Jornais: advogado-adjunto compromete procuradores na Porto Seguro

Em entrevista ao jornal O Globo, José Weber Holanda aponta a participação de procuradores da União no esquema de compra e venda de pareceres jurídicos investigado pela PF

O GLOBO

Porto Seguro: Weber diz que há mais procuradores envolvidos
O ex-advogado-geral adjunto da União José Weber Holanda Alves disse ontem não ser "vilão nessa história", em referência à Operação Porto Seguro da Polícia Federal, e apontou a participação de outros procuradores da União no esquema de compra e venda de pareceres jurídicos investigado pela PF. Em entrevista ao GLOBO, por telefone, Weber defendeu o ministro-chefe da Advocacia Geral da União (AGU), Luís Inácio Adams, responsável por sua indicação ao cargo de advogado-geral adjunto. - O ministro é um homem de bem, honrado - disse Weber, que evitou comentar o depoimento de Adams no Senado, anteontem.

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Aos senadores na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Adams subiu o tom contra o ex-braço-direito e apontou uma "relação promíscua" nos casos que envolveram a AGU na Operação Porto Seguro. - Estou como vilão nessa história e eu não sou vilão. Outros procuradores estão envolvidos e não se fala sobre eles. Não quero citar nomes - afirmou Weber.

Diretoria da ANA esvaziou cargo de Paulo Vieira
A direção da Agência Nacional de Águas (ANA) adotou uma ação preventiva quando Paulo Vieira assumiu, no início de 2010, o cargo de diretor de Hidrologia, esvaziando as atribuições do setor, justamente por considerar que ele não tinha habilitação para a função. As afirmações foram feitas ontem pelo presidente da ANA, Vicente Andreu, em depoimento à Comissão de Fiscalização e Controle do Senado. Vieira chegou a ser preso, em operação da Polícia Federal, acusado de integrar esquema de corrupção em órgãos federais e agências reguladoras, e depois solto.

A decisão do comando da ANA de esvaziar a diretoria de Hidrologia causou contrariedade em Vieira, apadrinhado político do PT. Ele tentou, em contrapartida, atuar em outras áreas sensíveis, como as de regulação e fiscalização.

Preso e solto, diretor afastado pede exoneração do cargo
O diretor afastado da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Vieira, entregou ontem à presidente Dilma Rousseff seu pedido de exoneração da Diretoria de Hidrologia. A exoneração deverá ser publicada na edição de hoje do "Diário Oficial". Como os dirigentes de agências reguladoras têm mandatos aprovados pelo Senado, não podem ser demitidos. A exoneração só ocorreria após processo interno. Com o pedido de demissão, o governo pode indicar seu substituto.

O presidente da ANA, Vicente Andreu, que ontem depôs no Senado e participou de um evento de apoio às agências reguladoras, disse que, na ocasião em que Paulo Vieira foi indicado para o órgão, defendia a nomeação da técnica Gisela Forattini para a diretoria de Hidrologia. Hoje, ela é diretora de licenciamento do Ibama.

Rose diz que e-mails pessoais vazaram
Investigada por tráfico de influência e corrupção, a ex-chefe de gabinete da Presidência da República Rosemary Noronha disse ontem à Polícia Federal, em São Paulo, que houve vazamento de seus e-mails particulares. Acompanhada de três advogados, Rose afirmou ao delegado que preside o inquérito da Operação Porto Seguro, Ricardo Ishida, que os e-mails supostamente vazados foram obtidos nas investigações, mas não faziam parte do inquérito.

- É uma violação gravíssima de privacidade, garantida inclusive pelo despacho da juíza (Adriana Freisleben de Zánetti, que autorizou a quebra de sigilo telemático de Rosemary) - disse Luiz Bueno de Aguiar, um dos advogados da ex-chefe de gabinete.

Presidente do TCU defende autonomia das agências
Alvos da ação da suposta quadrilha de venda de pareceres, as agências reguladoras foram defendidas ontem por seus dirigentes, que temem ver a credibilidade desses órgãos maculada por desvios de seus integrantes. Reconhecendo que há influência política nesses colegiados de fiscalização e controle, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Benjamin

Zymler, também defendeu a autonomia e independência das agências, em seminário sobre o tema:
- Como tudo no Brasil, não há modelos perfeitos. Às vezes, crises que surgem são benéficas porque há decantação das melhores práticas, eventuais pontos críticos são detectados e há superação do modelo por novos modelos mais interessantes - afirmou Zymler.

