Jornais: Saúde aponta fraudes com medicamentos em 23 capitais

Em 23 das 27 capitais brasileiras, relatórios de 2013 e 2014 do órgão de controle interno do SUS apontaram falhas de gestão ou indícios de fraudes no setor, diz jornal O Globo

O GLOBO

Auditorias do Ministério da Saúde apontam irregularidades envolvendo medicamentos em 23 capitais
Superfaturamento, venda de remédio a falecidos, "empréstimo" de medicamentos entre hospitais, direcionamento de licitação, sobrepreço que chega a 10.000%, estoques sem monitoramento e até uso de talidomida sem controle. Levantamento do GLOBO em auditorias e fiscalizações do Denasus (Departamento Nacional de Auditoria do SUS) nas capitais brasileiras mostra problemas na área de medicamentos em praticamente todas elas: em 23 das 27 capitais, relatórios de 2013 e 2014 do órgão de controle interno do Sistema Único de Saúde (SUS) apontaram falhas de gestão ou indícios de fraudes no setor. O GLOBO também levantou exemplos de fraudes e má administração envolvendo uso de remédios nos Ministérios Públicos federal e estaduais, em Defensorias Públicas e na Polícia Federal.

Os dados fazem parte de uma série de reportagens que começa hoje, sobre problemas em políticas de medicamentos no Brasil. Mais que os números, o quadro revela o sofrimento de pacientes que dependem do SUS: a principal consequência das irregularidades - sejam causadas por má-fé ou por falha de gestão e controle - é a falta de remédio para quem precisa. A saúde pública foi, segundo sondagem da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (DAPP/FGV) em seis regiões metropolitanas, o setor de maior insatisfação da população (79% dos entrevistados), junto com a segurança (80%).

Troca de medicamento por voto levou à cassação de prefeito, mas político voltou ao cargo
Vinte anos depois de ter tentado pela primeira vez se tornar prefeito de Pindaré-Mirim, no Maranhão, o médico Walber Pereira Furtado (PR-MA), hoje com 58 anos, venceu a eleição em outubro de 2012. Em dezembro do mesmo ano, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA) julgou procedente o Recurso Contra Expedição de Diploma (RCED), por prática de captação ilícita de sufrágio (compra de voto) e abuso de poder econômico.

Por cinco votos a um, os mandatos de Walber e do vice-prefeito Aldemir Lopes Fonseca foram cassados. No entanto, uma mudança de entendimento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considerou que o recurso era inconstitucional. Assim, Walber e Fonseca continuam à frente da prefeitura, que até esta semana não tinha telefone.

A ação contra Walber e o vice foi ajuizada, pela coligação adversária, no TRE-MA logo depois da diplomação. Acusava Walber de doar medicamentos e de usar o receituário dos hospitais onde trabalhava para atender os eleitores em troca de votos.

Órgão do SUS aponta problemas em contratos de empresa que distribui remédios
Falta de medicamentos “de uso diário” de pacientes internados foi o que o Denasus encontrou no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, em auditoria do início deste ano. Mais que a ausência de remédios, porém, o órgão de controle do SUS apontou também indícios de irregularidades numa forma de atuação presente em outros estados: a transferência, pelos governos estaduais, da guarda e distribuição de medicamentos para empresas e entidades não governamentais.

TRE-RJ lacra gráfica envolvida em suposto esquema de fraude para coligação do PMDB
A fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) lacrou na sexta-feira, por tempo indeterminado, a empresa de comunicação visual High Level Signs, no Méier, Zona Norte do Rio. Segundo o tribunal, a gráfica mantém contratos com a prefeitura do Rio e o governo estadual e pode participar de um esquema de desvio de dinheiro público para elaboração da propaganda de candidatos da coligação PMDB, PP, PSC, PSD e PTB, em especial do ex-chefe da Casa Civil do prefeito Eduardo Paes (PMDB), o deputado federal Pedro Paulo (PMDB), candidato à reeleição.

Em nota o órgão afirmou que, além de Pedro Paulo, a empresa produzia material gráfico de ao menos nove políticos: Luiz Fernando Pezão (PMDB), candidato à reeleição ao governo estadual; Pedro Paulo; Leonardo Picciani (PMDB); Sávio Neves (PEN); Rodrigo Bethlem (PMDB); Lucinha (PSDB); Osório (PMDB); Serginho da Pastelaria (PTdoB); André Lazaroni (PMDB); e Rafael Picciani (PMDB).

Procurada pela reportagem, a assessoria de Pezão afirmou: "A campanha segue rigorosamente a lei e defende que toda denúncia deva ser apurada pelos órgãos competentes".

