Jornais: Construtoras lideraram a lista de doações eleitorais

Três construtoras respondem por quase um quarto do total investido. As empreiteiras Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa investiram R$ 151,7 milhões dos R$ 637,3 recebidos pelos partidos

FOLHA DE S. PAULO

 

Construtoras lideraram a lista de doações eleitorais

Nas eleições municipais, 739 empresas ou pessoas fizeram doações às direções nacionais dos partidos. Sozinhas, três construtoras respondem por quase um quarto do total investido.

Juntas, as empreiteiras Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa investiram R$ 151,7 milhões dos R$ 637,3 recebidos pelas siglas.

Esses recursos, que representam a maior fatia do financiamento eleitoral, são usados pelos partidos para abastecer as campanhas de seus candidatos pelo país -procedimento conhecido como doação oculta. Como há a intermediação da sigla, fica impossível estabelecer relação entre doador e candidato.

PT, PMDB e PSDB -partidos que mais elegeram prefeitos em outubro- foram os principais beneficiados pelo grupo das empreiteiras: ficaram com R$ 100 milhões.

Considerando todas as doações, o cenário é semelhante: as direções nacionais das três siglas receberam R$ 383 milhões. A legenda com a maior arrecadação foi o PT: R$ 177 milhões.

Os partidos repassaram recursos para 1.153 candidatos -o PT transmitiu doações a 436 candidatos, o PMDB, a 309, e o PSDB, a 408.

As campanhas em São Paulo foram as principais beneficiadas. Fernando Haddad, eleito na capital paulista, foi o segundo petista que mais recebeu do PT nacional: R$ 13,7 milhões, atrás somente de Patrus Ananias.

Mensalão o julgamento - Jefferson escapa de regime fechado

Delator do mensalão, ex-deputado teve pena reduzida de 10 para 7 anos de prisão, o que lhe dá direito a regime semiaberto

O STF reduziu a pena do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), calculada em mais de dez anos de prisão, para sete anos e 14 dias, livrando-o do regime fechado. Punições abaixo de oito anos permitem o semiaberto.

A corte considerou que a colaboração do petebista foi fundamental para identificar os envolvidos no mensalão — esquema de compra de apoio no Congresso no primeiro governo Lula que ele revelou à Folha em 2005.

Condenado pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, Jefferson vai ter de pagar multa de R$ 721 mil. Em seu blog, ele escreveu, em inglês, “nunca se queixe, nunca se explique, nunca se desculpe”.

O cálculo das penas dos 25 condenados no julgamento terminou com a condenação do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT) a nove anos e quatro meses de prisão — um ano e meio em regime fechado.

STF entende que a delação premiada não depende das intenções do réu

A delação premiada é uma causa de diminuição de pena para beneficiar réu que colabora com a investigação.

A lei estabelece dois critérios para que ela ocorra: recuperação do produto do crime e identificação de outros autores. Mas há delação premiada sem que o réu concorde?

Roberto Jefferson jamais admitiu que cometera algum crime e não aceita ser tachado como delator. Para Ricardo Lewandowski, não seria o caso de aplicar a redução da pena no caso de Jefferson.

Contudo, os demais ministros decidiram que foi graças ao seu depoimento que a Polícia Federal conheceu e investigou os principais réus. Sem isso não haveria processo do mensalão.

João Paulo Cunha terá que ir para a prisão

O STF condenou o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha (PT-SP) a nove anos e quatro meses de prisão, em regime inicialmente fechado. Ele também terá de pagar uma multa no valor de R$ 370 mil.

Os ministros entenderam que Cunha, na condição de presidente da Câmara, foi o responsável por desvios de recursos públicos para as empresas do empresário Marcos Valério. Em troca, recebeu, por intermédio de sua esposa, R$ 50 mil em espécie.

O petista foi condenado a três anos de prisão por corrupção passiva, três anos e quatro meses por peculato (desvio de recursos públicos por quem ocupa cargo público) e outros três anos por lavagem de dinheiro.

Em nota, Cunha classificou a pena como severa. Ele acompanhou a sessão do STF em sua casa, em Osasco. Após a definição da sentença, ele recebeu a visita de parentes.

Marcelo Coelho

Lewandowski rebate Barbosa e alega ser inaceitável prêmio por confissão

Consultor diz que foi usado na AGU para ajudar fraude

O consultor-geral da União, Arnaldo Sampaio de Godoy, disse à Folha que foi "enganado" pela cúpula da AGU (Advocacia-Geral da União) e "usado" pelo esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal.

"Estou com ódio, raiva. Eu fiz um parecer sem saber do que estava acontecendo", disse. E criticou José Weber Holanda, que perdeu o cargo de advogado-geral-adjunto após ser indiciado: "Ele era um amigo. Fui enganado."

Godoy revelou como o esquema atuou na AGU, órgão que defende a União em causas na Justiça, por meio de Weber. Godoy encaminhou os processos à corregedoria do órgão para análise e pediu a suspensão deles.

Segundo a PF, Weber, que atuava como braço direito do advogado-geral, Luís Inácio Adams, recebeu dinheiro para alterar na AGU decisões em favor da quadrilha.

Godoy afirmou que em processo relativo ao uso de uma ilha no litoral paulista, a Caneu, Weber assinou despacho extrapolando sua função ao reverter decisão da AGU em São Paulo que havia impedido o ex-senador Gilberto Miranda de ocupar o local.

Weber mudou o entendimento da AGU de São Paulo sem que ninguém tivesse recorrido. Esse tipo de caso teria de ser analisado pelos consultores da AGU.

Indiciado, ex-adjunto na AGU diz que não tem 'nada para esconder'

Indiciado pela Operação Porto Seguro, o ex-advogado-geral-adjunto da União José Weber Holanda disse ontem "não ter nada para esconder".

Weber, que foi afastado, era o braço direito do ministro Luís Inácio Adams na AGU (Advocacia-Geral da União).Procurado pela Folha, ele só falou com a reportagem após um encontro no aeroporto de Congonhas. Weber viajou a São Paulo para conversar com seus advogados.

