Jornais: tráfico cobra até R$ 50 mil para permitir campanha

"Parceria" é executada em pelo menos sete favelas, dois complexos e quatro conjuntos habitacionais, diz o jornal O Globo

O GLOBO

Tráfico cobra até R$ 50 mil para candidato fazer campanha
Milicianos e traficantes estão cobrando de R$ 30 mil a R$ 50 mil, ou mesmo obras, para que candidatos a prefeito e vereador façam campanha em seus redutos. Pelo menos em sete favelas, dois complexos — Maré e Manguinhos — e quatro conjuntos habitacionais das zonas Oeste e Norte do Rio, além de Itaboraí, Niterói, Belford Roxo, Nova Iguaçu e Duque de Caxias, já há casos, de acordo com levantamento feito junto aos partidos. Ontem, na favela da Reta Velha, onde, de acordo com o juíz da 151ª Zona Eleitoral de Itaboraí, há 19 mil eleitores, foi feita uma megaoperação com fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) e policiais civis para retirar material irregular de campanha e prender seis traficantes suspeitos de extorquir dinheiro de candidatos.

Desde que o juiz eleitoral Marcelo Villas esteve na Reta Velha pela primeira vez, há um mês, ele identificou que apenas um candidato a prefeito e cinco a vereador tinham propaganda na localidade. O fato levou a um inquérito na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DH), que corre em segredo de Justiça, para apurar a venda de espaço a candidatos para propaganda. As investigações constataram que os traficantes negociaram, em troca de votos e do livre acesso à favela, a construção de uma quadra poliesportiva na comunidade com emissários que seriam ligados à prefeitura de Itaboraí.

Entre os mais de 20 depoimentos prestados por testemunhas à delegacia sobre o caso, o do proprietário da empresa GCI Estruturas Metálicas — cujo nome está em sigilo —, responsável pela obra, já embargada pelo juiz, é o mais contundente. Segundo o depoimento, ele foi procurado por uma funcionária do município, que lhe propôs a construção da quadra. Em troca, a emissária prometeu beneficiar a empresa dele em licitações, caso o candidato que ela representava fosse eleito. Ele aceitou a “parceria”, comprovada por uma nota fiscal no valor de R$ 27 mil, para a compra de material. À polícia, ele afirmou que foi instruído a dizer que a obra era doação.

Ficha Limpa ameaça quase três mil candidatos nestas eleições
Até a manhã desta sexta-feira, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu 6.535 recursos sobre registros de candidaturas para as eleições deste domingo, entre os quais 2.985 recursos relativos à Lei da Ficha Limpa. Segundo balanço da Corte, até agora 2.835 recursos já foram julgados com decisões favoráveis e contrárias aos candidatos.

Em relação aos 2.985 relativos à Lei da Ficha Limpa, 678 recursos já foram julgados, mas estão pendentes porque há recursos contra decisões, em sua grande maioria, dadas de forma individual pelo ministros (decisões monocráticas). Há outros 155 recursos da Lei da Ficha Limpa, que têm decisão definitiva do TSE.

O candidato que não conseguiu uma decisão definitiva em relação a seu registro de candidatura participa da eleição, mas só assumirá, se for eleito, depois de uma decisão definitiva da justiça em seu favor. Quando o registro é negado pelo TSE, o candidato pode receber os votos, mas eles não são computados. É preciso aguardar o julgamento final de seu caso. Quando o registro é garantido pelo TSE, mas ainda cabe recurso, os votos são computados, mas pode ser desconsiderados, se a decisão final não for favorável ao candidato.

‘Nada de brincar de bolinha de papel’, diz Lula em provocação a Serra
Em ato de campanha eleitoral, na capital paulista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta sexta-feira que a eleição municipal deste ano é a “mais complicada” das que participa em São Paulo e fez provocação ao candidato do PSDB, José Serra. Em discurso, feito de cima de um carro de som, o líder do PT aconselhou os militantes petistas a não “brincarem com bolinha de papel“, porque, segundo ele, há um candidato em São Paulo que é “frágil” e “qualquer coisa o machuca”.

