Jornais: eleitor não se preocupa com mensalão, diz Lula

Segundo a Folha de S.Paulo, o presidtente disse que a população prefere discutir futebol e novela a acompanhar o julgamento no Supremo Tribunal Federal

FOLHA DE S.PAULO

Eleitor não se preocupa com mensalão, diz Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou ontem que o julgamento do escândalo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal) pudesse afetar o voto nos candidatos do PT no primeiro turno das eleições. Para ele, a população está preocupada com outros assuntos. Com a costumeira citação ao futebol e associando as eleições municipais aos interesses mais diretos do eleitor, Lula procurou afastar o escândalo dos resultados do pleito de ontem.

As declarações de Lula foram dadas de manhã, antes da confirmação da ida de Fernando Haddad (PT) ao segundo turno com José Serra (PSDB) em São Paulo. "A população não está preocupada com isso [mensalão], o povo está preocupado se o Palmeiras vai cair e se Fernando Haddad vai ganhar", disse Lula, após tomar café com o candidato em um hotel em São Paulo.

FHC reage e afirma que petista deveria se importar com caso
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou as declarações de seu sucessor sobre o mensalão. "Ele [Lula] pode achar isso, mas como líder devia estar preocupado. E não fingir que não houve mensalão." O tucano vê dois sinais vitais, recados que a população está enviando nesta eleição às lideranças políticas: o primeiro é o impacto da ação penal do mensalão entre os eleitores; o segundo é que "o povo hoje tem muita independência, escolhe, não adianta ter padrinho".Ao votar nesse domingo no Colégio Sion, em Higienópolis, FHC disse esperar que o mensalão influencie o voto dos eleitores. "Quanto mais a população perceba o que é o mensalão, como símbolo, e que o PT está muito metido nele, melhor. É um fato grave. O PT tem suas virtudes, mas é preciso corrigi-lo", disse.

"Cana neles", pede eleitor ao relator do processo do mensalão
Relator do julgamento do mensalão, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa foi saudado efusivamente por eleitores ao chegar para votar pela manhã no clube Monte Líbano, na Lagoa (zona sul do Rio). Da entrada do clube até a urna, Barbosa ouviu elogios e pedidos de fotos.

Entre as pessoas que pediram uma fotografia com o ministro, estava o supervisor da 17ª zona eleitoral, Luiz Henrique Vieira, 49, que a postou imediatamente em seu perfil em uma rede social. "Coloquei no Facebook e já está 'bombando'", disse à reportagem, usando seu celular para mostrar a imagem no site. A legenda da foto dizia: "Esse me dá orgulho de ser brasileiro!!!!".

Quando um cidadão o saudou dizendo "ministro, cana neles", em referência aos réus do julgamento do mensalão, Barbosa disse que esse tipo de manifestação era comum.

Dirceu fará ação política contra prisão
Sob risco de condenação pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o ex-ministro José Dirceu avisou a colaboradores que se manifestará, na quarta-feira, à cúpula do PT sobre o julgamento do mensalão. Sua intenção é fomentar um movimento político contra sua provável prisão.

O discurso acontecerá um dia depois da sessão do Supremo que selará o futuro de Dirceu. Será sua primeira declaração após o julgamento. Até agora, quatro dos dez ministros que participam do julgamento votaram sobre seu caso: três pela condenação e um pela absolvição.

A próxima sessão será amanhã. Em recente reunião com aliados e assessores, Dirceu disse que não cairá calado. Antes dedicado a discussões macroeconômicas, o blog do ex-ministro será um instrumento de ação política.

José Genoino equipara os jornalistas a torturadores
O ex-presidente do PT José Genoino comparou ontem a imprensa brasileira à ditadura após ser questionado se tinha medo de ser preso. Ele é um dos réus do julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal) e três dos dez ministros já votaram pela sua condenação.

"Vocês são urubus e torturadores da alma humana. Vocês fazem igual aos torturadores da ditadura. Só que agora não tem pau de arara, tem uma caneta", gritou ele, logo após chegar para votar em um colégio eleitoral no Butantã (zona oeste de SP).

A comparação foi repetida mais de dez vezes pelo petista, a cada pergunta feita pela reportagem da Folha. Após o voto de sua mulher, Rioco Kayano, que o acompanhava, ele desistiu de votar e foi embora irritado com os sucessivos questionamentos.