Sarney na Presidência, saída para royalties
Uma grande operação que vinha sendo montada em sigilo, para homenagear o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), na próxima semana, ganhou mais um significado e motivação após a guerra aberta pelos governadores de estados não produtores de petróleo contra a decisão da presidente Dilma Rousseff de vetar parte do projeto que redistribui os royalties, assegurando o cumprimento dos contratos nas áreas já licitadas. A operação, que tem como objetivo deixar que Sarney ocupe mais uma vez a Presidência da República, em deferência a sua figura política, pode retirá-lo do furacão em torno da derrubada dos vetos, ajudando o governo a ganhar tempo e postergar a discussão do tema para 2013, quando ele já terá encerrado seu quarto mandato na presidência do Senado.

Os governadores de estados não produtores, entre eles, Roseana Sarney, governadora do Maranhão e filha de Sarney, lançaram uma forte ofensiva para que o Congresso derrube os vetos da presidente Dilma, algo que não acontece há mais de dez anos, e colocaram Sarney no centro de fortes pressões. No esforço para evitar que a presidente Dilma seja submetida a uma derrota de grandes proporções, com o Congresso desautorizando um ato presidencial, o governo pretende aproveitar uma viagem à Rússia que a presidente tem marcada para o dia 12 para pôr o plano em prática.

Joaquim submeterá pedido de prisão ao plenário
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, decidiu que levará a votação em plenário o pedido do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de prisão imediata dos condenados do mensalão. Se quisesse, Barbosa poderia deliberar sozinho sobre o assunto. Mas ele prefere dividir a responsabilidade com os demais ministros.

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Joaquim entende também que os réus só devem ser levados à prisão depois de esgotadas todas as possibilidades de recurso. Isso pode acontecer bem depois da publicação do acórdão do julgamento. Os advogados dos réus já avisaram que vão recorrer de algumas decisões em busca de redução ou até anulação de penas.

Cassação à vista
Terminou empatada em 1 a 1 ontem a votação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a perda de mandato dos três parlamentares condenados no mensalão. O ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF e relator do processo, defendeu que os deputados percam o mandato quando for concluído o julgamento. O revisor, Ricardo Lewandowski, discordou: para ele, a Corte deve apenas enviar à Câmara dos Deputados comunicado informando que os três foram condenados em processo criminal. Neste caso, caberia à Casa dar a palavra final. Os votos dos outros sete ministros serão colhidos na segunda-feira.

Estão em jogo os destinos de João Paulo Cunha (PT-SP), condenado a 9 anos e 4 meses de prisão; Valdemar Costa Neto (PR-SP), condenado a 7 anos e 10 meses; e Pedro Henry (PP-MT), a 7 anos e 2 meses.

Prefeito de Porto Velho é afastado do cargo por suspeita de fraudes
O prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho (PT), foi afastado ontem do cargo pela Justiça nos desdobramentos de duas operações contra uma organização criminosa que teria se instalado na prefeitura da capital de Rondônia. Sobrinho está proibido de se aproximar de órgãos públicos, mas não foi preso na ação. As operações, batizadas de Endemia e Vórtice, reuniram Polícia Federal, Tribunal de Contas, Controladoria Geral da União e os Ministérios Públicos estadual e federal de Rondônia.

Ainda não foi informado o período de afastamento e nem a distância que o prefeito deve manter de prédios municipais, estaduais e federais. Sobrinho foi notificado durante a manhã de ontem e, no lugar dele, assumiu o vice-prefeito Emerson Castro (PMDB). Três secretários foram presos.

MEC reprova quase um terço das instituições de ensino superior
Quase um terço (31%) das instituições de ensino superior brasileiras tiveram desempenho considerado insatisfatório no Índice Geral de Cursos (IGC) de 2011, o principal indicador de qualidade do Ministério da Educação (MEC). Das 1.875 instituições que receberam conceito do MEC, 577 obtiveram notas 1 ou 2, numa escala que vai até 5.

