Jornais: PT e PSB aumentam capital eleitoral, enquanto PMDB recua

Eleições em destaque nos principais jornais do país são uma radiografia das urnas: Estadão, por exemplo, mostra que PMDB teve recuo relativo, mas manteve capilaridade eleitoral; PT e PSB aumentaram prefeitos e eleitores

O ESTADO DE S. PAULO

PT e PSB saem das urnas com mais prefeituras e eleitores; PMDB recua
No balanço final da eleição de 2012, o PT e o PSB foram os partidos que mais ampliaram o número de prefeituras conquistadas e o contingente de eleitores a governar em relação a 2008. O PSD, em sua primeira disputa, obteve um lugar entre os maiores partidos, mas terá pouca influência nas cidades grandes.

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Veja o resultado das eleições em todo o país

Principal vencedor da eleição, o PT conquistou prefeituras que, somadas, concentram 20% do eleitorado. Em 2008, as cidades petistas abrigavam 16% dos eleitores do País. Sem o triunfo em São Paulo, o partido teria até recuado no quesito eleitorado governado - sozinha, a capital paulista abriga pouco mais de 6% dos brasileiros com direito a voto.

Primeiros colocados no ranking do eleitorado, os petistas ficaram em terceiro no número de prefeitos eleitos, com 633. O fato revela que o PT ainda tem dificuldades para conquistar as pequenas cidades, seara na qual o PMDB é a legenda mais forte.

O PT elegeu quatro prefeitos de capitais neste ano, menos do que em 2008 (seis) e 2004 (nove), mas ampliou seu espaço no conjunto dos 83 municípios com mais de 200 mil eleitores, o chamado clube do 2.º turno. Nesse grupo, os petistas vão governar 30% do eleitorado - porcentual acima de sua média nacional.

Peemedebistas mantêm capilaridade pelo País
O PMDB sai das eleições de 2012 como o maior partido em número de prefeituras do Brasil, mas teve um fraco desempenho nas maiores cidades, com exceção do Rio de Janeiro - onde o peemedebista Eduardo Paes foi reeleito em primeiro turno. A média de população nas cidades onde o partido venceu as disputas é de apenas 29,9 mil, menor que as médias do PT, PSB, PSDB e DEM. Sem o Rio, o resultado seria ainda menor: 23,8 mil.

Já o PT, além de ter o maior eleitorado do País, vai administrar os municípios com a maior média de população: 57,6 mil. O PSDB, principal rival dos petistas, vai governar cidades com população média de 35 mil, e o PSB com 47 mil.

'Sou o 2º poste do Lula', afirma Haddad
O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), ironizou no domingo, 28, a fama de "poste", atribuída a ele na campanha eleitoral. Na festa de comemoração de sua vitória, na Avenida Paulista, Haddad fez piada com o apelido e citou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como responsável por sua eleição.

"Sou o segundo poste do Lula. Tem alguém candidato a poste aqui?", perguntou Haddad, do alto do trio elétrico, numa referência à presidente Dilma Rousseff, que também foi chamada assim quando concorreu à sucessão de Lula, em 2010.

A uma plateia estimada entre 8 mil e 10 mil pessoas, o prefeito eleito admitiu, ainda, que pode ser candidato à reeleição e ficar oito anos no poder, se a população quiser. "Nós vamos trabalhar quatro anos, 365 dias por ano, 24 horas por dia para a gente mudar essa cidade", disse Haddad. O público gritou "oito", numa alusão a um segundo mandato. Ele sorriu e respondeu: "Oito".

Projeto do novo prefeito é enxugar secretarias
O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, planeja fazer uma reforma administrativa para enxugar estruturas e tornar a gestão um "laboratório de políticas públicas". A ideia preocupa aliados, que já disputavam cargos na equipe antes da vitória e agora temem a fusão de secretarias.

Haddad diz que fará um governo de coalizão com os partidos que apoiaram sua campanha, mas, nos bastidores, integrantes do PT desconfiam que a prioridade será para nomes da academia e técnicos de confiança. Ele faz mistério sobre as mudanças em estudo para que o secretariado tenha uma "visão integrada" da cidade.