O ex-adjunto negou fazer parte do esquema e disse ter cometido apenas um pecado: um pedido pessoal para o ex-diretor da ANA (Agência Nacional de Águas), Paulo Vieira, apontado pela Polícia Federal como um dos chefes do esquema de venda de pareceres jurídicos para favorecer interesses privados.

"Não farei o papel do vilão. Meu único pecado foi ter pedido para o Paulo agilizar um check-in de um cruzeiro pela costa da América do Sul em janeiro. Pedi porque a minha sogra tem 85 anos e as filas desses cruzeiros são muito grandes", disse ele. "Não vou deixar de fazer as coisas por causa da operação. Meu plano ainda é ir para o cruzeiro."

'Não sou santo, mas não sou corrupto', diz delator do esquema

"Não sou santo, mas não sou corrupto". É esse mantra que Cyonil Borges, 37, repete quando é acusado de ter recebido R$ 100 mil do grupo que foi alvo da Operação Porto Seguro, acusado de tráfico de influência no governo. Cyonil é um personagem nada linear: ele entregou os R$ 100 mil à Polícia Federal, virou delator e forneceu as informações que nortearam as investigações. (...)

Folha - Uma procuradora disse que o sr. é um corrupto que não recebeu o combinado.
Cyonil Borges - Respeito a procuradora, mas ela está desestimulando as pessoas de bem a denunciar.
Mas o sr. recebeu dinheiro? O inquérito diz que deixaram R$ 50 mil na sua portaria e o sr. recebeu mais R$ 50 mil dentro de um táxi. Foi assim?
Não aceitei o dinheiro. Há e-mails que mostram que ele liga em casa dizendo que queria me presentear. Eu disse: "Esquece". Fiquei angustiado. Quem não ficaria com os nomes que Paulo citava?

Secretaria no Rio abre investigação sobre auditor fiscal

A Corregedoria Tributária de Controle Externo do Rio, vinculada à Secretaria Estadual de Fazenda, instaurou sindicância para analisar a conduta do auditor fiscal Cyonil Borges.

Ele tomou posse como auditor fiscal no Rio em março deste ano e pode perder o cargo caso seja identificada alguma irregularidade em sua conduta no TCU (Tribunal de Contas da União). Ele está em período probatório.

Ministro do TCU também pode ser alvo de inquérito

A Justiça Federal de primeira instância enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) documentos da Operação Porto Seguro da Polícia Federal referentes ao ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) José Múcio Monteiro e ao deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP).

Agora, caberá ao STF definir se abrirá ou não investigação sobre os dois. O material foi remetido à corte porque deputados e ministros do TCU só podem ser investigados com autorização do Supremo.

Em relação a Múcio, a Polícia Federal interceptou e-mails que citam o ministro. As conversas eram entre os irmãos Paulo Rodrigues Vieira, ex-diretor da ANA (Agência Nacional de Águas), e Rubens Vieira, então diretor da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

PF não fez grampos em telefones da ex-assessora da Presidência

A superintendência de São Paulo da Polícia Federal informou ontem que a Operação Porto Seguro, que investiga a venda de pareceres públicos a empresários, não fez grampos em telefones que pertencem ou pertenceram a Rosemary Noronha, a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo.

Sua voz, porém, aparece em algumas gravações feitas em aparelhos de outras pessoas investigadas e grampeadas pela PF. São ligações atendidas por Rose, como é conhecida, ao longo da apuração.

A extensão da participação de Rose no esquema será apurada a partir da análise do material apreendido em sua casa e em seu escritório: papéis e computadores.

Na segunda-feira passada, Rose perdeu o cargo que ocupava desde o governo Lula.

Rogério Gentile: Lula misturou sua vida privada com a pública?

Não é da tradição do jornalismo brasileiro tratar da vida privada dos políticos. Diferentemente do que ocorre nos EUA e em outros países, opção sexual, amantes, bebedeiras e uso de drogas não são normalmente considerados como assuntos para reportagens.

O entendimento muda se o sujeito mistura sua vida particular com a profissional. Um prefeito, por exemplo, que nomeie a sobrinha para um cargo público pode acabar virando notícia. O mesmo ocorre com um secretário de Segurança que frequente a casa de um chefe de quadrilha. Na sexta passada, a PF indiciou, por suspeita de corrupção e tráfico de influência, a assessora Rosemary Noronha. (...)

Diante da gravidade das acusações da PF, Lula deveria dar explicações sobre sua antiga assessora. Ela tem qualificações para o cargo que ocupava? Quais eram suas atribuições nas viagens e por que ganhou passaporte diplomático? E como conseguiu dobrar o Senado?

Dilma, que a deixou no cargo até sábado, também deveria prestar esclarecimentos. Se a função de Rose era tão importante, por qual razão a presidente simplesmente extinguiu o seu cargo após as revelações da PF? Sem explicações convincentes, resta uma questão: Lula misturou sua vida privada com a pública?

Governo contraria regra e aprova agrotóxico mais nocivo à saúde

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) contrariou procedimentos internos e aprovou, em fevereiro, a liberação de um agrotóxico mais nocivo à saúde do que outro que já estava à venda, com o mesmo princípio ativo e para o mesmo fim.

O inseticida para cana Singular BR, da Ourofino Agronegócio, passou pela avaliação da Anvisa e obteve registro no Ministério da Agricultura mesmo sendo mais tóxico do que seu produto de referência, o Regent 800 WG, da Basf, há anos no mercado.

Quadrilha investigada pela PF violou sigilo de ex-diretor do Dnit

O ex-diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) Luiz Antonio Pagot foi alvo de uma quebra ilegal de sigilo de informações cometida pela quadrilha investigada na Operação Durkheim, da Polícia Federal.

A PF desmontou duas quadrilhas que vendiam dados sigilosos e faziam remessas ilegais ao exterior em cinco Estados e no Distrito Federal.