O ex-presidente petista referiu-se a episódio ocorrido na eleição presidencial de 2010, quando, no Rio de Janeiro, José Serra disse ter sido atingido por um objeto atirado durante caminhada de rua. O PT alegou na época, com o uso de imagens televisivas, que o objeto tratava-se de uma bolinha de papel, o que foi negado pelo PSDB. - A gente não pode, nestes últimos dias, aceitar nenhuma provocação, porque sabemos que tem um candidato aí que até uma bolinha de papel, que alguém jogou na cabeça dele, ele diz que foi uma agressão e tentou culpar o PT - afirmou, no centro de São Paulo.

O líder do PT continuou com a ironia e recomendou aos militantes petistas que não façam até mesmo “bolinha de sabão”. - Então, por favor, nada de brincar de bolinha de papel, nada de brincar de bolinha de isopor. Aliás, nem bolinha de sabão pode fazer, porque o rapaz é frágil e qualquer coisa o machuca - afirmou.

Jorge Bastos Moreno: ‘Nunca fui íntimo do doutor Ulysses’ – trecho de entrevista
Em seu posto avançado no Rio, um pequeno apartamento no Baixo Gávea, Jorge Bastos Moreno come quibes vegetarianos preparados por Juju. É quinta-feira, e, mais tarde, por volta de duas da matina, a voz de Mora baixará pela última vez, antes de sair de cena, como naquela fatídica noite de 20 anos atrás, levando com ela seu querido Ulysses Guimarães. Essa é sua última entrevista antes do ponto final.

Em todo folhetim, os leitores ficam ansiosos: como será o último capítulo de A História de Mora?
É sobre o desaparecimento do doutor Ulysses. O texto final fará uma associação com a “Odisseia” de Homero: como Odisseu, Ulysses está afastado há 20 anos. Como Odisseu, Ulysses era tentado pelas sereias moderadas ou radicais do partido, e gostava de dizer, citando a obra, que precisava botar muita cera nos ouvidos para não dar passo em falso. E, como Odisseu, que renuncia à imortalidade e fica com o dom do amor, Ulysses é guindado a semideus: chegou perto várias vezes, mas nunca alcançou o posto máximo.

As palavras de Mora baixam como as de um espírito, ou é algo elaborado, planejado?
Mora tem um horário para baixar: toda quinta-feira a partir de duas da manhã. Começo a ler os sites e deixar que um assunto atual surja como gancho para sua voz. Por exemplo, durante a greve da polícia baiana, que provocou alta tensão no país, pensei no cerco ao doutor Ulysses na Bahia, a brutalidade da PM. Já o penúltimo capítulo, que coincidiu com os 20 anos do impeachment, aludiu à sua atuação no comando do processo que cassou Collor, espécie de volta por cima antes de morrer.

Defesa de José Dirceu volta a contestar voto de Joaquim Barbosa
O advogado de José Dirceu, José Luis Oliveira, protocolou no STF mais um memorial para sustentar que o relator da ação do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, deu peso excessivo a alguns depoimentos, em especial ao do ex-deputado Roberto Jefferson. Oliveira reforçou que o petebista, já condenado pelos ministros, é inimigo político de Dirceu e afirmou que Barbosa atenuou a inegável intenção de Jefferson de prejudicar o seu cliente.

“É o suspeitíssimo depoimento de Jefferson que norteou o voto condenatório na conclusão pela existência de indícios contra José Dirceu no episódio da viagem a Portugal”, diz o memorial, numa referência à viagem de Marcos Valério e de seu advogado Rogério Tolentino, ao lado do ex-tesoureiro do PTB Emerson Palmieri.

A defesa nega também outro aspecto usado por Barbosa, de que Dirceu era informado pelo ex-presidente do PT José Genoino e pelo ex-tesoureiro Delúbio Soares de todos os acordos e negociações que envolviam empresas e parlamentares. Essa informação foi prestada por Palmieri. Oliveira, no documento, diz que Palmieri recorreu a “mirabolantes mentiras”. “É evidente que Palmieri se juntou a Jefferson, no auge do escândalo, para apoiar sua grande tese, que visava arrastar o governo para o meio da crise que fustigava o PTB.”

Disque-Denúncia Eleitoral do Rio bate recorde de reclamações
A três dias das eleições, o Disque-Denúncia Eleitoral do Rio registrou número recorde de reclamações. Em uma semana, o volume de denúncias aumentou 22,5%, chegando a 21.286, distribuídos entre contatos por telefone e pela internet. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), o crescimento do número foi puxado pelo aumento na quantidade de denúncias de compra de voto, que vem crescendo desde segunda-feira.