O orçamento da Prefeitura para 2013 é de R$ 42 bilhões. Até agora, o mais cotado para assumir a Secretaria de Finanças é Nelson Machado, ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda no governo Lula. Machado foi um dos coordenadores da comissão de desenvolvimento econômico e social da plataforma de Haddad.

Haddad recebe telefonema de Serra durante discurso na Paulista
Embaixo de chuva, o prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou em discurso que "as forças adormecidas do progresso, da tolerância e da igualdade foram acordadas hoje na cidade de São Paulo", com a sua eleição. Durante um pronunciamento de dez minutos na Avenida Paulista, Haddad falou neste domingo, 28, que recebeu quatro telefonemas parabenizando-o pela vitória. O último deles foi o do candidato derrotado, o tucano José Serra, desejando-lhe boa sorte e destacando que eles fizeram um bom embate durante a disputa. Ao falar o nome do tucano, a plateia presente na festa da vitória do petista respondeu com vaias.

Segundo Haddad, o primeiro telefonema que recebeu foi o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu padrinho político, a quem Haddad classificou como grande brasileiro. Ao citar o nome de Lula, o prefeito eleito da capital brincou, dizendo que era um "segundo poste do Lula", numa referência à eleição da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, Lula sempre dá chance aos novos quadros.

O segundo telefonema foi da presidente Dilma Rousseff. Segundo Haddad, com sua eleição, o Brasil está de braços dados com São Paulo e São Paulo está de braços dados com o Brasil. O terceiro telefonema foi do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que além de parabenizá-lo, informou da disposição de fazer uma transição de alto nível entre os governos. "Eu aceito o desafio de fazer essa transição", disse Haddad.

E agora, Haddad?
Novo prefeito terá R$ 42 bilhões em 2013 para iniciar a resolução de uma série de problemas.

Eleições antecipam costuras pelo Planalto
Encerrado o 2.º turno das eleições municipais, a presidente Dilma Rousseff (PT), o vice Michel Temer (PMDB), o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) descem dos palanques e se movimentam para tirar o melhor proveito dos resultados das urnas. No horizonte de cada um, por menos que admitam, está a sucessão presidencial de 2014.

Para Marta Suplicy, ‘derrota de Serra foi merecida’
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, disse neste domingo, 28, estar satisfeita com a derrota do tucano José Serra (PSDB) na disputa pela prefeitura de São Paulo contra o candidato do PT Fernando Haddad. Ao chegar no hotel na região da Avenida Paulista onde os petistas se concentram, a ministra disse que "a derrota de Serra foi muito dura e merecida".

"Tive de conviver muito tempo com as mentiras que ele falou do meu governo, com as inverdades, com as apropriações de coisas que eu fiz e que ele disse que eram dele. Foi muito difícil ter de conviver com tudo isso e não ter como fazer as pessoas acreditarem que ele não falava a verdade", desabafou a ministra.

Marta contou aos jornalistas que muitos de seus amigos militantes do PSDB não aprovavam o comportamento de José Serra e que eles não votaram no candidato tucano. "Eles disseram: eu sou do partido, mas desta vez não vou votar no Serra. Não dá" comentou Marta.

Derrota cria nova polarização entre São Paulo e Minas
A derrota do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, cria uma nova polarização no principal partido de oposição, protagonizada pelo governador paulista, Geraldo Alckmin, e o senador mineiro Aécio Neves, ambos potenciais presidenciáveis. O enfraquecimento político de Serra, que nos últimos anos disputou espaço na legenda com Aécio, projeta Alckmin, ex-adversário de Serra em São Paulo, como a maior liderança do PSDB paulista. O governador passa agora a dividir a influência na legenda com Aécio, considerado o candidato natural para concorrer à Presidência em 2014.

A tendência é que Alckmin dispute a reeleição daqui a dois anos. Nesse cenário, poderia apoiar a candidatura de Aécio ou trabalhar por uma aliança em torno do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidenciável do PSB. A aliança nacional com os socialistas interessa aos aliados de Alckmin, que querem o apoio do PSB em São Paulo. O paulista pretende esperar 2018 para concorrer ao Planalto.

