Jornais: promotoria acusa de desvio empresa ligada a Ricardo Teixeira

Segundo Ministério Público, Ailanto desviou R$ 1,1 milhão do jogo Brasil x Portugal em 2008; promotoria quer que empresa, contratada sem licitação pelo GDF, devolva os R$ 9 milhões que recebeu para organizar a partida

FOLHA DE S.PAULO

Promotoria acusa empresa ligada a Teixeira de desvio
Empresa ligada a Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador Local da Copa-2014), desviou R$ 1,1 milhão do jogo Brasil x Portugal em 2008, segundo o Ministério Público. A Promotoria pede na Justiça que a Ailanto, contratada pelo governo do DF sem licitação, devolva os R$ 9 milhões que recebeu para organizar a partida. "A Ailanto agiu com ânimo fraudulento e com nítida má-fé", afirma o Ministério Público na ação.

A empresa é ligada a Teixeira. Como a Folha revelou, uma das sócias, Vanessa Precht, deu cheques nominais de R$ 10 mil ao cartola meses depois do jogo, para arrendar uma fazenda de Teixeira, segundo a Polícia Civil do DF. Além disso, uma empresa da Ailanto, a VSV, funcionou numa fazenda de Teixeira. Pelo contrato com o DF, a Ailanto deveria realizar o jogo. Mas a Promotoria afirma que a Ailanto, mesmo tendo recebido o dinheiro, não arcou com todas as obrigações que constavam do contrato.

Segundo a ação, a Federação Brasiliense de Futebol reteve o valor arrecadado na bilheteria do jogo, realizado no Gama, de quase R$ 1,3 milhão. O dinheiro deveria ir para o governo distrital, mas foi desviado e usado para pagar despesas do contrato da Ailanto, "contrariando todas as diretrizes do processo de contratação", afirma o Ministério Público no processo.

Foram R$ 258 mil com ingressos e planejamento, R$ 153 mil em decoração, R$ 311 mil em transporte e hospedagem e R$ 211 mil com segurança. Com as despesas administrativas, o valor chega a R$ 1,1 milhão, pago pela federação e que a Ailanto, por contrato, deveria bancar, segundo o Ministério Público.

STF aceita denúncia contra senador sob acusação de trabalho escravo
O Supremo Tribunal Federal decidiu ontem, por 7 votos a 3, que o senador João Ribeiro (PR-TO) será réu em um processo que irá investigar as acusações de que tenha empregado 35 trabalhadores em regime análogo à escravidão. O Ministério Público também acusa o senador de aliciamento de menor e submissão a condições degradantes de trabalho em uma fazenda de sua propriedade em Piçarra (PA).

Leia mais sobre o assunto aqui no Congresso em Foco:

Pedido de vista de Gilmar segura ação por trabalho escravo
Para o TST, senador praticou trabalho escravo
“Tentam me imputar essa pecha”, diz senador

Os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Marco Aurélio votaram pela rejeição da denúncia. Contatada, a assessoria de Ribeiro disse que ele divulgaria nota. Em 2010 seu advogado disse que ele estava recorrendo da condenação no TRT.

Apenas 5% dos congressistas aparecem em Brasília após o feriado de Carnaval
Apenas 35 dos 594 congressistas – 5% do total-compareceram ontem ao Senado e à Câmara dos Deputados, depois do feriado do Carnaval. A sessão de debates na Câmara durou menos de uma hora e meia. Isso raramente acontece, já que em geral os deputados presentes procuram aproveitar o espaço concedido pela TV Câmara para fazer discursos para suas bases eleitorais nos Estados.

Apesar de, segundo a secretaria da Casa, 23 deputados estarem presentes na Casa até 16 horas, apenas 15 fizeram discursos no plenário. Já no Senado, 12 congressistas compareceram. Pela manhã, os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) chegaram a trocar provocações em uma audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado que discutia a desocupação de Pinheirinho, em São José dos Campos (a 97 km de SP).

Deputados e senadores já haviam "enforcado" metade da semana que antecedeu o Carnaval. Grande parte deles deixou Brasília no dia 15.

Suplicy e Aloysio Nunes batem boca sobre caso do Pinheirinho
A discussão sobre a reintegração de posse da comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), provocou ontem um bate-boca entre os senadores paulistas Eduardo Suplicy (PT) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB). Em audiência na Comissão de Direitos Humanos do Senado, Ferreira acusou Suplicy e o PT de politizarem a desocupação para favorecer o partido nas eleições. Segundo ele, a reunião fazia parte de uma "operação política" do PT para atacar o governo de Geraldo Alckmin.

Assista ao vídeo com o bate-boca aqui no Congresso em Foco

"Se trata de um procedimento faccioso, unilateral, que terá como consequência a instrumentalização desta comissão por partidos políticos, no caso, o PT e outros grupos em nome dos quais o PT terceiriza o seu radicalismo, o PSTU, por exemplo."

Irritado, Suplicy reagiu aos gritos negando que tenha interesse eleitoral no caso e argumentou que as autoridades de todas as esferas foram convidadas para a audiência. Suplicy cobrou que o colega tivesse "dignidade" de ver as cenas das "barbaridades" ocorridas na ação realizada pela Polícia Militar. "Ele aqui veio dizer que não era verdade. Quero que escute o depoimento das moças que foram objeto de abusos sexuais indizíveis", disse Suplicy.

Disputa política no Banco do Brasil preocupa governo
Após as denúncias de irregularidades na Casa da Moeda e na Caixa Econômica Federal, o ministro Guido Mantega (Fazenda) enfrenta um novo foco de crise que ameaça a sua área: a disputa de poder no Banco do Brasil. A queda de braço envolve, de um lado, o presidente do BB, Aldemir Bendine, homem de confiança de Mantega e de Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência). Do outro, Ricardo Flores, o presidente do poderoso fundo de pensão dos funcionários do banco, a Previ, a quem Bendine acusa de querer derrubá-lo do cargo.

Em disputas paralelas, estão ainda alguns setores do PT que comandavam áreas do banco e foram escanteados após a chegada de Bendine. O presidente do BB e Flores não se falam há quase um ano. A Previ cuida das aposentadorias dos funcionários do BB e é responsável por investimentos bilionários. O grupo de Flores alega que o real interesse de Bendine é nomear um aliado no comando do fundo.

O rompimento vem de 2011, quando chegou ao conhecimento do Planalto que Bendine ambicionava ser indicado para o comando da Vale. Só que Flores, presidente do conselho de administração da mineradora, não chancelou seu nome. No governo, há o temor de que uma guerra de dossiês cause crise sem precedente e respingue em outras áreas.

Mantega diz que evitará real forte
O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que o fraco crescimento nos países desenvolvidos provocará uma nova "guerra cambial". O BC interveio no mercado, e o dólar subiu 0,23%, a R$ 1,711. Mantega disse à Dow Jones que o governo tem "um arsenal de instrumentos" para evitar uma valorização excessiva do real.