O órgão não soube precisar a quantidade nem os locais onde há mais ocorrências. Mas Luiz Fernando Pinto, juiz de fiscalização do município do Rio de Janeiro, percebeu um sensível aumento nas denúncias de compras de votos, em especial na Zona Oeste. — É minha primeira eleição como juiz de fiscalização, e acredito que os candidatos apostam todas as suas fichas nas vésperas da campanha — analisa.

O ESTADO DE S. PAULO

Novos prefeitos terão de lidar com escassez de recursos
Os prefeitos eleitos na atual campanha tomarão posse em janeiro com um "programa de governo" elaborado pela presidente Dilma Rousseff. Caberá aos gestores municipais conduzir mais de 200 programas da União, função que exige cada vez mais esforço e mais dinheiro. Ao mesmo tempo, num cenário de crise financeira mundial, as medidas de estímulo à economia adotadas em Brasília drenam recursos que normalmente irrigariam os cofres municipais.

Diante desse cenário, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que representa prefeituras de todo o País, vem confrontando o governo federal, em busca de mais recursos e menos obrigações. A equipe presidencial diz que a situação financeira não é tão ruim assim e que os programas federais servem de "norte" para os futuros gestores.

De acordo a CNM, os municípios aguardam R$ 18,7 bilhões em restos a pagar atrasados. Esse dinheiro não existe nos cofres da União, mas foi marcado como gasto nos orçamentos federais desde 2002, sem o respectivo repasse às prefeituras. Na maioria dos casos, ressalta a CNM, são verbas para obras que foram iniciadas e acabaram onerando mais ainda os cofres municipais porque o prefeito tende a bancar a parte da União para terminar os empreendimentos.

Mais de 8 milhões votam em São Paulo no domingo
Janaína Cavalcante completou 17 anos em agosto e faz parte de um grupo que tem crescido: o dos jovens que se interessam por política. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre 2010 e 2012 o número geral de eleitores do País cresceu 3,44%, enquanto o número de votantes de 16 a 18 anos aumentou 18%.

O voto da estudante de ensino médio é facultativo, mas ela faz questão de registrar sua opinião sobre quem deve administrar São Paulo nos próximos quatro anos. "Meus pais dizem que é bobagem votar agora, já que não sou obrigada, mas quero ajudar a mudar a política de hoje", diz Janaína. Cética, ela usa como critérios as propostas e o passado dos candidatos. "Escolhi o menos pior entre os que pesquisei. Política é difícil, principalmente aqui em São Paulo."

O voto de José Fortunato Cugler também é facultativo, mas porque ele tem mais de 70 anos. Aos 80, o paulistano vai às urnas defender o partido no qual sempre votou. "Todo mundo que vive na cidade deve ajudar a cidade, então tem que votar."

Russomanno tenta se blindar; Serra e Haddad se atacam na reta final
Nos passos finais antes do primeiro turno da campanha pela Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno (PRB) usou carros de som para voltar a chamar o adversário Fernando Haddad (PT) de "mentiroso". José Serra (PSDB) também investiu contra o petista, comparando o uso do espaço da propaganda de vereadores no último dia de horário eleitoral de TV, quinta-feira, 4, a uma afronta à Justiça tal qual "o mensalão". Já Haddad deixou os ataques para seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chamou o candidato tucano de "frágil".

Tanto na sexta-feira quanto neste sábado, 6, véspera da eleição, os candidatos têm de respeitar uma série de restrições da Justiça Eleitoral.
Russomanno, que está em queda nas pesquisas, abandonou na sexta uma carreata realizada na zona leste. Ele não desceu do jipe para cumprimentar eleitores, como costuma fazer, e também não quis conceder entrevista.

Ex-deputado federal assume disputa a 48 horas das eleições em Maceió
O ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) anunciou nesta sexta-feira, 5, em entrevista coletiva realizada em Maceió, o nome do ex-deputado federal Jurandir Bóia (PDT-AL) como seu substituto na disputa à prefeitura da capital alagoana. A troca - a 48 horas do pleito de domingo - acontece um dia depois de os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmarem a decisão que negou o registro da candidatura de Ronaldo Lessa à prefeitura.

Antes da coletiva, o PMDB, que faz parte a chapa encabeçada por Lessa, divulgou nota em que informava a retirada do candidato a vice-prefeito Mosart Amaral da disputa. Em seu lugar, entra o deputado estadual Ronaldo Medeiros (PT).