Indecisos e eleitores de Russomanno e Chalita ficam com Haddad
No 1.º turno, os eleitores que não se identificavam nem como petistas nem como tucanos saíram em busca de um candidato cujo passado fosse conhecido, mas que ao mesmo tempo não estivesse associado a promessas não cumpridas e a frustrações com o que já foi tentado e não deu certo. Essa fórmula os levou a Celso Russomanno e a Gabriel Chalita. No domingo, 28, tiveram de escolher entre o novo Fernando Haddad e o experimentado José Serra.

O novo revelou-se mais atraente. Até porque Haddad já não é mais desconhecido; só não é experimentado. Semanas antes do início do horário eleitoral, em agosto, o Estado entrevistou 52 eleitores de 7 bairros da cidade. Agora, voltou a ouvir os eleitores indecisos e os que já haviam escolhido candidatos que não fossem Haddad nem Serra.

Dos 14 entrevistados, 2 indecisos acabaram definindo-se por Haddad já no 1.º turno; 1 que havia votado em branco agora escolheu o petista; 4 votaram em Russomanno, dos quais 3 agora migraram para Haddad e 1 anulou; 2 votaram em Chalita e agora, em Haddad; 1 eleitor de Soninha votou nulo; 3 que estavam indecisos na época da entrevista acabaram se definindo por Serra, em geral por não gostarem do PT; e 1 que votou em branco no 1.º turno agora escolheu o tucano. Ou seja, dos 14, apenas uma conversão para Serra no 2.º turno.

Quatro municípios de SP escolhem pela 1ª vez prefeito em segundo turno
Doze municípios de São Paulo elegeram neste domingo, 28, seus respectivos prefeitos. Em quatro deles - Jundiaí, Taubaté, Franca e Guarujá -, a decisão da eleição em segundo turno ocorreu pela primeira vez, segundo informou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo.

A nova rodada ocorreu apenas em municípios com mais de 200 mil eleitores, onde nenhum candidato obteve mais de 50 por cento dos votos. Os municípios de Taubaté, Franca e Guarujá passaram da marca de 200 mil eleitores apenas nessas eleições.

Judiciário estuda mudar varas de lavagem de dinheiro
A cúpula do Judiciário federal estuda mudanças no sistema das varas de lavagem de dinheiro. Ainda é uma discussão embrionária, tratada com cautela em reuniões reservadas. Uma corrente defende a ampliação dessas unidades, responsáveis pela condução da maioria de processos contra políticos e empresários acusados de fraudes contra o Tesouro, desvios e peculato.

Outra ala sugere, porém, que todas as varas criminais federais tenham competência para conduzir ações sobre lavagem. O argumento central é que a nova lei que disciplina o tema (Lei 12.683/2012) extinguiu o rol de crimes antecedentes e com isso alargou demais a área de atuação das especializadas, que podem ficar congestionadas.

O GLOBO

Partidos ficam sem hegemonia nas capitais
As eleições municipais deste ano mostram a pulverização de partidos na disputa das capitais e principais cidades brasileiras, com destaque para três legendas: PT, que levou a prefeitura de São Paulo, maior colégio eleitoral entre os municípios, e governará 636 prefeituras que somam 37 milhões de habitantes, ultrapassando o PMDB neste quesito; o PSB, que se fortalece como partido nacional, elegendo o maior número de prefeitos de capitais (cinco) e 442 no total; e o PSDB que fez 698 prefeitos, mas na eleição das capitais mudou o perfil de seu eleitorado, saindo do Centro-Sul e conquistando espaços no Norte e Nordeste do país. Onze partidos dividem o poder das 26 capitais a partir de janeiro.

O PMDB, embora mantenha o comando no maior número de prefeituras - elegeu este ano 1.023, com 31 milhões de habitantes - mantém sua característica de partido dos chamados grotões, com resultado forte em municípios de menor porte. Os peemedebistas elegeram, ainda no primeiro turno, apenas dois prefeitos de capital: Rio de Janeiro (RJ) e de Boa Vista (RR). Neste segundo turno, perdeu todas as disputas nas três capitais que concorreu e ontem ganhou em seis das 13 cidades com mais de 200 mil eleitores que disputou ontem.

Em festa de Haddad, Maluf entoa ‘olê, olê, olê, olá, Lula, Lula’
Acusado de crimes financeiros, lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública, o deputado federal Paulo Maluf (PP) participou ativamente do festejo da vitória do petista Fernando Haddad em São Paulo. Maluf, que exigiu que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Haddad fossem até sua casa para pedir seu apoio nas eleições municipais, disse ter sido fundamental para a vitória do PT.