Deficit com o exterior é o maior desde 1947
As transações do Brasil com o exterior tiveram em janeiro o pior desempenho da história. O que o país gastou com a compra de bens, viagens internacionais e remessa de lucros de empresas ao exterior superou em muito as mesmas despesas feitas por estrangeiros com o Brasil. Isso resultou num saldo negativo de US$ 7,08 bilhões, o maior da série mantida pelo Banco Central desde 1947.

O que mais pesou foi o deficit na balança comercial de US$ 1,29 bilhão em janeiro – o primeiro resultado negativo em dois anos. Além disso, no mês passado, com as férias escolares e o dólar baixo, os turistas brasileiros deixaram no exterior quase US$ 2 bilhões, o segundo maior volume da história.

Brasil criou 119 mil vagas em janeiro
O Brasil criou 118.895 vagas com carteira assinada em janeiro, segundo o Ministério do Trabalho. É o pior resultado para o mês desde 2009, devido ao fechamento de vagas no comércio além do normal para o mês. O balanço final de 2011 divulgado ontem mostra que foram gerados 1,966 milhões de empregos no ano.

Ficha Limpa de SP vai valer para todos, diz Alckmin
O governador Geraldo Alckmin confirmou ontem que prepara um decreto para aplicar ao Executivo estadual a Lei da Ficha Limpa, validada recentemente pelo Supremo Tribunal Federal. Alckmin afirmou que a regra vai valer também para os atuais ocupantes de cargos públicos, não apenas para os servidores que entrarem a partir de agora.

Ontem a Folha publicou que, além do governo estadual, a Câmara Municipal de São Paulo prepara projeto que estende a aplicação da Lei da Ficha Limpa aos poderes Executivo e Legislativo municipais, mas apenas para novas nomeações. "[No Estado] vai valer daqui pra frente e daqui para trás. Nós vamos aplicar a regra [da Lei da Ficha Limpa] e ela vale para todos", afirmou Alckmin.

Na BA, filiado a partido tem ponto extra em concurso
Comandado pelo petista Jaques Wagner, o governo da Bahia incluiu a militância partidária e sindical como critério de classificação num processo seletivo do Estado. Pelo edital 001/2012 da Secretaria de Cultura, o candidato a "representante territorial" que tivesse "atuação em sindicatos, partidos e organizações da sociedade civil" poderia alcançar até 10 pontos de um total de 60.

Lançado para a seleção de representantes territoriais de cultura em nove regiões, o edital foi cancelado ontem, depois de reportagem do jornal "Correio da Bahia". "Achei um absurdo, injustificável, a redação. Mandei cancelar imediatamente", afirmou o governador.

Responsável pelo concurso, o superintendente de desenvolvimento territorial, Adalberto Santos, disse que o perfil ideal para o cargo é de "ativista político". Mas que foi um erro associar "ação política" à atividade partidária. Segundo nota da Secretaria de Cultura, ontem Santos pediu exoneração de seu cargo. O texto diz também que um novo edital para a seleção está em andamento.

PSDB aguarda conversa de Serra com governador
O ex-governador José Serra (PSDB) deve se reunir com o governador paulista Geraldo Alckmin até domingo. Segundo aliados, ele ficou de anunciar sua decisão. Se Serra decidir sair candidato a prefeito de São Paulo antes da data das prévias, haverá uma operação para acabar com a consulta.

Serra disse a aliados que sabe que o ideal seria dar uma resposta ao partido antes das prévias, mas que hoje ainda não tem posição sobre o tema. Alckmin disse que, "seja quem for o candidato, terá um arco de alianças forte".

Após pressão do Planalto, militares da reserva retiram críticas a Dilma
Após causar mal-estar dentro do governo, clubes que representam militares da reserva recuaram de críticas feitas à presidente Dilma Rousseff por ela não ter censurado falas de ministras e do PT contra a ditadura. O recuo, algo raro aos clubes, passou a ser debatido depois que, anteontem, o ministro da Defesa, Celso Amorim, e os comandantes do Exército, da Aeronáutica e do Estado Maior se reuniram e trataram do tema. Segundo a Folha apurou, o encontro foi acertado entre o ministro e o Planalto.

Coube aos chefes militares a tarefa de negociar o desmentido com as cúpulas dos clubes Militar, Naval e de Aeronáutica, que ontem, em nota de apenas uma frase, disseram que "desautorizam" o texto que eles mesmos haviam confeccionado. Publicado no último dia 16, ele sugeria que Dilma se afastava de seu papel de estadista ao não "expressar desacordo" sobre três declarações recentes de auxiliares e do PT.

A primeira delas foi feita pela ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos), para quem a Comissão da Verdade, que investigará violações durante o regime, pode levar a punições penais, apesar da Lei da Anistia. Depois, Eleonora Menicucci (Mulheres), ex-colega de prisão de Dilma durante o período autoritário, fez em discurso "críticas exacerbadas aos governos militares", segundo o texto. Já o PT, em uma resolução política, disse que deveria priorizar o resgate de seu papel para o fim da ditadura.

Jornalista vai pagar R$ 30 mil por ofensa a repórter
O jornalista Paulo Henrique Amorim, do site Conversa Afiada, terá que se retratar publicamente e pagar R$ 30 mil a uma instituição de caridade por ofender o repórter da TV Globo Heraldo Pereira. A decisão ocorreu por acordo entre os dois em audiência no Tribunal de Justiça do DF, na semana passada.

Pereira entrou com ação cível em 2010 por danos morais e danos a sua imagem. Na ação, argumenta que foi vítima de injúria e racismo reiteradas vezes em textos assinados por Amorim. Os textos diziam que Pereira era "empregado de Gilmar Mendes" [ministro do Supremo] e fazia "bico" na Globo.

Pereira também foi chamado por Amorim de "negro de alma branca", expressão que motiva uma ação penal, ainda não concluída, por racismo e injúria racial. Além dos R$ 30 mil, Amorim terá que publicar anúncio na Folha e no "Correio Braziliense" com retratação. Amorim não quis falar. Seu advogado, Cesar Marcos Klouri, disse que a expressão "negro de alma branca" foi tirada de contexto.

Cheio até a tampa – trecho de artigo de Marina Silva
Tenho tentado ajudar familiares e conterrâneos numa situação dramática que hoje vou ver de perto: a enchente do rio Acre, que já alcançou quase a marca histórica de 1997. Agora, com mais pessoas atingidas, devido ao crescimento urbano sem planejamento.

Entre as pessoas afetadas estão membros da minha família. Meu pai, com 80 anos, como a maioria das pessoas de sua idade, recusa-se a sair de casa, cuja palafita mandou aumentar para que ficasse acima da marca alcançada pela água em 1997. Vizinhos, como dona Antônia e dona Alzira, e minha irmã Doia, que também moram em casas altas, permanecem no local. Minha irmã comprou uma canoa e, com meu sobrinho Eudes, dedica-se ao trabalho de ajudar os desabrigados.