Também foi apresentado o resultado de 2011 de outro índice, o Conceito Preliminar de Curso (CPC), que faz uma avaliação por curso, e não por instituição. De 6.324 cursos com conceitos divulgados, 976 (15%) tiveram notas insatisfatórias (1 ou 2).

O ESTADO DE S. PAULO

Delator cita ajuda de Sarney a esquema de pareceres
Delator do esquema de venda de pareceres em órgãos federais, o ex-auditor Cyonil Borges disse que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), teria posto sua influência a favor dos interesses da organização no Tribunal de Contas da União (TCU). Em denúncia enviada ao Ministério Público Federal (MPF), ele relatou que o ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) Paulo Vieira teria conseguido alterar a tramitação de processo em favor da empresa Tecondi após acionar Sarney. O senador nega.

[...]

Na representação, de 15 de fevereiro de 2011, Cyonil relata conversas com Vieira, nas quais o ex-diretor teria citado o senador. "Paulo Vieira disse que pediria a José Sarney, que indicara, à época, o ministro Vilaça, para reencaminhar o processo à secretaria de São Paulo e, assim, autorizasse a inspeção." Rejeitado pelo Senado, Vieira só foi nomeado para a diretoria da ANA após manobra de Sarney.

Senador afirma que declarações são 'inverídicas'
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), negou ingerência no processo do Tribunal de Contas da União (TCU) que discute o arrendamento de áreas do Porto de Santos à Tecondi. Segundo a assessoria do senador, ele não fez qualquer gestão a respeito e as declarações de Cyonil Borges são "inverídicas".

José Múcio disse que não houve conversa com Sarney ou Paulo Vieira. De acordo com a assessoria de gabinete do ministro, nenhuma decisão dele e do plenário do tribunal no processo foi favorável à Tecondi, apesar do parecer de Cyonil sugerir o contrário. E, além disso, até a Operação Porto Seguro, deflagrada em novembro deste ano, não se sabia que o relatório do auditor era comprado.

Indiciado é avalista de aluguel de chefe da AGU
O ex-advogado-geral-adjunto da União José Weber Holanda, indiciado por corrupção passiva pela Polícia Federal na Operação Porto Seguro, é o avalista de um contrato de aluguel da casa em que vive o ministro Luís Inácio Adams, da Advocacia-Geral da União (AGU). Na prática, Weber poderia ser considerado responsável pelas dívidas de Adams, caso ele deixasse de fazer algum pagamento ao proprietário do imóvel. O ministro da AGU mora na quadra QI 9 do Lago Norte, em Brasília.

A informação foi divulgada ontem à tarde no blog do jornalista Gerson Camarotti, no site G1. A AGU confirmou o fato e disse que Adams pediu à imobiliária a substituição de Weber como avalista depois do escândalo.

Vieira esperava ser ministro, diz ex-chefe
Paulo Rodrigues Vieira, apontado pela Polícia Federal como chefe do esquema de venda de pareceres técnicos de órgãos federais, aspirava a um cargo mais alto do que a diretoria da Agência Nacional de Águas (ANA) e dizia que seria indicado para o cargo de ministro do Meio Ambiente. O ex-diretor também gostava de alardear proximidade com pessoas importantes, como o ex-chefe da Casa Civil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu, segundo informou ontem o presidente da ANA, Vicente Andreu Guillo, ao depor na Comissão de Meio Ambiente, Fiscalização e Controle do Senado.

Em cerca de duas horas, Andreu falou da dificuldade dos demais diretores da ANA de conviver com uma pessoa que descreveu como "complexa e ambiciosa", de personalidade difícil, com "altos e baixos". "Ele falava muito em ser candidato, tinha pretensões eleitorais, chegava a mencionar que estava cotado para ser nomeado ministro. Tinha esses arroubos com os quais a gente precisava conviver."

Barbosa vota pela cassação de deputados do mensalão
Relator do mensalão e presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa votou pela decretação da perda do mandato dos três deputados federais condenados no processo: João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT). Para o ministro, a Câmara tem o papel apenas de efetivar a decisão da Corte, sem o poder de dar a palavra final.

A opinião do revisor, ministro Ricardo Lewandowski, foi em sentido oposto. A decisão será tomada na próxima semana e a tendência é que a posição de Barbosa seja vencedora, o que deve provocar reações na Câmara. Os mandatos, porém, só seriam retirados depois da fase de recursos dos condenados com a proclamação final da Corte sobre o caso.