- A pesquisa Datafolha mostrou que 12% da população votaria no candidato que eu apoiasse - gabou-se Maluf, no QG petista. O deputado subiu ao palco do PT mesmo sem ter sido chamado e entoou as palavras de ordem do partido com desenvoltura. - Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula - cantou Maluf.

Durante toda a campanha, a participação de Maluf causou constangimento a Haddad, que evitou ser fotografado ao lado do deputado. Seu apoio resultou na desistência da deputada Luiza Erundina (PSB) de ser candidata a vice-prefeita na chapa petista. A ministra Marta Suplicy, do PT, também se recusava a subir ao palanque com Maluf.

Em clima de festa, Haddad diz que é o ‘segundo poste’ eleito por Lula
Em cima de um trio elétrico na Avenida Paulista, onde petistas comemoraram a vitória na noite deste domingo, Fernando Haddad brincou que é o “segundo poste” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Disse que seu padrinho político lhe telefonou após a confirmação do resultado e que estava muito orgulhoso com o desempenho do ex-ministro na corrida municipal. Recentemente, Lula, usando uma metáfora, disse que “de poste em poste ele estava iluminando o Brasil”. A presidente Dilma Rousseff também foi chamada de poste pelo PSDB.

— Vocês sabem que sou o segundo poste de Lula? Tem algum candidato a poste aqui? — questionou Haddad à plateia de cerca de 500 militantes.Sob garoa, Haddad ainda relatou ter recebido telefonema de Dilma Rousseff, que lhe garantiu que a parceria entre a prefeitura de São Paulo e o governo federal "será reforçada a partir de agora". Ele deve ir a Brasília já nesta segunda-feira, onde se encontrará com a presidente.

Uma aposta para renovar o PT pós-mensalão
Arrancando com minguados 3% de intenções de voto e com dificuldades para se viabilizar como candidato competitivo, o prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, não só virou a acirrada e simbólica disputa eleitoral da capital paulista. Ele se cacifou ao posto de nova liderança nacional do PT, sobretudo após o julgamento do mensalão ter solapado a imagem de caciques da legenda, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado José Genoino. Agora, o ex-ministro da Educação, que até 2012 sequer havia participado de uma eleição, comanda o terceiro maior orçamento do país e se tornou a referência no processo de renovação petista, estimulado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Quando a disputa municipal começou, o prefeito eleito tinha sérias dúvidas se teria fôlego suficiente para virar o jogo a tempo de vencer as eleições. À frente, um José Serra conhecido e confiante. E Russomanno, a surpresa do primeiro turno. Quando o Instituto Datafolha divulgou a primeira sondagem sobre o cenário eleitoral, ainda em dezembro de 2011, o então pré-candidato petista ficou apreensivo. Teve que ser tranquilizado por Lula, o padrinho que apostou todas as fichas em seu nome. Numa conversa pelo telefone, Lula lembrou a trajetória de Dilma Rousseff, que começou com 8% de preferência do eleitorado e acabou eleita presidente do Brasil. Ao chegar ao segundo turno, saltando dos amargos 3% para 28% dos votos, Haddad já se dava ao luxo de brincar com a situação.

- No dia em que saiu a primeira pesquisa, eu recebi um telefonema de um companheiro do partido com o resultado. Não foi fácil receber aquela notícia. Eu posso dizer que a primeira pesquisa do Datafolha a gente não esquece - lembrou Haddad.

Abatido, Serra evita falar sobre o futuro
O candidato tucano derrotado à prefeitura de São Paulo, José Serra, não escondeu o abatimento ao sofrer a segunda derrota consecutiva para um candidato "inventado" pelo ex-presidente Lula. Com um sorriso tímido, leu um discurso curto ao aparecer no comitê da coordenação de campanha depois do anúncio do resultado. Ao receber o abraço dos correligionários que o acompanharam no palanque, ele demonstrava desconforto. Evitou abraços demorados para não cair no choro. Mas muitos militantes e assessores deixaram o local chorando muito.