Consigo imaginar a aflição das milhares de famílias no Acre e em vários outros Estados, que olham para o céu indagando quando vai parar de chover ou quando chegarão os recursos prometidos. No caso do Acre, nem tanto: o esforço do governo estadual e das prefeituras, com a ajuda do governo federal, criou uma estrutura para abrigar com segurança e socorrer com rapidez. Admirável tem sido a mobilização da sociedade e do intenso voluntariado. Os órgãos públicos teriam muita dificuldade para acolher todos.

(...)

Ao brasileiro não falta solidariedade, nem amor à natureza e resiliência para suportar seus rigores. O Estado e seus dirigentes poderiam aprender essas lições, para distribuir com justiça os recursos e promover adaptações necessárias a este novo tempo de extremos. Hoje abraçarei meu velho teimoso e, caso o rio tenha subido, tentarei convencê-lo a ir para a minha casa, onde o igarapé São Francisco chega perto, mas não entra.

O ESTADO DE S. PAULO

Para deter PSD, 8 siglas fazem ‘guerrilha’ no Congresso e ação conjunta no TSE
Uma mobilização conjunta de oito partidos, que reúnem 265 deputados federais, foi desencadeada para impedir que o recém-criado PSD tenha acesso ao fundo partidário e ao horário eleitoral gratuito de rádio e TV em tamanho proporcional a sua bancada na Câmara, hoje de 47 parlamentares em atividade. A ação será coordenada no campo judicial e na "guerrilha" do Congresso. A pressão desse grupo já levou o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), a negar ao PSD a possibilidade de presidir comissões temáticas da Casa.

O próximo passo será o envio na semana que vem de manifestações ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o desejo do partido do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, de obter farto tempo na televisão durante as eleições de 2012. Os oito partidos optaram pela estratégia da saturação: vão enviar ao TSE oito memoriais anti-PSD.

Fazem parte desse movimento PMDB, PSDB, DEM, PP, PR, PTB, PPS e PMN. A articulação teve início em dezembro passado, como informou o Estado, e se intensificou na antevéspera do carnaval. Em reunião realizada no gabinete do presidente do DEM, senador José Agripino (RN), presidentes e representantes desses oito partidos decidiram criar uma estratégia jurídica conjunta para defender o próprio espaço ante aos anseios e articulações do PSD.

Programa da sigla vai ter só 5 minutos, decide o TSE
Na primeira decisão judicial tomada após o registro do PSD, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tratou o partido recém-criado como nanico. No início deste mês, o ministro do TSE Arnaldo Versiani concedeu à legenda direito a veicular o programa partidário obrigatório de rádio e TV de só cinco minutos neste semestre. O partido pleiteava um tempo maior, digno das grandes siglas.

Na decisão, Versiani afirmou que o PSD, embora conte em seu quadro com 52 deputados federais filiados (a atual bancada está com 47 parlamentares, pois 5 ocupam cargos de secretários estaduais), não constava do rol de legendas que participaram do pleito em 2010. Por isso, o partido não teve direito a dez minutos de programa partidário, além das inserções de 30 segundos e 1 minuto semestrais. O tempo concedido colocou o PSD no patamar de siglas como PSOL (3 deputados) e PTC (1). "É um disparate, não tem lógica", disse o advogado Admar Gonzaga, que recorreu da decisão em 9 de fevereiro.

Voto do Brasil moderno faz 80 anos
O Carnaval já passou, mas bem que as 71 milhões de eleitoras brasileiras podiam sair nesta sexta-feira, 24, às ruas comemorando. Nesta data faz 80 anos que o voto feminino entrou em cena - uma gentileza que fez à mulher brasileira o presidente Getúlio Vargas, ainda não ditador, a 24 de fevereiro de 1932, quando mandou publicar o primeiro Código Eleitoral do Brasil. Se hoje as mulheres são maioria no eleitorado (52%), se elas dominam 24 dos 27 Estados brasileiros, se têm no Palácio do Planalto o mais poderoso dos 136 milhões de votos, que agradeçam ao caudilho gaúcho que, lá atrás, abriu-lhes as portas da política.

Na mesma penada o código trouxe também o voto secreto - um definitivo adeus aos currais eleitorais da Velha República, controlados por velhos coronéis. No pacote, a Justiça eleitoral e o voto classista, que permitia às profissões elegerem seus representantes no Congresso. O cidadão começava a respirar uma pequena amostra do Brasil moderno.

Mas a história, é bom lembrar, não se faz de datas. Quatro meses depois o mesmo Getúlio sufocou a Revolução Constitucionalista de São Paulo, que pedia eleições diretas para presidente. Em 1934 se fez reeleger presidente pelo voto indireto de uma assembléia. Em 1937 liquidou todas as leis e implantou uma ditadura de oito anos. Mas o precedente estava aberto. Assim, o voto secreto, o feminino e a Justiça eleitoral voltaram à cena, sem traumas, na nova Constituição de 1946.

Internet cria o vereador do Projeto Pronto
O candidato a vereador nas eleições de outubro em qualquer um dos 5.565 municípios brasileiros poderá dispensar o preparo técnico, político ou administrativo. Se eleito, poderá deixar-se tomar pela preguiça. Bastará dispor de R$ 19,90 para comprar pacotes de projetos de lei pela internet e os apresentar nos Legislativos municipais como sendo seus. Pelo menos três endereços virtuais da rede mundial de computadores oferecem para as próximas eleições serviços especiais aos candidatos, com promessas de trabalho personalizado e até discursos exclusivos.

Os temas em pauta vão do esporte à educação, do meio ambiente ao lazer, da proteção ao idoso à proteção à mulher. O serviço a R$ 19,90 é de propriedade do mineiro Manoel Amaral, no endereço http://www.casadosmunicipios.com.br. Nos sites também são oferecidas fórmulas para projetos que visam a criar casas de cultura, turismo, ouvidoria do povo, normas urbanísticas, ocupação e parcelamento do solo, editais de contratação de servidores por tempo determinado, regulamentos do INSS, etc.

Há ainda mais opções disponíveis. Pela internet, o candidato poderá receber um curso sobre lei orçamentária, autorização para a instalação de postos de combustíveis, plano de carreira de servidores, curso para dar estabilidade a servidores. Enfim, temas do cotidiano das pessoas que vivem nos municípios e que vão votar nos vereadores que ocuparão as Câmaras Municipais nos próximos quatro anos.

Justiça rejeita ação contra ex-diretor geral da PF
A Justiça Federal rejeitou ação por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal contra o delegado Luiz Fernando Corrêa, diretor geral da Polícia Federal entre 2007 e 2011. Corrêa foi citado em ação civil que apontou supostas irregularidades em compras de programas de computador destinados a ações da corporação para os Jogos pan-americanos de 2007.

