Jornais: risco da CPI faz base negociar “abafa”

Principais jornais do país noticiam o aparente recuo da base aliada, temerosa quantos aos prejuízos ao governo, sobre o início dos trabalhos da "CPI do Cachoeira"

O ESTADO DE S. PAULO

Risco da CPI faz base aliada negociar 'operação abafa' para poupar políticos
Diante do alerta do Palácio do Planalto sobre os riscos de desgaste do governo, tomou corpo no Congresso, com ajuda da base aliada, uma “operação abafa” na Comissão Parlamentar de Inquérito do Cachoeira, a ser instalada nos próximos dias. Uma das estratégias é poupar políticos de diversos partidos citados na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que levou à prisão o contraventor Carlinhos Cachoeira.

Ficariam fora do radar deputados flagrados em escutas com integrantes do esquema, os governadores petista Agnelo Queiroz (DF) e o tucano Marconi Perillo (GO), além do ex-ministro José Dirceu. A única exceção seria o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), que teve 298 conversas telefônicas com Cachoeira grampeadas pela PF nos últimos três anos. O senador está sendo investigado também pelo Conselho de Ética e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A “operação abafa” é resultado da pressão da presidente Dilma Rousseff para que setores do PT defensores da CPI do Cachoeira tenham calma e não usem a comissão como palco de vingança, o que poderia causar danos políticos ao governo. Dilma conversou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a CPI na sexta-feira, em São Paulo, conforme revelou o Estado.

Líder petista nega recuo na instalação da CPI do Cachoeira
O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), afirmou que nesta terça-feira, 17, os partidos já deverão ter concluído o recolhimento de assinaturas para protocolar o pedido de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar as relações políticas do empresário do jogo, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. São necessários, pelo menos, 171 apoios na Câmara e 27, no Senado, para a criação da CPI mista. "Não há recuo por parte do PT", disse Tatto. "Essa CPI não é contra a oposição nem contra o governo. É para investigar uma organização criminosa que engendrou no Estado brasileiro", continuou.

O líder do PT nega a intenção do partido de "rediscutir" a CPI, depois que a presidente Dilma Rousseff teria se queixado com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a instalação da comissão. Tatto afirmou que a CPI é uma agenda do parlamento. "Esse não é assunto do governo", disse. "Nunca o governo disse que era para fazer ou que não era para fazer a CPI", completou.

Enquanto as assinaturas são recolhidas, a oposição traça a estratégia de aproveitar a CPI para tentar trazer de volta à cena o escândalo do "mensalão", que atingiu o governo do presidente Lula em 2005. Para Tatto, o chamado mensalão tem sua rota própria e os envolvidos no escândalo deverão ser julgados, neste ano, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O líder considera que o DEM e o PSDB buscam desviar o foco da CPI, porque as investigações da Operação Monte Carlo da Polícia Federal chegaram aos dois partidos.

Novo grampo mostra indícios de como a Delta agia para obter obras públicas
O áudio de uma reunião do empresário Fernando Cavendish, presidente da Delta Construções, com sócios e executivos da empresa traz novos indícios de como a empresa agiria para obter obras públicas. "Se eu botar 30 milhões na mão de políticos, sou convidado para coisa pra c.". Uma das sete maiores construtoras no ranking do País, a Delta faturou mais de R$ 860 milhões em 2011 em obras diversas que toca nos estados e no governo federal, inclusive no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), conforme levantamento dos órgãos de controle da União.

Divulgado pelo site de notícias políticas QuidNovi, o áudio foi gravado em dezembro de 2008 pelo empresário Carlos Pacheco, ex-sócio e hoje desafeto de Cavendish, dono da empreiteira. Aparentando mostrar poder e prestígio político, o dono da Delta diz que "até por R$ 6 milhões" ele consegue se aproximar de um senador para inserir a empresa em grandes obras federais. "Ó! Nem precisa tanto dinheiro não... eu sou muito competente nisso... senador fulano de tal, se (me) convidar, eu boto o dinheiro na tua mão", explicou.

Apontada como pivô do esquema criminoso comandado pelo bicheiro Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Operação Monte Carlo, a Delta era dirigida na região Centro-Oeste pelo executivo Cláudio Abreu, indiciado como um dos principais operadores do esquema. Maior empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Delta Construções S.A teria negociado facilidades em contratos diretamente com a cúpula do Governo do Distrito Federal (GDF), em troca de favores de campanha eleitoral, como indicam grampos da Polícia Federal.

Ministério Público vai apurar conexão da Delta no Tocantins
O Ministério Público do Tocantins vai investigar contratos do governo do Estado com o grupo do empresário Rossine Aires Guimarães, apontado pela Polícia Federal (PF) como sócio do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em empresa usada para lavar dinheiro da máfia dos caça-níqueis. Dono, ao lado do contraventor, da Ideal Segurança, o empresário doou R$ 3,7 milhões às campanhas dos partidos do governador José Wilson Siqueira Campos (PSDB) e do antecessor dele, Carlos Gaguim (PMDB), com o qual também possui negócios.

Os repasses do governo somam, desde 2007, R$ 245,7 milhões. O MP pretende checar a regularidade dos contratos, firmados com a Construtora Rio Tocantins (CRT), de propriedade de Rossine e usada por Cachoeira para negociar licitações, segundo o inquérito da Operação Monte Carlo. Num dos grampos da PF, Cachoeira pergunta a um de seus parceiros, Gleyb Ferreira da Cruz, se deve fechar uma transação com a CRT ou com a Delta Construções.

Carlinhos Cachoeira será transferido do RN para presídio da Papuda, no DF
O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, será transferido de Mossoró (RN) para Brasília nos próximos dias. O desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Tourinho Neto, aceitou o pedido de transferência feito pelos advogados de Carlinhos Cachoeira. De acordo com o TRF, o desembargador afirmou, em sua decisão, que Cachoeira não cometeu nenhum crime hediondo e não representa alto risco para a sociedade.

Os advogados de Cachoeira argumentavam que não havia necessidade de seu cliente ficar no presídio federal de Mossoró, onde a rotina de segurança foi apontada como desnecessária, já que seria a primeira vez que ele era preso. Além disso, os advogados afirmavam que tinham dificuldades para despachar com o cliente e que a família de Cachoeira tinha problemas para visitá-lo, devido à distância. Ele ficará na área reservada a presos federais no presídio da Papuda, no Distrito Federal.