Parlamentares dizem que decisão é do Congresso
Congressistas rechaçaram ontem o voto do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, pela perda de mandato automática dos condenados no julgamento do mensalão que ocupam cargos na Câmara dos Deputados. Para o parlamentares, cabe ao Congresso Nacional, e não o Supremo, decidir quem fica e quem sai do Parlamento.

Pelo argumento de Barbosa, o Congresso tem apenas de referendar a decisão da Corte. Os parlamentares, porém, acreditam que têm autonomia de reverter a decisão em votação de plenário.

'A Nação não aguenta mais', afirma Barbosa
Relator do processo do mensalão, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, afirmou ontem, na 51.ª sessão do caso cuja avaliação começou em 2 de agosto: "Acredito que a Nação não aguenta mais este julgamento. Está na hora de acabar, está na hora. Como diriam os ingleses, let’s move on (vamos em frente)".

O desabafo foi feito no momento em que o revisor da ação, Ricardo Lewandowski, lia uma proposta detalhada para modificar as penas de multa estabelecidas em novembro pelo STF para serem pagas pelos condenados por envolvimento com o mensalão. Lewandowski disse que não havia critérios objetivos na definição dessas punições, originalmente fixadas num total de R$ 22,3 milhões. Após o protesto de Barbosa, Lewandowski apresentou a proposta de forma resumida.

Ministros preparam conclusão de julgamento para semana que vem
Ministros do Supremo Tribunal Federal querem encerrar o julgamento do mensalão, iniciado em 2 de agosto, nas próximas duas sessões da Corte, na segunda e quarta-feira da semana que vem. Nesses mais de quatro meses de avaliação do caso no qual a antiga cúpula petista foi acusada de comandar um esquema de compra de votos no Congresso no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram realizadas 51 sessões.

Os ministros condenaram 25 dos 37 réus e confirmaram algumas teses contidas na denúncia da Procuraoria-Geral da República. Entre elas a de que o dinheiro usado para abastecer o esquema saiu, em parte, dos cofrs públicos. Também considerou fraudulentos os empréstimos realizados pelo Banco Rural ao PT e às agências de publicidade do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. A tese segundo a qual o dinheiro serviu apenas como caixa 2 de campanhas foi derrubada pelo STF, que viu prompra de votos no pagamento aos parlamentares por meio do valerioduto.

'Fomos condenados, mas vamos salvar o projeto', diz Dirceu
Enquanto o Supremo discutia ontem a prisão dos condenados no mensalão, o ex-ministro José Dirceu circulava com desenvoltura na reunião da corrente majoritária do PT, Construindo um Novo Brasil. A portas fechadas, ele criticou juízes do STF e disse ser necessário defender o governo Dilma Rousseff. "Nós fomos condenados, mas vamos salvar o projeto", conclamou, de acordo com relato de participantes do encontro. Dirceu foi condenado a 10 anos e 10 meses de prisão.

Na reunião marcada para hoje e amanhã, em Brasília, o Diretório Nacional do PT vai propor uma campanha de iniciativa popular pela reforma político-eleitoral. O partido também queria pôr na pauta a reforma do Judiciário, mas o governo pediu cautela para que o episódio não se transforme em combate institucional.

Câmara aprova reajuste salarial para 24 categorias
A Câmara aprovou ontem um projeto de lei reajustando em 15,8% os salários de 24 categorias de servidores públicos a serem pagos de forma escalonada nos próximos três anos. O projeto se soma a outros seis de aumento salarial e três de criação de cargos aprovados na quarta-feira à noite pelos deputados. Em 2013, o aumento será de 5%. Os projetos integram um pacote de reajustes negociados pelo governo com os servidores públicos.

Algumas carreiras ficaram fora do reajuste porque não houve acordo com o governo antes da data de envio da proposta de Orçamento da União de 2013 em 31 de agosto. A Lei de Diretrizes Orçamentárias estabeleceu uma trava para os aumentos salariais: o que não estiver previsto em projeto de lei encaminhado até o dia 31 de agosto ao Congresso não poderá ter recursos correspondentes incluídos no Orçamento para o ano seguinte.