Em decisão de cinco páginas, o juiz Antonio Claudio Macedo da Silva, da 8.ª Vara Federal em Brasília, julgou extinto o processo, "sem resolução de mérito", e reconheceu "manifesta ausência de interesse processual em razão da inexistência de justa causa". A ação civil proposta pela Procuradoria da República apontou supostas irregularidades na aquisição de solução integrada em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), equipamentos, serviços e softwares destinados às ações de inteligência dos Jogos Pan-Americanos de 2007.

Na ocasião, Corrêa exercia o cargo de secretário nacional da Segurança Pública, que havia assumido em novembro de 2003, e coordenou a segurança dos Jogos. Em setembro de 2007 ele tomou posse como mandatário máximo da PF, cargo ocupado por três anos e meio. Na semana passada, Corrêa pediu para sair do cargo de diretor de segurança do Comitê Organizador das Olimpíadas.

Envolvido com trabalho escravo, senador do Tocantins vira réu no STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira, 23, abrir um processo criminal contra o senador João Ribeiro (PR-TO). Os ministros do STF receberam a denúncia na qual o Ministério Público Federal acusa Ribeiro de envolvimento com trabalho escravo. Com a decisão, o senador passa da condição de investigado para a de réu.

De acordo com a acusação, o congressista teria participado de aliciamento fraudulento de trabalhadores em Araguaína, no Estado de Tocantins, para que trabalhassem numa fazenda dele, localizada em Piçarra, no Pará. A denúncia teve como base uma inspeção realizada em 2004 por auditores do Ministério do Trabalho. A inspeção ocorreu após um trabalhador ter comunicado à Comissão de Pastoral da Terra (CPT) a suposta existência de trabalho escravo na fazenda.

Na inspeção, os funcionários do Ministério do Trabalho relataram ter encontrado 35 trabalhadores em condições subumanas de trabalho e acomodação. De acordo com os técnicos, os homens trabalhavam em jornadas excessivas e dormiam em ranchos cobertos com folhas de palmeira, sem sanitários e sem água filtrada. Os advogados do senador negaram que houvesse trabalho escravo.

Ex-réu do mensalão, Silvinho tem pena prorrogada pelo STF
O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou manifestação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e prorrogou por mais três meses o período para que o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira cumpra o acordo judicial que fez no processo do mensalão. A decisão, publicada no início do mês no Diário de Justiça, ocorreu depois de o petista não cumprir integralmente uma das duas exigências impostas pela Justiça para se livrar da acusação de formação de quadrilha.

Silvinho, como é conhecido, deixou de comparecer ao cartório da 2.ª Vara Federal Criminal da capital paulista nos meses de maio, junho e julho de 2010. Ele não apresentou justificativas para suas ausências. A ida à Justiça mensalmente ao longo de três anos ininterruptos, assim como a prestação de serviços durante 750 horas, eram as exigências para que o processo contra Silvinho fosse extinto.

Previsto pela legislação, o acordo - chamado de suspensão condicional do processo - foi firmado quatro anos atrás entre Silvinho e o ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza. Esse acordo é permitido nos casos de crimes cujas penas mínimas não são superiores a 1 ano de prisão. É o caso do crime de quadrilha pelo qual Silvinho é acusado. Em 2007, o STF não aceitou a denúncia contra o ex-secretário por corrupção e peculato.

Defesa planeja 'guerra' que só termina em 2016
O governo vai investir R$ 150 milhões na estrutura da Defesa para garantir a conferência Rio+20, em junho. É só o começo. A série de eventos segue em 2013 com a Copa das Confederações, o teste para a Copa do Mundo de 2014, a Copa América, em 2015, e só termina no dia 21 de agosto de 2016, encerramento da Olimpíada. No meio da agenda haverá ainda uma visita do papa Bento XVI em julho de 2013 - um roteiro de cinco dias, apenas no Rio.

Consideradas somente as providências da preparação para as três competições de futebol, as aplicações nas Forças são estimadas em R$ 699 milhões. O custo final das providências poderia chegar a R$ 5,2 bilhões, número submetido ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. Lula considerou a conta muito alta. O processo parou.

Os cálculos atuais, mais realistas, consideram R$ 1,5 bilhão como faixa limite. O ministro Celso Amorim tem dito que não vai faltar dinheiro para o programa.

Redutos do PT ainda ignoram Haddad
"Haddad? O nome me é familiar, mas não me lembro da pessoa, não", afirmou Cecílio Berto Oliveira, morador do M’Boi Mirim, na zona sul de São Paulo, que passava ontem ao lado do diretório zonal do PT na região, na mesma rua onde 37 adolescentes foram apreendidos em um baile funk no fim de janeiro. "Sou petista. Ele é do PT?"

Por ali também transitava o vizinho Diogo Gomes. "Como é o nome dele? Nunca ouvi falar. Ave Maria! Nem sei quem é Haddad." Funcionária de uma lanchonete em frente, dona Áurea fez coro: "Haddad? Não lembro. Acho que já coloquei umas faixas pra ele aí na frente".

Com a tarefa de se apresentar para os eleitores petistas como Oliveira, Gomes e Dona Áurea, o ex-ministro Fernando Haddad inicia nesta sexta-feira, 24, no M’Boi Mirim, um périplo pela cidade. Em todas as segundas e sextas-feiras o pré-candidato visitará bairros para ouvir líderes comunitários sobre os problemas locais, conversar com comerciantes e participar de reuniões plenárias nas quais debaterá com a população do bairro propostas para seu plano de governo. O ex-ministro pediu à sua equipe de pré-campanha que não divulgasse uma parte da agenda que terá na zona sul.

PSDB divulga cédula de votação da prévia do partido em SP
O PSDB divulgou nesta quinta-feira, 23, a cédula eletrônica que será utilizada na prévia que deve definir o candidato do partido a prefeito de São Paulo. O diretório estadual também liberou os quatro pré-candidatos tucanos à Prefeitura de São Paulo a gastarem R$ 25 mil cada um para tocarem as campanhas da prévia, marcada para o dia 4 de março.

Em e-mail enviado na terça-feira, 21, aos coordenadores de campanhas dos secretários Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente) e José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli, foi informado que o diretório estadual cobrirá os gastos até esse valor. O diretório municipal também está bancando parte da campanha dos tucanos, cujo principal gasto tem sido com mala direta para filiados do partido. O PSDB estipulou um teto de R$ 100 mil reais para cada pré-candidato gastar – o valor será rateado pelas duas esferas do partido.

Câmara de SP repagina Lei da Ficha Limpa em busca de 'agenda positiva'
A reboque da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a Câmara de São Paulo quer agora aprovar uma proposta de "Ficha Limpa" no funcionalismo municipal. Mas projeto de mesmo teor, aprovado em primeira discussão em junho de 2011, de autoria da bancada do PSDB, não prosperou nas votações realizadas no final de 2011.