Eliana Calmon propõe afastar dois ex-presidentes do TJ-RN
A ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, confirmou nesta segunda-feira, 16, que pedirá o afastamento dos desembargadores Rafael Godeiro e Osvaldo Cruz, ex-presidentes do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJ-RN). Os dois foram denunciados como participantes de um esquema de desvio de dinheiro no Setor de Precatórios da corte estadual, uma fraude estimada em mais de R$ 13 milhões.

Durante lançamento da Semana de Conciliação de Precatórios no Rio Grande do Norte, Calmon disse que o afastamento dos dois desembargadores será proposto por ela ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e deverá ser votado na sessão marcada para o dia 8 de maio. “Penso que o afastamento dos dois será interessante até para que eles possam apresentar as duas defesas com a tranquilidade necessária”, disse a ministra, confirmando a abertura de Processo Administrativo Disciplinar para investigar os magistrados.

A investigação no CNJ é a segunda aberta especificamente para apurar a responsabilidade dos desembargadores no escândalo do desvio de dinheiro do Setor de Precatórios, caso que ficou conhecido no Rio Grande do Norte como Operação Judas. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já abriu um inquérito contra os dois desembargadores potiguares. Os dois magistrados foram citados pela ex-chefe do Setor de Precatórios Carla Ubarana de Araújo Leal, que, junto com o marido - o empresário George Leal - são réus confessos do esquema.

Comissão de Ética da Presidência recebe representação contra Ideli
A Comissão de Ética Pública da Presidência da República recebeu na manhã desta segunda-feira, 16, representação do PSDB para investigar a conduta da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, no episódio envolvendo a compra de 28 lanchas-patrulha. Conforme informou o Estado, as lanchas foram encomendadas por R$ 31 milhões pelo Ministério da Pesca em 2009 e parte da conta foi paga enquanto Ideli comandava a pasta. O Estado também revelou que o dono da fabricante das lanchas, a Intech Boating, doou R$ 150 mil ao comitê financeiro do PT de Santa Catarina, que bancou 81% dos custos da campanha derrotada de Ideli ao governo catarinense.

De acordo com o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence, Ideli já se antecipou e apresentou explicações sobre as compras das lanchas. "Ela apresentou esclarecimentos voluntariamente. Recebi o memorial do seu advogado, ainda não li, o relator (Américo Lacombe) é que está examinando o caso", disse Pertence, após o final da primeira metade da reunião, que ocorre em anexo do Palácio do Planalto. Os conselheiros devem decidir depois se abrem um processo disciplinar contra Ideli, informou Pertence. A próxima reunião da comissão está marcada para 14 de maio.

'Não escondemos quem nos apoia', diz Haddad sobre José Dirceu
A iminência do julgamento do mensalão e as ameaças da oposição de convocar o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu para depor na futura CPI do Cachoeira não demoveram o pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, de contar com o engajamento e auxílio do colega petista em sua campanha. “Nós não podemos esconder as pessoas que nos apoiam. Elas têm direito de expressar sua opinião sobre o melhor para São Paulo”, afirmou durante visita à obra do futuro estádio do Corinthians, na zona leste da cidade.

Dirceu foi apontado na denúncia da Procuradoria-Geral da República como “chefe da quadrilha” do mensalão. E a oposição espera agora ressuscitar o caso do seu ex-assessor Waldomiro Diniz, que, em 2004, apareceu em um vídeo pedindo propina a Carlos Cachoeira, acusado de comandar uma rede ilegal de jogos e agora o pivô da nova CPI que será instalada no Congresso.

Haddad afirmou que não trabalha “com um cálculo” sobre o impacto que uma eventual condenação de pessoas ligadas ao PT no caso do mensalão possa causar em sua campanha. Durante a visita ao Itaquerão ontem ele foi acompanhado, inclusive, por um dos envolvidos no caso: o deputado José Mentor (PT-SP). O pré-candidato negou, no entanto, que o ex-ministro tenha trabalhado nos bastidores para acertar os nomes dos coordenadores da sua campanha.

FOLHA DE S.PAULO

PT agora tenta adiar CPI do caso Cachoeira
O temor de que as investigações sobre o caso Carlinhos Cachoeira possam respingar em membros do partido ou do Palácio do Planalto fez integrantes do PT começarem a trabalhar pelo adiamento da CPI no Congresso. Petistas dizem querer esperar o retorno do presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), para permitir que a comissão saia do papel. Sarney está internado em São Paulo após se submeter a cateterismo e angioplastia com a colocação de stent.

Na sua ausência, a deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) poderia convocar uma sessão do Congresso para instalar a CPI por ser a primeira vice-presidente do Legislativo. Mas a estratégia é convencê-la a não instalar. "O que terá que ser feito vai ser feito. Mas vou ouvir os líderes primeiro. Se quiserem a instalação imediata da comissão, eu vou fazer", disse ela.

Integrantes da base de apoio da presidente Dilma Rousseff, temerosos do alcance da comissão, apostam que, com o adiamento, o clima pró-CPI pode esfriar. No Rio, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho (PT), negou que Dilma esteja insatisfeita com a criação da CPI, como tem sido ventilado.

Irmão de Cachoeira também recebeu pagamento da Delta
A empresa de um irmão do empresário Carlinhos Cachoeira também recebeu recursos da Delta, empreiteira que possui contratos milionários com órgãos públicos. De acordo com a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, a Mapa Construtora, que pertence a um irmão do empresário, obteve R$ 1 milhão entre 2010 e 2011 da Alberto e Pantoja Construções, criada só para ser destinatária de verba da Delta.

No domingo, a Folha revelou que o contador de Cachoeira, Geovani Pereira da Silva, que está foragido, sacou R$ 8,5 milhões da conta da Pantoja em 2010. As relações políticas de Cachoeira serão alvo de CPI que o Congresso promete criar nos próximos dias. Segundo a polícia, a Mapa Construtora é de Paulo Roberto de Almeida Ramos, o Paulinho Cachoeira, um dos 11 irmãos de Carlinhos.

O empresário está preso desde 29 de fevereiro sob acusação de comandar esquema de jogo ilegal. Ontem o TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região determinou sua transferência do presídio de segurança máxima de Mossoró (RN) para o presídio da Papuda, em Brasília.

Empresário não se manifesta sobre repasses
A Folha procurou ontem o empresário Paulo Roberto de Almeida Ramos para comentar os recursos recebidos da Delta. Mas, por meio de advogados, ele afirmou que não iria se manifestar.

