José Sarney (PMDB-AP)


Ag. Senado

Patrimônio declarado ao TSE: R$ 4.961.970,58
Valor da receita declarada em 2006: R$ 1.698.000,00
Principais doadores da campanha: Alusa Engenharia Ltda., Caemi Mineração e Metalurgia S/A, Comitê Financeiro Único PMDB-AP, Emport Empresa Marítima Portuária Ltda., Gusa Nordeste S/A, Jose Sarney, List Comput Public Prom. Com. Ltda., Osmar de Almeida Carneiro Junior, Richard Klein, Victor Hugo Romao Serednicki
Processos: não há processo ativo contra o parlamentar

Quem é

José Sarney é admirado e odiado entre seus pares por sua habilidade em permanecer próximo ao poder. Filiado à antiga Aliança da Renovação Nacional (Arena), partido de apoio à ditadura, presidiu o PDS, que sucedeu a Arena no período de redemocratização. Trocou o PDS pelo PMDB, em 1984, para lançar-se como vice na chapa à presidência da República encabeçada por Tancredo Neves nas eleições indiretas. Desde então, acumulou poder e não trocou mais de partido.

No Congresso desde 1955, quando se elegeu deputado federal pela primeira vez, Sarney é o parlamentar mais antigo da Casa. Só esteve fora dela nos períodos em que governou o Maranhão (1966 a 1971) e comandou o processo de redemocratização do país (1985-1990). A conclusão de seu atual mandato está prevista para 2015, quando se completarão 60 anos desde a primeira eleição federal.

Advogado, escritor e jornalista, José Ribamar Ferreira de Araújo Costa nasceu em Pinheiro MA). Filho de Sarney de Araújo Costa e de Kiola Ferreira de Araújo Costa, adotou legalmente em 1965 o nome de José Sarney de Araújo Costa, que já usava como nome político desde 1958, por ser conhecido como "Zé do Sarney", isto é, José filho de Sarney.

Seu primeiro mandato veio em meados dos anos 50, quando se elegeu deputado federal pela UDN. Reeleito na eleição seguinte, atuou como líder do governo Jânio Quadros na Câmara dos Deputados. No Congresso, foi deputado por diversos mandatos e senador pelo Maranhão entre 1971 e 1985. Após deixar o Planalto, voltou ao Senado, mas para representar o Amapá, território que ganhou status de estado durante seu mandato presidencial.  

Durante sua trajetória política, Sarney colecionou inimigos, que sempre procuram associar sua imagem à de político ligado aos generais que comandaram a ditadura no Brasil.
 
De perfil conservador, com forte articulação nos bastidores, foi indicado pela Frente Liberal (dissidência do PDS que mais tarde virou PFL, atual DEM) para compor a chapa da Aliança Democrática, encabeçada por Tancredo Neves, para a eleição presidencial de 1985. Tancredo foi eleito presidente da República pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985 ao receber 480 votos contra 180 do então deputado federal Paulo Maluf e 26 abstenções. 

Sarney assumiu a presidência com a morte de Tancredo, que teve uma crise de diverticulite. Seu mandato passou por uma grave crise econômica, que evoluiu para um quadro de hiperinflação histórica e moratória. Apesar dos temores provocados pela morte de Tancredo, concluiu seu mandato vencendo a desconfiança de quem receava pelo recrudescimento dos militares ao poder.

Mas travou uma dura batalha com a Assembléia Nacional Constituinte e, sobretudo, com seu presidente, o deputado Ulysses Guimarães (PMDB-SP). Às vésperas da votação do texto final da carta magna, ocupou espaço em cadeia no rádio e na TV para acusar a Constituição elaborada de estimular o ócio, o descrédito no exterior, a ingovernabilidade e a recessão.

Sarney também foi acusado por seus adversários de conceder a políticos aliados concessões de radiodifusão em troca do apoio que lhe garantiu, em vez de quatro, como queria Ulysses, cinco anos de mandato.

Na área econômica, o governo Sarney adotou uma política considerada heterodoxa. Entre as medidas de maior destaque estão o Plano Cruzado, em 1986: congelamento geral de preços por 12 meses, e a adoção do "gatilho salarial" (reajuste automático de salários sempre que a inflação atingia ou ultrapassava os 20%).

Após a transmissão do cargo de presidente a Fernando Collor de Melo, em 1990, Sarney mudou seu domicílio eleitoral para o recém-criado estado do Amapá e candidatou-se ao Senado. Venceu todos os pleitos que disputou desde então (1990, 1998 e 2006).
 
Aliou-se a Collor até surgirem as primeiras denúncias contra o ex-presidente. Com o impeachment, declarou apoio ao então presidente Itamar Franco. Sarney permaneceu na base de apoio nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso e, com a eleição de Lula, continuou com influência no poder.

Depois de negar veementemente que jamais se candidataria à presidência do Senado de novo, oficializou sua candidatura há menos de duas semanas, graças à articulação do grupo político encabeçado pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL) (leia mais). Sarney já comandou o Senado em duas ocasiões: entre 1995 e 1997 e 2003 e 2005.

Ele é pai da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), governadora do Maranhão entre 1995 e 2002, do deputado Sarney Filho (PV-MA), e do empresário Fernando José Sarney. A família controla o conglomerado Sistema Mirante de Comunicações, dono de três retransmissoras de televisão (afiliadas à Rede Globo), seis emissoras de rádio e o jornal O Estado do Maranhão.

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