O pronunciamento foi feito com mais de uma hora de atraso, após o término da apuração, quando Haddad já tinha falado. Em alguns momentos, Serra tentou demonstrar ânimo. Não mostrou disposição de encerrar sua carreira política, no pronunciamento que fez ontem à noite, ao final da apuração. Ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito Gilberto Kassab (PSD), disse que saiu da campanha com mais energia, vigor, disposição e ideias renovadas do que quando entrou. Parabenizou o adversário petista Fernando Haddad, mas conclamou o povo de São Paulo a fiscalizar sua gestão e cobrar o cumprimento das promessas feitas na campanha.

Rodrigo Neves (PT) é eleito prefeito de Niterói
Em uma votação apertada, Rodrigo Neves (PT) venceu o segundo turno das eleições e é o novo prefeito de Niterói. Com 132.001 votos, 52,55% dos válidos, o petista ao lado do seu vice, Axel Grael (PV), tem a missão de administrar a quarta maior economia do estado.

Nos próximos quatro anos, ele promete tirar a cidade do isolamento e resolver problemas crônicos nas áreas de mobilidade urbana e saúde. Os números dos votos nulos e em branco e as abstenções, somados, chegam a 130.815 — 35.693, 12.350 e 82.772, respectivamente — e superam o resultado obtido pelo segundo colocado, Felipe Peixoto (PDT) que teve 119.205 votos (47,45% dos válidos) e quase se igualam aos votos do prefeito eleito.

Cármen Lúcia diz que abstenção de 19% no 2º turno é preocupante
A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Carmén Lúcia, disse na noite deste domingo que a abstenção de 19% registrada no segundo turno das eleições municipais é preocupante. No primeiro turno, o índice foi de 16,4%. Ela disse que, agora, cabe tanto aos órgãos da Justiça Eleitoral quanto a especialistas e cientistas políticos fazer avaliações sobre os motivos que levaram os eleitores a comparecer menos às urnas.

- Este é um dado que nós vamos nos debruçar sobre ele para que a gente tenha uma verificação adequada do porquê dessas ocorrências, quais as causas e, portanto, de quais medidas podem ser tomadas - afirmou a ministra, que ressaltou que, quanto maior a presença dos eleitores, maior a legitimidade do processo eleitoral.

Na avaliação da presidente to TSE, o segundo turno das eleições municipais transcorreu em "absoluta normalidade". Ela ressaltou que o país tem conseguido diminuir o tempo de apuração dos votos. O primeiro resultado, disse ela, de Vitória (ES), saiu após uma apuração de 44 minutos.

TSE: 303 urnas foram trocadas neste domingo, 0,3% do total
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que 303 urnas apresentaram problemas em todo o país e tiveram de ser substituídas ao longo do segundo turno das eleições municipais. O número representa 0,35% do total de 86.187 urnas utilizadas. De acordo com dados do balanço fechado às 20h44m deste domingo, 118 pessoas foram presas no país por crimes eleitorais. Outras 356 ocorrências de irregularidades foram registradas, sem, no entanto, que as pessoas fossem detidas.

Segundo os dados do TSE, o maior número de prisões ocorreu no Rio de Janeiro. Foram 81 detenções no estado, além de outras 51 ocorrências de crimes eleitorais. Os dados são defasados com relação aos divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ).

Em todo o país, as ocorrências apenas por boca de urna levaram a 96 prisões. Outras duas foram causadas pelo uso de alto-falantes ou outros amplificadores; cinco por divulgação de propaganda; três por transporte ilegal de eleitores; e 12 por "outros motivos".

Especialistas: siglas têm de buscar novos quadros
A vitória em São Paulo de um candidato que nunca havia participado de uma eleição é a prova da demanda do eleitor pela renovação na política brasileira. Essa é a opinião de cientistas políticos ouvidos pelo GLOBO. E o movimento, dizem, depende de novos quadros e da aposta em nomes até hoje pouco conhecidos.

CORREIO BRAZILIENSE

As cartas de Dilma, Aécio e Campos
Com a conclusão do segundo turno das eleições municipais, a presidente Dilma Rousseff, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) despontam como os três principais personagens do tabuleiro político de 2014. Ao influenciar de forma decisiva a eleição do petista Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo, a presidente enterra a imagem de inabilidade política e se credencia como uma das principais negociadoras do PT, consolidando o projeto de reeleição.