Já a Delta Construções informa que vai se pronunciar no "foro adequado" sobre os recursos repassados para a Brava Construções e Terraplanagem e a Alberto e Pantoja Construções – que, segundo a Polícia Federal, são ligadas ao esquema do empresário Carlinhos Cachoeira, irmão de Paulo Roberto.

De acordo com o que a Delta já afirmou, as empresas que recebem verbas são suas fornecedoras. Já a defesa de Carlinhos Cachoeira diz que não se pronuncia sobre questões pontuais. Ele está preso desde o dia 29 de fevereiro.

Cachoeira não consegue ir ao enterro da mãe
A mãe de Carlinhos Cachoeira, Maria José, morreu na madrugada de ontem em Anápólis (GO), aos 79 anos. Mãe de 14 filhos (12 vivos), ela foi vítima de falência múltipla de órgãos. Segundo a defesa do empresário, não houve tempo para conseguir a saída temporária da prisão para o enterro.

Suborno dá contratos com governo, diz dono da Delta
Em conversa gravada em dezembro de 2009, o dono da Delta Construções S/A, Fernando Cavendish, afirma que é possível ganhar contratos com o poder público subornando políticos. A Delta já recebeu mais de R$ 3,6 bilhões em verbas federais desde 2003 e está no centro das investigações da Polícia Federal envolvendo Carlos Cachoeira, preso sob acusação de envolvimento em jogo ilegal.

"Se eu botar 30 milhões [de reais] na mão de político, eu sou convidado pra coisa pra caralho. Se eu botasse dez pau que seja na mão dele... Dez pau? Ah... Não é que seja um monte de dinheiro não, mas eu ia ganhar negócio. Ô...", diz Cavendish, que não se refere a caso específico. "Estou sendo muito sincero com vocês: 6 milhões aqui, eu ia ser convidado. 'Ô senador fulano de tal, tá aqui. Se convidar, eu boto o dinheiro na tua mão'", continua.

A gravação foi publicada ontem no blog Quid Novi, do jornalista Mino Pedrosa, que já trabalhou para Cachoeira.

Ministério Público em TO começa investigação sobre empreiteira
O Ministério Público do Tocantins abriu ontem investigação sobre eventual favorecimento à construtora Delta pelo governo do Estado. A suspeita surgiu após a divulgação, pela revista "Época", de escutas telefônicas da Operação Monte Carlo. Carlinhos Cachoeira e Cláudio Abreu, então diretor regional da Delta e apontado como sócio do empresário, conversam sobre apoio a políticos. Abreu foi afastado da construtora há duas semanas.

Na conversa, Abreu diz que, apesar de apoiarem Marcelo Miranda (PMDB), eles deveriam continuar em contato com seu adversário político, Eduardo Siqueira Campos, filho do governador Siqueira Campos (PSDB) e atual secretário estadual. "Ele mandou dar aquele negócio para nós lá: a inspeção veicular no Tocantins", diz Abreu a Cachoeira.

Comitê cobra impeachment de governador do DF após denúncia
Diretor do Comitê Ficha Limpa do Distrito Federal, Diego Ramalho Freitas apresentou ontem à Câmara Distrital do DF um pedido de impeachment do governador Agnelo Queiroz (PT) por seu suposto envolvimento com a quadrilha comandada pelo empresário de jogos ilícitos Carlos Cachoeira. A proposta tem pouca chance de ser aceita pelo presidente da Câmara, Cabo Patrício (PT). A denúncia se resume a cópias de reportagens publicadas nas últimas semanas sobre o caso Cachoeira que citam o governo Agnelo.

Não foram apresentados documentos que comprovem as denúncias nem foi indicado o local onde estariam essas comprovações, como exige a legislação. Pela lei, qualquer cidadão pode apresentar um pedido de impeachment, desde que seja fundamentado.

Presidência vai analisar ação de Ideli no caso das lanchas
A Comissão de Ética Pública da Presidência decidiu ontem abrir procedimento preliminar para analisar a conduta da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) na compra de 28 lanchas pelo Ministério da Pesca. Após avaliar as acusações contra a ministra e a defesa, apresentada antecipadamente, o colegiado vai decidir, em maio, se abre processo ético.

Ontem, o advogado de Ideli esteve conversando com membros da comissão, o que levou o presidente do órgão, Sepúlveda Pertence, a responder afirmativamente à pergunta sobre se considerava a visita uma pressão maior do que o normal. A ministra controlou a Pesca durante cinco meses no ano passado. O contrato para a compra das lanchas foi fechado na gestão do também petista Altemir Gregolin, antecessor de Ideli.

Paulo Bernardo será investigado por uso de jatinho de construtora
O Ministério Público Federal em Brasília abriu inquérito para apurar se houve improbidade administrativa do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, ao usar o jato de uma construtora. O Código de Conduta da Alta Administração Federal proíbe essa atitude. "Nenhuma autoridade pode receber transporte [...] ou qualquer outro favor de fonte privada", prevê a norma.

A construtora Sanches Tripoloni faz obras públicas com recursos federais no Paraná, base eleitoral do ministro e de sua mulher, ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil). Em julho do ano passado, a Folha revelou que a consultora Teresinha Nerone, amiga de Bernardo e Gleisi, trabalhou para convencer o Ministério dos Transportes a reajustar os valores de uma obra da Sanches Tripoloni. Ontem, o ministro disse que não poderia comentar o inquérito, o qual declarou ainda desconhecer.

Mensalão precisa ser julgado logo, diz Peluso – trecho de entrevista
Prestes a deixar a presidência do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, o ministro Cezar Peluso, 69, diz que o caso do mensalão precisa ser julgado rapidamente por três razões: para não interferir nas eleições, não correr risco de prescrição e porque "a opinião pública pressiona muito". Ele disse que, se fosse o ministro Ricardo Lewandowski, revisor da ação, "procuraria ser o mais expedito possível para me livrar desse constrangimento".

Folha - Na presidência, o sr. teve de lidar com a ausência de ministros. Isso atrapalhou?
Cezar Peluso - De algum modo sim, porque a gente em alguns casos muito sensíveis sempre tinha o temor do eventual empate em uma situação que demandasse outro tipo de solução: um impasse que, se resolve de um jeito é ruim, se resolve de outro é ruim também.

O STF não tem como pressionar a presidente a nomear...
Claro. Fica completamente embaraçado. Jamais fiz qualquer gesto, disse palavra alguma que pudesse significar tentativa de induzir a presidente a apressar a nomeação. Seria uma indelicadeza.