Pagot, afastado do Dnit em meados do ano passado em meio a denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes, teve o sigilo de informações quebrado em 5 de julho de 2012, segundo a PF.

A violação ocorreu no mesmo dia em que Pagot foi convocado a prestar depoimento à CPI do Cachoeira.

Um dos membros da quadrilha acessou dados de Pagot no sistema Infoseg, que reúne informações de órgãos públicos de segurança e fiscalização. Só funcionários desses órgãos, com uso de senhas, podem acessar o sistema.

Segundo a PF, a violação foi feita pelo araponga de Goiânia Manuel Xufre. Em e-mail a outro suposto integrante da quadrilha, ele adverte sobre os dados de Pagot: "Toma atenção com isso".

Ré em processo, convidada de Haddad recusa pasta da Educação

O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), anunciou ontem os nomes de sete novos secretários municipais e afirmou que vai procurar outra pessoa para a pasta da Educação. Cleuza Repulho, que ele havia convidado para a área, recusou o convite.

Conforme a Folha informou, Repulho, atual secretária da área em São Bernardo do Campo, é ré em um processo que investiga o suposto desvio de R$ 49 milhões no período em que ela ocupava o mesmo cargo em Santo André, entre 2005 e 2008.

IBGE revela nova mulher brasileira

Dados do IBGE mostram que, em uma década, as mulheres estudaram mais, ampliaram sua presença no mercado formal de trabalho e aumentaram sua jornada.

Simultaneamente à alta de 43,2% para 54,8% no total de mulheres ocupadas entre 2001 e 2011, houve adiamento da maternidade em todas as faixas etárias.

Entre os 25 e 29 anos, 31% não tinham filhos em 2001. Em 2011, o percentual foi de 40,8%. Assim, a taxa de fecundidade caiu para 1,95 filho por mulher.

Desoneração da folha vai ser ampliada, diz Mantega

O governo prepara mais medidas “pró-crescimento”, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista a Valdo Cruz e Sheila D’Amorim.

Entre elas estão a inclusão de mais setores na lista dos beneficiados pela desoneração da folha de pagamento e programa de investimentos em aeroportos.

Mantega prevê um PIB “nada espetacular” para o terceiro trimestre, com alta entre 1% e 1,3%.

Assembleia das Nações Unidas deve elevar hoje status da Palestina

Pela primeira vez no governo Dilma, Copom mantém juros

Com a inflação acima da meta oficial e a recuperação da economia ainda incerta, o Banco Central optou, pela primeira vez no governo Dilma Rousseff, por manter estável sua taxa de juros.

A Selic, que serve de base para o rendimento das aplicações financeiras e o custo dos empréstimos bancários, continuará em 7,25% ao ano, menor percentual desde sua criação, em 1986.

Nas cinco primeiras reuniões sob o governo Dilma, o BC, comandado por Alexandre Tombini, elevou os juros.

 

O GLOBO

 

O maior golpe na impunidade

O STF encerrou a fase de cálculo das penas de todos os 25 condenados no mensalão. Agora, para concluir o julgamento, falta decidir se será decretada a perda de mandato dos três parlamentares condenados e a prisão dos réus. Todos os detalhes de um julgamento que durou quase 4 meses, num caderno de 16 páginas.

O ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) foi beneficiado com a redução de um terço de sua pena por ter sido o delator do esquema. Em 2005, ele revelou a existência de Marcos Valério, operador do mensalão, e os pagamentos a políticos da base do governo. Foi condenado a 7 anos e 14 dias, em regime semiaberto.

Ao final de 49 sessões em quase quatro meses de julgamento, o Supremo Tribunal Federal encerrou ontem a fixação das penas dos 25 réus condenados pelo escândalo do mensalão. O delator do esquema, o ex-deputado Roberto Jefferson, foi punido com 7 anos e 14 dias de prisão — escapando do regime fechado por ter denunciado a compra de votos. Até agora, 13 réus cumprirão pena em regime fechado, inclusive o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha (PT-SP), cuja pena foi definida também ontem em 9 anos e 4 meses de prisão. O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, apontado como mandante do esquema, também ficará em regime fechado. A maior pena é a do operador do mensalão, Marcos Valério, condenado a mais de 40 anos. Faltam alguns ajustes nas penas, que serão feitos a partir da semana que vem, quando o tribunal decidirá se a condenação implica perda automática de mandato dos parlamentares ou se isso depende de votação da Câmara. Num julgamento histórico, as decisões do STF, tomadas em sessões transmitidas ao vivo, abriram caminho para novas condenações por corrupção. Os magistrados adotaram interpretações novas, como o fim da exigência de que o servidor público acusado de receber propina tenha consumado o chamado ato de ofício para pagar o favor. O julgamento marcou a ascensão de Joaquim Barbosa, relator do processo, que se tomou o primeiro negro a presidir a Corte.

No outro escândalo de corrupção do momento, e-mails obtidos pela Polícia Federal mostram que Paulo Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas indiciado por coordenar esquema de venda de pareceres técnicos de órgãos federais, redigiu para o ex-advogado-geral adjunto da União José Weber Holanda um texto que beneficiava o ex-senador Gilberto Miranda.

De próprio punho

Apontado pela Polícia Federal como chefe da quadrilha desbaratada na Operação Porto Seguro, o ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) Paulo Rodrigues Vieira redigiu para o então advogado-geral adjunto da União, José Weber Holanda, parecer em que a Advocacia Geral da União (AGU) facilita o reconhecimento de utilidade pública para fins privados, com supressão de Mata Atlântica, da Ilha dos Bagres, em Santos (SP), projeto de interesse do ex-senador Gilberto Miranda.

O parecer resolvia divergências internas do governo federal quanto ao assunto, trazendo para a responsabilidade do advogado-geral da União o papel de mediar o assunto e propor que a decisão final sobre a questão da utilidade pública fosse restringida aos ministros de Estado e ao governador de São Paulo. Gravações obtidas pela PF apontam que autoridades já apoiavam o empreendimento na ilha.