Dilma recebe ACM Neto após atrito eleitoral
A presidente Dilma Rousseff recebeu na tarde de ontem o prefeito eleito de Salvador, ACM Neto (DEM). Após uma hora e 15 minutos de conversa com a presidente, Neto disse que saía do Planalto "entusiasmado" e "empolgado".

"A presidente se mostrou conhecedora de Salvador, cidade onde sua gestão é bem avaliada", afirmou o prefeito eleito na conversa com os jornalistas. Num comício do candidato derrotado do PT na capital baiana, Nelson Pelegrino, no bairro pobre de Cajazeiras, Dilma afirmou que a cidade não poderia ter um "governinho", um "governo pequeninho", numa referência pejorativa a ACM Neto, político com menos de 1m70 de altura.

Em ato, Erundina cobra revisão da Lei da Anistia
Mentora da homenagem feita ontem pela Câmara aos 173 deputados federais que tiveram seus mandatos cassados durante o período do regime militar (1964-1985), a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) aproveitou a solenidade para pedir a revisão da Lei de Anistia. Diante de um plenário lotado, que contou com a presença de 18 ex-deputados que estão vivos e familiares de outros 60 ex-parlamentares, Erundina afirmou que o "processo de redemocratização do País permanecerá inconcluso" enquanto a Lei de Anistia não for revista.

"O Brasil é um dos poucos países do mundo, se não for o único, em que a Lei de Anistia beneficia os torturados e os torturadores, os criminosos e as vítimas", afirmou a deputada. "Esse é um capítulo da nossa história que precisa ser passado a limpo", defendeu.

CORREIO BRAZILIENSE

Cassação de mandatos divide STF
No dia em que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, afirmou que "a nação não aguenta mais" o prolongamento do julgamento do mensalão, a Corte não conseguiu concluir o debate de duas das últimas questões pendentes para o desfecho do processo. Depois de intensas discussões em plenário, o relator — o próprio Barbosa — e o revisor do processo, Ricardo Lewandowski, não entraram em consenso quanto à cassação dos mandatos dos três deputados federais condenados nem sobre a proposta de revisão das multas aplicadas aos 25 réus.

Joaquim Barbosa afirmou que o Supremo tem a palavra final sobre a perda do mandato dos parlamentares João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP). "Condenado o deputado, inexiste espaço para juízo político ou de conveniência pelo Poder Legislativo", frisou o relator da Ação Penal 470. Segundo Barbosa, a decisão do STF não representa um mero parecer para que o Congresso avalie se cassará ou não o deputado. "É compatível com o mandato parlamentar alguém condenado a 7, 8 ou 9 anos de prisão?"

Dirceu volta a Brasília
O ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu participará, hoje e amanhã, da última reunião do ano da Diretoria Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT). O encontro não tem pauta definida, mas o mensalão está entre os temas que devem ser discutidos. A previsão é que a posição dos dirigentes da legenda conste, inclusive, no documento que será divulgado ao fim da reunião. José Dirceu foi condenado a 10 anos e 10 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal. Ele chegou a Brasília ontem e retornará sábado para São Paulo. José Genoino e João Paulo Cunha, também condenados na Ação Penal 470, não comparecerão.

Vieira sai da ANA
O diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Vieira, pediu demissão ontem do cargo. Ele é um dos principais envolvidos no esquema de venda de pareceres e foi preso na Operação Porto Seguro, desencadeada há duas semanas pela Polícia Federal. A saída de Vieira aconteceu poucas horas depois do depoimento, no Senado, do presidente da ANA, Vicente Andreu, que não poupou críticas a seu ex-subordinado. Vieira, segundo o dirigente da agência, tentou mostrar força política à diretoria da autarquia ao levar a então chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, para fazer uma visita à agência.

A audiência de Andreu aconteceu na Comissão de Meio Ambiente, onde o dirigente falou sobre a atuação de Vieira. Segundo o presidente da ANA, Vieira não perdia a chance de dizer aos funcionários da agência que conhecia o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. "Como eu conheço o Zé (Dirceu) de longa data, liguei para ele para falar a respeito do assunto e ele me disse assim: "Vicente?, nem conheço, apertei a mão dele duas vezes na vida e ele fica falando meu nome... Faz o que você achar que deve fazer (em relação ao Paulo)"", narrou o diretor-presidente da ANA.

