Jornais: mensalão desviou pelo menos R$ 101 milhões do governo

O chamado "valerioduto", segundo laudo da Polícia Federal, movimentou dinheiro público por meio do Banco do Brasil

O GLOBO

Mensalão desviou pelo menos R$ 101 milhões do governo
Após sete anos de investigação e mais de 50 mil páginas de processo com inquirição de cerca de 600 testemunhas, peritos oficiais conseguiram mapear o tamanho do mensalão, esquema político de pagamento de propina a parlamentares da base do governo Lula. O chamado valerioduto, que o Ministério Público diz ter sido comandado pelo ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, desviou pelo menos R$ 101,6 milhões. O número foi apurado por investigadores da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU).

Laudo da Polícia Federal confirma também que o esquema usou dinheiro público, originário do Banco do Brasil. Os saques de R$ 4,652 milhões realizados em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro têm como fonte recursos que a empresa DNA, de Marcos Valério, recebeu do fundo Visanet para prestar serviços de publicidade ao BB.

As informações constam da Ação Penal 470, que tem 38 réus e será julgada a partir desta quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Reforçam as chances de condenação de acusados no processo — especialmente daqueles que participaram diretamente das operações financeiras.

Levantamento inédito feito pelo GLOBO nos laudos periciais anexados ao processo detalha como o esquema foi abastecido. Os números incluem dados compilados pelos peritos da Polícia Federal e os produzidos pela defesa. A maior parte dos recursos (R$ 88,695 milhões) passou pelas contas bancárias das empresas de Marcos Valério, acusado de ser o principal operador do mensalão. Em 2003, foram R$ 32,754 milhões. Em 2004, mais R$ 55,941 milhões. Esses valores estão registrados na contabilidade das empresas de Marcos Valério, segundo dados compilados pelos seus contadores.

Perícia atesta que dinheiro público irrigou o valerioduto
Rastreamento das contas das empresas de Marcos Valério comprovou que parte do dinheiro sacado na boca do caixa no esquema do mensalão teve como origem recursos do Banco do Brasil. Peritos da Polícia Federal listaram saques no valor de R$ 4,652 milhões realizados em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro cuja fonte, afirmam, são os recursos que a empresa DNA recebeu do chamado fundo Visanet para prestar serviços de publicidade ao BB. Num dos casos, os peritos flagraram pelo menos uma transação em que o dinheiro sai da conta alimentada por verbas públicas e acaba nas mãos do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, após passear por várias contas.

As informações estão guardadas nos anexos 142 e 143 do processo do mensalão. Fazem parte de dois laudos: um de 2006 e outro de 2007. Primeiro, o laudo 2828/2006 cruzou o registro contábil com a movimentação financeira das empresas de Valério e aponta que, na versão original da contabilidade, não havia registro para uma série de movimentações.

Na versão corrigida há a declaração de “distribuição de lucro” para alguns valores. Mas os peritos cruzaram essa informação com a movimentação das contas bancárias e descobriram que o destino do dinheiro foi outro. Cifras foram sacadas na boca do caixa por Valério e pessoas indicadas por ele.

Roberto Jefferson: o insustentável equilíbrio de um delator
Sexta-feira, 13 de julho de 2012. Poucas horas após fazer o exame que confirmaria, dois dias depois, um tumor no pâncreas, o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) estava longe daquele político que parecia ter nervos de aço. Abatido, mais magro, o delator do mensalão não dá mais as cartas, como costuma dizer. Há sete anos, foi o pivô da queda da cúpula do governo Lula e do PT. Hoje, apesar de negociar alianças e apoios para o partido, sofre a ojeriza de aliados que são candidatos às eleições deste ano.

— Eu era mais aguerrido, mais de luta política. Agora, é só expectativa. Antes, eu era o ator, uma espécie de Anderson Silva no tatame político. Agora, é no tapetão jurídico — analisa Jefferson, reconduzido este mês à presidência do PTB.

Entre uma caneca e outra de café preparado por sua segunda mulher, Ana Lúcia, Roberto Jefferson conversou com O GLOBO. A contragosto, diga-se de passagem. Só o fez porque foi surpreendido no portão de casa, em Comendador Levy Gasparian, cidade onde mora, a 160 quilômetros do Rio.