Peso do mensalão nesta eleição foi próximo de zero
O professor de filosofia da Unicamp e pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) Marcos Nobre, 47, afirma que o julgamento do mensalão no STF teve influência "próxima do zero" nas eleições municipais deste ano. Segundo ele, a concomitância só contribuiu para que um evento "atrapalhasse o entendimento do outro", o que foi "péssimo para a democracia brasileira".

Presidente nacional do PSDB é internado em hospital de Recife
O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, 65, foi internado no Hospital Santa Joana, em Recife, na noite de sábado. Ele chegou ao hospital com um quadro de gastroenterite e foi levado à UTI para estabilização. Em nota, o PSDB disse que Guerra foi internado "após ser acometido de uma infecção intestinal e apresentar um quadro de desidratação". Ainda segundo a sigla, a internação foi recomendada pelos médicos.

O ESTADO DE S. PAULO

'Fui massacrado', diz Russomanno depois da derrota
"Partidos se uniram e nos bombardearam." Visivelmente abatido, com os olhos vermelhos e falando pausadamente, Celso Russomanno lamentou a derrota e disse ter sido "massacrado" pelos seus adversários. "Quero agradecer a todos, em especial a todos os partidos que fizeram parte da nossa coligação. O problema é que a gente tinha pouco tempo de televisão... Ensinamos o Brasil como fazer uma campanha sem ataques... Vamos tocar para a frente agora."

Russomanno disse em coletiva de imprensa no início da noite deste domingo, 7, que ainda não decidiu quem vai apoiar no 2º turno. "O 2º turno tem que estar aliado com a democracia e os princípios que nosso grupo construiu nessa campanha", afirmou. "Dentro desse princípio vamos apoiar um candidato. Vamos definir isso amanhã."

Na manhã, ao sair de casa para votar em um colégio no Morumbi, zona sul de São Paulo, Russomanno já acusava o golpe por ter caído vertiginosamente nas pesquisas depois de liderar com folga até duas semanas antes da eleição. "Foram ataques de todos os lados e todos os partidos, o que não é fácil", disse. "O problema é que a gente tinha pouco tempo de televisão. Outros partidos se uniram e nos bombardearam."

Haddad diz que vitória é projeto nacional e busca PRB
A campanha do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad (PT), vai adquirir contornos nacionais no 2.º turno contra José Serra (PSDB). Minutos após ser confirmado na segunda rodada da disputa, o petista disse que buscará aliança com Celso Russomanno (PRB), que terminou em terceiro lugar, e com todos os partidos da base de sustentação do governo Dilma Rousseff.

A estratégia conta com a ajuda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da própria Dilma. A presidente vai cobrar o apoio de Russomanno porque atualmente o PRB controla o Ministério da Pesca, comandado por Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal. A cúpula da campanha de Haddad espera o apoio do ex-deputado, mas pediu auxílio do Palácio do Planalto porque avalia que ele está "magoado" com o PT.

"Nós vamos buscar o apoio de todos os partidos da base aliada do governo Dilma, sem nenhum veto, nenhuma restrição. Nós entendemos que se os partidos apoiam o projeto nacional, e se queremos que esse projeto tenha expressão forte em São Paulo, precisamos do apoio de todos", afirmou Haddad. "São Paulo tem importância para o projeto nacional."

Serra cobra 'valores' e já utiliza mensalão
Em sua quarta campanha a Prefeito de São Paulo, o candidato do PSDB, José Serra, garantiu no domingo, 7, em primeiro lugar, uma vaga no 2.º turno da eleição. Em uma corrida eleitoral considerada "imprevisível" pelo comando do seu partido, o tucano aposta no perfil antipetista, reafirmado logo no início do discurso em que celebrou a ida ao 2.º turno.

"Quero reiterar aqui que, para mim, a ação política é revestida de valores, que é uma coisa que no Brasil ameaçou sair de moda e que felizmente, com o nosso Supremo Tribunal Federal, está voltando à moda", afirmou Serra, em referência indireta ao julgamento do mensalão.

O tucano sustentou que não pretende "bater na tecla de valores", mas disse que a população "gosta" do tema. "Isso ocupa o centro do noticiário, mas o PT gosta de passar a ideia de que discutir isso não pode. Como eles têm rabo preso, falam isso. Não tenho nenhum mal entendido com meu passado ou com valores. Quem tem isso é o PT", afirmou Serra, que votou pela manhã acompanhado do neto Antônio, de 9 anos, e de aliados: o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (PSD), além do candidato a vice Alexandre Schneider (PSD).