O parecer foi assinado pelo consultor-geral da União, Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy, e chancelado pelo advogado-geral Luís Inácio Adams. A publicação e o envio do parecer às representações da AGU ocorreram na segunda-feira, 19 de novembro, cinco dias antes da deflagração da Operação Porto Seguro. Ontem, Adams disse ao GLOBO que determinou a suspensão do parecer após a descoberta pela PF de que o documento havia sido produzido com a participação de Paulo Vieira.

Irmãos Vieira trocam presídio da Papuda por salas especiais

A Justiça Federal negou o pedido de suspensão da prisão preventiva de Rubens Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e Paulo Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), que foram indiciados pela Polícia Federal na Operação Porto Seguro. Porém, a Justiça decidiu a favor da transferência dos dois para salas especiais, pois entendeu que, por serem advogados, eles têm direito ao benefício.

Segundo o Ministério Público Federal, Paulo Vieira, apontado como chefe da quadrilha, foi transferido ontem do Presídio da Papuda, em Brasília, para uma sala de Estado-Maior do Batalhão 9 de Julho da Polícia Militar em São Paulo. Já Rubens Vieira irá do Presídio da Papuda para uma sala especial da Polícia Federal em Brasília até que o Ministério da Defesa providencie uma sala de Estado-Maior.

De acordo com advogado de Rubens Vieira, Fauzi Achoa, a juíza Adriana Zanetti, da 5ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo, não revogou a prisão preventiva por entender que o acusado pode atrapalhar as investigações.

Rosemary e Paulo Vieira queriam abrir curso de inglês em São Paulo

A parceria entre a ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, e o ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Vieira, acusados de participação em um esquema criminoso infiltrado em órgãos federais, não se limitava à troca de favores e tráfico de influência em decisões do governo. Os dois planejavam ser sócios na abertura de uma filial da escola de inglês Red Balloon em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

Troca de e-mails obtida pela Polícia Federal mostra que pelo menos desde maio deste ano o grupo discutia a ideia de obter uma franquia do empreendimento, cujo projeto de viabilidade econômico-financeiro previa um investimento inicial de R$ 470 mil e atendimento a 350 alunos até 2017. O plano era alcançar, em cinco anos, um faturamento anual de até R$ 1,5 milhão, segundo projeção realizada por um consultor da rede de ensino para a quadrilha.

Ex-marido de Rosemary Noronha é afastado de conselho da Brasilprev

O Banco do Brasil decidiu destituir José Cláudio de Noronha do cargo de suplente do Conselho de Administração da Brasilprev, companhia de previdência privada que tem o banco como acionista. José Cláudio conquistou a suplência de conselheiro graças à atuação da ex-mulher, Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo indiciada pela Polícia Federal (PF) na Operação Porto Seguro.

O Banco do Brasil vai pedir a substituição do ex-marido de Rosemary na próxima reunião do conselho, o que deve ocorrer na semana que vem. Os suplentes são remunerados. O pagamento se soma ao salário de assessor especial da Infraero em São Paulo, cargo obtido também por influência da ex-mulher, segundo a investigação da PF.

O banco entendeu que José Cláudio está apenas na suplência e que não é alvo de denúncia ou investigação, mas chegou à função por indicação da ex-mulher. Uma reunião extraordinária pode ser convocada para a próxima semana para oficializar o afastamento. O ato, porém, não depende necessariamente do colegiado.

Magno Malta nega favorecimento a ex-diretor

Autor de recurso à Mesa Diretora do Senado para anular a votação que rejeitou o nome de Paulo Vieira para a diretoria da Agência Nacional de Águas (ANA) em 2009, o senador Magno Malta (PR-ES) negou ontem que tenha agido por orientação partidária. Embora a cada dia surjam novas revelações sobre a relação suspeita de Vieira com o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), o senador disse que não sabia que o diretor afastado da ANA era "one seven one" (171, estelionatário).

- Eu era líder do partido na época e assinei, como assinava um monte de coisa. Não sabia que ele era um rato. Se eu o vir na rua, não sei quem é. Se eu tivesse sido avisado de que ele era um ninja, um one seven one, não teria assinado - disse Malta.

Por pressão do Palácio do Planalto, quatro meses depois de rejeitar Vieira, o Senado aprovou, em abril de 2010, a indicação dele para o mesmo cargo, em um procedimento incomum. O pedido foi feito pelo então líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), e colocado em votação pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Indiciado pela PF é convidado a depor

Depois de o governo mais uma vez barrar pela manhã novos requerimentos para ouvir no Senado indiciados pela Polícia Federal na Operação Porto Seguro, a oposição conseguiu aprovar, na tarde de ontem, convite para ouvir na Comissão de Infraestrutura o diretor afastado da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Rubens Vieira, preso sob a acusação de integrar esquema para beneficiar empresas em órgãos federais e agências reguladoras. A aprovação ocorreu por um cochilo dos comandantes da base aliada.

No momento da aprovação do pedido para ouvir Rubens Vieira, da Anac, só estavam presentes o autor do requerimento, o líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), e o senador Wilder Morais (DEM-GO). Logo em seguida chegaram, atrasados, os senadores da base governista.

Comissão aprova criação de 90 cargos de confiança

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem a criação de 90 novos cargos de livre nomeação e oito funções gratificadas na estrutura da Presidência da República. O projeto de lei da Câmara acabou recebendo um voto em separado do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que divulgou que a Presidência teria quase quadruplicado o número de funcionários nos governos Lula e Dilma.

De acordo com levantamento do PSDB, o ex-presidente Itamar Franco teria deixado o Planalto com cerca de 1.800 funcionários, incluindo concursados e de livre nomeação. Fernando Henrique Cardoso, teria reduzido esse número para 1.100. Já no governo Lula, esse total passou de três mil funcionários, e a presidente Dilma Rousseff teria passado a barreira dos quatro mil. Este aumento, justifica o governo, ocorreu porque a Presidência incorporou secretarias especiais criadas na gestão petista.