Amparado por um PSDB que sai das urnas como o partido mais forte da oposição, elegendo nove prefeituras das 17 que disputou no segundo turno, Aécio se afirma como pré-candidato tucano para 2014. Cortejado por ambos, Campos emerge das urnas no comando de um dos partidos de melhor desempenho este ano, com seis vitórias em 26 prefeituras.

Derrota põe Serra na berlinda
A derrota na disputa pela prefeitura de São Paulo praticamente sepulta qualquer pretensão futura de José Serra. Sem a presença de lideranças nacionais importantes em seu discurso de agradecimento — apenas o senador Aloysio Nunes Ferreira esteve presente —, Serra ainda tentou deixar em aberto que, para se livrar dele, os agentes políticos do PSDB terão que entrar em campo. "Saio desta campanha mais revigorado, com mais energia, disposição e novas ideias", declarou.

Mas Serra fica refém do discurso de renovação que o partido precisa enfrentar a partir de agora. Ontem, ao votar no Colégio Sion, na Zona Oeste de São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso elogiou a tenacidade do candidato do PSDB durante a disputa pela prefeitura, mas deu a senha de que o partido precisa virar a página. "O Serra é mais jovem do que eu e ele ainda tem a possibilidade de continuar a sua carreira, mas o partido, no geral, precisa de renovação. O momento é de mudança de gerações, mas isso também não quer dizer que os antigos líderes vão desaparecer. Eles têm apenas que empurrar os novos para a frente", comentou FHC.

Bandeira democrata fincada em Salvador
Os petistas tentaram ignorar os resultados das pesquisas de intenção de voto em Salvador, mas tiveram que engolir a vitória de ACM Neto (DEM), que, na véspera da decisão do segundo turno, chegou a ser chamado de "lobo em pele de cordeiro" pelo presidente do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP). O prefeito eleito da capital baiana teve 53,51% dos votos válidos, batendo o adversário, o petista Nelson Pelegrino (46,49%). A vitória do democrata começou a se delinear desde o início da apuração das primeiras urnas.

Havia quem apostasse no desmoronamento do projeto político do democrata, caso derrotado. Mas quem vai ter que repensar o futuro é Pelegrino, que perdeu a disputa ao Executivo municipal pela quarta vez. Em três delas (1996, 2000 e, agora, em 2012), o DEM, antigo PFL, levou a melhor. Com a vitória de ACM Neto, o carlismo retorna a Salvador depois de oito anos.

A vingança do tucano Arthur
Com 65,95% dos votos, o ex-senador Arthur Virgílio Neto (PSDB) conseguiu retornar à prefeitura de Manaus, depois de dois anos afastado de cargos públicos. "Que seja feita a vontade do povo, que o povo se pronuncie e registre o que ele quer para Manaus. Estou tranquilo, o que tinha que fazer, eu fiz", declarou. A adversária, Vanessa Grazziotin (PCdoB), ficou com pouco mais da metade dos votos do tucano (34,05%) e, agora, retoma o mandato de senadora.

Com a derrota em São Paulo, a vitória de Arthur Virgílio representa um dos mais representativos resultados do PSDB nestas eleições. Além de Manaus, os tucanos levaram em segundo turno as prefeituras de Belém e Teresina, que se somaram à vitória em Maceió, no primeiro turno. Na capital amazonense, com orçamento estimado em R$ 3 bilhões para 2013, Arthur Virgílio espera retomar seu prestígio e voltar a ser alvo dos holofotes também no cenário nacional.

Mas ele precisará de jogo de cintura para lidar com o governador do estado, Omar Aziz (PSD), que apoiou Vanessa Grazziotin. Aziz garantiu que vai procurar o eleito. Mas deixou uma farpa: "O que vier do governo do estado será só um apoio, a prefeitura tem recursos. Quem quer que vença a eleição deve manter a postura humilde que foi mostrada na hora de pedir os votos".

Ciro e Cid Gomes vencem PT
Eleito com 53,02% dos votos válidos, Roberto Cláudio (PSB) assumirá a prefeitura de Fortaleza no ano que vem. Afiançado pelos irmãos Gomes, o governador Cid e o ex-ministro Ciro, ele impõe uma derrota ao PT da atual prefeita Luizianne Lins, que lançou Elmano de Freitas (PT) como candidato. Os dois partidos romperam aliança pouco antes do período eleitoral, após discórdia sobre o nome escolhido pelos petistas para a disputa.