Em tom de lamento, Ronaldo Lessa taxou a decisão do TSE sobre sua candidatura de "uma excrescência que precisa ser corrigida". Na quinta, 4, os ministros do TSE aceitaram, por unanimidade, os argumentos do Ministério Público de que Lessa não poderia ser candidato porque não pagou até 5 de julho, data final para o registro das candidaturas, uma multa de R$ 41 mil fixada pela Justiça Eleitoral por causa de propaganda eleitoral antecipada em 2006.

Justiça dá um minuto a mais de propaganda para candidato do PR
O candidato a prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), ganhou, por uma decisão da Justiça Eleitoral, o direito a horário eleitoral gratuito extra. A propaganda vai circular entre as 7 e 9 horas e entre as 12 e 14 horas deste sábado, 6.

Segundo a assessoria jurídica do candidato, a decisão - definida pela corte do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) - devolve a Fruet um minuto de programa de rádio que havia sido entregue, como direito de resposta, ao prefeito Luciano Ducci (PSB), candidato à reeleição. Ducci usou o minuto em um programa nesta última segunda, dia 1.

A decisão é referente aos comerciais em que Fruet criticava o uso de panfletos apócrifos para criticá-lo, segundo ele, de forma "covarde e criminosa”. Na propaganda, Fruet ressaltou que os “mensaleiros" estavam do lado do prefeito Luciano Ducci.

MPE-MG entra com ação contra marqueteiro de Lacerda
O Ministério Público Estadual (MPE) de Minas entrou com ação de improbidade administrativa contra o presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, vereador Léo Burguês (PSDB), que disputa novo mandato, e o publicitário Cacá Moreno, marqueteiro da campanha à reeleição do prefeito da capital, Marcio Lacerda (PSB), e dono da Perfil 252, responsável pela publicidade do Legislativo e dona também de contas da prefeitura.

O MPE pediu o bloqueio "solidário" de bens dos acusados no valor de aproximadamente R$ 4,5 milhões e ainda estuda a possibilidade de pedir uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra Burguês. De acordo com a ação apresentada à Justiça na quinta-feira, 4, pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do MPE, a Câmara fez um contrato, por meio de licitação, de R$ 3 milhões com a Perfil.

Mas, segundo o promotor Eduardo Nepomuceno, após o fim do contrato, o Legislativo comandado por Léo Burguês prorrogou o contrato, aumentando o valor para os cerca de R$ 4,5 milhões. "O primeiro contrato foi feito de forma legal. A prorrogação foi ilegal", observou o promotor.

FOLHA DE S.PAULO

Partidos pequenos ganham competitividade nas capitais
Há hoje um cenário que pode resultar num fracionamento partidário inédito nas disputas por prefeituras das 26 capitais brasileiras: segundo as pesquisas mais recentes, 16 partidos têm candidatos competitivos e podem sair vencedores nessas eleições. Em 2008, nesta mesma época, só 11 partidos estavam com candidatos bem posicionados nas eleições de prefeitos em capitais. Ao final, dez agremiações acabaram vencendo nessas cidades – o que já representou a maior dispersão partidária desde o fim da ditadura militar nos anos 80.

Agora, quando se olha a lista de candidatos que estão no páreo, enxergam-se vários casos de representantes de partidos nanicos. O mais evidente é o PRB (Partido Republicano Brasileiro) de Celso Russomanno em São Paulo. Mas há Ratinho Júnior, do PSC (Partido Social Cristão), à frente em Curitiba. Edmilson Rodrigues, do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), em Belém. César Souza Jr., do PSD (Partido Social Democrático), em Florianópolis.

O mais provável é que muitos candidatos de siglas nanicas -ou novatas, como o PSD- acabem tendo dificuldades e não saiam vencedores. Mas o fato de terem chegado à reta final é um sinal de que um universo partidário mais horizontal está se cristalizando no país.

Futuro senador troca verba para gramados por votos na periferia
Prestes a assumir uma vaga no Senado como suplente da ministra da Cultura, Marta Suplicy, o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR) usa verbas da prefeitura para trocar obras em campos de futebol por votos e apoio político na periferia de São Paulo. A estratégia tem transformado dirigentes de times amadores em cabos eleitorais de sua campanha à reeleição, concentrada na zona sul. A moeda do vereador, conhecido como Carlinhos na Câmara, é a instalação de gramados sintéticos, com valor estimado em R$ 1 milhão cada.