Derrota de Patrus, um revés para a presidente
A derrota de Patrus Ananias (PT) em Belo Horizonte representou um revés para a presidente Dilma Rousseff, que votou neste domingo, 7, pela manhã em Porto Alegre. Dilma participou ativamente do lançamento da candidatura de Patrus, mas o petista acabou derrotado no 1.º turno pelo prefeito Marcio Lacerda (PSB), que teve como principal cabo eleitoral o senador Aécio Neves (PSDB) – potencial presidenciável tucano em 2014.

Na capital gaúcha, onde três candidaturas eram de partidos que integram a base de apoio ao governo federal - até nesno a do prefeito reeleito, José Fortunati (PDT) -, Dilma não quis revelar seu voto. Ela não teve problema, no entanto, em admitir que, se votasse em São Paulo, seu escolhido seria o petista Fernando Haddad - Dilma esteve na capital paulista em comício de apoio ao candidato. A outra única cidade onde a presidente subiu em palanque foi justamente Belo Horizonte, onde nasceu.

"Vamos combinar, gente, o voto é secreto. Eu sou presidente, mas aqui estou exercendo a minha condição de cidadã. Vocês têm de entender uma coisa: aqui os três candidatos são da minha base", disse Dilma, que se manteve distante de toda a campanha em Porto Alegre.

Com apoio de Aécio, Lacerda é reeleito
Com a reeleição em primeiro turno de seu aliado, o prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB) com 52,69% dos votos válidos (676.215 votos), o senador e provável candidato do PSDB à Presidência em 2014, Aécio Neves (PSDB-MG), impôs neste domingo, 7, uma dura derrota à presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois se engajaram na campanha do petista Patrus Ananias, que recebeu 40,8% (523.645 votos) da votação, e viram o PT ser desalojado da prefeitura da capital mineira pela primeira vez em 20 anos. Apesar do clima de euforia - o governador Antonio Anastasia chegou a proclamar "Aécio presidente em 2014" -, o senador procurou ser mais contido.

Segundo o tucano, 2014 "não está em pauta". "Está em pauta uma grande vitória da verdade e do trabalho do prefeito Marcio Lacerda", desconversou Aécio, em tumultuada entrevista, na qual criticou a argumentação usada pelo PT na campanha. "Não existe nada mais atrasado, nada mais arcaico, do que o discurso do alinhamento, de que é preciso que haja governo do mesmo partido do governador, do prefeito. Isso era o discurso da ditadura. Isso acabou. O Brasil evoluiu muito." Um dos argumentos de Patrus era o de que o alinhamento permitiria que mais verbas do governo federal beneficiassem Belo Horizonte.

Petista vence em Goiânia (GO) e mira governo do Estado
O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, fez valer o efeito teflon. Sem ser contaminado pelos escândalos que se entrecruzaram em Goiás - o mensalão, na figura do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, e o caso Cachoeira -, o atual prefeito venceu no domingo, 7, a eleição já no primeiro turno. O resultado das urnas já começa a desenhar o cenário para a campanha eleitoral de 2014, na qual PT e PMDB articulam uma ampla aliança para tirar os tucanos do Palácio das Esmeraldas.

Garcia teve a preferência de 57,68% dos eleitores, segundo o Tribunal Regional Eleitoral. O deputado federal Jovair Arantes (PTB), apoiado pelo governador Marconi Perillo (PSDB), ficou em segundo lugar, com 14,25 %.

A eleição do petista representa o fortalecimento da oposição a Perillo, desgastado politicamente pelo envolvimento com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. "Nossa aliança é sólida e de longo prazo e vai se projetar para a cidade e para o Estado", disse o prefeito, agradecendo o apoio dos nove partidos da coligação.

Dois deputados vão ao segundo turno em Belém (PA)
O deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSOL) e o federal Zenaldo Coutinho (PSDB) vão disputar o segundo turno na capital paraense. Rodrigues venceu o primeiro turno com diferença de 14 mil votos sobre Coutinho. Ele já foi prefeito de Belém por duas vezes.

Em Parauapebas, no sudeste do Estado, Valmir da Integral (PSD) quebrou a hegemonia petista de oito anos, derrotando José das Dores Couto, o Coutinho (PT). A apreensão de um avião em Carajás na terça-feira com R$ 1,1 milhão que seriam usados na compra de votos e boca de urna em favor de Coutinho tiveram impacto.