— Estou sereno. Entendo que está na hora de julgar o mensalão. O Brasil tem que virar a página. Tem sete anos que este processo se arrasta. A sociedade tem expectativa da decisão, e o momento é este — avalia Jefferson, operado ontem para a retirada do tumor no pâncreas. Segundo a assessoria do Hospital Samaritano, um resultado preliminar do material cirúrgico mostrou que não há sinais de malignidade.

Joaquim Barbosa fez mutirão de juízes para agilizar processo
Em 2007, às vésperas do julgamento da denúncia do mensalão, o relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, viajou para a Áustria. Descansou, assistiu a espetáculos de ópera, tomou vinho e revisou o voto que resultaria na abertura da ação penal contra 40 acusados de participar do suposto esquema de corrupção política. Este ano, às vésperas do julgamento da ação penal contra 38 réus — as duas baixas devem-se a uma morte e um acordo com o Ministério Público —, o mesmo Barbosa foi descansar a mente nos Estados Unidos, onde deu a última burilada nas cerca de mil páginas do voto que, espera, resultará pelo menos em algumas condenações.

O descanso foi uma breve pausa nos últimos cinco anos de trabalho intenso em um processo que hoje soma mais de 50 mil páginas. Foram mais de 600 depoimentos de testemunhas espalhadas por todo o Brasil. No meio desse esforço, foi acometido por uma crise de dor no quadril, que o levou à mesa de cirurgia no ano passado e ainda o martiriza durante as sessões no Supremo, das quais participa de pé na maior parte do tempo.

Barbosa não trabalhou sozinho. Na fase dos depoimentos, juízes de 47 varas federais, localizadas em 19 unidades da federação, ouviram os depoimentos. O relator teve acesso às transcrições depois. No gabinete, teve a ajuda constante de dois dos seus 20 assessores: Carla Ramos, do Rio de Janeiro, e o juiz Leonardo Farias, do Pará. Desde abril do ano passado, os dois trabalham exclusivamente no processo do mensalão.

José Dirceu e a vida dupla de consultor e político
Quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes trocaram acusações há dois meses, José Dirceu entrou em campo para reclamar da briga e pôr panos quentes. Para Dirceu, Gilmar era um voto praticamente certo pela sua absolvição no julgamento do mensalão, e o atrito, a última coisa de que precisava.

O comportamento do ex-chefe da Casa Civil parece contraditório a interlocutores. Ele alterna momentos de confiança plena em sua absolvição com o temor de ser condenado pela participação no financiamento de petistas e aliados. A assessores mais próximos, disse não saber o que será de sua vida daqui a dois meses. Também não faz planos e adia discussões em torno de uma eventual candidatura em 2014.

Desde a saída do ministério de Lula e da cassação de seu mandato como deputado federal, em 2005, Dirceu se divide entre o papel de líder político e consultor de empresas que muitas vezes dependem de decisões do governo que ele ajudou o PT a conquistar em 2002. Não se incomoda com a vida dupla, pelo contrário: dela parece tirar proveito.

Para proteger bens, Valério registra imóveis em nome da filha
Nem a ruína de suas agências de publicidade nem a exposição pública como operador de um esquema clandestino de distribuição de recursos a políticos impediram Marcos Valério Fernandes de Souza de ampliar seus bens. Duas casas milionárias na região da Pampulha, em Belo Horizonte, são as novas aquisições do lobista e não fazem parte do bloqueio imposto pela Justiça desde a descoberta do mensalão. Para fugir de impedimentos judiciais, Valério registrou os imóveis em nome da filha mais velha, hoje com 21 anos.

A primeira casa foi comprada em abril de 2009 por R$ 550 mil e valia R$ 1 milhão à época, segundo registro do 6º Ofício do Registro de Imóveis de Belo Horizonte. A segunda foi adquirida há sete meses do dentista Luiz Henrique Lage, que não quis informar ao GLOBO o valor da venda nem dar detalhes do negócio. Oficialmente, a transação foi registrada por R$ 500 mil.

Em 106 cidades brasileiras, campanhas terão um só candidato
Entre 15.309 candidatos a prefeito nas eleições de 2012, Fábio Fonseca (PDT) está num miúdo grupo de fazer inveja aos demais. Pode se gabar de contar apenas com o próprio voto. É que se apenas ele digitar seu número na urna, será eleito prefeito de Igaratinga (MG). O motivo é simples: ninguém, além dele mesmo, se lançou ao cargo na cidade de 9,2 mil habitantes. Em igual situação, outros 105 políticos têm a garantia ou o privilégio, este ano, de ganhar por falta de oponentes ou, como se diz no jargão esportivo, no “WO”.