"São Francisco já falava: é dando que se recebe", disse a representantes das equipes em reunião acompanhada pela Folha na quarta-feira à noite, em Campo Limpo.
"Às vezes metem o pau em político, mas a gente não é recompensado pelo que a gente faz. O dinheiro é da prefeitura, sim, mas é verba minha. Verba a que o vereador tem direito", afirmou. "O jogador marca o gol e corre para a torcida, mostra a camisa. Eu preciso mostrar a camisa. Sou o camisa 10 da região, é a coisa mais chata falar isso, mas falo mesmo."

No encontro, ele cobrou a instalação de placas de sua campanha nos gramados e ameaçou cortar verbas para melhorias de quem não entregar os votos que espera receber amanhã. "Antigamente, tinha uma dificuldade para saber quem ajudou e quem não ajudou. Hoje é a maior tranquilidade, a gente sabe urna por urna. Eu vou saber quem me ajudou quem não me ajudou."

Rodrigues diz que trocou aliança com Kassab por obras
Na reunião realizada na quarta-feira, o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR) contou que negociou com o prefeito Gilberto Kassab (PSD) o apoio do PR à coligação de José Serra (PSDB) em troca de recursos municipais para o Campo Limpo. "O Kassab me chamou e falou: 'Você precisa me ajudar e coligar o meu partido'. Você sabe o que eu pedi pra ele? 'Me arruma recurso que eu quero gramar os campos, fazer mais creche, arrumar ambulatório do Campo Limpo'. Diferente dos outros. Eu podia ter ido lá ter pedido cargo, outra coisa. Eu pedi coisa pra minha região", afirmou no encontro.

Rodrigues foi um dos principais articuladores do apoio do PR ao PSDB, intermediado por Kassab. O prefeito chegou a oferecer uma vaga ao vereador no Tribunal de Contas do Município. No mesmo encontro, Rodrigues disse que solicitou obras no Campo Limpo em troca de apoio à administração de Serra na prefeitura.

'Não vejo nada de mais na minha fala', diz vereador
O vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR) afirmou ontem à Folha que não vê "nada de mais" no que falou durante a reunião da última quarta-feira. "Ameaça seria se eu prometesse para cumprir depois, mas já está tudo feito. Não tem como tirar."

Ele afirmou que verificaria os votos "urna por urna" para mostrar que tem prestígio na região para o próximo prefeito e que isso não significa pressão sobre os eleitores. "Usei o linguajar que tem que ter. Se não usar o linguajar popular, não adianta."

Novo inquérito vai apurar relação entre Dantas e PT
Uma nova frente de apurações do mensalão em São Paulo investigará se o grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, usou o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza para intermediar repasse de suborno ou de doações ilegais ao PT. A investigação é resultado do desmembramento de um inquérito aberto no STF (Supremo Tribunal Federal) para apurar se o mensalão envolveu pessoas e empresas além dos 40 réus denunciados pela Procuradoria Geral da República em 2006, agora sob julgamento.

O relator do caso no STF, ministro Joaquim Barbosa, acolheu em agosto o pedido da Procuradoria para a abertura do novo inquérito na Justiça Federal de São Paulo. Segundo a petição do Ministério Público Federal, a apuração anterior, que foi executada pela Polícia Federal, "encontrou elementos de prova que confirmam que as empresas Brasil Telecom, Telemig Celular e Amazônia Celular, que pertenciam ao grupo Opportunity, dirigido à época dos fatos por Daniel Dantas, aderiram ao esquema criminoso montado pelo empresário [Marcos Valério]".

Opportunity e Valério negam repasses ilegais
O Opportunity, seu dono Daniel Dantas e a defesa do empresário Marcos Valério negaram que as empresas de telefonia controladas pelo grupo tenham sido usadas para fazer repasses ilegais ao PT. O partido não se manifestou até a conclusão da edição. Em nota, o Opportunity afirmou que "a Brasil Telecom, a Telemig e Amazônica contrataram agências de publicidade como fazem todas as empresas que precisam posicionar serviços e produtos em mercados competitivos."

"As três empresas eram líderes em seus mercados, destacadas por sua solidez financeira, qualidade de seus serviços e foram muito premiadas. Por isso, alvos de disputa societária." Ainda segundo a nota, "o Opportunity não tomou conhecimento de irregularidade alguma nos contratos feitos por essas companhias."