Porcentual de votos brancos e nulos na cidade de São Paulo é 61% maior que em 2008
A taxa de votos brancos e nulos disparou no primeiro turno das eleições para Prefeito na cidade de São Paulo em relação ao pleito de 2008. Neste domingo, 897.791 eleitores fizeram uma das duas opções (12,77%), contra 547.461 (7,92%) na eleição municipal passada. A alta na margem de votos invalidados de uma disputa para outra foi de 61%.

Neste domingo, 381.407 pessoas votaram em branco e 516.384 votaram nulo, respectivamente 5,43% e 7,35% do total de 7.026.448 votos válidos. Em 2008, foram 230.717 votos brancos e 316.744 nulos, 3,33% e 4,58% dos 6.369.283 votos computados.

O GLOBO

Brasil tem 9 prefeitos eleitos no 1º turno em capitais
A disputa terminou neste domingo em nove das 26 capitais brasileiras. Das 24 onde poderia haver eleição em dois turnos, a eleição foi decidida em sete, com vantagem para o PSB, do governador Eduardo Campos, e para o PMDB. Os dois partidos venceram em duas capitais cada, sendo que o PSB elegeu os prefeitos de Belo Horizonte e de Recife, derrotando candidatos do PT.

O segundo turno das eleições municipais será marcado pelo embate ferrenho entre o PT e os partidos de oposição, principalmente o PSDB. Haverá segundo turno em 50 cidades, entre elas, 17 capitais segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. Das capitais, o PSDB disputará em oito e o PT, em cinco.

Ficha Limpa deixa 2 mil fora da apuração
Na primeira eleição sob a nova Lei da Ficha Limpa, os votos em 2.205 candidatos - que apareceram ontem nas urnas - podem não valer. Os nomes deles ficaram de fora da apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) porque as candidaturas estão pendentes. Eles tiveram o direito de concorrer negado pelos Tribunais Regionais Eleitorais e recorreram ao TSE, mas ainda não tiveram o recurso analisado. A presidente do tribunal Cármen Lúcia promete julgar todas as pendências até a diplomação marcada para o dia 19 de dezembro.

- A Justiça não deixou sem resposta. Quando o cidadão votou, no exercício da liberdade - que nós queremos preservar mais do que tudo - sabia exatamente dessas pendências - afirmou Cármen Lúcia.

No total, o TSE recebeu 2.969 processos com base na Lei da Ficha Limpa e apenas 764 tiveram um parecer final da corte. Para Cármen Lúcia, a nova legislação trouxe um novo "ânimo" ao pleito que, de acordo com ela, transcorreu na "absoluta normalidade".

Eduardo Paes é reeleito prefeito do Rio com 64,6% dos votos válidos
Com uma votação histórica, a maior já registrada no Rio, 2,09 milhões de cariocas (64,6% do total de votos válidos) deram ontem ao prefeito Eduardo Paes (PMDB) mais quatro anos de governo. Este é o tempo que Paes terá para fazer os Jogos Olímpicos e, ao mesmo tempo, sanar os problemas crônicos da cidade, entre os quais a saúde, ponto fraco de sua primeira gestão. Embora tenha dito que nenhum dos atuais secretários está garantido, Hans Dohmann, da pasta de Saúde, é um dos quatro cuja permanência está praticamente assegurada.

O candidato Marcelo Freixo (PSOL) ficou em segundo lugar, com 28,15% dos votos. Rodrigo Maia recebeu 2,94% dos votos, Otavio Leite teve 2,47% e Aspásia Camargo, 1,27%. O resultado mostra uma grande abstenção dos cariocas. Nas urnas apuradas, a ausência chegou a 20,45%. Votos brancos e nulos somaram 13,51%. O candidato do PMDB só perdeu para o do PSOL em uma zona eleitoral, a que engloba os bairros de Cosme Velho e Laranjeiras, na qual Paes ficou com 43,71% dos votos e Freixo, com 48,26%.

Logo que as primeiras urnas começaram a ser abertas, o clima na residência oficial prefeito era de euforia. Dos jardins da Gávea Pequena, era possível ouvir gritos de comemoração de convidados a cada parcial divulgada.