Agora, às vésperas das eleições, líderes de bancadas do Legislativo tentam transformar a votação do Ficha Limpa paulistano em bandeira eleitoral. A preocupação com a falta de um "discurso" para as eleições de outubro aflige principalmente os 11 vereadores do PSD. Na avaliação de parlamentares que se filiaram ao partido do prefeito Gilberto Kassab (PSD), a indefinição do prefeito sobre qual lado ele estará no pleito deixa parte deles "sem discurso".

O projeto atual do Ficha Limpa da Câmara encampou parte da proposta já feita no ano passado pelo líder tucano Floriano Pesaro. Antes, já havia projeto que vetava a nomeação de funcionários "ficha suja" em trâmite na Casa desde 2005, de autoria do vereador Tião Farias (PSDB).

Serra aproxima PSDB da vitória em São Paulo, afirma senador tucano
O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), disse nesta quinta-feira, 23, que a candidatura de José Serra à prefeitura de São Paulo tem maiores perspectivas de vitória nas eleições de outubro. "Realisticamente, quem nos aproxima mais da vitória é ele", afirmou Álvaro Dias, ao ressalvar que não está defendendo que ele seja o candidato tucano. "Isso (a decisão de ser candidato) é pessoal dele".

Para Dias, a eventual entrada de Serra na disputa não seria "rasgar" as prévias para escolha de um candidato já em curso. No momento, há quatro pré-candidatos já lançados: Andrea Matarazzo, Bruno Covas, José Aníbal e Ricardo Trípoli. Ele ressaltou que os outros candidatos também são competitivos, mas admitiu: "Quando as prévias foram acertadas, Serra não era um potencial candidato".

O líder tucano acredita que essa candidatura é muito mais um "desejo do partido" do que do próprio Serra. Ele disse que já neste ano o PSDB deveria apresentar o modelo para as prévias presidenciais de 2014. A escolha do candidato poderia ocorrer depois das eleições municipais.

Banco Mundial libera US$ 16 milhões para Amazônia
O Banco Mundial aprovou ontem uma doação de US$ 15,9 milhões do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) para o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa). Com a verba, a segunda fase do programa deve possibilitar a proteção de mais 13,5 milhões de hectares no bioma. O dinheiro também será usado para consolidar 32 milhões de hectares de áreas protegidas já existentes.

Durante sua primeira fase, o programa criou 24 milhões de hectares de áreas protegidas e consolidou 8,5 milhões. A estimativa do governo é que essa proteção ajudou a reduzir o desmatamento na região em 37%, entre 2004 e 2006. Makhtar Diop, diretor do Banco Mundial para o Brasil, disse que a meta é atingir no futuro - sem dizer exatamente quando - um total de 100 milhões de hectares protegidos na Amazônia, "promovendo simultaneamente o crescimento econômico e serviços sociais através do uso sustentável de recursos", diz.

O GLOBO

TCU: manobra da Integração liberou verba contra enchentes antes de parecer técnico
O Ministério da Integração Nacional manipulou processos de liberação de recursos da Defesa Civil para que prefeituras tivessem os termos de compromisso firmados antes da emissão do parecer técnico atestando como e quanto o município deveria receber. A manobra assegurou o pagamento de R$ 11,5 milhões a seis prefeituras baianas, em 2009, durante a gestão de Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Outro convênio, com o governo do Maranhão, seguiu o mesmo procedimento, porém não houve repasses ao estado.

A manipulação foi comprovada durante a última inspeção que o Tribunal de Contas da União (TCU) fez na Secretaria Nacional de Defesa Civil, em 2010. Os auditores identificaram nas pastas onde os processos ficam guardados, bilhetes com a seguinte recomendação: "Atenção: o parecer de análise deverá ser colocado antes do termo de compromisso, com data anterior ao mesmo". Nos mesmos processos, os auditores encontraram folhas em branco à espera do aval da área técnica. As folhas só não estão completamente em branco por conta do aviso, em manuscrito, indicando a sua finalidade: "parecer de análise", que seria incorporado ao processo com data anterior a do Termo de Compromisso.

A manobra beneficiou as cidades baianas de Cairú (R$ 1,2 milhão), Lauro de Freitas (R$ 7 milhões), Mascote (R$ 600 mil), Valença (R$ 700 mil), Conde (R$ 1 milhão) e Simões Filho (R$ 1 milhão), atingidas por enchentes em 2009. No caso de Lauro de Freitas, que recebeu R$ 7 milhões para contenção de encostas, recuperação de vias urbanas, desobstrução de córregos e recuperação de prédios públicos, a liberação integral dos recursos ocorreu em dois meses. O convênio foi publicado em 21 de julho de 2009 e pago em 22 de julho do mesmo ano.

Planalto quer que estados homologuem situação de emergência nos municípios
O governo federal deve encaminhar nas próximas semanas ao Congresso proposta para que os estados retomem a prerrogativa de homologar os pedidos de situação de emergência apresentados pelos municípios, como ocorria até 2010. O objetivo é frear o descontrole de autorizações de repasses de recursos para municípios que decretam emergência ou calamidade sem a análise técnica adequada para avalizar as transferências.

De acordo com o secretário nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, a volta à regra anterior tem o apoio unânime nos grupos de trabalho que discutem as ações de Defesa Civil, tanto em Brasília quanto nos estados. A presidente Dilma Rousseff também determinou que o órgão faça um levantamento de todas as demandas do setor, em pessoal e infraestrutura, para adequar os sistemas de prevenção e de recuperação de áreas atingidas por desastres. O acompanhamento da ação está a cargo da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

Alterações na legislação, feitas em 2010, permitem que prefeitos comuniquem desastres diretamente ao governo federal, sem a intermediação do estado. A medida teve a intenção de acelerar o socorro às cidades, mas serviu também para escancarar brechas. O reconhecimento de todos os decretos no Brasil está nas mãos de seis funcionários do Ministério da Integração, a quem resta confiar nas informações transmitidas pelos municípios.

Senado defende hora extra polêmica
Mesmo com o feriado de carnaval, servidores do Senado se mobilizaram por causa de uma ação popular que tramita na 5 Vara Federal, em Porto Alegre, que contesta o pagamento de hora extra pelo Senado a servidores da Casa, em janeiro de 2009, em pleno recesso parlamentar. A ação, ajuizada em março de 2009, envolve 3.883 servidores que teriam sido beneficiados, com um custo de R$ 6,2 milhões. O Senado argumentou, nos recursos apresentados, que a decisão de pagamento de hora extra é correta e que vários departamentos da Casa estavam em funcionamento, como a gráfica.