Ex-presidente da Petrobras critica ministros do STF
O ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli (PT) afirmou ontem que o Supremo Tribunal Federal está "condenando sem provas" no julgamento do mensalão e citou o caso de José Dirceu. Gabrielli, um dos fundadores do PT baiano e hoje secretário de Planejamento do governo da Bahia, disse que os ministros do Supremo estão usando "conceitos muito perigosos para a democracia".

"Elementos fundamentais do Estado de Direito podem estar sendo ameaçados", disse à Folha. Ele exemplificou criticando a "teoria do domínio do fato", usada para acusar o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu de comandar o mensalão.

Conferência desviou recursos públicos, confirma fiscalização
A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou desvio de R$ 1,26 milhão em recursos públicos durante a realização da Confecom, a Conferência Nacional de Comunicação, realizada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva em 2009 para discutir a regulamentação da mídia. Segundo o relatório preliminar da auditoria feita pela CGU, ao qual a Folha teve acesso, a Fundação Getulio Vargas (FGV), contratada para realizar o evento, recebeu do Ministério das Comunicações pagamentos por serviços não executados ou sem serventia, "causando prejuízo ao erário".

Procurada pela Folha, a FGV disse que já prestou os esclarecimentos ao Executivo e que, portanto, não iria se manifestar. No total, a FGV recebeu R$ 2,7 milhões. Foi contratada por dispensa de licitação -fato contestado pela CGU, para quem a fundação não comprovou ter experiência em planejar e coordenador eventos desse porte.

Lula diz viver eleição mais complicada em São Paulo
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em ato na praça da Sé, que a campanha de Fernando Haddad (PT) é a "mais complicada" que já fez em São Paulo. Ele demonstrou preocupação com a disputa acirrada entre três candidatos, Celso Russomanno (PRB), José Serra (PSDB) e Haddad, para ir ao segundo turno.
"Nós estamos disputando uma eleição muito delicada. Acho que é a eleição mais complicada de São Paulo de todas de que eu participo, há tantas e tantas décadas", disse. "Há um embolamento."

O PT nunca ficou fora da fase final de uma eleição paulistana desde a primeira eleição municipal com dois turnos, em 1992. Após o ato, o ex-presidente disse acreditar que Haddad vai para o segundo turno.

Presidente da CUT pede vaia contra Judiciário e Serra
Ao lado do ex-presidente Lula e do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, o presidente da CUT, Vagner Freitas, pediu ontem uma "grande vaia" contra o Judiciário e o candidato José Serra (PSDB). Em ato do PT, Freitas protestou contra a apreensão de jornais no Sindicato dos Bancários, feita anteontem a pedido da campanha de Serra.

A Justiça Eleitoral entendeu que o jornal fazia propaganda em favor de Haddad. A lei eleitoral proíbe publicidade procedente de entidades sindicais.

Aécio pergunta 'onde mineira Dilma votará'
A eleição municipal de Belo Horizonte virou mais uma vez palco da disputa política entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e a presidente Dilma Rousseff, do PT. O tucano foi às ruas ontem com seu candidato, o prefeito Marcio Lacerda (PSB), que, segundo as pesquisas, pode ser reeleito amanhã.

Aécio tentou neutralizar o impacto da visita de Dilma na quarta-feira, num comício do petista Patrus Ananias, quando ela rebateu a uma recente crítica do senador tucano. Desta vez, foi ele quem respondeu à Dilma, numa polarização nacional entre dois possíveis adversários na disputa presidencial de 2014.

O senador usou provocações e ironias. Chamou a presidente de "agressiva" e afirmou que ela está se parecendo com o ex-presidente Lula. O senador também ironizou o domicílio eleitoral de Dilma, que nasceu em Belo Horizonte, mas vota em Porto Alegre, onde fez carreira.

Partidos pequenos ganham competitividade nas capitais
Há hoje um cenário que pode resultar num fracionamento partidário inédito nas disputas por prefeituras das 26 capitais brasileiras: segundo as pesquisas mais recentes, 16 partidos têm candidatos competitivos e podem sair vencedores nessas eleições. Em 2008, nesta mesma época, só 11 partidos estavam com candidatos bem posicionados nas eleições de prefeitos em capitais. Ao final, dez agremiações acabaram vencendo nessas cidades – o que já representou a maior dispersão partidária desde o fim da ditadura militar nos anos 80.