Neste ano, dois ministros deixam o tribunal. O sr. e Ayres Britto. Seria recomendável mais rapidez nas indicações?
Eu acho, como mera opinião, sem que seja uma crítica, que o Supremo ganharia muito se as nomeações fossem mais rápidas. Não apenas o Supremo ganharia, mas a sociedade. Porque o STF vai se defrontar com a mesma situação que eu me defrontei.

(...)

O sr. quer participar do julgamento do mensalão?
Nem gostaria nem desgostaria. Se estiver aqui, participarei, se não, não lamentarei.

Já começou a pensar no voto?
Mais do que pensar.

Pessoas próximas aos réus estão torcendo para que o sr. se aposente antes do julgamento, pois seria um voto pela condenação. Como vê isso?
Ao contrário, acho que minha imagem em questões penais é de um juiz garantista, um juiz liberal. Não sei de onde eles tiraram essa presunção de que sou muito rígido.

Corregedora do CNJ defende afastamento de desembargadores
A corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Eliana Calmon, defendeu ontem o afastamento de dois desembargadores do Rio Grande do Norte apontados como integrantes de um suposto esquema de desvio de recursos de precatórios no Estado. Em depoimento à Justiça, a ex-chefe da divisão responsável pelos pagamentos, Carla Leal, disse que, durante cinco anos, entregou dinheiro de fraudes a Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro, ex-presidentes do TJ-RN. Eles negam.

O Tribunal de Contas do Estado identificou irregularidades e desvios que ultrapassaram R$ 11 milhões. Para Calmon, o afastamento é necessário diante da "exposição" do Judiciário e para "preservar" os investigados.

MST invade prédio de ministério e cobra rapidez na reforma agrária
Um prédio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, em Brasília, foi invadido pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) na madrugada de ontem. Os cerca de 1.500 manifestantes reclamam da demora no processo de reforma agrária. O ministro Pepe Vargas (PT) disse que só reabriria o diálogo quando o local estivesse liberado, o que não havia ocorrido até a conclusão desta edição.

A ação faz parte de uma série de protestos pelo Brasil que também incluiu o bloqueio de rodovias. O movimento informou que houve ações em 13 Estados para relembrar o massacre de Eldorado do Carajás (PA), em 17 de abril de 1996, quando 19 sem-terra morreram em confronto com a polícia.

Após problemas, Receita adia prazo para o Simples
A Receita Federal prorrogou o prazo para as micro e pequenas empresas entregarem a declaração anual do Simples Nacional – regime simplificado de tributação que unifica impostos federais, estaduais e municipais. A data-limite passou de ontem para sexta-feira, após contribuintes que entregaram dentro do prazo terem sido multados por atraso. Também houve instabilidade no site do programa. A Receita Federal informou que as multas serão canceladas. Até as 17h de ontem, o fisco tinha recebido pouco mais de 3 milhões de declarações – 79% dos 3,8 milhões de documentos que são esperados.

Hillary sugere acordo de livre-comércio com Brasil
Além da redução da dupla tributação, demanda dos empresários brasileiros, Brasil e EUA precisam considerar um acordo de livre-comércio, afirmou a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em visita ao país. Cinco dias após a visita da presidente Dilma Rousseff aos EUA, a secretária participou de evento promovido pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) em Brasília e fez um discurso a empresários abrangendo diversos assuntos, sem entrar em detalhes sobre a necessidade de um acordo entre os países.

Mais tarde, em entrevista coletiva após encontro com o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, a secretária admitiu a necessidade de uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, apesar de não fazer uma defesa clara da candidatura brasileira a um assento permanente no órgão. "É difícil imaginar um conselho que não inclua o Brasil com todo o progresso que o país vem realizando e as oportunidades que vem oferecendo ao seu povo", ponderou. "Mas também aprendemos que, até que outros países se comprometam, não faremos o progresso necessário", completou.

Argentina nacionaliza empresa de petróleo
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, editou ontem decreto de "necessidade e urgência" por meio do qual o Estado tomou o controle da petroleira YPF/Repsol. Simultaneamente, Cristina enviou ao Congresso projeto de lei para expropriar os 51% da petroleira pertencentes aos acionistas espanhóis.

O restante das ações seguirá nas mãos da família Eskenazi, ex-aliada do governo que detém a porção argentina da empresa (25,4%), e de acionistas minoritários. A presidente disse que "os fundamentos claros e precisos" para a expropriação estão explicados no projeto, cujo objetivo é garantir "a recuperação da soberania hidrocarbônica da Argentina". A maioria kirchnerista no Congresso deve garantir ao governo aprovação tranquila do projeto de lei.

Grupo da Assembleia de Deus apoia Serra
Pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, o ex-governador José Serra conseguiu ontem o apoio da Convenção Geral da Assembleia de Deus no Brasil, maior tronco institucional dessa denominação no país, à sua campanha na eleição municipal. O acordo foi selado no escritório político de Serra, após reunião do ex-governador com o deputado federal Paulo Freire (PR-SP).

Membro da bancada evangélica na Câmara, Freire é filho do pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente nacional da convenção, espécie de instituição que coordena a organização de diversas igrejas da Assembleia em todo o Brasil. O pastor apoiou Serra na campanha à Presidência, em 2010.

Haddad diz que não esconderá Dirceu na eleição
O pré-candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse ontem que não esconderá o apoio do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, réu no processo do mensalão. O caso pode ser julgado até junho, segundo afirmou o presidente eleito do STF (Supremo Tribunal Federal), Carlos Ayres Britto. "Não podemos esconder as pessoas que nos apoiam. Elas têm direito de cidadania, de expressar sua opinião sobre o melhor para São Paulo", disse Haddad sobre Dirceu.

"O julgamento ainda não aconteceu. Por todas as declarações que ouvi, ele [Dirceu] é o mais interessado no desfecho desse caso. Quer ser julgado com base nas provas apresentadas, o que eu acho justo", acrescentou. Sobre a possibilidade de ter a candidatura prejudicada pelo julgamento, o petista afirmou: "Não trabalho com esse tipo de cálculo".

O GLOBO

Com resistência no PT e no PMDB, futuro da CPI do Cachoeira é incerto
A presidente Dilma Rousseff, apesar da preocupação com a repercussão no governo, não arcará com o ônus de impedir a criação da CPI Mista do Cachoeira, mas ainda é incerto o futuro da investigação. Setores mais moderados do PT - e, principalmente, o PMDB - protelam sua instalação, alegando que é preciso esperar a volta do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), hospitalizado em São Paulo.