A Casa informou ainda que a despesa total foi de R$ 6.252.008,92, e que vários servidores já haviam devolvido o dinheiro. Mas a devolução foi de apenas R$ 531.421,90. Essa polêmica foi revelada ontem pela coluna Panorama Político, do GLOBO.

Leia matéria exatamente sobre essa polêmica publicada pelo Congresso em Foco em 7 de fevereiro

O Senado conseguiu reverter uma primeira decisão preliminar, que determinava o ressarcimento imediato dos valores pagos aos servidores, mantendo a discussão até o julgamento do mérito. Mas a Justiça Federal determinou a citação nominal, por edital, dos servidores que teriam recebido hora extra, dando prazo para que se manifestem no processo.

O Sindicado dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União (Sindilegis) ofereceu assessoria jurídica para os servidores, que deveriam fazer o pedido até o último dia 20. Mas alguns servidores procuraram outras entidades ou advogados particulares. Em seu site oficial, o Sindilegis explica que servidores do Senado que tiveram seus nomes listados no edital de citação, pela decisão, tinham prazo para apresentar sua defesa nos autos.

Senador vira réu no STF por trabalho escravo
O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu ontem ação penal contra o senador João Ribeiro (PR-TO) por manter em sua fazenda 35 trabalhadores em condições análogas à de escravo. Por sete votos a três, os ministros receberam a denúncia do Ministério Público e transformaram o parlamentar em réu. Ele também responderá por aliciamento fraudulento de trabalhadores e frustração de direito assegurado pela legislação. Também é réu no mesmo processo o administrador da fazenda, Osvaldo Brito Filho.

O inquérito foi aberto no STF em junho de 2004. Segundo o Ministério Público, a partir de uma denúncia anônima, o Ministério do Trabalho fez uma fiscalização em fevereiro de 2004 na Fazenda Ouro Verde, no município de Piçara, no Pará. Os trabalhadores eram aliciados em Araguaina, em Tocantins, para trabalhar no local mediante a promessa de boa remuneração e benefícios.

Foram constatadas irregularidades como ausência de registro na carteira de trabalho e ausência de recolhimento de contribuição previdenciária. Sem instalações sanitárias, os empregados faziam as necessidades fisiológicas ao ar livre. A comida era feita em fogareiros improvisados e as refeições, no chão. Não havia água potável - os trabalhadores bebiam a água dada aos animais e usada para lavar roupas. Os dormitórios eram ranchos úmidos cobertos de folhas. Não havia assistência médica.

Estatuto do Torcedor é legitimado pelo STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) validou integralmente o Estatuto do Torcedor, criado em 2003 para combater a violência em eventos esportivos. A decisão unânime foi tomada no julgamento de uma ação de inconstitucionalidade proposta pelo PP. O principal ponto questionado era o que responsabiliza entidades organizadoras de torneios e competições por danos causados aos torcedores por falha na segurança.

Os ministros afirmaram que a lei serve para garantir a ordem, sem ameaçar a independência das entidades. O relator, ministro Cezar Peluso, presidente do STF, disse que o estatuto é rígido, mas o considera fundamental para proteger o torcedor de dirigentes oportunistas. A lei proíbe objetos, uso de fogos de artifício, bebidas ou substâncias que possam gerar ou possibilitar a prática de atos de violência.

'Leis descoladas da realidade'
Numa análise dos cerca de 3 mil projetos de lei que começaram a tramitar na Câmara em 2011, alguns chamam a atenção. Não pela relevância, mas pelo inusitado. Em alguns casos, nem os autores levaram fé nos seus projetos e os retiraram. É o caso do que instituiria o programa "A bucha vegetal brasileira"; ou o que obrigaria o o uso de coletes salva-vidas nos pedalinhos (este até se provou importante, após o acidente na Lagoa Rodrigo de Freitas); ou que obrigaria a aplicação de tinta fosforescente nas portas de saída de emergência nos veículos de transporte de passageiros. Os três são do deputado de primeiro mandato Weliton Prado (PT-MG).

O deputado Reinaldo Azambuja (PSDB-MS) quer que o capítulo sobre meio ambiente da Constituição troque a expressão "Pantanal Mato-Grossense" por "Pantanal do Centro-Oeste Brasileiro", já que 65% do bioma estão no Mato Grosso do Sul, e não em Mato Grosso. O leque de assuntos que os projetos tentam regular é variado. A deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP) quer que Macapá, por onde passa a linha do equador, receba o título de "Capital nacional do meio do mundo". Projeto do deputado Paulo Magalhães (PSD-BA) regulamenta a Vaquejada como atividade esportiva.

Para o cientista político João Paulo Peixoto, da Universidade de Brasília (UnB), a grande quantidade de projetos inusitados são arte de um problema maior. Segundo ele, há uma fúria legislativa no Brasil, que torna o país um dos mais regulamentados do mundo: - Essa fúria tem dois problemas. Cai na bizarrice. Muitas leis são descoladas da realidade.

Na Bahia, concurso dava ponto a filiado político
Quem mostrasse a carterinha de um partido político ou alguma "organizações da sociedade civil" teria vantagem na seleção pública promovida pela secretaria de Cultura da Bahia (Secult) para preenchimento de nove vagas de "representante territorial de cultura", com vencimento mensal de R$ 1,98 mil mais auxílio-alimentação. No edital 001/2012, que estava até a manhã de ontem no portal da Secult, uma das formas de pontuação era "atuação em sindicatos, partidos e organizações da sociedade civil (2,5 pontos por ano - máximo 4)".

Ou seja, o militante poderia somar dez pontos no processo de seleção, que também levava em conta pontos com doutorado, estágio em área cultural, obra literária publicada e outros itens técnicos. As inscrições da seleção seriam abertas a partir de ontem, mas o advogado da União e especialista em concursos públicos Waldir Santos denunciou o caso à imprensa numa carta aberta ao secretário da Cultura da Bahia, Albino Rubin.

Diante da repercussão do caso, a Secult cancelou o concurso. Onde se lia o edital, surge o aviso: "A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia comunica a todos o CANCELAMENTO do processo de contratação de representantes territoriais da cultura (edital 001/2012), visando avaliar os critérios de seleção desse edital".

Manutenção de estradas deve ser privatizada
O grande interesse de investidores por obras e pela exploração das rodovias brasileiras - confirmado nos disputados leilões de concessões realizados recentemente - levou o governo a estudar dois modelos inéditos de licitação para tornar estradas menos concorridas mais interessantes. A ideia passa por contratos de cerca de dez anos em que a iniciativa privada ficará responsável pela gestão e pela manutenção de pelo menos 10 mil quilômetros de estrada que deverão ser licitados nos próximos anos.

No primeiro caso, poderia haver a cobrança de pedágio, com a complementação por parte do governo dos custos de investimentos que a cobrança ao usuário não cobrir. Já o segundo seria a contratação de consórcios que ficariam responsáveis pela manutenção das estradas ao longo de uma década, remunerados pelo governo, porém sem poder cobrar pedágio.

