Jornais: Dilma afirma que oposição é ‘cara de pau’ e ‘pessimista’

Presidente nacional do partido afirma que blocos contrários ao governo são 'especialistas em mofo'

FOLHA DE S.PAULO

País tem 1ª morte por ataque de manifestante em protesto

Cinegrafista da Band foi ferido por rojão no Rio na quinta; Justiça decreta prisão de suspeito de disparo

Dilma afirma que oposição é 'cara de pau' e 'pessimista'

Presidente nacional do partido afirma que blocos contrários ao governo são 'especialistas em mofo'. A presidente Dilma Rousseff fez ontem duras críticas a opositores de seu governo, a quem chamou de "pessimistas" e "caras de pau". Segundo ela, dizer que o modelo de governo do PT está esgotado "é mais do que uma mentira, mas uma agressão ao bom senso e à autoestima dos brasileiros".

"Eles têm a cara de pau de dizer que o ciclo do PT acabou", afirmou Dilma ao discursar por 40 minutos no evento realizado em São Paulo para comemorar os 34 anos do PT e que serviu como lançamento da pré-campanha da presidente à reeleição.

"Esses pessimistas agora aproveitam alguns desequilíbrios da conjuntura internacional, muito difícil para todos os países, para dizer que o fim do mundo chegou. O fim do mundo chegou sim, mas chegou para eles, e isso faz muito tempo", afirmou.

Apesar de não citar nomes, a fala de Dilma responde ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) e ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), prováveis adversários da presidente na disputa ao Planalto. Ambos vêm afirmando que o ciclo do PT se encerrou.

No mesmo evento, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse que a oposição ao governo se divide em dois grupos que, segundo ele, "são especialistas em mofo" e "doutores em bolor", apesar de fazerem discursos de mudança e renovação.

Diretoria da Siemens sabia de suborno, afirma delator

O alto escalão da Siemens no Brasil sabia e aprovava o pagamento de propina a políticos e funcionários públicos para conquistar contratos com o Metrô e a CPTM.

A acusação é do ex-diretor da multinacional alemã Everton Rheinheimer, em depoimento sigiloso à Polícia Federal obtido pela Folha.

O executivo cita os nomes de três dirigentes da Siemens que conheciam a prática de suborno: Newton Duarte, que foi diretor-geral da empresa até 2012; Ronaldo Cavalieri, ex-gerente comercial; e Ricardo Lamenza, que era diretor financeiro e atualmente ocupa a diretoria de energia da companhia alemã.

Os três, segundo Rheinheimer, "sabiam desses pagamentos, pois cada um tinha parte da atribuição dentro da empresa para aprová-los".

Sobre Duarte, seu superior hierárquico na companhia, ele foi ainda mais enfático. Afirma que "ele sabia das práticas ilícitas que estavam acontecendo".

Aécio Neves defende Azeredo, mas evita compará-lo a Lula

O provável candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves (MG), saiu ontem em defesa do deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), acusado de participar do chamado mensalão tucano. Ele evitou, porém, endossar a estratégia de Azeredo, que tenta comparar a própria situação à do ex-presidente Lula no mensalão do PT.

"Azeredo é conhecido e reconhecido em Minas Gerais como um homem de bem. Ele vai ser julgado, e nós do PSDB vamos respeitar a decisão do STF [Supremo Tribunal Federal]. Obviamente, vamos esperar que ele possa se defender", disse Aécio, em visita à ONG Afroreggae, no Rio. Questionado sobre entrevista à Folha em que Azeredo comparou sua situação à de Lula, desconversou: "Não sei. Eu não li essa matéria".

Brasil quer periciar material de Pizzolato

Autoridades brasileiras pedirão à Itália que envie, lacrados, os dois computadores e o tablet apreendidos com Henrique Pizzolato no momento de sua prisão em Maranello (norte da Itália) na última quarta-feira.

Nos próximos dias, segundo a Interpol italiana, dois procuradores da República deverão chegar à Itália para formalizar o pedido.

Segundo Francesco Fallica, chefe da Interpol na Itália, a solicitação deve ser feita via carta rogatória à Corte de Apelação de Bolonha, instância onde deverá correr a ação para a extradição de Pizzolato. Caberá ao tribunal decidir sobre o pedido para que os equipamentos sejam periciados no Brasil.

Decisão de Lewandowski foi populista, diz Barbosa

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, criticou ontem o vice-presidente da corte, Ricardo Lewandowski, em sessão administrativa do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Segundo dois conselheiros, Barbosa teria dito que uma liminar concedida por Lewandowski a uma advogada portadora de deficiência visual seria um "exemplo" de "populismo judiciário".

Barbosa negou ter usado essa expressão, mas confirmou que o assunto foi abordado na sessão e que ele fez reparos à decisão do colega.