Agora, quando se olha a lista de candidatos que estão no páreo, enxergam-se vários casos de representantes de partidos nanicos. O mais evidente é o PRB (Partido Republicano Brasileiro) de Celso Russomanno em São Paulo. Mas há Ratinho Júnior, do PSC (Partido Social Cristão), à frente em Curitiba. Edmilson Rodrigues, do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), em Belém. César Souza Jr., do PSD (Partido Social Democrático), em Florianópolis.

PT e PSDB lideram nas grandes cidades
Tucanos e petistas são os que estão com chances de vencer ou de ter votações expressivas na maior parte das cidades grandes do país. É o que mostram as pesquisas mais recentes no grupo de municípios que incluem 26 capitais e os 59 com mais de 200 mil eleitores – e por isso podem ter segundo turno.

Esse grupo composto por 85 grandes cidades abriga cerca de 37% dos eleitores do país. Há pesquisas disponíveis em 82 dessas localidades. Nesse universo, o PT tem 37 candidatos competitivos: estão em primeiro lugar ou com chance de ir ao segundo turno. O PSDB tem 31 candidatos nessa situação. O terceiro colocado nesse ranking é o PMDB (22 candidatos no páreo), seguido pelo PDT (15) e pelo PSB (13).

CORREIO BRAZILIENSE

Justiça Eleitoral barra mil candidatos a prefeito e a vereador fichas-sujas
Na primeira eleição com as regras da Lei da Ficha Limpa em vigor, mil candidatos a prefeito e a vereador espalhados pelo país perderam o direito de disputar os votos dos eleitores nas urnas neste domingo. O número é do Movimento de Combate de Corrupção Eleitoral (MCCE), entidade responsável pela iniciativa popular que contou com a assinatura de mais de 1,3 milhão de eleitores. Se a lei não estivesse em vigor, os fichas-sujas estariam disputando os votos dos eleitores em centenas de cidades em todas as regiões do país. Esse número, porém, deve aumentar, já que pouco mais de 2,1 mil recursos contra registros de candidaturas que chegaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ligados à Ficha Limpa ainda serão julgados.

Um dos atingidos pela Ficha Limpa é Severino Cavalcanti (PP), ex-presidente da Câmara dos Deputados e atual prefeito de João Alfredo (PE). Ele tentaria a reeleição, mas decidiu suspender a candidatura para “não criar dificuldades ao eleitorado”. De acordo com o TSE, os ministros ainda vão julgar outros 3,7 mil recursos relativos a pedidos de impugnação. A meta é concluir os trabalhos até 19 de dezembro, último dia para a diplomação dos eleitos. Os 2,1 mil candidatos que aguardam julgamento do TSE quanto à Ficha Limpa podem ser eleitos e só depois barrados. Isso ocorre porque eles concorrem sub judice, o que causa uma sensação de insegurança nos eleitores, afirmam especialistas.

Dilma abre exposição com seis telas do pintor italiano Caravaggio
A presidente Dilma Rousseff participou, ontem pela manhã, da abertura da exposição Caravaggio, no Palácio do Planalto. Depois de passar por Belo Horizonte e São Paulo, as obras do pintor italiano chegam a Brasília e ficarão expostas até 14 de outubro. Duas das seis obras expostas saíram da Itália pela primeira vez e fazem parte da programação do Momento Brasil-Itália 2011-2012.

Admiradora das artes plásticas, Dilma demonstrou intimidade com as obras do mestre italiano e ainda fez comentários sobre o estilo do artista. “Tem gente que diz que é do barroco, eu, especialmente, acho que ele é maneirista, mas essa é uma questão que também não tem grande importância”, analisou. “Eu queria dizer que ele é um dos pintores que, na minha vida mais me impressionaram. A vida dele é extremamente dramática — para não dizer, em alguns aspectos, trágica —, mas ele sempre foi um grande degustador da vida. E isso está expresso em cada pintura que ele nos legou”, disse a presidente.

Dilma queixou-se ainda ao embaixador italiano no Brasil, Gherardo de La Francesca, responsável pela vinda das obras ao país, a ausência de sua tela favorita. “Lamento, viu, embaixador, que a que eu mais gosto não tenha vindo, que é Cupido Adormecido. Mas tem outras tão ou mais bonitas para muitas outras pessoas”, comentou.

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