Peemedebistas estão reticentes em assinar a CPI, principalmente por causa do suposto envolvimento de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, com o esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Grande construtora do PAC, a Delta tem contratos milionários com o governo de Sergio Cabral (PMDB-RJ).

As bancadas do PMDB aguardavam orientação do líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), que voou a São Paulo para se aconselhar com Sarney . Do encontro, participou também o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). No final do dia, os parlamentares em Brasília davam sinais de que não há pressa para instalar a CPI.

Carvalho: CPI é assunto do Legislativo
O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou ontem que no Rio a presidente Dilma Rousseff não ficou insatisfeita com a iniciativa do PT de apoiar a criação da CPI do Cachoeira sem antes consultá-la. Segundo Carvalho, que esteve no Centro para dar uma aula magna na Universidade Cândido Mendes, o assunto é do Legislativo.

- Para nós, a CPI é um assunto do Legislativo. Não convém que a gente fale. Não tem nenhuma palavra dela de insatisfação. Não ouvi nenhuma palavra dela nesse sentido. Existem versões, mas ela não disse em nenhum momento para a gente nem isso nem aquilo. Ela tem se mantido com muito cuidado. Se a gente não conseguir manter essa separação, a gente acaba mais confundindo do que ajudando - disse Carvalho.

'Ô, senador, eu boto o dinheiro na tua mão'
A Delta Construções apareceu em nova gravação, que não consta no inquérito da Polícia Federal sobre as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Em áudio divulgado no site "Quid Novi", o dono da construtora, o empresário Fernando Cavendish, fala dos milhões necessários para se ter as portas abertas pelos políticos. O PSDB já anunciou que vai tentar ouvir Cavendish na CPI do Cachoeira, assim que ela for instalada. Também vai pedir a quebra dos sigilos fiscal e telefônico do empresário.

O site é do jornalista Mino Pedrosa, que prestou serviços para Cachoeira. Ele disse que já fez trabalho de consultoria para o laboratório farmacêutico Vitapan, de propriedade do bicheiro. Segundo a Polícia Federal, que prendeu Cachoeira em fevereiro durante a Operação Monte Carlo, a Delta transferiu dezenas de milhares de reais para empresas de fachada controladas pelo bicheiro.

As declarações de Cavendish foram dadas durante reunião de diretores da Delta e da empresa Sygma, que estavam desfazendo uma sociedade. O site afirma que o áudio foi gravado por um dos diretores presentes, em 2009, mas a Delta, em nota, alega que a gravação é clandestina e que o trecho divulgado foi editado. - Se eu botar 30 milhões na mão de um político, eu sou convidado para coisa para caralho. Pode ter certeza disso. Te garanto - diz Cavendish na gravação. - Estou sendo muito sincero com vocês: seis milhões aqui, eu ia ser convidado (para tocar obras). "Ô, senador fulano de tal, se convidar, eu boto o dinheiro na tua mão" - afirma.

Delta financia fazenda de Cachoeira
A Delta Construções admitiu que o presidente de seu conselho, Fernando Cavendish, falou sobre pagamento de propina a políticos em conversa gravada em dezembro de 2009. De acordo com a empreiteira, as gravações foram feitas clandestinamente. Diante do detalhamento do diálogo, a empresa fez uma espécie de desagravo aos políticos, em nota, afirmando que "todos os seus acionistas controladores, diretores e executivos têm profundo respeito pelo Congresso Nacional, pelos congressistas, pelas instituições republicanas e pelo poder público".

O trecho divulgado, em que Cavendish fala sobre a suposta facilidade em se comprar um político, é, segundo a empreiteira, "parte editada de uma longa discussão em que os controladores das duas empresas, Delta e Sygma, discutiam os termos de uma dissociação".

A empreiteira número um do PAC sustenta que a gravação foi feita por "um dos antigos proprietários da Sygma, que estão sendo processados pelos controladores da Delta". Eles afirmam que o trecho em que Cavendish fala de políticos foi pinçado "a fim de promover chantagens negociais contra a empresa". A Sygma Engenharia foi adquirida pela Delta em 2008. Durante o processo de fusão, no entanto, os sócios se desentenderam. A Delta informou que está processando a empresa.

Fazenda paga por 'fantasma'
Financiada principalmente por repasses feitos pela Delta Construções que somam R$ 39 milhões, uma das três empresas de fachada controladas pelo grupo liderado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, a Alberto & Pantoja Construções, utilizou parte dos recursos para comprar uma fazenda de 4.093 hectares em Brasília. A fazenda Gama custou R$ 2 milhões e que estava em situação irregular. O negócio, em dezembro de 2010, chamou a atenção porque, segundo a Polícia Federal, "tratava-se de contrato de risco, uma vez que não existia registro da área nos cartórios do Distrito Federal e a propriedade da área também era questionada pela Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap)".

A Alberto & Pantoja Construções e a Brava, outra empresa do grupo de Cachoeira citada no inquérito, têm o mesmo endereço em Brasília - onde funciona uma oficina mecânica. No relatório da Operação Monte Carlo, a PF diz que a Fazenda Gama foi paga pela empresa Alberto & Pantoja, que recebeu milhões da Delta entre 2010 e 2011. A Pantoja era controlada por Geovani Pereira da Silva, identificado como tesoureiro de Cachoeira. Com base nas intercepções telefônicas e na quebra de sigilo fiscal, a PF descobriu que Geovani fez diversos repasses para servidores públicos e empresários. Três empresas, ligadas a um único empresário, receberam R$ 483 mil como parte do pagamento na venda da Fazenda Gama. Cachoeira incluiu ainda um avião Cessna como parte da transação.

Mensalão: ministros do STF pressionados a votar
Interessado em marcar o julgamento do mensalão para o primeiro semestre deste ano, o ministro Carlos Ayres Britto, que assumirá a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, tem trabalhado nos bastidores para viabilizar seu desejo. A despeito das pressões exercidas, direta ou indiretamente, pelos políticos envolvidos no escândalo e seus advogados, Ayres Britto, com a ajuda do relator do processo, Joaquim Barbosa, tem conversado com os demais colegas para verificar se já estão trabalhando em seus votos para o julgamento no plenário.

Ou seja: internamente, todos os ministros estão sendo pressionados para fazer sua parte. Em especial Ricardo Lewandowski, o relator revisor do processo. Recentemente, ele ouviu de um colega uma cobrança mais dura para que entregue logo o voto: - O senhor não quer entrar para a História como coveiro do mensalão, né?