CPI do Cachoeira desiste de investigar Gurgel

O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), retirou de seu relatório duas das principais queixas apontadas por parlamentares de vários partidos como empecilho para aprovação do texto: o indiciamento de jornalistas e o pedido de investigação sobre o chefe do Ministério Público, Roberto Gurgel. Mas, ainda assim, enfrenta resistência de parlamentares, que, agora, buscam novo discurso para rejeitar o parecer. A votação do relatório da CPI está envolvendo negociações de todo tipo no Congresso, até mesmo a eleição dos novos presidentes da Câmara e do Senado.

O PSDB, por exemplo, não aceita o indiciamento do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e já adiantou que, além de votar contra, apresentará um relatório paralelo. Um grupo que se autointitula independente elogiou a iniciativa do relator, mas discorda do texto com a alegação que faltou investigar 15 empresas fantasmas que teriam abastecido o esquema da construtora Delta.

Relator procurou parlamentares para negociar alterações

Ontem, depois de muito bate-boca, Cunha leu uma síntese de 89 páginas de seu relatório final, que contém mais de cinco mil páginas. (...) Parlamentares de quase todos os partidos diziam, na semana passada, que não votariam favoravelmente ao texto de Cunha se ele mantivesse o indiciamento dos jornalistas e a investigação sobre Gurgel. Na terça-feira, o relator procurou diversos líderes para negociar e adiantou que retiraria esses dois itens, desde que seus colegas estivessem dispostos a aprovar o documento final.

Ontem cassados; hoje homenageados

Uma inédita iniciativa da Câmara dos Deputados devolverá, simbolicamente, os mandatos de 173 deputados federais cassados durante a ditadura militar. Destes, 29 estão vivos, e os outros 144 serão homenageados in memoriam . Do total desses cassados, 74 são do MDB, 36 do PTB e 36 da Arena. Os ex-parlamentares e familiares serão recebidos em tapete vermelho estendido na rampa do Congresso, com guarda de honra e receberão diploma e broche de congressista. Esses deputados tiveram também seus direitos políticos suspensos e foram atingidos por atos institucionais e decretos dos governos militares. O ato ocorrerá no próximo dia 6. O artista plástico Elifas Andreato fez um painel em homenagem aos ex-deputados.

Parte das cassações ocorreu no fim de 1968 e início de 1969, consequência do AI-5, que endureceu o regime militar e foi considerado o golpe dentro do golpe. Entre os ex-deputados ainda vivos estão Ney Maranhão (Arena-PE), e na lista dos que já morreram, Mário Covas (MDB-SP).

Jornalista Joelmir Beting morre em SP

O jornalista Joelmir Beting, de 75 anos, um dos principais nomes do jornalismo econômico do país, morreu na madrugada de hoje, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, onde estava internado desde 22 de outubro após sofrer um acidente vascular encefálico. Nascido em 21 de dezembro de 1936, em Tambaú, Joelmir Beting se formou em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), e antes mesmo de concluir o curso já começara na carreira de jornalista em jornais como O Esporte (SP) e Diário Popular , ambos em São Paulo, fazendo matérias sobre futebol.

Trabalhou também na rádio Panamericana (atual Jovem Pan), Gazeta, Bandeirantes e CBN. Ao concluir a graduação em sociologia, decidiu investir no jornalismo econômico, tornando-se anos mais tarde um dos mais importantes nomes da área. Começou revisando estudos de viabilidade econômica em uma consultoria de São Paulo. Em 66, foi para a "Folha de S. Paulo", onde começou na editoria de Automóveis. Dois anos depois, foi editor de economia, onde ficou com uma coluna diária até ao início dos anos 90, transferindo-se para o "Estado de S.Paulo", onde ficou até o fim de 2003. Sua coluna também foi publicada pelo jornal "O Globo", entre 1979 e 2003.

Economia: Renda só não basta

O Brasil tem 66 milhões de habitantes com renda mínima, mas são tidos como pobres porque não têm moradia digna, educação nem proteção social.

Não é só renda que conta para se ter uma vida digna. Num entendimento mais amplo da pobreza, o IBGE uniu carências sociais às de renda e verificou que 22,4% da população podem ser considerados vulneráveis, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais 2012, divulgada ontem pelo instituto. Acesso a educação, seguridade social, a domicílio decente e a serviços básicos, além da renda, compõem o indicador de vulnerabilidade calculado pela primeira vez pelo IBGE. Se forem considerados os brasileiros que têm renda suficiente (ou seja, ganham mais do que R$ 370 por mês), porém sofrem com algum tipo de carência social, chega a 36% a parcela de brasileiros em situação precária. São 66 milhões de brasileiros na população de 184 milhões que vive em domicílio permanente.

Segundo a publicação, "foram selecionado indicadores de carências sociais que identificam elementos mínimos de direito, sem os quais não se pode assegurar que as pessoas possam exercer sua dignidade, segundo o marco jurídico nacional".

- Fizemos uma abordagem de direitos humanos, de direito a uma vida digna, que tenha proteção em caso de doença ou desemprego, uma janela de oportunidade de alcançar uma ocupação mais qualificada com acesso à educação e condições dignas de habitação - afirmou Barbara Cobo, pesquisadora do instituto.

O professor da UnB e especialista em pobreza e desigualdade Marcelo Medeiros, diz que essa forma de medição da pobreza é o caminho do Brasil, que já venceu a fome e deve levar à pobreza extrema a níveis residuais.

- Os números mostram que o acesso a serviços públicos não acompanhou o excelente desempenho da economia. O ideal é que o Estado fosse na frente. Ninguém está ignorando as melhoras que houve, mas poderiam ter sido muito maiores.

Mundo: Novo status palestino

Com a promoção da Palestina a Estado observador na ONU, dada como certa, hoje, Israel e seus aliados trabalham para evitar que país entre no Tribunal Penal Internacional.

Ciência: Sem regra no clima

O Protocolo de Kioto termina agora e, a partir do ano que vem, não haverá mais limites para gases do efeito estufa. Na reunião do clima, persiste o impasse.