Lewandowski concedeu liminar em janeiro em mandado da advogada Deborah Maria Prates Barbosa contra ato do próprio CNJ. A advogada, que é cega, havia ajuizado medida pedindo para ter acesso a processos em papel, pois o processo judicial eletrônico é "totalmente inacessível'' a pessoas com deficiência visual. Barbosa indeferiu o pedido alegando que ela poderia pedir auxílio a terceiros.

Após cortes, conselheiros renunciam em PE

Representantes da sociedade civil de Pernambuco decidiram ontem deixar o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, em protesto contra corte de verba promovido pelo governo de Eduardo Campos (PSB), provável candidato ao Planalto.

Segundo a gestão, o valor previsto para o conselho neste ano é de R$ 10 mil, recuo de 61% ante os R$ 26 mil de 2013.

Formado por dez representantes civis e cinco do governo, o grupo foi criado em 2001, na gestão Jarbas Vasconcelos (PMDB). Por lei, deve apurar e denunciar violações, coibir abusos de poder, fiscalizar ações do governo e garantir o cumprimento da legislação de direitos humanos.

Outro cubano deixa o Mais Médicos e diz que está nos EUA

Ortelio Guerra havia chegado ao Brasil em dezembro e atuava no interior de SP

Expectativa de chuva só em março preocupa gestão Alckmin

Estudo prevê respiro só daqui a um mês, mas governo evita falar em admitir racionamento de água

Reservatórios de hidrelétricas atingem o pior nível desde 2002

Entre os dias 1º e 9 deste mês, água ocupava 38,9% da capacidade; em 2013, considerado crítico, eram 39,7%

Equilíbrio

Estudo mostra como as emoções afetam diferentes partes do corpo

Abandono

Pichação em prédio na praça Roosevelt, no centro de SP; reinaugurada em 2012, área está com mato alto, lixo espalhado, balanço quebrado e banheiro interditado

 

CORREIO BRAZILIENSE

Black blood

A selvageria que expulsou das ruas manifestantes pacíficos atingiu o ápice ontem com o anúncio da morte cerebral de Salvador Andrade. Cinco dias atrás, o cinegrafista de 49 anos filmava passeata contra aumento em passagens de ônibus, no Rio, quando rojão disparado por um mascarado o acertou em cheio na cabeça. Um Jovem que carregava o artefato está preso. Outro, que acionou o explosivo, já foi identificado pela polícia. Suposta ligação do deputado estadual Marcelo Freixo (PSol) com black blocs provocou discussão ontem entre o parlamentar e advogado que se desculpou por haver divulgado a informação sem comprovar a veracidade. Em texto em rede social, a jornalista Vanessa Andrade, filha de Santiago, emocionou internautas ao falar do pai (leia abaixo). O caso põe em xeque a capacidade dos governos federal e estaduais de garantir a segurança da população em manifestações. E justamente em ano de Copa do Mundo e de eleições.

“Meu nome é Vanessa Andrade, tenho 29 anos e acabo de perder meu pai.

Quando decidi ser jornalista, aos 16, ele quase caiu duro. Disse que era profissão ingrata, salário baixo e muita ralação. Mas eu expliquei: vou usar seu sobrenome. Ele riu e disse: então pode!

Quando fiz minha primeira tatuagem, aos 15, achei que ele ia surtar. Mas ele olhou e disse: caramba, filha. Quero fazer também. E me deu de presente meu nome no antebraço.

Quando casei, ele ficou tão bêbado, que na hora de eu me despedir pra seguir em lua de mel, ele vomitava e me abraçava ao mesmo tempo.

Me ensinou muitos valores. A gente que vem de família humilde precisa provar duas vezes a que veio. Me deixou a vida toda em escola pública porque preferiu trabalhar mais para me pagar a faculdade. Ali o sonho dele se realizava. E o meu começava.

Esta noite eu passei no hospital me despedindo. Só eu e ele. Deitada em seu ombro, tivemos tempo de conversar sobre muitos assuntos, pedi perdão pelas minhas falhas e prometi seguir de cabeça erguida e cuidar da minha mãe e meus avós. Ele estava quentinho e sereno. Éramos só nós dois, pai e filha, na despedida mais linda que eu poderia ter. E ele também se despediu.

Sei que ele está bem. Claro que está. E eu sou a continuação da vida dele. Um dia meus futuros filhos saberão quem foi Santiago Andrade, o avô deles. Mas eu, somente eu, saberei o orgulho de ter o nome dele na minha identidade.

Obrigada, meu Deus. Porque tive a chance de amar e ser amada. Tive todas as alegrias e tristezas de pai e filha. Eu tive um pai. E ele teve uma filha.

Obrigada a todos. Ele também agradece.

Eu sou Vanessa Andrade, tenho 29 anos e os anjinhos do céu acabam de ganhar um pai.”