Bancada pró-Paes é maioria na Câmara
A Câmara dos Vereadores do Rio iniciará os trabalhos em 2013 de cara nova. Dos 51 vereadores, 21 (41%) exercerão o mandato pela primeira vez ou retornarão à Casa depois de um tempo fora - alguns deles herdeiros de velhos caciques. Entre os que se despedem estão Jorge Pereira (PTdoB) e Patrícia Amorim (PMDB), que não se reelegeram, e Andrea Gouvêa Vieira (PSDB), que não concorreu. Veteranos da política, como o ex-prefeito Cesar Maia, estreiam no Legislativo municipal.

A renovação, no entanto, não significa que o prefeito reeleito Eduardo Paes (PMDB) vai enfrentar dificuldades na base parlamentar. A exemplo desta legislatura, o rolo compressor do governo será mantido. Na oposição, haverá apenas 12 vereadores: quatro do PSOL, três do DEM, dois do PR, dois do PSDB e um do PV.

Tadeu Amorim de Barros Júnior, o Júnior da Lucinha (PSDB), foi uma das surpresas, com 31.182 votos. Ele tem base eleitoral na Zona Oeste e é filho da deputada estadual tucana Lucinha. Jimmy Pereira (PRTB), filho de Jorge Pereira, manteve a tradição da família e sentará na cadeira graças aos seus 10.151 votos. Rafael Aloísio de Freitas, filho de um ex-presidente da Casa que não tentou novo mandato, também se elegeu. Já o veterano Átila Nunes conseguiu eleger o filho Átila A. Nunes. Candidatos pelo PDT, ficaram de fora Ricardo Campos, filho da deputada estadual Cidinha Campos, e Wagner Montes (o pai homônimo é deputado estadual pelo PSD).

Vitória fortalece Aécio dentro do PSDB
Padrinho "pé quente" da reeleição de Márcio Lacerda para a prefeitura de Belo Horizonte, o senador Aécio Neves (PSDB) teve seu nome lançado para disputar a Presidência da República na festa de comemoração que agitou ontem à noite a Avenida Rajagabaglia, no centro da capital mineira. Ele chegou na festa como a grande estrela, chamado por Lacerda como uma das duas maiores lideranças do Brasil, junto com o governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia.

- Agora é Aécio Neves presidente do Brasil. E deixa o Márcio trabalhar! -- discursou Anastasia, lançando o grito de guerra acompanhado pela multidão. - Passamos momentos difíceis esses dias. Agora é trabalhar para eleger Aécio Neves o próximo presidente do Brasil! - emendou o vice de Márcio, Délio Malheiros.

Chalita diz querer incorporação de suas propostas em troca de apoio
O candidato derrotado do PMDB à prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, disse estar satisfeito com o resultado de sua campanha e afirmou que só nesta semana o partido vai anunciar o apoio para o segundo turno das eleições, apesar dos rumores de que o presidente do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer, já teria definido ontem mesmo uma união com Fernando Haddad (PT), telefonando para dirigentes petistas confirmando o apoio.

- Nenhum apoio é natural. Natural agora é a gente reunir o PMDB, reunir os partidos aliados. Eu tenho muita responsabilidade com o meu eleitor, que é um eleitor crítico, que votou em mim para vereador, deputado federal, que me segue, que dialoga. Então, antes de anunciar qualquer apoio, é preciso que a gente se reúna, que converse e que analise algumas coisas muito fortes do nosso programa de governo que a gente gostaria de ver incorporadas na futura campanha - disse Chalita.

Com 70% dos votos, Rosinha é reeleita em Campos
Antes mesmo de o resultado oficial ser divulgado, no início da noite de ontem, cabos eleitorais da atual prefeita de Campos dos Goytacazes, Rosinha Garotinho (PR), anteciparam a comemoração em frente à casa dela, no bairro da Lapa. Carros de som tocaram o jingle da campanha quando 89% das urnas anunciavam 79% dos votos válidos, contra 26% do petista Makhoul Mussalem. A Guarda Municipal fechou os acessos à rua, onde estavam dois trios elétricos.

Durante a campanha, Rosinha - enquadrada na Lei da Ficha Limpa - teve a candidatura indeferida, mas conseguiu uma liminar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello. A decisão é provisória, e o caso de Rosinha vai a plenário.

Ao longo dia, Rosinha afirmava estar confiante na vitória e dizia ser vítima de perseguição. Ela negou que os bens da família estejam bloqueados. Rosinha votou acompanhada do marido, o deputado federal Anthony Garotinho (PR), e dos filhos Wladimir, Anthony, Amanda, Clara e Anderson na Faculdade de Direito de Campos.