Renúncia às urnas em nome da arquitetura
"Prezado amigo José Aparecido
Hoje, ainda deitado, madrugada e tudo escuro, fiquei a pensar nos meus problemas e nessa ameaça de candidatura que você tão generosamente propõe"

Assim, ao descrever a noite anterior, Oscar Niemeyer começa uma carta endereçada ao então governador do Distrito Federal José Aparecido de Oliveira. O texto revela um momento inédito: a renúncia da política em nome da arquitetura. Em quatro páginas, o arquiteto explica a razão de ter recusado o convite para ser candidato a uma das vagas de senador nas eleições naquele ano, em 1986. Ao descrever os recentes trabalhos em Brasília, Niemeyer diz que é impossível conciliar as atividades profissionais — que o "absorvem inteiramente" — com qualquer outra. Um detalhe, entretanto, mostra como deve ter sido difícil para ele descartar a possibilidade de se tornar parlamentar. É que, em 14 de novembro de 1985, Niemeyer chegou a pedir transferência do título de eleitor do Rio para o Distrito Federal, o que tornaria apto em disputar, a partir daqui, uma cadeira no Congresso.

A carta endereçada a José Aparecido e os papéis do Serviço Público Eleitoral do Distrito Federal com o pedido de transferência de título ficaram guardados por mais de 25 anos e são revelados agora com exclusividade pelo Correio. Do material inédito sobre o arquiteto, os dois documentos estão entre os que mais revelam a faceta político-eleitoral de Oscar Niemeyer. Em 1986, o Distrito Federal elegeu pela primeira vez a representação política. Assim, havia na época três vagas para o Senado — duas delas com oito anos de mandato e uma, com apenas quatro. A disputa era, portanto, considerada barbada para Niemeyer. Os eleitos participariam da Constituinte dois anos depois. Sem o arquiteto na disputa, os mais votados foram Maurício Corrêa (PDT), Meira Filho (PMDB) e Pompeu de Souza (PMDB), que, como terceiro colocado, passou quatro anos no cargo.

"Reconhecemos o gênio" – trecho de entrevista (morte de Niemeyer)
O diretor-geral adjunto de Cultura da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Francesco Bandarin, compreende a dimensão da perda de Oscar Niemeyer. O italiano, arquiteto por formação, é um dos mais conhecidos especialistas mundiais em urbanismo. Passou por Brasília algumas vezes enquanto diretor do Centro de Patrimônio Mundial, já que a capital consta na lista da organização desde 1987. Na visita que fez ao Brasil, em 2009, encontrou-se pela última vez com o arquiteto brasileiro. Em entrevista exclusiva ao Correio, Bandarin fala de Brasília como patrimônio da humanidade, relata os encontros que teve com Niemeyer e revela como foi a reação, em Paris, na sede da instituição, à morte dele.

Encontro
Em 2009, eu estava no Rio e fui visitar Niemeyer em seu escritório. Fiquei com ele por mais de uma hora. Conversamos sobre tudo. Arquitetura, França, perspectivas. Foi uma conversa iluminada, que carrego sempre no coração. Fiquei impressionado com a produção. Ele estava trabalhando em muitos projetos. Fiquei com uma impressão de estar diante de um grande homem, mas, ao mesmo tempo, muito simples. Ideias nítidas, sem pretensão. Claro, consciente do seu papel na história da arquitetura, seja no Brasil ou no mundo. Tive muita sorte de encontrá-lo pessoalmente.

A notícia
Quando recebi a notícia, fui tomado por muita emoção. A perda de um "maestro", embora o termo ainda seja pequeno perto dele. Um símbolo. Também sou arquiteto. Então, a identificação, além de tudo, era pessoal. Mas, temos que lembrar que não somos imortais. Fica o luto, a dor. Entretanto, também fica a certeza de que esse homem cumpriu uma vida incrível, de muita contribuição. Estive, agora há pouco, com o (fotógrafo) Sebastião Salgado, que está em Paris. Comentamos da comoção gerada. Niemeyer era uma figura do mundo — não somente do Brasil — que desaparece, mas deixa um enorme legado.

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