Os candidatos-solo não terão concorrentes por diferentes motivos. Nomes da oposição não tiveram apoio do próprio partido, negociaram alianças em futuras eleições ou cargos no governo, deixaram os preparativos para a última hora e até pelo simples receio de uma derrota anunciada em pesquisas. Sem poder pedir votos, parte dos opositores aos candidatos únicos adotou outra estratégia para boicotá-los. Incentivam a população a votar nulo ou branco, espalhando que é uma forma de anular as eleições. Mas o anúncio da possível nulidade do pleito é equivocado.

De acordo com a legislação, vence as eleições quem obtém a maioria dos votos válidos (50% mais um). Num cenário com apenas um candidato, qualquer quantidade de votos é suficiente. Se o postulante à prefeitura receber o apoio de apenas um eleitor, terá 100% dos votos válidos. Só há uma possibilidade de nova disputa: caso a Justiça eleitoral anule os votos do único concorrente por infrações à legislação, como compra de votos.

Dilma vai às compras em Londres e fala da 'surpresa' Marina Silva
A presidente Dilma Rousseff aproveitou o início da tarde deste sábado em Londres para passear pelo Hyde Park, a maior área de lazer da capital inglesa, e fazer compras com a filha, Paula, por ruas próximas ao parque. A caminhada durou 50 minutos. Dilma comentou a presença da ex-ministra Marina Silva como convidada de destaque na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. A presidente disse que não havia sido informada sobre o convite para a adversária das eleições de 2010: — Não sabia e não preciso saber de tudo. Foi um orgulho.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), admitiu que o convite surpreendeu o governo. O deputado, que também está em Londres, contou que só soube na manha deste sábado, pela imprensa, que o convite partiu do Comitê Olímpico Internacional (COI): — Ninguém sabia de onde havia partido o convite. É obvio que teria sido mais adequado ao COI consultar o Brasil, mas a decisão é do comitê, que pode convidar quem desejar. Não considero uma gafe. O deputado, porém, reconheceu o papel da ex-senadora e ex-candidata a presidente na luta pelo Meio Ambiente: — Meu orgulho é saber que uma pessoa do caráter da Marina foi escolhida para representar o Brasil na causa ambiental.

Na Copper Box, durante o intervalo de Brasil x Croácia pelo handebol feminino, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse: — Não fiquei surpreso com a presença (de Marina Silva). Ela sempre foi bem relacionada com as casas reais.

Mulher de Cachoeira é irônica ao comentar compra de fazenda
A notícia divulgada neste sábado no jornal O GLOBO de que teria sido usada como laranja pelo marido não abateu Andressa Mendonça, mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira. A suspeita levantada pelo MPF de que ela seja dona de uma fazenda avaliada em R$ 20 milhões, situada entre Luziânia e Santa Maria, a cem quilômetros de Brasília, e que teria sido negociada pelo marido, foi motivo para ironia daquela que se tornou musa da CPI aberta para investigar a relação de Cachoeira com parlamentares e agentes públicos.

- Quem dera isso fosse verdade. Minhas preocupações teriam acabado. Mas não é. Não há documentação assinada nesse sentido. Deixa a Polícia Federal investigar que ela vai descobrir a verdade - respondeu a loura, que disse ainda estar à disposição da Polícia Federal para qualquer esclarecimento.

Andressa afirmou, ainda, estar “muito tranquila” e que desconhecia o fato de o marido estar negociando a fazenda - em escutas feitas durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, Cachoeira conversa com a mulher e a orienta a passar seus dados para o contador de sua organização. As informações seriam usadas para fazer uma escritura de uma área comprada pelo contraventor, segundo a gravação da polícia.

FOLHA DE S.PAULO

Absolvição de Collor inspira defesa de réus do mensalão
Quase 20 anos depois do impeachment do ex-presidente Fernando Collor no Congresso, os argumentos jurídicos que garantiram sua absolvição pela Justiça viraram um paradigma para os réus do mensalão. A partir de quinta-feira, quando começa o julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal), os mesmos argumentos de Collor serão usados pelos advogados dos réus em suas sustentações orais.