Considerando apenas o custo médio de manutenção de um quilômetro de rodovia federal em um ano, trata-se de um negócio com potencial de, no mínimo, R$ 5,26 bilhões ao longo de dez anos. O valor não inclui gastos com melhorias e a construção de novos trechos. O custo por quilômetro asfaltado, de acordo com dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), é de cerca de R$ 1,8 milhão.

Alckmin vai exigir ficha limpa de servidor
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse ontem que estenderá ao funcionalismo público estadual a Lei da Ficha Limpa, aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada. Um decreto que impede a nomeação de servidores públicos para cargos de confiança, condenados em segunda instância judicial, deve ser publicado, até o fim de março, no Diário Oficial do Estado.

- Nós estávamos aguardando a decisão judicial e vamos agora formatar o nosso decreto estadual. Pronto, ele vai ser divulgado e vai ser publicado, mas ele vai valer daqui para frente e daqui para trás - disse o governador ontem, durante uma visita às obras da futura Escola Técnica Estadual (Etec) de Esportes, no bairro de Vila Maria, Zona Norte da capital paulista.

Perguntado se o decreto seria retroativo, o governador foi enfático: - Claro, claro. Quer dizer, não é uma lei dizendo: "Olha, nós vamos aplicar a regra daqui para frente". Nós vamos aplicar regra, ela vale para todos. Daqui para frente e para trás. Eu acho que em um mês, mais ou menos, já deve estar fechado. O decreto estadual está em estudo desde o fim do ano passado e deveria ser lançado junto com o Portal da Transparência, no início deste ano.

Tucano quer que Serra fale com pré-candidatos
Encarregado de conduzir o processo de escolha do candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin defendeu, em conversas que teve com os pré-candidatos tucanos nos últimos dias, que o ex-governador José Serra, se quiser disputar a eleição, terá que entrar nas negociações para viabilizar a própria candidatura.

O discurso de Alckmin desagradou integrantes do grupo de Serra, que esperam que a construção das condições políticas para que o tucano se lance na corrida eleitoral seja feita pelo governador. Nesta tarefa estão incluídas, entre outras funções, convencer os quatro pré-candidatos ou o vencedor das prévias a desistir da vaga.Para três pré-candidatos com quem esteve na última semana, Alckmin disse que o ex-governador vai ter que procurar cada um deles para conversar. O tucano também destacou que, por ora, não há "fato novo".

Comandante do Exército manda tirar nota de site
Incomodado com o teor da nota divulgada no último fim de semana pelos clubes militares, com críticas a ministros do governo Dilma Rousseff, o comandante do Exército, Enzo Peri, determinou que o texto fosse retirado do ar. Segundo oficiais do Exército, as críticas feitas pelos militares da reserva não foram bem recebidas pela cúpula da Força. Peri desautorizou qualquer manifestação nesse sentido.

A nota cobrava da presidente Dilma uma manifestação, diante de declarações da ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, e da ministra da Secretaria das Mulheres, Eleonora Menicucci. O texto "O manifesto" foi assinado pelos presidentes do Clube Militar, Renato Cesar Tibau Costa, do Clube Naval, Ricardo Cabral, e do Clube da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista, todos já na reserva.

Os militares reclamavam de Maria do Rosário por ela ter dito a vítimas da ditadura que recorressem à Justiça para punir seus agressores, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal (STF) já assegurou que a Lei da Anistia continua valendo para todos os casos. A ministra Eleonora foi criticada por também ter criticado a ditadura. O texto já saiu do site do Clube Militar.

Em 2012, zona do euro deve ter recessão
A economia da zona do euro está caminhando para sua segunda recessão em três anos, enquanto a União Europeia (UE) ficará estagnada, afirmou a Comissão Europeia, em relatório divulgado ontem, que alertou ainda para o fato de que a região ainda precisa quebrar o ciclo vicioso de dívida. A produção econômica das 17 nações que compartilham o euro terá retração de 0,3% este ano. Projeção divulgada no fim do ano passado apontava crescimento de 0,5%. Já os 27 países da UE, que geram um quinto da produção global, não registrarão crescimento este ano, contra estimava anterior de expansão de 0,6%.

A zona do euro esteve em recessão pela última vez em 2009, em decorrência da crise econômica global, quando teve retração de 4,3%. Para 2011, a Comissão Europeia estima que a zona do euro obteve uma expansão de 1,4%, e a UE, de 1,6%. No relatório, a Comissão afirma que "a perda de impulso econômico no fim de 2011 foi maior que o esperado".

CORREIO BRAZILIENSE

Golpe expõe falha na segurança da Câmara
Apesar de contar com um contingente de cerca de 200 agentes da polícia legislativa e distribuição de dezenas de câmeras de segurança — ligadas 24 horas —, a Câmara não conseguiu conter a atuação de integrantes de uma suposta quadrilha de estelionatários que vinham agindo livremente nos corredores da Casa. Os golpistas furaram o bloqueio de segurança e conseguiram coletar informações de clientes dos terminais de autoatendimento de bancos. De acordo com servidores ouvidos pelo Correio, pelo menos uma pessoa foi lesada com o esquema.

O alvo da ação foram os terminais da Caixa Econômica Federal (CEF) instalados no corredor das Comissões Temáticas, no Anexo II da Câmara. As máquinas são utilizadas por centenas de pessoas, entre servidores, visitantes e até parlamentares. A ação dos golpistas chama a atenção principalmente porque, nos locais destinados aos pontos de atendimento dos bancos na Casa, normalmente, são disponibilizadas duas câmeras de vigilância.

Os golpistas, no entanto, conseguiram furar o bloqueio de segurança e instalar nos terminais um sistema conhecido como "chupa-cabra". O mecanismo é acionado quando o cliente insere o cartão de crédito na máquina. Nos momentos seguintes, os dados são capturados e armazenados. O sistema também conta com uma microcâmera colocada nas laterais dos terminais que registra o momento em que a pessoa digita as senhas. Segundo servidores da Câmara, os golpistas passavam no fim do dia ou no início da manhã nos terminais para resgatar as informações. De posse dos dados, clonavam o cartão de crédito do cliente.

Ribeiro processado no STF
Eleito com 375 mil votos em 2010, o senador João Ribeiro (PR-TO) passou ontem à condição de réu em ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) por explorar a mão de obra de trabalhadores em condições análogas à escravidão. Os ministros da Suprema Corte aceitaram a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). De acordo com a acusação, 35 funcionários da Fazenda Ouro Verde, de propriedade de João Ribeiro, em Piçarra (PA), teriam trabalhado em condições degradantes.