Em dezembro do ano passado, Lewandowski recebeu de Barbosa o relatório do caso. Agora, precisa elaborar um voto minucioso e entregá-lo à presidência do tribunal para que o julgamento seja marcado. O voto do relator Joaquim Barbosa está quase pronto e terá cerca de 500 páginas.

Código Florestal: governo diz que espera relatório
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse ontem no Rio que o relatório do novo Código Florestal não está em sua mesa e que o governo só vai negociar quando o documento estiver pronto. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), marcou a votação da controversa matéria para o próximo dia 24, terça-feira, como acordado entre os líderes da Casa.

- Sobre Código Florestal, não tem relatório na mesa. E, enquanto isso não acontecer, o governo não negocia - disse Izabella Teixeira, antes de uma reunião sobre governança ambiental global, tema de discussão da Rio+20, com o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, no Jardim Botânico.

O texto já passou pelo Senado e voltou para apreciação na Câmara. Anteontem, o governo federal negou que a presidente Dilma Rousseff tenha aceitado um acordo com ruralistas para anistiar pequenos e médios produtores agrícolas que desmataram ilegalmente. Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, o relator da matéria deve apresentar o seu relatório de forma formal hoje.

Comissão de Ética analisa caso de Ideli
A Comissão de Ética Pública da Presidência abriu ontem procedimento preliminar para analisar a conduta da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, no episódio que envolve a polêmica compra de 28 lanchas pelo Ministério da Pesca, já contestadas pelo Tribunal de Contas União (TCU). A decisão da comissão provocou uma reação da assessoria da ministra, que procurou os integrantes da comissão para esclarecer a medida tomada pelo colegiado. O advogado de Ideli, Marcos Joaquim Alves, telefonou para o presidente do colegiado, Sepúlveda Pertence, protestando contra termos usados pela imprensa.

- Ele (advogado de Ideli) protestou, eu ouvi, contra a expressão "acolheu a representação". Não nego que o advogado protestou. Achava desnecessário, mas não vejo nada de extraordinário - disse Sepúlveda, ao responder que a pressão de Ideli foi maior que em outros casos.

Divulgada a decisão da comissão de receber a representação do PSDB contra a ministra, a assessoria de imprensa de Ideli procurou os jornalistas para contestar expressões como "acolheu representação" e "abriu investigação". O advogado da ministra passou a tarde conversando com os conselheiros.

Sarney tem alta da UTI e recebe visita de Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou ontem o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Sarney, que tem 81 anos, teve alta da unidade de terapia intensiva (UTI) ontem e foi transferido para uma unidade crítica cardiológica (semi-intensiva), após ser submetido a uma cirurgia cardíaca no fim de semana.

De acordo com boletim médico divulgado às 15h50m de ontem, o estado de saúde do presidente do Senado era estável. Ele se recupera de um cateterismo, seguido de angioplastia, para desobstrução de uma artéria, feitos no fim de semana após sentir dores no peito.

Lula foi ao Sírio-Libanês para sessão de fonoaudiologia, feita para a recuperação dos efeitos colaterais do tratamento contra o câncer de laringe. O encontro entre ele e Sarney começou às 13h35m e durou cerca de 15 minutos. De acordo com o filho do senador, o deputado Sarney Filho (PV-MA), os dois conversaram sobre amenidades e cuidados com saúde. A política não foi um tema abordado, segundo o deputado.

CORREIO BRAZILIENSE

Cachoeira na Papuda, e CPI na berlinda
Preso desde 29 de fevereiro no Presídio Federal de Segurança Máxima de Mossoró (RN), o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, será transferido para a Penitenciária da Papuda, em Brasília. Ele foi beneficiado por uma liminar concedida ontem à noite pelo desembargador Fernando Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O magistrado determinou que o contraventor seja transferido imediatamente, mas a logística da operação de transferência ainda estava sendo estudada pela Polícia Federal até o fechamento desta edição.

O transporte do bicheiro do Rio Grande do Norte para a capital federal será feito em aeronave da PF possivelmente hoje ou, no máximo, até amanhã. Cachoeira está preso preventivamente por comandar esquemas de corrupção e de exploração de jogos ilegais. Ao Correio Tourinho Neto disse que não há motivo para que o contraventor permaneça detido em um presídio de segurança máxima, "onde o indivíduo fica trancado 22 horas por dia em uma cela pequena e não vê ninguém".

"Aquilo tem que se admitir em casos de crimes hediondos. Mas contra ele, não pesam crimes violentos, horripilantes. Não quero dizer que são banais, mas o fato é que ele não é preso de alta periculosidade", afirmou o desembargador, lembrando que Cachoeira tinha direito a apenas duas horas de banho de sol por dia.

Pressionado, PT garante CPI
O discurso do PT a favor da CPI mista para investigar os negócios do bicheiro Carlinhos Cachoeira tornou irreversível a instalação da Comissão de Inquérito no Congresso. O líder do partido no Senado, Walter Pinheiro (BA), marcou reunião para o meio-dia de hoje na qual escolherá o nome dos senadores para a comissão. Na Câmara, o líder Jilmar Tatto (SP), negou que o risco de envolver o governo nas investigações seja suficiente para fazer o PT recuar. "Pode haver alguma preocupação de desgaste com o governo, mas temos que lembrar que essa não é uma CPI contra o governo", justificou Tatto.

A movimentação do PT deixou os demais partidos e a oposição em situação confortável. O Correio apurou que nenhuma legenda tem interesses reais na CPI, mas ninguém está disposto a recuar da bandeira levantada pelos petistas. Se as investigações chegarem no Planalto, a culpa seria do PT, não dos aliados. É a desculpa que os integrantes da base esperavam para vingar-se do partido da presidente. "O PMDB não propôs nada nem vai despropor. A ideia da CPI foi do PT, quem pariu Mateus que o embale", disse um interlocutor do partido.

A vice-presidente do Congresso, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), confirmou ontem que, assim que tiver em mãos as assinaturas suficientes para a instalação da CPI — 27 senadores e 171 deputados — ela será criada.

Dono da Delta insinua propina
O áudio de uma conversa do presidente da empresa Delta, Fernando Cavendish, com sócios e executivos da empresa aumentou a pressão pela realização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as ligações da empresa com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. No diálogo, Cavendish insinua o pagamento de propina para obter obras públicas. "Se eu botar R$ 30 milhões na mão de políticos, sou convidado para coisa pra c. ", disse o empresário durante a conversa.