 

 

O ESTADO DE S. PAULO

 

STF condena João Paulo à prisão e alivia Jefferson

O STF concluiu ontem o processo do mensalão e definiu as últimas penas dos 25 condenados no esquema. O ex-presidente da Câmara e deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão em regime fechado, além de multa de R$ 370 mil, pelos crimes de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. “O acusado era uma das autoridades mais importantes da República, o segundo na linha sucessória do presidente. Isso atrai a causa de aumento de pena”, afirmou o relator do processo e presidente do STF, Joaquim Barbosa. O delator do caso, Roberto Jefferson, presidente licenciado do PTB, teve a pena reduzida por ter contribuído com as investigações e fixada em 7 anos e 14 dias em regime semiaberto, mais multa de R$ 720,8 mil, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Advogado de João Paulo Cunha, Alberto Toron acredita que poderá reduzir a pena com embargos à decisão do Supremo. Defensor de Jefferson, Luiz Francisco Corrêa Barbosa afirmou que insistirá na absolvição.

Ministros devem pedir cassação dos mandatos

Os ministros do Supremo Tribunal enfrentarão na próxima semana a polêmica sobre a cassação dos mandatos dos deputados condenados por envolvimento no mensalão. Parte dos ministros afirma que cabe ao Congresso a cassação dos mandatos; outros defendem a tese de que a perda de mandato decorre da condenação. A tendência é por declarar a perda de mandato. Os deputados Valdemar Costa Neto (PR-SP), João Paulo Cunha (PT-SP) e Pedro Henry (PP-MT) foram condenados por envolvimento com o esquema.

José Genoino (PT-SP), também condenado, deve assumir o mandato nos próximos meses com a saída de parlamentares eleitos prefeitos nas eleições deste ano. No Congresso, parlamentares insistem que cabe ao plenário da Câmara decidir se o mandato será ou não cassado. Uma possível decisão do STF pela perda dos mandatos pode gerar uma crise entre os dois poderes.

De acordo com o prognóstico de alguns ministros, o Supremo deve impor a perda de mandato como resultado da condenação. Afirmam que a Constituição estabelece como efeito da condenação transitada em julgado a perda dos direitos políticos. E lembram que o Código Penal estabelece como efeitos da condenação judicial a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo. A perda de mandato, seja pelo Supremo seja pelo Congresso, só ocorrerá depois de publicado o acórdão do julgamento e após todos os recursos contra a decisão serem julgados pelo plenário da Corte. Isso só deve ocorrer em 2013.

'É ridículo falarem em mídia golpista'

O cantor e compositor Caetano Veloso condenou a postura de alguns petistas em relação ao julgamento do mensalão. "Eu não compartilho com a visão de alguns petistas que dizem que isso é um golpe da mídia golpista, acho isso ridículo e desrespeitoso com a população", disse ontem, durante entrevista ao Estado sobre o lançamento de seu novo disco Abraçaço.

Caetano não preservou o ex-presidente Lula. "Lula, logo que aconteceu (o mensalão) disse que tinha sido traído. Depois, dando a entender que o mensalão era caixa 2, disse que era uma coisa que todo mundo fazia no Brasil e que não tinha nada de mais. Agora está dizendo, ou insuflando as pessoas a dizerem, que se trata de golpe da mídia? Isso é um desrespeito."

Rose pediu por médico de Lula e Genoino

Investigação da PF na Operação Porto Seguro mostra que a ex-chefe de gabinete da Presidência Rosemary Noronha pediu a delegado ajuda para José Genoino e o médico do ex-presidente Lula, Roberto Kalil. Delator do esquema, o ex-auditor do TCU Cyonil Faria Junior teve medo de ser morto.

Interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal em duas operações mostram que a ex-chefe de gabinete da Presidência Rosemary Nóvoa de Noronha fez gestões para ajudar o ex-presidente do PT José Genoino e o médico do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma

A Operação Overbox, de 2004, tentava desarticular um grupo que facilitava a entrada de produtos contrabandeados no aeroporto de Guarulhos (SP). Rose foi flagrada em duas conversas com o delegado Wagner Castilho, um dos responsáveis pela segurança do aeroporto.

Em uma, de 5 de outubro, os investigadores anotaram no relatório uma conversa de ambos em que ela tentava resolver o trâmite de um porte de arma para o então segurança de Genoino, que à época presidia o partido.

"Rose fala que está precisando de duas coisas. Uma é o porte de arma para o motorista do deputado, presidente do Partido dos Trabalhadores". Segundo a PF, Castilho explicou o procedimento e disse que "leva em mãos e se tiver algum óbice resolve". Ela disse que ficaria "no aguardo dessa coisa do Genoino".

Empresa de genro obteve falso atestado de obra

A ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Nóvoa de Noronha teria obtido um documento falso com o grupo investigado na Operação Porto Seguro para beneficiar uma construtora de sua família. De acordo com a Polícia Federal, ela pediu um atestado de capacidade técnica a favor da empreiteira para Paulo Vieira, diretor afastado da Agência Nacional de Águas preso na semana passada.

De acordo com relatórios da PF, Rose obteve com a faculdade mantida pela família de Paulo documentos que comprovariam serviços supostamente prestados pela New Talent Construtora Ltda., que tem como sócios a sogra e um genro da ex-chefe de gabinete da Presidência.

O documento teria sido usado para comprovar a qualificação técnica da construtora. Atestados desse tipo são exigidos para realizar o cadastramento de empresas interessadas em participar de licitações públicas.

No portal de compras do governo federal, a New Talent aparece como fornecedora cadastrada no sistema da Superintendência Federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento em São Paulo - vinculada ao Ministério da Agricultura. Não há, no entanto, registro de contratos ou pagamentos feitos à construtora por órgãos do governo federal.