Hackers atacam vídeos de Aécio e Campos e derrubam site do AfroReggae
O site da ONG AfroReggae foi hackeado na noite deste sábado por um grupo ainda desconhecido que escolheu como principal alvo de seus ataques dois vídeos que registravam a visita dos presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) à instituição nas últimas semanas.

Segundo o fundador e coordenador do grupo, José Júnior, que também integra a campanha do candidato tucano à Presidência, o ataque às postagens referentes a Aécio e Campos “foi tão intenso que até o Youtube teve que retirar os vídeos do ar”. A previsão é que a página do AfroReggae fique inacessível até segunda-feira.

 

FOLHA DE S.PAULO

PMDB lidera arrecadação entre os maiores doadores
Embora não tenha candidato próprio à Presidência da República, o PMDB foi o partido com o melhor desempenho de arrecadação junto aos principais financiadores no primeiro mês de corrida por recursos para a campanha. Controlador dos principais postos do Congresso, governista durante quase todo o período pós-redemocratização, o PMDB conseguiu arrecadar R$ 51,7 milhões no grupo dos 20 maiores doadores da largada da campanha eleitoral. É mais que o dobro do que havia conseguido no mesmo período de 2010.

O total já apropriado pelo partido equivale a 30% de tudo o que foi distribuído neste universo de grandes financiadores. A segunda sigla nesse ranking foi o PSDB, com 15%. O PT, que era o líder em 2010, caiu para 10%.

Para tentar coibir caixa dois, PF mira a ação de doleiros
Sem autonomia para abrir por conta própria investigações contra parlamentares e outras autoridades suspeitas de crimes eleitorais, a Polícia Federal decidiu intensificar suas ações contra operadores de esquemas de desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ao mirar em doleiros, donos de factorings (que compram, com desconto, cheques e promissórias) e controladores de empresas de fachada, a PF avalia ser possível atingir, ainda que de raspão, crimes como financiamento irregular e caixa dois de campanha.

O novo foco é visível no balanço de operações da PF nos últimos três anos. Em 2012, as áreas com mais ações foram repressão ao tráfico de drogas, crimes fazendários, desvio de recursos públicos e crimes ambientais -- nesta ordem.

TRE vê desvio para campanha de Pezão
O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio afirmou neste sábado (9) haver indícios de desvio de dinheiro público para bancar a confecção de material de campanha à reeleição do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e candidatos de sua coligação. De acordo com nota do tribunal, a empresa de comunicação visual High Level Signs produzia placas e panfletos indicando no material CNPJ de empresa de fachada e tiragem menor do que a real.

A suspeita é que apenas essa pequena parte era paga regularmente, sendo o resto custeado com verba pública. A gráfica tem, segundo o tribunal, contrato com os governos estadual e municipal, ambos dirigidos pelo PMDB.

Dilma cria comissão para apurar alterações em perfis de jornalistas
A presidente Dilma Rousseff determinou que a Casa Civil crie comissão de sindicância para investigar alterações feitas em perfis de jornalistas e políticos na Wikipédia, enciclopédia digital que pode ser editada de forma anônima. Em nota publicada no sábado, a Casa Civil diz que comporão o grupo o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, o Ministério da Justiça, a PF, a Controladoria-Geral da União e a Secretaria-Geral da Presidência. O prazo é de 60 dias.

Rixa interna amplia mal-estar na Petrobras
A crise gerada pela revelação da interferência de assessores do Palácio do Planalto nos trabalhos da CPI da Petrobras do Senado expôs disputas internas que têm como alvo preferencial a presidente da estatal, Graça Foster. Na avaliação de assessores presidenciais, congressistas e funcionários da empresa ouvidos pela Folha, o vídeo que mostra três assessores da Petrobras combinando o repasse de perguntas da CPI para seus executivos é um recado de grupos interessados em criar desgaste para Graça.

Os três funcionários que aparecem no vídeo, divulgado pela revista Veja na semana passada, são apontados na estatal como antipetistas e sem alinhamento com Graça, que assumiu o comando da Petrobras após a posse da presidente Dilma Rousseff.

Contadora de doleiro cita negócios com políticos
O deputado federal André Vargas (sem partido-PR) ajudou Alberto Youssef a lavar R$ 2,4 milhões por meio de uma empresa do Paraná, segundo relato da contadora Meire Bonfim de Silva Poza, que trabalhou com o doleiro durante três anos, para a revista "Veja". A contadora disse que a viagem de jatinho entre Londrina (PR) e João Pessoa (PB), paga pelo doleiro, foi uma retribuição à ajuda de Vargas. A viagem foi revelada pela Folha em 1º de abril.

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