A denúncia formulada em 2004 teve como base uma inspeção realizada em fevereiro do mesmo ano por auditores-fiscais do Ministério do Trabalho na fazenda de Ribeiro. O fato foi descoberto a partir de informações prestadas por um trabalhador à Comissão Pastoral da Terra de Araguaína (TO). A fazenda está localizada no Pará, próximo a divisa com Tocantins.

Por sete votos a três, os ministros aceitaram a denúncia contra o senador e também contra Osvaldo Brito Filho, apontado como administrador da propriedade. Prevaleceu o voto da relatora do processo, a ex-ministra Ellen Gracie, que, em outubro de 2010, votou pela abertura da ação penal. Na ocasião, Gilmar Mendes pediu vista do inquérito. Na retomada do julgamento ontem, a ministra Rosa Weber ficou impedida de participar, uma vez que ela substitui no STF exatamente Ellen, aposentada no ano passado.Sanção em novembro

Comissão vira debate partidário
A Comissão de Direitos Humanos do Senado foi palco de um acalorado bate-boca entre os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Aloysio Nunes (PSDB-SP), ontem de manhã, durante a audiência pública para discutir as suspeitas de violência praticada por policiais que participaram da reintegração de posse de uma área em São José dos Campos (SP). A situação dos moradores deu lugar à troca de acusações e a uma disputa partidária. A desavença teve início quando Aloysio protestou contra a fato de a reunião tratar somente do caso do Pinheirinho, em São Paulo, estado governado pelo PSDB. Inconformado, ele pediu que também fossem debatidos episódios de desocupação no Piauí, Distrito Federal e Acre — os dois últimos governados por petistas.

Defendendo a atuação da polícia paulista, o senador tucano chamou os líderes do movimento de resistência à desocupação de "parasitários" e afirmou que o PT estava tentando capitalizar politicamente o que ocorreu em Pinheirinho: "Estamos diante de uma operação política, em que o PT terceiriza o radicalismo de outros para promover seus interesses eleitorais. Por essa razão, o secretário da Casa Civil (paulista) enviou ontem um ofício ao presidente Paim, dizendo que nessas condições não haveria representação do governo de São Paulo, por entender que se trata de um procedimento faccioso, unilateral, que terá como consequência a instrumentalização desta comissão por partidos políticos", disparou Aloysio, justificando a ausência de representantes do governo estadual de São Paulo.

As acusações despertaram a ira de Suplicy, que, batendo na mesa, devolveu: "Queria que o senador Aloysio Nunes tivesse a dignidade de ver este filme com as cenas, algumas das quais de emissoras de TV, demonstrando a violência ocorrida. Isso é preciso que se diga. E ele aqui veio me dizer que funcionárias minhas fizeram declarações. Elas foram testemunhas da barbaridade ocorrida ali no Campo dos Alemães. E é importante que ele possa ouvir, possa ouvir e possa trazer aqui o comandante da PM".

Dilma enquadra e militares baixam o tom
A presidente Dilma Rousseff, irritada com os militares da reserva pelas críticas polêmicas publicadas em nota contra o governo, acionou o ministro da Defesa, Celso Amorim, para que enquadrasse o grupo. Em plena quarta-feira de cinzas, Amorim convocou uma reunião com os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, mais o chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi, e expressou sua contrariedade com o manifesto do Clube dos Militares, divulgado na semana passada.

A forte reação da presidente Dilma, materializada no puxão de orelha que Amorim deu nos oficiais, surtiu efeitos rápidos. Ontem, o site do Clube Militar publicou nota em que os presidentes da entidade "desautorizam" o texto anterior, que havia sido assinado por eles próprios.

Segundo um integrante da cúpula do Ministério da Defesa, durante a reunião, que levou à publicação da retratação, Amorim teria dito aos comandantes que o Clube Militar extrapolou no direito à manifestação ao fazer referência a uma atitude da presidente Dilma Rousseff, já que ela é a comandante suprema das Forças Armadas. "A crítica à presidente é inaceitável. Foi um erro grave do Clube Militar", apontou o interlocutor do ministro.

Uma relação turbulenta
Em agosto do ano passado, as Forças Armadas reagiram mal quando a presidente Dilma Rousseff indicou Celso Amorim para o Ministério da Defesa, no lugar de Nelson Jobim, demitido após um conjunto de declarações polêmicas. A pior reação veio do Exército, que já havia experimentado uma relação conflituosa com um ministro da Defesa escolhido entre os integrantes da diplomacia, o embaixador José Viegas, que ocupou a pasta no primeiro mandato de Lula.

Além disso, contribuiu para azedar a relação um histórico de desavenças entre Amorim e os militares, iniciado ainda durante a ditadura. Em 1982, Amorim foi demitido da direção geral da Embrafilme por causa de um filme que retratava a tortura no regime militar.

Em 2006, quando o presidente da Bolívia, Evo Morales, ordenou a invasão das refinarias de gás da Petrobras e a nacionalização da operação, a atuação de Amorim, então ministro das Relações Exteriores, foi considerada "entreguista" pelos militares brasileiros. Em 2009, a decisão do MRE de dar abrigo a Manuel Zelaya, presidente deposto de Honduras, causou reação no Exército. Por fim, no episódio do terremoto no Haiti, em 2010, o pedido de Amorim ao Congresso para que fosse aumentado o número de militares brasileiros contrariou a cúpula das Forças Armadas.

Emendas negadas a Chagas
Excluído do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), paralisado há 14 meses, ineficaz nos repasses às prefeituras e prejudicado com os cortes no Orçamento da União de 2012, o Programa de Melhoria Habitacional para o Controle da Doença de Chagas teve um baixíssimo índice de execução das emendas parlamentares nos últimos cinco anos. Um levantamento do Correio sobre os pagamentos das emendas, com base no sistema alimentado pelo Senado, mostra que apenas R$ 5 milhões dos R$ 124,2 milhões aprovados – 4% – foram efetivamente pagos pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), subordinada ao Ministério da Saúde e responsável pelo programa.

A destinação de recursos classificados como restos a pagar — valores das emendas que se acumulam para os anos seguintes — eleva os pagamentos para R$ 18,9 milhões, conforme consulta feita pela liderança do DEM, a pedido do Correio, no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). Ainda assim, trata-se de um baixo índice de execução das emendas: 15%.

A reforma ou substituição de casas de taipa e pau a pique situadas em áreas de risco por infestações de barbeiros, vetores da doença, é considerada a principal forma de evitar novas transmissões vetoriais do mal de Chagas. O programa da Funasa passou a fazer parte do PAC em 2007, diante da gravidade da situação: 606 municípios brasileiros (10,9%) são considerados como áreas de alto risco à doença, conforme classificação do próprio Ministério da Saúde. As casas propícias aos barbeiros abrigam 60,1 mil famílias. O programa de melhoria habitacional perdeu força no Ministério da Saúde e, como o Correio mostrou ontem, foi diretamente impactado com o corte de R$ 5,4 bilhões nas despesas previstas para a área de saúde neste ano.

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