O áudio foi divulgado pelo site de notícias políticas QuidNovi. A conversa teria acontecido em dezembro de 2008 e foi gravado pelo empresário Carlos Pacheco, ex-sócio e hoje desafeto de Cavendish, dono da empreiteira. Cavendish vai além e chega a dizer que, por R$ 6 milhões, ele consegue se aproximar de um senador para inserir a empresa em grandes obras federais. "Ó! Nem precisa tanto dinheiro não... eu sou muito competente nisso... senador fulano de tal, se (me) convidar, eu boto o dinheiro na tua mão", explicou.

Tentáculos do bicheiro no Judiciário
Vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 18ª Região, o desembargador Júlio César Cardoso de Brito fez lobby no Ministério Público do Trabalho (MPT) em prol de uma das empresas do bicheiro Carlinhos Cachoeira. A Ideal Segurança Ltda. sofreu uma sanção do MPT em Goiás em razão de fraudes na prestação de serviços e ficou impedida de firmar novos contratos com a administração pública federal por dois anos, contados a partir de abril de 2011. A decisão foi do próprio procurador-chefe do MPT em Goiás, Januário Justino Ferreira. No mesmo mês, o desembargador Júlio César — que nada tinha a ver com o processo em questão — ligou para o procurador e pediu que recebesse os representantes da empresa.

A Ideal Segurança pertence a Cachoeira, ao ex-delegado da Polícia Federal (PF) Deuselino Valadares dos Santos e ao ex-diretor da Delta Construções Cláudio Abreu, os três denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por participação no esquema de jogatina ilegal. A Ideal era usada para lavar dinheiro, segundo a investigação da PF que resultou na Operação Monte Carlo.

Júlio César é advogado e assumiu o cargo de desembargador do TRT da 18ª Região, sediado em Goiânia, em outubro de 2008. Ele assumiu a vice-presidência em janeiro de 2011. A vaga de desembargador é a do quinto constitucional, reservada para a advocacia. A nomeação foi feita pelo então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que escolheu o nome a partir de uma lista de três advogados.

Distância de Demóstenes
Procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres quer se desvincular de quem, até então, era sua fonte de inspiração: o irmão mais velho, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Diante das suspeitas de que o parlamentar usava o parentesco com a autoridade máxima do Ministério Público estadual para atender aos interesses do contraventor Carlos Augusto Cachoeira, Benedito tenta provar que os tentáculos da organização criminosa chefiada pelo bicheiro estão distantes de seu gabinete. Em entrevista ao Correio, ele se contradisse duas vezes: sobre a última vez que falou com Demóstenes e a respeito da data em que soube das gravações telefônicas em que era citado. Abatido, negou as acusações e afirmou que nem sequer sabia do vínculo entre o irmão e Cachoeira.

O senhor é citado em diversos telefonemas entre Carlinhos Cachoeira e o irmão do senhor, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).
Fiquei muito indignado com a irresponsabilidade do Demóstenes. Estive em Brasília na semana passada, ou retrasada, não sei a data certa, quando soube que meu nome e o do MP estavam colocados de maneira indevida. Em decorrência disso, conversei com ele e falei que não voltaria mais ali para conversar.

Então, o senhor teve acesso às interceptações telefônicas antes da publicação na imprensa, como revelou o Correio no último sábado?
Não, eu soube pelos jornais. Jamais conversei com o senhor Carlos Cachoeira, minhas conversas eram com o senador Demóstenes, e eu jamais pediria qualquer coisa a um promotor de Justiça. O procurador não manda no promotor. E todos os casos citados (em que Cachoeira pedia a intervenção de Demóstenes) tiveram decisões contrárias às supostas pretensões de Cachoeira.

Mas se o senhor encontrou Demóstenes na semana passada ou retrasada para tratar das escutas, o senhor teve conhecimento delas antes de os jornais publicarem?
Havia era bochicho, boatos, eu não tinha certeza. Seria impossível tomar providências.

O senhor não sabia que seu irmão conhecia Carlinhos Cachoeira?
Nunca soube que tinha relação, não sabia de nada.

O senhor se sente traído?
Demóstenes foi uma das pessoas em quem mais confiei, mas depois do que foi exposto, estou indignado. Tenho 21 anos de MP e, se procurar, não encontrará nada que me desabone. Você quer dizer traído numa maneira ampla? No aspecto que eu esperava uma coisa e veio outra, pode-se usar essa palavra (traição).

Procurador investigado
A Corregedoria-Geral do Ministério Público de Goiás abriu ontem investigação para apurar o possível envolvimento de integrantes do órgão citados nas interceptações telefônicas reveladas no último sábado pelo Correio. Nas gravações, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) assegura ao bicheiro Carlinhos Cachoeira a interferência em procedimentos internos do MP goiano, por intermédio de seu irmão, o procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres. O senador usa ainda o nome do presidente da Associação Goiana do Ministério Público, Alencar José Vital, como alguém que serviria aos interesses da organização criminosa.

Na capital federal, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) também deverá dar início a um processo para investigar as suspeitas de ingerência. A avaliação de conselheiros do órgão é de que se trata de um caso grave, já que um dos possíveis envolvidos é o chefe do MP goiano. É praxe que os processos disciplinares contra procurador-geral de Justiça sejam avocados pelo CNMP, pois os corregedores locais esbarram em dificuldades para investigar o comandante do próprio órgão.

Amigo de "Bené"
Um dos 14 integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), órgão que poderá julgar Benedito Torres, Alencar José Vital e até mesmo Demóstenes Torres — caso seu mandato seja cassado no Senado —, é amigo do parlamentar e do irmão dele há mais de 17 anos. O promotor de Justiça de Goiás Tito Souza do Amaral foi assessor de Demóstenes na Procuradoria-geral de Justiça de Goiás, na Secretaria de Segurança Pública do estado e se instalou no gabinete do senador de terça a quinta-feira durante nove anos, quando foi designado pelo MP goiano para acompanhar trabalhos de interesse do órgão.

Tito Amaral afirma que, durante o período em que frequentou o Senado — de 2003 a 2011 —, muitas vezes se hospedou na casa de Demóstenes. Segundo o conselheiro, a indicação de Benedito se mostrou "decisiva" para que conseguisse a vaga que ocupa desde maio do ano passado no CNMP. Foi o senador Demóstenes quem relatou sua indicação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O parecer favorável acabou seguido pelos senadores, convencidos por Demóstenes das "qualidades" do amigo. O conselheiro continua mantendo contato frequente com Demóstenes e "Bené", como se refere ao procurador-geral de Justiça de Goiás.