Médico cubano foge do Brasil

O médico cubano Ortelio Jaime Guerra, que há uma semana abandonou um posto de trabalho do programa Mais Médicos em Pariquera-Açu, interior de São Paulo, fugiu do Brasil para os Estados Unidos com o auxílio da organização não governamental (ONG) Solidariedade sem Fronteiras. Julio Cesar Alfonso, presidente da entidade que ajuda cubanos da área de saúde que desertaram de missões pelo mundo, confirmou ao Correio o auxílio prestado a Ortelio. A ONG tem sede em Miami. Cubanos “resgatados” pela entidade conseguem uma espécie de visto humanitário para entrar nos Estados Unidos. Trata-se do Cuban Medical Professional Parole (CMPP), criado pelo governo George W. Bush em 2006.

Desde a semana passada, o Ministério da Saúde havia sido notificado pela prefeitura de Pariquera-Açu do desaparecimento de Ortelio. O município comunicou que o profissional cubano tinha abandonado o serviço e que não possuía informações sobre o paradeiro dele. Ontem, em sua conta no Facebook, o médico informou aos amigos que já estava em solo norte-americano.

Energia: Planalto teme fazer campanha de racionamento que pouparia R$ 8 bi

A resistência do governo em pedir à população que colabore com o atual momento de estresse do setor elétrico e economize na conta de luz está custando caro ao país. Analistas estimam que pelo menos R$ 8 bilhões anuais gastos com termelétricas — acionadas para compensar o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas — poderiam ser poupados caso houvesse uma campanha de redução de consumo. Além disso, o risco cada vez maior de racionamento seria totalmente afastado se as famílias e as empresas ajudassem com uma singela economia média de 5%.

Mesmo sabendo disso, e apesar do crescente custo da eletricidade, prevalece o receio da presidente Dilma Rousseff de esvaziamento do seu discurso político caso um pedido de cooperação do público seja associado ao plano de racionamento de 2001, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. “Seria bem mais barato à população e ao próprio governo reconhecer que a saída mais óbvia está num ajuste espontâneo da demanda”, afirmou ao Correio o dirigente de uma entidade do setor elétrico.

Na terça-feira da semana passada, curto-circuitos em duas linhas de transmissão que trazem energia do Norte para Sudeste resultaram em um apagão que atingiu 13 estados e o Distrito Federal, afetando cerca de 6 milhões de pessoas. Em nota, o Ministério de Minas e Energia reafirmou ontem que o abastecimento está assegurado “na quantidade e na qualidade necessárias a todos os consumidores”, apesar da queda dos níveis dos reservatórios.

Sem-terra: Mais governista, MST terá 16 mil em protesto na Esplanada amanhã

Depois de quase sete anos, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) volta a se reunir em Brasília para realizar seu VI Congresso Nacional. Os integrantes organizaram uma enorme estrutura no estacionamento do ginásio Nilson Nelson que acolherá os cerca de 16 mil participantes do evento até a sexta-feira. Para marcar o início do encontro, uma grande marcha está agendada para amanhã na Esplanada dos Ministérios, a partir das 14h. Figuras emblemáticas da esquerda brasileira, como o frei Leonardo Boff, participarão do Congresso.

Ontem, durante coletiva de imprensa, a presença de personalidades ligadas ao Partido dos Trabalhadores não impediu que os discursos tivessem tom de crítica ao governo federal. “A nossa posição enquanto MST é de que, principalmente nos últimos anos de governo Dilma, houve um retrocesso em relação à reforma agrária. O governo é formado por uma ampla aliança que impede que haja o avanço, inclusive por envolver setores do agronegócio”, critica o integrante da coordenação nacional do movimento Diego Moreira. Ele cita a PEC do trabalho escravo e o novo Código Florestal como momentos em que a base aliada impôs derrotas ao movimento.

Desrespeito às leis trabalhistas

O depoimento prestado ontem em Brasília pela cubana Ramona Matos Rodríguez, que abandonou o Mais Médicos em 1º de fevereiro, reforçou a constatação do Ministério Público do Trabalho (MPT) de que as leis trabalhistas brasileiras não são respeitadas no programa. O texto da legislação que criou o projeto diz que “o aperfeiçoamento dos médicos participantes ocorrerá mediante oferta de curso de especialização”. Por esse modelo, os participantes têm direito a um mês de descanso remunerado, mas não recebem 13° salário nem têm Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), sob o argumento da União de se tratar de uma modalidade de “ensino-serviço”.

Desde o ano passado, o MPT elabora um inquérito que avalia as relações de trabalho no programa. Segundo o procurador Sebastião Caixeta, depois de inspeções feitas nas unidades de saúde pelo país e outras informações colhidas, ficou claro que o Mais Médicos configura uma prestação de serviço.

“A iniciativa é estruturada no sentido de afastar uma relação de emprego. Agora, na prática, essa relação de emprego existe, então, férias, por exemplo, precisam ser pagas, como todos os trabalhadores têm direito. O 13º salário também é uma questão prevista na Constituição que esse projeto não contempla”, disse Caixeta. O procurador disse que tentará “uma correção extrajudicial” com a União.

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