Do choro ao sorriso, Freixo diz que campanha foi vitoriosa
Não teve segundo turno, mas Marcelo Freixo (PSOL) diz que se considera um vitorioso na eleição carioca. Ao reconhecer o triunfo de Eduardo Paes (PMDB) nas urnas, citou os motivos que o fazem festejar sua participação: a presença de muitos jovens em sua campanha, a expressiva votação para um partido pequeno e com pouca estrutura eleitoral e a consolidação do PSOL como principal força do campo de esquerda e de oposição à hegemonia do PMDB no Rio nos últimos anos.

Na Lapa, onde havia feito o maior comício da campanha, ele comentou ontem à noite a derrota: – Foi uma campanha vitoriosa. A gente sabia que seria difícil um segundo turno porque houve uma polarização (entre ele e Paes) já no primeiro. Isso dificultou a votação dos outros candidatos - avaliou Freixo, para em seguida desejar sorte ao prefeito reeleito. - Desejo sorte ao Paes. Que faça um governo que possa acertar. Temos que ter a grandeza neste momento. A cidade está acima das nossas diferenças.

Preferido de 914.082 eleitores, Freixo ressaltou a expressividade deste número diante das dificuldades que enfrentou. Ele venceu em apenas uma zona eleitoral da cidade: em Laranjeiras e Cosme Velho, onde superou Paes por 48,2% a 43,7%.

A campanha deu no que deu', diz Garotinho sobre chapa com Maia
A polêmica aliança entre o candidato a prefeito do Rio Rodrigo Maia (DEM) e sua vice Clarissa Garotinho (PR) ficou estremecida ao fim da corrida eleitoral. Visivelmente irritado, o ex-governador Anthony Garotinho (PR) fez duras críticas à chapa montada em parceria com o ex-prefeito Cesar Maia (DEM), que já foi seu desafeto político.

- Eu propus desde o início da campanha que eles se dedicassem a buscar o nosso eleitor, que é de massa. No entanto, eles fizeram a opção de tentar resgatar os eleitores de Cesar Maia, que estão na Zona Sul - disse Garotinho, ao votar em Campos.

De olho em 2014, Lula aposta em reconciliação com PSB
De olho nas disputas de segundo turno e nas eleições de 2014, ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que a crise gerada entre o PSB e o PT no primeiro turno não vai abalar a relação dos dois partidos, especialmente numa eventual candidatura à reeleição de Dilma Rousseff. O PT e o PSB, partido do governador pernambucano Eduardo Campos, racharam em três capitais, sendo que Recife foi o símbolo da discórdia. Nos últimos dias, Lula intensificou os movimentos de aproximação de Campos.

- O PSB continua sendo nosso aliado. Algumas pessoas tentaram transformar uma divergência de Recife numa divergência nacional e não existe hipótese (disso). Obviamente que eu respeito se o PSB quiser ter candidatura própria (para presidente) porque foi assim que o PT se consolidou. Mas estou convencido de que o PSB é um aliado do PT, e o PT é um aliado do PSB. E de que, nos grandes projetos brasileiros, vamos estar juntos - disse Lula, logo após votar em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, no final da manhã.

Dilma deve subir em palanques aliados em São Paulo, Manaus e Salvador no 2º turno
A presidente Dilma Rousseff, que passou o primeiro turno evitando envolvimento direto nas disputas eleitorais, deverá atuar de forma mais agressiva nas eleições municipais. Além de gravar depoimentos para os aliados, a presidente deverá subir nos palanques dos candidatos governistas Fernando Haddad, em São Paulo, Vanessa Grazziotin (PCdoB), em Manaus, e Nelson Pellegrino (PT), em Salvador, que disputam o segundo turno com a oposição.

Mas, como fez no primeiro turno, Dilma está decidida a evitar palanques que dividem a base governista, para não deixar mágoas e ter respostas desagradáveis aos interesses do Palácio do Planalto. A presidente vai resistir a eventuais pressões do PT para participar, por exemplo, da campanha em Fortaleza, onde Elmano de Freitas (PT) concorrerá com Roberto Cláudio (PSB).