O deputado estadual começou a corrida eleitoral em 6º lugar, com 5% das intenções de votos, segundo Datafolha de 21 de julho. Na campanha, investiu na relação com os irmãos Cid e Ciro, em contraposição ao apoio do ex-presidente Lula a Elmano. Apostou também em propostas para as áreas mais criticadas em relação à Luizianne, a como saúde. O prefeito eleito promete construir 11 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e seis policlínicas.

A briga entre os padrinhos teve como pano de fundo planos futuros. Luizianne queria palanque para tentar o governo do estado em 2014. Já Cid e Ciro pretendiam manter prestígio político na região e se fortalecerem para uma possível candidatura (de um ou outro) ao Senado. O deputado teve a maior coligação na disputa em Fortaleza, com 12 partidos.

Cartaxo, o petista solitário do NE
O deputado estadual Luciano Cartaxo (PT) foi eleito prefeito de João Pessoa. É a única capital do Nordeste que vai ser governada pelo PT. Ele venceu a disputa eleitoral contra o senador Cícero Lucena (PSDB) com 68,13% dos votos válidos. O tucano conseguiu 31,87%. É a primeira vez na história que um petista vai administrar a capital paraibana.

Na reta final de campanha, Cartaxo recebeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no palanque, um padrinho de peso. No primeiro round da disputa, teve 38,32% dos votos válidos, enquanto Lucena somou 20,27%. O prefeito eleito já foi vice-governador da Paraíba e vereador de João Pessoa. Sua candidatura foi apoiada pela prefeito da cidade, Luciano Agra (sem partido), que rompeu relações com o governador do estado, Ricardo Coutinho (PSB).

O maior feito do PSol
Em Macapá, a única vitória do PSol em capitais foi muito apertada, com apenas 2,3 mil votos de diferença. Clécio Luís obteve 50,59% dos 200,1 mil votos válidos. O adversário, o atual prefeito Roberto Góes (PDT), recebeu 49,41%. Dois dias antes das eleições, levantamento do Ibope já previa que a disputa seria decidida pelos indecisos. A incerteza durou até o encerramento da apuração.

Com 100% dos votos contados, Clécio Luís venceu a eleição em mais uma virada em relação ao primeiro turno. Ele foi para o mano a mano com apenas 27,89% dos votos no primeiro turno, contra 40,18% do adversário. Roberto Góes deixa a prefeitura com uma mancha no histórico. Ele foi um dos alvos da Polícia Federal na Operação Mãos Limpas, que investigou denúncias de desvio de recursos públicos, e passou dois meses preso, em 2010.Oprimo do prefeito, o ex-governador Waldez Góes, também foi preso na operação.

Ponto para o novo PSD
O deputado estadual Cesar Souza Junior (PSD) enfrentou, no mesmo dia, um cortejo fúnebre e uma festa. Na madrugada de sábado para domingo, recebeu a notícia da morte da avó materna, enterrada ontem. No fim do dia, foi eleito para governar Florianópolis pelos próximos quatro anos. A vitória deu ao PSD, criado há um ano, o primeiro comando de capital no país.

Com o apoio do governador do estado, Raimundo Colombo, Souza Jr. desbancou o PMDB do cargo que ocupa há oito anos. O candidato, que cumpria o segundo mandato na Assembleia Legislativa e foi secretário de Cultura da cidade, era a principal aposta do PSD, mas o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, não foi a Florianópolis, nem gravou mensagens de apoio.

PMDB sai após 30 anos
Apuradas as urnas, a capital sul-matogrossense vai acabar com 30 anos de hegemonia do PMDB. O futuro prefeito de Campo Grande se elegeu sem qualquer apoio político importante. O deputado estadual Alcides Bernal (PP) foi escolhido com 63% dos votos, derrotando o deputado federal peemedebista Giroto, considerado favorito no início da disputa.