Collor foi acusado de corrupção passiva e absolvido pelo STF em 1994. Dos 38 réus do mensalão, 10 são acusados de corrupção ativa, 12 de corrupção passiva. Para caracterizar esses crimes, é preciso demonstrar que uma vantagem indevida foi oferecida, recebida ou solicitada por um agente público para que ele fizesse algo no cargo.

O caso Collor é citado pela defesa de figuras centrais do mensalão, como o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o empresário Marcos Valério. A absolvição de Collor por falta de provas é um precedente importante porque é o único caso relevante de corrupção julgado pelo STF. Desde 1970, só cinco réus foram julgados sob a acusação de corrupção passiva ou ativa. Desses, só um foi condenado, um ex-deputado do Rio Grande do Norte, em 1978.

Em 1994, Collor foi acusado de receber dinheiro do ex-tesoureiro de sua campanha para favorecer empresas, orientando a Petrobras a fazer um empréstimo e nomeando um executivo de empreiteira para cargo público. A defesa de Collor argumentou que não havia relação entre os pagamentos que recebera e seus atos no exercício da Presidência. A maioria dos ministros do STF concordou, e por isso ele foi absolvido.

Sentença trará desfecho após 5 anos de tensão
O STF (Supremo Tribunal Federal) inicia o maior e mais importante julgamento da sua história na próxima quinta-feira, quando os 11 ministros que compõem a corte começarão a analisar a ação penal 470, mais conhecida como o processo do mensalão. Maior escândalo de corrupção do governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), o caso foi revelado pela Folha em junho de 2005. Serão julgadas 38 pessoas acusadas de integrar um esquema ilegal de financiamento político que teria sido organizado para comprar apoio parlamentar no Congresso.

Nunca um julgamento no STF reuniu tantos réus e testemunhas, causou tanta controvérsia e alimentou tantas pressões sobre os integrantes do tribunal. O processo acumulou 50 mil páginas desde que a denúncia foi apresentada, em 2006. Mais de 600 testemunhas foram ouvidas.

A dedicação dos ministros será praticamente exclusiva. Pela primeira vez, a corte organizou um calendário especial para o julgamento, que deverá levar mais de um mês para ser concluído. Não há prazo para que ele termine.

Objetivo dos réus será desconstruir a acusação
Os advogados dos réus do mensalão vão atacar a denúncia apresentada contra eles pela Procuradoria-Geral da República como se ela fosse um castelo de cartas, procurando desqualificar peças-chave do processo para fazer ruir a narrativa da acusação. Nos casos em que a denúncia é sustentada por testemunhos, os advogados tentarão convencer o Supremo Tribunal Federal de que eles são duvidosos e insuficientes como prova. Onde houver documentos e laudos de peritos, os réus tentarão demonstrar que a versão oferecida pela Procuradoria é equivocada.

O debate sobre a origem do dinheiro do mensalão será crucial. A Procuradoria afirma que ele foi abastecido por recursos desviados dos cofres públicos. Os réus apontam empréstimos de dois bancos privados como a sua fonte.

Destino da maior parte dos recursos é desconhecido
Sete anos de investigações não foram suficientes para rastrear todo o dinheiro do mensalão e apontar a identidade dos beneficiários de boa parte dos recursos do esquema de financiamento político organizado pelos petistas. De acordo com as informações reunidas pela Procuradoria-Geral da República, o mensalão mobilizou R$ 141 milhões em dois anos, somados vários empréstimos bancários e os recursos que teriam sido desviados de contratos com o setor público.

Nas alegações finais do processo, em que resumiu as conclusões a que chegou após anos de investigações sobre o assunto, a Procuradoria indicou os beneficiários de apenas R$ 32 milhões, menos de um quarto do total, sem esclarecer o que aconteceu com o resto do dinheiro.

Condenação de ex-dirigentes pode dar força a Dilma
Além de influenciar as eleições, o julgamento do mensalão deve produzir efeitos sobre o governo Dilma Rousseff e a sucessão presidencial de 2014. A lista de réus inclui os principais dirigentes petistas da era Lula e políticos que têm criado problemas para Dilma no Congresso, como o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP).

Uma sentença contrária a José Dirceu enfraqueceria um grupo que a presidente trabalha para esvaziar no PT. Ela ganharia força na sigla, reduzindo possíveis obstáculos à sua candidatura à reeleição.