No primeiro turno, a presidente acabou participando das campanhas de Haddad, em São Paulo, depois que a candidatura ganhou força e deu indicações de que iria ao segundo turno, e de Patrus Ananias, em Belo Horizonte. Na capital mineira, embora o PT disputasse com o PSB, Dilma foi a um comício de Patrus, em resposta ao apoio do PSDB a Márcio Lacerda.

PRB de Russomanno deve apoiar PT em SP
Com um patrimônio político de mais de 1,3 milhão de votos e possível fiel da balança no segundo turno da eleição paulistana, Celso Russsomanno (PRB), terceiro colocado na disputa, está mais perto de declarar apoio ao candidato de Lula, o petista Fernando Haddad (PT), na próxima etapa do pleito. No entanto, o candidato ainda não bateu o martelo e prefere atrelar a aliança a um eventual alinhamento com seu programa de governo.

- Vamos discutir juntos e vamos estar juntos. Quem nós formos apoiar tem que estar com projetos alinhados aos nossos. A gente sempre trouxe à frente os serviços públicos de qualidade - afirmou o candidato.

Ontem, antes mesmo que a apuração tivesse sido encerrada, o presidente municipal do PRB, Aildo Ferreira, já dizia que a intenção era seguir com o petista: - A tendência natural é apoiar o Haddad - declarou.

FH: quando 'chega na hora', prevalece a disputa PSDB x PT
Ao votar ontem, às 11h35m, no colégio Sion, no bairro de Higienópolis, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso minimizou o efeito Celso Russomanno (PRB) nas eleições da cidade de São Paulo e a tese de que a polaridade entre PT e PSDB em São Paulo estaria esgarçada. - É o que dizem, né? Mas chega na hora, volta PT e PSDB. Porque são os dois partidos com mais embasamento social e posição política. Tem um outro partido que é importante neste sentido, que é o PMDB, dono de grande capilaridade - avaliou o ex-presidente.

Sem conhecer o resultado das urnas, Fernando Henrique disse que confiava na ida de José Serra ao segundo turno e deu pouca importância aos índices de rejeição do tucano, o maior registrado pelas pesquisas na eleição paulistana, e vinculado à saída da prefeitura para disputar o governo estadual.

Em São Luís, candidato de Sarney amarga um 4º lugar
Os candidatos Edivaldo Holanda Júnior (PTC/PC do B) e o prefeito de São Luís, que concorre à reeleição, João Castelo (PSDB), vão disputar o segundo turno na capital maranhense. Holanda, que de acordo com a última pesquisa Ibope estava com 27% contra 31% de Castelo, venceu o prefeito nas urnas com 36,46% dos votos contra 30,60%, com 99,36% dos votos apurados.

A disputa entre os dois candidatos e o fiasco da candidatura de Washington Oliveira (PT/PMDB e mais 13 partidos) - que mesmo com o apoio da governadora Roseana Sarney (PMDB) amargou um quarto lugar com apenas 11% dos votos -, gera uma situação curiosa no segundo turno em São Luís, onde, de olho em 2014, a família Sarney se vê obrigada a apoiar oficiosamente a candidatura do candidato do PSDB.

Os Sarney temem que a eleição de Edivaldo Holanda facilite a eleição, em 2014, do presidente da Embratur, Flávio Dino (PCdoB), para o governo do estado, dominado há mais de 40 anos pela família do presidente do Senado, José Sarney. Holanda e Castelo não quiseram antecipar a política de alianças para o segundo turno, mas estão de olho especialmente na candidata do PPS, Eliziane Gama, que numa campanha solitária e sem o apoio do partido, conseguiu 13,82% dos votos.

Manaus: candidata flagrada trocando cocaína por votos
Curitiba, Manaus e Teresina Acusada de trocar pasta base de cocaína por votos, a candidata a vereadora Carme Cristina (PDT) pela cidade de Itacoatiara, a 176 quilômetros de Manaus, foi presa na manhã de ontem por policiais civis, que teriam desconfiado de uma aglomeração em torno de um veículo. Ao chegaram perto, eles flagraram Carme com 11 papelotes da droga. De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil, eleitores contaram que a candidata estava fazendo a distribuição da pasta de cocaína desde cedo. Carme foi encaminhada à sede da Polícia Federal.

Em Curitiba, um mesário, de 21 anos, que atuava no Colégio Estadual Eni Caldeira, no bairro Bacacheri, também foi preso. O rapaz, que deixara seu posto para fumar maconha do lado de fora da sala, acabou sendo flagrado por policiais.

