Jornalistas ocupam prédio comprado pela JBS, segundo Joesley, a pedido de Aécio

 

O “predinho” que, de acordo com o empresário Joesley Batista, foi comprado pela JBS a pedido do senador Aécio Neves (PSDB-MG), em Belo Horizonte, está ocupado por jornalistas, gráficos, trabalhadores administrativos e integrantes de movimentos sociais desde a manhã dessa quinta-feira (1º). O imóvel, que era sede do jornal Hoje em Dia, foi ocupado por 150 pessoas como protesto pelo não pagamento das dívidas trabalhistas de funcionários demitidos em fevereiro de 2016, logo após a venda do veículo. Os manifestantes estimam que os débitos passam dos R$ 3 milhões.

Conforme as delações dos executivos da JBS, o prédio foi comprado pelo grupo empresarial a pedido de Aécio por R$ 17 milhões. Joesley afirma que o dinheiro foi encaminhado a Aécio. “Ele precisava de R$ 17 milhões e tinha um imóvel que dava para fazer de conta que valia R$ 17 milhões”, disse o empresário em depoimento à Procuradoria-Geral da República. O tucano nega. O presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Kerison Lopes, contou ao Congresso em Foco que já havia pedidos de penhora do imóvel para que as dívidas com os trabalhadores fossem quitadas.

As afirmações de Joesley na delação, segundo o presidente do sindicato, gerou indignação nos funcionários demitidos pelo jornal desde o ano passado. “Em vez de pagar os trabalhadores, resolveram pagar caixa dois”, criticou.

Os manifestantes afirmam que a ocupação da antiga sede do jornal seguirá até uma posição da Ediminas, empresa à qual o Hoje em Dia pertence, sobre o pagamento das dívidas trabalhistas. Jornalistas, gráficos e trabalhadores administrativos demitidos com a venda do jornal e integrantes de movimentos sociais solidários têm o apoio de sindicalistas e outros representantes de movimentos sociais. Kerison Lopes ressalta que tanto os ex-donos quanto os atuais são responsáveis pelas dívidas trabalhistas dos funcionários demitidos nos últimos dois anos.

Ex-prefeito preso

Em nota, a Ediminas afirma que “vem cumprindo rigorosamente a legislação trabalhista”. Em resposta, os jornalistas se disseram “consternados” com a afirmação. As causas coletivas movidas pelos trabalhadores que foram demitidos ultrapassam os R$ 3 milhões. A Ediminas pertence ao ex-prefeito de Montes Claros (MG) Ruy Muniz.

Em 18 abril do ano passado, o então prefeito foi preso, acusado de sonegação fiscal, falsidade ideológica, estelionato e lavagem de dinheiro. Um dia antes, ele havia sido elogiado no plenário da Câmara por sua esposa, a deputada federal Raque Muniz (PSD-MG), durante a votação da abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma.

"Meu voto é em homenagem às vítimas da BR-­251. É para dizer que o Brasil tem jeito, e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão", declarou a deputada. Ruy passou à prisão domiciliar, que foi revogada em julho do ano passado. Ele tentou a reeleição, mas foi derrotado nas urnas pelo ex-deputado Humberto Souto (PPS).


Leia as íntegras das notas abaixo:

Nota da Ediminas

A atual gestão da Ediminas S/A assumiu o jornal Hoje em Dia quando a venda do prédio já havia sido concluída e vai colaborar com a Justiça prestando todos os esclarecimentos que forem por ela solicitados. O jornal não funciona mais no prédio da rua Padre Rolim.

A Ediminas vem cumprindo rigorosamente a legislação trabalhista. Sobre as rescisões de contrato, trata caso a caso as demandas, nas esferas competentes: Ministério Público do Trabalho, Justiça do Trabalho e sindicatos das categorias profissionais relacionadas ao jornal.

O Hoje em Dia  reitera o compromisso com a transparência das informações e a ética profissional e informa que mantém seu funcionamento regular, o que permite a preservação de dezenas de empregos.

Ediminas S/A"

Nota dos trabalhadores demitidos do Hoje em Dia

"Trabalhadores demitidos do Hoje em Dia contestam nota da Ediminas S/A

Os demitidos da Ediminas – Hoje em Dia, arrolados na dispensa em massa ocorrida no dia 29 de fevereiro de 2016, vêm a público externar sua consternação diante da nota divulgada hoje pela empresa, segundo a qual a mesma vem “cumprindo rigorosamente a legislação trabalhista”.

O grupo citado foi demitido ao findar do último dia do mês de fevereiro propositadamente, de modo a não incorrer no período alusivo à negociação salarial, mas, ao mesmo tempo, fazendo os mesmos, inocentemente, fecharem a edição do dia seguinte sem saber que seriam defenestrados ao findar da jornada, numa atitude que evidencia a covardia dos gestores.

Não bastasse, em reunião oficial, se comprometeram, mediante o Ministério do Trabalho, a pagar o rescisório, chegando ao ponto de marcar horários com os demitidos no Sindicato dos Jornalistas, compromisso esse escalonado a partir da ordem alfabética.

No entanto, na véspera, à noite, em mais uma atitude inacreditável, depositaram o montante de R$ 500 reais na conta de cada um, sem nenhuma explicação.

No dia do acerto, os representantes da mesma compareceram ao Sindicato, no veículo identificado do jornal, e, frente aos demitidos e aos advogados e representantes do mesmo, se negaram a pagar, dizendo que deveríamos procurar a justiça.

Não bastasse, ainda se retiraram do lugar rindo, o que foi devidamente fotografado.

Com essa atitude irresponsável e leviana, jogaram os demitidos numa barafunda sem fim, pois sequer tiveram acesso de imediato ao FGTS, dado o grau de irregularidade da demissão.

Pessoas chegaram a ser hospitalizadas, mas, nas reuniões seguintes, o tom de insensibilidade foi mantido, chegando a nova gestão a colocar seguranças armados na porta da sede, de modo a intimidar os ex-funcionários. Alguns tiveram que viajar para outras cidades para tentar receber o seguro-desemprego, numa Via Crúcis sem fim, que perdura até hoje, passados mais de 15 meses após o ocorrido.

Trabalhadores demitidos do jornal Hoje em Dia / Ediminas"

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