Senadores atribuem a Dirceu pressão para nomear irmãos Vieira

Senadores atribuem ao ex-ministro José Dirceu a articulação pela aprovação dos irmãos Paulo e Rubens Rodrigues Vieira para as diretorias da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Parlamentares contaram ao Estado que a pressão para que aprovassem a indicação foi feita pelo próprio ex-ministro, no contato com líderes, e por servidores do governo falando em nome de Dirceu. Parte desses telefonemas foi feita por Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo. "A indicação é de José Dirceu. Vocês precisam aprovar", dizia Rosemary, segundo relatos de senadores.

Ontem, Dirceu negou em seu blog envolvimento com o caso revelado pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal e disse que a citação a seu nome em escândalos de corrupção é uma "irresponsabilidade". O delator do esquema descoberto pela PF, o ex-auditor Cyonil Borges, disse aos investigadores que tinha ouvido o nome do ex-ministro em conversas com o ex-diretor da ANA.

Paulo Vieira foi apontado pela PF como chefe de uma quadrilha instalada em órgãos do governo e agências reguladoras que se especializou em vender pareceres técnicos. Rosemary também participaria do grupo, segundo as investigações, assim como Rubens Vieira. Todos foram exonerados dos seus cargos por ordem da presidente Dilma Rousseff.

Dirceu se defende e diz que está sendo 'caluniado'

Citado no depoimento que Cyonil Borges deu à Polícia Federal, o ex-ministro José Dirceu repudiou ontem a vinculação de seu nome ao caso e criticou o noticiário da imprensa, que, segundo ele, estaria interessada no "sucesso midiático do escândalo".

Anteontem, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, Cyonil declarou que "uma hora ele (Paulo Vieira, diretor afastado da Agência Nacional de Águas) falava que o dinheiro vinha da empresa (Tecondi). Outra hora falava que era interesse do Dirceu, esse dinheiro adviria de José Dirceu." Em nota publicada no seu blog, o ex-ministro rebateu e voltou a dizer que se sente "caluniado".

No texto, Dirceu faz referência a outros inquéritos em que teve seu nome citado. "As investigações ainda estão em curso e meu nome já é escandalosamente noticiado como relacionado ao caso", escreveu o ex-ministro, que citou Francisco Daniel, irmão do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, que o acusava de ser beneficiário do suposto esquema de caixa 2. Segundo Dirceu, ao ser processado, Francisco Daniel acabou se retratando em juízo.

Lula evita falar do caso e vai a festa no Rio

Em meio à crise política provocada pela operação Porto Seguro da Polícia Federal e o indiciamento por corrupção de sua amiga e ex-secretária Rosemary Nóvoa de Noronha, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi ao Rio de Janeiro na noite de anteontem para participar da festa de lançamento do Calendário Pirelli 2013 e receber um prêmio da empresa.

A presença de Lula no evento não foi divulgada e ele evitou a imprensa enquanto esteve na festa. Descontraído, o ex-presidente conversou com a atriz italiana Sophia Loren, que entregou o prêmio a ele, e posou para fotos com o piloto Felipe Massa, o jogador holandês do Botafogo, Clarence Seedorf, e o ator Owen Wilson.

Lula chegou e saiu do evento com os governadores Sérgio Cabral (PMDB), do Rio, e Jaques Wagner (PT), da Bahia. Eles ficaram na mesa de honra do evento, na companhia do empresário Eike Batista e dos dirigentes da Pirelli.

Delator do esquema temia ser assassinado

O ex-auditor do Tribunal de Contas da União Cyonil da Cunha Borges de Faria Junior teve medo de ser morto pela quadrilha do diretor afastado da Agência Nacional de Águas, Paulo Rodrigues Vieira, mesmo antes de delatar o esquema de corrupção que deu origem à Operação Porto Seguro.

Inseguro, ele fez uma procuração em nome da mulher, Vanessa de Faria, para o caso de algo de ruim lhe acontecer, de acordo com o depoimento dela à Polícia Federal. Ele também pediu que Paulo Vieira desistisse de lhe fazer algum mal, de acordo com e-mails interceptados pelos investigadores.

Um ano antes de oferecer a notícia-crime à Superintendência da PF em São Paulo, o ex-auditor trocou mensagens com Paulo Vieira dizendo nunca antes ter se sentido tão mal na vida. Disse que já não dormia e que andava "muito preocupado com os últimos acontecimentos".

"Brother, se eu fiz algo de ruim contra alguém que você gosta ou algo do tipo, por favor, seja expresso. Vamos tentar resolver de outra forma", pediu Cyonil. E continuou: "Fico pensando as mais diversas coisas (...) Não sei se o amigo está pensando em fazer, mas se algo de ruim, por favor, desista! Sério, não sou uma pessoa ruim". Também pediu informações sobre Paulo alegando precisar conferir suas histórias. "Estou muito grilado... perdão por desconfiar um pouco de você, mas sua tranquilidade me assusta".

PF vai rastrear evolução patrimonial da organização

A Polícia Federal decidiu abrir investigação sobre enriquecimento ilícito dos integrantes da organização desmantelada pela Operação Porto Seguro. A PF vai rastrear a evolução patrimonial de todos os investigados, inclusive Paulo Rodrigues Vieira, diretor afastado de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA), apontado como líder de quadrilha.

Levantamento preliminar, amparado em análise de correspondências eletrônicas e telefonemas interceptados, mostra evolução patrimonial de Paulo Vieira - veículo de luxo, apartamento espaçoso em Brasília, a pujança da faculdade que possui e outros bens.

A PF atribui a ele o papel de líder do "núcleo duro" da organização, integrada pela ex-chefe de gabinete da Presidência da República, Rosemary Noronha. Ele foi indiciado por corrupção ativa, falsidade ideológica, falsificação de documento e quadrilha. Ela por corrupção passiva e tráfico de influência.

Os investigadores suspeitam que parte do patrimônio obtido ilicitamente pode ter sido ocultada ou dissimulada, o que caracteriza lavagem de ativos. Mas eles já têm um conjunto de informações que indicam aquisições de Paulo Vieira.