CPI não basta para condenar, dizia ministro em 1994
Para sustentar uma condenação penal, não bastam provas produzidas por inquéritos policiais ou CPIs. Era isso que afirmava, 18 anos atrás, o ministro Celso de Mello. Da atual composição do STF, ele é o único remanescente do julgamento que, em dezembro de 1994, absolveu Fernando Collor. Esse e outros posicionamentos podem apontar uma tendência do que será sua avaliação técnica sobre o caso do mensalão.

Segundo Celso de Mello, inquéritos e CPIs têm caráter "inquisitivo e unilateral" e são suficientes apenas para a denúncia do Ministério Público. Analisados isoladamente, não são suficientes para a condenação.

Valério diz que vive 'momento difícil' e que teme por filhos
O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza disse viver um "momento muito difícil" às vésperas do julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal). Réu no processo, ele afirmou que está "extremamente preocupado" com sua família.

Valério respondeu por escrito a um dos questionamentos feitos pela Folha sobre sua rotina, seus medos e suas expectativas diante do maior julgamento da história do STF, que começará na próxima quinta-feira. Valério não quer dar entrevistas.

Em um único parágrafo, falou em ansiedade, mas disse confiar na Justiça. "Estou ansioso, como todo ser humano ficaria numa situação dessa. É um momento muito difícil, pois não sei o que pode advir do julgamento", afirmou. O empresário acrescentou: "Estou extremamente preocupado com meus filhos, com minha família. Mas tenho confiança na Justiça".

Candidatos investem em sites ineficazes
Os candidatos que terão mais tempo de TV na corrida pela Prefeitura de São Paulo consideram a internet uma ferramenta fundamental na busca por votos. Mas nenhum deles demonstra saber como usá-la de forma eficiente. Textos extensos demais, navegação difícil, falta de clareza e de ferramentas de busca estão entre os problemas apontados por um grupo de cinco especialistas em internet convidados pela Folha a dar notas (de 0 a 5) para os sites dos candidatos.

O site mais bem avaliado foi de Fernando Haddad (PT). Com 7% nas pesquisas de intenção de voto, sua página teve nota média de 3,2. Tecnicamente empatados na liderança da disputa, segundo o Datafolha, José Serra (PSDB), com 30% das intenções de voto, e Celso Russomanno, com 26%, também estão embolados na avaliação de seus sites. Serra obteve nota média de 2,5. O candidato do PRB ficou com 2,6. Por uma pequena margem, o site do peemedebista Gabriel Chalita foi considerado melhor que os de Serra e Russomanno. Levou nota 2,7.

O ESTADO DE S. PAULO

Mensalão marca rompimento de modelo de corrupção conhecido do BrasilUm escândalo político generalizado, obra coletiva de dirigentes de um partido que se declarava arauto da moralidade, e gerador de uma forte reação das instituições, como a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal (STF), que o Poder Executivo não pode brecar. Para pesquisadores entrevistados pelo Estado, o mensalão significou um rompimento com o tipo de corrupção que tradicionalmente marcou a política brasileira. A ação individual dos corruptos, para fins pessoais, foi sobrepujada pelo uso político-partidário do dinheiro sujo, avaliam.

"Acho que não tem nada parecido na história do Brasil", diz a cientista política e historiadora Maria Celina d’Araújo, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). "Há (tradicionalmente) casos individuais de corrupção. Agora, com um partido que está no governo foi um fato único. Não estou dizendo que outros partidos não tenham seus esquemas. Mas o caso do mensalão tem como característica que as denúncias envolvem um partido. Foi feito de forma sistemática."

As várias manobras jurídicas da defesa
"Não se pode permitir que chicanas, proliferação de pedidos inconsistentes e infundados para a anulação do processo, tentativas de causar nulidade na ação penal e outros comportamentos atentatórios ao dever de lealdade processual se tornem rotina, e alcancem o objetivo maior, que é o de impedir o regular trâmite do processo." A frase acima foi dita em abril de 2010, no plenário do Supremo Tribunal Federal, pelo relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa. Ele protestava contra 13 pedidos feitos pela defesa do ex-deputado federal Roberto Jefferson, que é réu na ação. Todos os pedidos, que levantavam suspeitas de irregularidades no processo do mensalão, foram rejeitados na ocasião por unanimidade pelo plenário do Supremo.