Pedido de cassação
O comitê Ficha Limpa do Distrito Federal deu entrada ontem, na Câmara Legislativa, com pedido de impeachment contra o governador Agnelo Queiroz (PT). A solicitação se baseia em denúncias desde a época em que Agnelo era ministro do Esporte, até as atuais. A Procuradoria da Casa tem cinco dias para se manifestar a respeito da solicitação. Um dos pontos que define a aprovação é a exigência legal de que o documento tenha provas.

O porta-voz do GDF, Ugo Braga, classificou o pedido como absurdo e uma tentativa de "golpismo barato". A crise política provocou um debate nos partidos que compõem a base aliada. Liderado pelo senador Rodrigo Rollemberg no DF, o PSB discute a possibilidade de deixar o Executivo.

Inovação em troca de pré-sal
A nova fase de cooperação econômica entre Brasil e Estados Unidos, costurada nas últimas semanas entre os presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama, está longe de eliminar as pendências bilaterais, mas já deixou bem claro seus alvos prioritários. Do lado brasileiro a expectativa está em receber conhecimento e tecnologia para promover a inovação do setor industrial. Para os norte-americanos, o interesse é sustentar o crescimento dos lucros com o turista brasileiro e, ainda, avançar a presença na exploração de petróleo e gás da camada do pré-sal.

"Vamos trabalhar juntos para ter soluções comuns para uma agenda de desenvolvimento e geração de empregos", discursou ontem a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. O encontro serviu para confirmar o passo seguinte aos acordos firmados entre ambos países durante a vinda de Obama ao Brasil, em março de 2011, e da visita, há uma semana, de Dilma a Washington. Mas também apontou outros desafios. "Nossa relação implica maior crescimento, mas precisamos resolver alguns problemas, como eliminar a bitributação e considerar um acordo de livre comércio", reconheceu.

Vaga na ONU é entrave
Acostumados a divergir sobre Síria e Irã nas instâncias internacionais, Brasil e Estados Unidos alinharam-se ontem no elogio aos últimos desdobramentos desses temas durante a visita da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ao Itamaraty. Mas a falta do apoio dos EUA à aspiração do Brasil por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) deixa ainda grande a distância entre os dois países na diplomacia internacional.

Após reunir-se com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, na noite de ontem, Hillary elogiou a retomada nas negociações com o Irã sobre seu programa nuclear, no fim de semana, e a decisão do Conselho de Segurança da ONU de enviar observadores para checar o cessar-fogo acordado na Síria. "Estamos interessados em ações, o mundo está interessado em ações, apesar da decisão do Conselho de Segurança, de maneira unânime, de apoiar o plano de Kofi Annan (enviado da ONU para a Síria)", disse Hillary, depois de comentar a retomada das negociações entre o Irã e o grupo P5+1 (cinco membros permanentes do Conselho de Segurança mais a Alemanha) sobre o programa nuclear persa.

Isenção de visto para os EUA fica para depois
Com a intenção de impulsionar o turismo e estreitar laços com o Brasil, o governo americano vem trabalhando nas últimas semanas para agilizar o atual processo de emissão de vistos e aumentar o número de voos diretos entre os dois países. Ontem, em Brasília, o secretário de Interior de Barack Obama, Kenneth Salazar, reforçou o compromisso, mas descartou a curto e médio prazo a possibilidade de os Estados Unidos deixarem de exigir visto de entrada para brasileiros. Depois de os EUA anunciarem recentemente a criação de mais dois consulados no Brasil — em Porto Alegre e em Belo Horizonte —, o secretário disse que a instalação completa está prevista somente para o fim de 2013 e início de 2014.

Segundo Salazar, a abertura dos novos consulados vai facilitar a ida de turistas aos EUA. "Nosso governo tem trabalhado muito para mostrar aos brasileiros que eles são bem-vindos. O turismo é uma das principais fundações da nossa relação com o Brasil", afirmou Salazar, em evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Câmara Americana de Comércio (AMCHAM) para receber a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e funcionários do governo e da embaixada.

Sem-terra invadem ministério
A invasão ao prédio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) foi o primeiro grande ato realizado ontem pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para marcar o Abril Vermelho, movimento que ocorre há 15 anos. Pelo menos duas mil pessoas são esperadas hoje em Brasília, onde haverá manifestações em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Câmara dos Deputados.

Em pelo menos 11 estados também estão sendo realizadas invasões de propriedades e bloqueio de rodovias. No Rio de Janeiro, por exemplo, cerca de 300 militantes ocuparam dois andares da superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O MST protesta contra a falta de assentamentos e estrutura nos locais para onde os sem-terra são conduzidos. Até o final da tarde de ontem, o prédio continuava tomado.

Cansados de conversas
O MST definiu três pontos para negociar com o governo: a estruturação dos assentamentos, a punição para os crimes cometidos contra trabalhadores rurais e a obtenção de terra para que mais famílias sejam alocadas. Segundo um dos coordenadores do movimento, Valdir Misnerovizc, há pessoas que estão morando há 17 anos em acampamentos, sem que consigam se instalar. Além disso, eles reivindicam o cumprimento dos programas prometidos pelo Palácio do Planalto, no ano passado, que inclui renegociação de dívidas dos pequenos produtores.

"O nosso problema não é o diálogo, mas sim medidas concretas que não estão sendo cumpridas. As conversas não resolvem nada para quem está acampado", afirma Misnerovizc. Segundo ele, a falta de atenção para a reforma agrária ocasiona até mesmo a violência no campo, como ocorreu na semana passada no Maranhão, quando um sem-terra morreu assassinado.

Lula visita Sarney, após operações
Uma comitiva de deputados e senadores, além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visitou ontem o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Ele se recupera de intervenções cardíacas promovidas no fim de semana. Foram ao Hospital Sírio-Libânes, em São Paulo, o filho dele Sarney Filho (PV-MA) e o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP); e os senadores Marta Suplicy (PT-SP), Gim Argello (PTB-DF) e Renan Calheiros (PMDB-AL).

"Ele contou em detalhes o que houve e a sorte que teve. Se não tivesse percebido os sintomas rapidamente, ele poderia ter sofrido um infarto mesmo", disse Marta. Segundo Sarney Filho, a família está "aliviada" com a rápida recuperação do senador.

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