Divergências podem derrubar relatório da CPI

A Comissão Parlamentar de Inquérito do Cachoeira corre o risco de terminar em pizza, sem a aprovação de relatório final. Mesmo depois do recuo do relator Odair Cunha (PT-MG), que desistiu de pedir o indiciamento de cinco jornalistas e da investigação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, parte da base aliada na CPI, liderada pelo PMDB, uniu-se ao PSDB e ameaça derrubar todo o texto final do petista ou sequer votar o documento.

Um dos argumentos para isso é o pedido de indiciamento do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, por seis crimes. Governistas e tucanos alegam que Cunha "politizou" o documento ao propor o indiciamento de Perillo, mas deixando de fora o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). "Assim como a imprensa e o procurador-geral, a questão do governador de Goiás também é uma cortina de fumaça para evitar outros temas", disse o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que decidiu votar pelo relatório depois das mudanças feitas pelo relator.

Miro cita o pedido de indiciamento de Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta, como um dos itens cuja retirada ninguém defende publicamente. Nos bastidores, entretanto, integrantes da CPI, sejam do governo ou da oposição, trabalham para que Cavendish seja poupado.

49% das doações de empresas a partidos foram de empreiteiras

As empreiteiras concentraram suas doações eleitorais nas direções partidárias em 2012. Em vez de pulverizar recursos entre candidatos e comitês de campanha, as empresas de construção optaram por centrar seus esforços nas cúpulas dos partidos. Acabaram responsáveis por 49% de tudo o que as agremiações partidárias receberam de pessoas jurídicas na eleição.

Essa dependência dos partidos de dinheiro de empresas que realizam obras públicas pode provocar conflitos de interesse na hora de os prefeitos eleitos abrirem licitações e concessões.

Na prática, a estratégia das empreiteiras de doar para os partidos facilita o caminho para o surgimento de eventuais "caixas pretas" - pois torna difícil saber qual candidato, em que cidade, recebeu recursos. São as chamadas doações ocultas.

Os dados que mostram a concentração das doações de empreiteiras nas receitas obtidas pelos partidos nas eleições de 2012 fazem parte de uma nova parcial da prestação de contas, publicada na terça-feira (27) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Eles não incluem receitas e despesas dos cem candidatos que disputaram o segundo turno. Além disso, faltam dados de candidatos, comitês ou diretórios partidários que extrapolaram o prazo de entrega da prestação de contas para o tribunal.

Eliana Calmon não descarta urna após toga

Com o ativo político de ter sido a xerife do Judiciário nos últimos dois anos, a ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana Calmon, pode, em 2014, dedicar-se à vida política e disputar eleições pela Bahia. Ontem, em café na manhã na Câmara dos Deputados, Eliana foi sondada pelo PPS e deixou a porta aberta.

Ao longo de seu mandato no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), quando falou da existência de "bandidos de toga" e abriu uma crise com entidades de classe da magistratura, Eliana Calmon negava a possibilidade de se filiar a um partido político e disputar eleições. Ontem, porém, a ministra admitiu a possibilidade.

O líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PPS-PR), perguntou a data da aposentadoria da ministra e afirmou que o partido lhe ofereceria a legenda para, se quiser, disputar as eleições já em 2014. Ela afirmou que avaliará a oferta assim que se aposentar.

Eliana Calmon completa 70 anos em novembro de 2014. E não acredita que o Congresso, até lá, aprovará a chamada PEC da Bengala, que aumentaria para 75 anos a idade limite para a aposentaria compulsória no serviço público. Para eventualmente se candidatar ainda em 2014, ela teria de antecipar sua aposentadoria.

Clima de jogo

Durante vistoria no Itaquerão, o secretário da Fifa, Jérôme Valcke, bate pênalti no ministro do Esporte, Aldo Rebelo: gentilezas.

Justiça vai contra Clarín

No dia em que Cristina Kirchner recebeu Dilma, Corte argentina esclarece que Clarín terá de ser separado.

Caoa planeja montadora brasileira

O Grupo Caoa estaria articulando criação de uma montadora brasileira, revela Sonia Racy. Negócio envolveria o BNDES e a fábrica do grupo em GO e seria tocado pelo ex-Ford Antonio Maciel.

BC interrompe ciclo de cortes e juro fica em 7,25%

 

País tem menor nível de desigualdade, diz IBGE

 

Kassab quer vender rua no Itaim por R$ 5,8 mi

 

 

 

CORREIO BRAZILIENSE

 

Sabe quem é o culpado pelos vôos de R$ 5mil?

Se você pensou que são as empresas aéreas e a falta de estrutura dos aeroportos, está enganado. A culpa, pelo menos na opinião do ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, é do presidente da Gol, Paulo Sérgio Kakinoffi, é de quem deixou para comprar passagens de última hora. Ou seja: do consumidor. E nem adianta reclamar. Foi o que os dois deixaram claro após a reunião convocada pelo governo para discutir o fim da Webjet, dado como irreversível, e a elevação de preços pela Gol. “O mercado é livre”, disse Bittencourt. Em reportagem, ontem, o Correio mostrou que uma viagem de ida e volta de Brasília para cidades do Nordeste já passa de R$ 5 mil — bem mais caro do que ir a Paris ou Londres.

STF decide que João Paulo Cunha vai para a cadeia

Ex-presidente da Câmara, o petista pegou 9 anos e 4 meses de prisão e será o único deputado punido no processo do mensalão a cumprir pena em regime fechado. Já o delator do esquema, Roberto Jefferson, se livrou do cárcere .O Supremo considerou sua colaboração como atenuante e o condenou a menos de 8 anos de detenção.

Hospitais são alvo de novas denúncias

Mais 12 técnicos de enfermagem reclamam que são obrigados a trabalhar como médicos auxiliares em cirurgias. A prática ilegal já está sendo investigada.

Senado obriga ex-diretor da Anac a depor

Oposição conseguiu furar blindagem do governo e ouvirá Rubens Vieira, preso pela PF no escândalo dos pareceres forjados. Rosemary escapou por pouco.

Raad deixa o GDF e volta à Câmara sob suspeita

Iniciantes do PAS enfrentarão mais desafios

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