tucano em São Paulo que já dura duas décadas. Ao classificar como “frágeis” os adversários da campanha petista, o ex-presidente procurou dar uma injeção de entusiasmo para que Haddad consiga os votos que lhe faltam para fazer frente à Serra, com vantagem nas pesquisas. Essa parcela do eleitorado, disse Lula, não vota no PT por “preconceito”.

Em discurso afinado com o de seu mentor político, Haddad reforçou as críticas à administração não só dos tucanos à frente do Governo de São Paulo, mas também do aliado do PSDB nas próximas eleições Gilberto Kassab (PSD), atual prefeito da capital paulista. “Não sou alpinista político, nem profissional de eleições. Jamais usarei a prefeitura como trampolim ou degrau de interesses pessoais. Sentimos na rua os efeitos de uma forma incompetente de gerir os problemas”, criticou o canddiato petista, para quem São Paulo tem sido vítima das gestões “mais medíocres da sua história” nos últimos anos.

“Puta cidade”

Lula também bateu na desincompatibilização de Serra da prefeitura após um ano e quatro meses de gestão, em 2010, para disputar as eleições presidenciais – um “abandono” que, segundo o ex-presidente, demonstra que o tucano usa sua influência política em São Paulo apenas como trampolim eleitoral para a corrida ao Palácio do Planalto. “São Paulo tem sido relegada ao segundo plano”, emendou o ex-presidente, para quem a cidade precisa ser tratada maternalmente. Recorrendo ao estilo popularesco para se referir à cidade, Lula chegou a proferir uma expressão pouco utilizada em palanques. “São Paulo é uma ‘puta’ cidade.”

No rápido discurso, Lula resgatou a militância do PT na cidade, enfatizando as gestões das petistas Luiza Erundina (1989-1993), hoje deputada federal pelo PSB, e Marta Suplicy (2001-2004), atualmente senadora pelo PT. Ao se referir a Marta, Lula lembrou que o ex-governador tucano apoiou sua candidatura à Prefeitura de São Paulo no início dos anos 2000, em relação de reciprocidade.

“É preciso lembrar que o Covas também ganhou em 1994 e 1998 com o apoio do PT”, acrescentou Lula, dizendo-se confiante em que Haddad ultrapassará o patamar de 30% dos votos, o que o levaria para o segundo turno com Serra. Marta, que abriu mão de sua pré-candidatura em favor de Haddad – e a pedido de Lula – não compareceu ao evento, mas recebeu o agradecimento do ex-presidente por ter aceitado abdicar da indicação do partido.

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