Com 38 réus, a ação do mensalão teve uma série de incidentes processuais, como os provocados pelos advogados de Jefferson. Barbosa disse na época que a defesa do ex-deputado vinha agindo "com o firme intuito de tumultuar o andamento" da ação. Entre outras alegações, os advogados questionavam o fato de o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ser réu no processo. A defesa do ex-deputado promete fazer novamente essa cobrança durante o julgamento marcado começar na próxima quinta-feira.

Lula vai à guerra para defender legado
Um ano e meio após descer a rampa do Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda tem uma obsessão: provar que o mensalão foi "uma farsa" montada para apeá-lo do poder. Até agora, não conseguiu. Mesmo depois de eleger a desconhecida Dilma Rousseff como sucessora, Lula trava uma guerra para defender seu legado. Sem nunca dizer quem o traiu, ele comprou brigas e perdeu batalhas. Nos últimos meses, seus movimentos foram criticados nos bastidores até por réus do PT no processo, que temem uma resposta dura do Supremo Tribunal Federal (STF) às pressões políticas.

"A CPI foi uma burrada", afirmou o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, em recente conversa com amigos. Antes defensor da estratégia traçada por Lula para estimular a criação da CPI do Cachoeira, e fulminar adversários, o mais conhecido réu do mensalão já admite que o plano deu errado por criar um clima de hostilidade prejudicial ao julgamento do Supremo.

Mensalão mineiro ainda sem data de julgamento
Com 38 réus, o mensalão será julgado sete anos após a revelação do esquema pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson. Um esquema muito semelhante, porém, que segundo o Ministério Público funcionou no fim da década de 1990 para arrecadar ilegalmente recursos para a campanha ao governo de Minas, ainda não tem previsão de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Em dezembro de 2009, os ministros do STF receberam a denúncia e abriram processo criminal contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), acusado de peculato e lavagem de dinheiro por participação no "mensalão mineiro" ou "mensalão tucano". O relator do processo também é o ministro Joaquim Barbosa, o mesmo do mensalão federal.

Na sessão na qual o STF abriu processo contra Azeredo, o hoje presidente do STF, Carlos Ayres Britto, comentou as semelhanças entre os esquemas. "Os protagonistas, o modus operandi, o tipo de benefício, um agente central nesse processo do ponto de vista da operacionalização que não entendia nada de publicidade, mas tudo de finanças e de como obter com extrema facilidade recursos financeiros para campanhas eleitorais", disse na ocasião. "Caixa 2 costuma ser o início de toda corrupção administrativa no Brasil."

Apesar de o processo contra Azeredo ser aparentemente mais simples e com apenas um réu, ainda não há previsão de quando será analisado. Com a demora, advogados e integrantes do MP ouvidos pelo Estado admitem o risco de prescrição das penas em caso de condenação.

Jefferson sobre Dirceu: 'Ele me derrubou, eu o derrubei'
Roberto Jefferson diz não conseguir dormir há dez dias. O ex-deputado de 59 anos recebeu o diagnóstico de um tumor de 4 centímetros no pâncreas. "Fica passando um filme para lá e para cá. E eu, de olhos arregalados, às 3h da manhã."

Nessa retrospectiva pessoal, diz não se arrepender do episódio em que denunciou, em junho de 2005, o pagamento mensal a deputados para manterem fidelidade ao governo e acusou o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, de comandar o esquema que deu origem ao processo no Supremo Tribunal Federal. Ao contrário, Jefferson repete acusações contra Dirceu. Ambos foram cassados pela Câmara e estão inelegíveis até 2015. No processo do mensalão, o presidente do PTB responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Portal vai acompanhar todas as sessões do STF
O portal do Estado (politica.estadão.com.br) inovou mais uma vez e preparou uma cobertura em tempo real do julgamento mais longo que o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciará na próxima semana. O portal fará transmissão diária e ao vivo de todas as sessões do Supremo. Durante todo o julgamento dos 38 réus acusados de se beneficiar do chamado mensalão será possível acompanhar o passo a passo de cada sessão. Além de contar com o apoio de especialistas da escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as sessões serão acompanhadas diretamente de uma sala nas instalações da GV Direito.

Diariamente, os advogados especialistas enviarão análises sobre o desenrolar da sessão do dia. Esses vídeos serão enviados para a versão digital do Estado e para a versão que circula no iPad à noite. Eles também explicarão a argumentação jurídica usada no tribunal, para deixar bem claro possível tudo o que acontece durante o julgamento. O portal também receberá flashes da equipe de reportagem do Estado que acompanhará in loco o julgamento.

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