Bernal carregou a candidatura em uma campanha sem coligações e com recursos que não chegaram a um terço do dinheiro que Giroto declarou à Justiça Eleitoral. Com R$ 20 milhões disponíveis, o candidato do PMDB tinha a seu favor a máquina municipal do prefeito Nelson Trad Filho, e a estadual, do governador André Puccinelli, além de 16 legendas aliadas.

Só um troféu para o PPS
Em uma disputa bastante acir­rada, o médico e deputado esta­dual Luciano Rezende (PPS), que ficou em segundo lugar nas elei­ções de 2008, conquistou a pre­feitura de Vitória, derrotando o deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) por uma diferença de pouco mais de 10 mil votos. O novo prefeito teve 52,73% (98.937) dos votos válidos contra 47,27% (88.687) do tuca­no. A abstenção foi elevada: 21,38%. Votos em branco somaram 2,53%, e nulos, 4,01%.

Rezende, de 50 anos, exerceu quatro mandatos como verea­dor, foi secretário municipal de Educação e secretário estadual de Esporte e Lazer. Em 2010, con­seguiu se eleger deputado esta­dual. Natural de Cachoeiro de Itapemirim, o prefeito eleito é es­pecializado em medicina espor­tiva e atuou nos comitês Olímpi­co Brasileiro (COB) e Olímpico Internacional (COI).

Socialistas avançam em capitais
O desfecho das eleições municipais, com a apuração do segundo turno em 17 capitais, definiu com precisão a nova distribuição de forças nas principais cidades brasileiras. O Partido Socialista Brasileiro (PSB) é a legenda com maior número de prefeitos nas capitais. O partido do governador pernambucano, Eduardo Campos, conquistou cinco. Em 2008, só havia levado a melhor em três. Tucanos e petistas ficaram com quatro cada, seguidos pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), que ganhou em três.

Grande vencedor das eleições nas capitais, o PSB referendou ontem o título com as vitórias em Fortaleza, Cuiabá e Porto Velho. No primeiro turno, os socialistas haviam faturado as prefeituras de Recife e Belo Horizonte — essas duas consideradas as vitórias mais simbólicas e importantes do partido nestas eleições.

FOLHA DE S.PAULO

Haddad é eleito prefeito de SP; poder se fragmenta pelo país
O advogado e professor universitário Fernando Haddad, 49, foi eleito ontem o 51° prefeito de São Paulo, reconduzindo o PT ao governo da maior cidade do país depois de oito anos. Haddad obteve 3.387.720 de votos (55,57% dos válidos). O ex-prefeito José Serra (PSDB), 70, conquistou 2.703.768 de votos (44.43%). O percentual de eleitores paulistanos que votaram em branco, nulo ou se abstiveram (29,3%) foi o maior desde 1996.

Ex-ministro da Educação de Lula, que impôs seu nome ao PT, Haddad agradeceu ao ex-presidente pela “confiança, orientação e apoio", e a presidente Dilma, pelos “confortos nos momentos mais difíceis”. Ao celebrar a vitória, se definiu, ironicamente, como o "segundo poste” eleito por Lula e prometeu “derrubar o muro da vergonha” entre ricos e pobres.

A pulverização foi a marca da eleição no país. Em 2008, 11 partidos venceram nas 85 maiores cidades — agora, foram 16. O PSB foi o mais fortalecido, com cinco capitais e 11 dos 85 maiores centros. Apesar do triunfo paulistano, o PT perdeu no segundo turno em metrópoles como Salvador, Fortaleza e Campinas.

Serra diz sair ‘revigorado’; FHC defende renovação
José Serra declarou que sai da disputa em SP com mais "vigor", “disposição” e “energia” do que ao iniciar a campanha. Para o ex-presidente FHC, a prioridade do PSDB agora é “renovação”.

PT tem de aceitar decisão no mensalão, afirma Gleisi
A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, disse que os petistas vão ter de respeitar o julgamento do mensalão e que o eleitor soube separar o processo da eleição. Em SP, o ministro do STF Ricardo Lewandowski, que votou pela absolvição de petistas, foi chamado de "Liberandowski" e “vergonha nacional por eleitores.

Condenados pelo Supremo, o ex ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares comemoram a vitória de Fernando Haddad num churrasco promovido por sindicalistas. Pouco antes, militantes que acompanhavam Genoino no local de votação agrediram jornalistas.

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