O presidente da seção eleitoral precisou intervir para não prejudicar os eleitores que esperavam para votar e destacou outro mesário para substituí-lo. Os policiais levaram o rapaz primeiramente para o TRE e, em seguida, para a Polícia Civil. Segundo um dos investigadores, o mesário flagrado com a maconha assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi liberado.

Reeleito, Chávez convida a oposição a trabalhar junto
A Venezuela viveu no domingo uma eleição que mobilizou como poucas os cerca de 19 milhões de eleitores do país e que, com 90% dos votos apurados, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), abriu as portas para a terceira reeleição consecutiva do presidente Hugo Chávez, com 54,42% dos votos. O candidato da oposição, Henrique Capriles, protagonista da melhor campanha realizada pelos opositores do Palácio Miraflores na era Chávez, na opinião de analistas locais, obteve 44,97%, abaixo das expectativas dos antichavistas, mas o melhor resultado já obtido pelos adversários numa eleição presidencial. Em 2006, Chávez derrotou seu rival na época, Manuel Rosales, por cerca de 25 pontos percentuais.

CORREIO BRAZILIENSE

PT e PSDB vão à guerra. PMDB e PSB faturam
Petista aposta nos palanques ao Lado de Lula e Dilma, enquanto tucano tenta contornar o alto índice de rejeição. Apoio dos candidatos derrotados será crucial para definir quem governará a maior cidade do país pelos próximos quatro anosmais acirrada eleição da história de São Paulo en­cerrou o primeiro turno retomando, mais uma vez, a polarização entre o PT, de Fernando Haddad, e o PSDB, de José Serra, depois de uma virada que derrubou o então favorito, Celso Russomanno (PRB), de um patamar de 35% das intenções de votos para o terceiro lugar na dis­puta. Os dois adversários se lan­çam na segunda fase com pouco menos de dois pontos percen­tuais de diferença entre si: a con­tagem dos votos na capital pau­lista fechou ontem por volta das 21h com 30,75% dos votos para Serra e 28,98% para Haddad, in­dicando uma briga igualmente apertada na etapa derradeira.

Serra foi o principal beneficia­do com a dramática queda de Russomanno na preferência do eleitorado. Em 11 dias, o tucano saltou do terceiro lugar nas pes­quisas para o primeiro nos le­vantamentos de boca de urna, prognóstico confirmado pelo re­sultado da eleição. "No início, o eleitorado agiu na emoção, mas o Russomanno não tinha o que apresentar para se validar como próximo prefeito de São Paulo", acredita o deputado Walter Feldman (PSDB-SP), coordenador de mobilização da campanha de Serra. "Sem ter essas propostas na mão, o eleitor optou pela pola­rização clássica", analisa.

Na cúpula do comitê eleitoral de Haddad, o debate em torno do bilhete único é visto como o prin­cipal motivo para a derrocada do candidato do PRB. "Não tinha co­mo justificar para o eleitor da peri­feria que quem mais precisa an­dar de ônibus, quem mais depen­de do transporte público, ia ter que pagar mais por isso. Os torpe­dos lançados contra essa proposta de Russomanno fez os votos que ele tinha na periferia migrarem para o PT", analisa o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), da coorde­nação da campanha de Haddad.

Dezessete capitais terão segundo turno
A decisão das eleições 2012 ficou para o segundo tur­no na maioria das capitais. Eleitores de 17 delas optaram por bater o martelo so­bre o administrador de suas cida­des daqui a três semanas. É das urnas de 28 de outubro que a oposição poderá sair mais forta­lecida, já que, até agora, em ape­nas duas, os eleitos em primeiro turno são representantes de par­tidos declaradamente contrários à gestão da presidente Dilma Rousseff (PT). Nas nove capitais já decididas, PSB e PMDB foram as legendas mais bem-sucedidas com dois prefeitos eleitos cada.

A oposição saiu vitoriosa em Maceió, com Rui Palmeira (PS­DB), e em Aracaju, com João Al­ves (DEM), respectivamente. No segundo turno, mais 10 capitais podem eleger prefeitos oposito­res ao governo federal — em al­guns casos, os dois concorrentes são de siglas aversas à gestão petista no Palácio do Planalto. As maiores apostas da oposição, que quer se cacifar para a corrida à Presidência da República em 2014, estão concentradas em São Paulo, com José Serra (PSDB), e Salvador, com Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM).

Goiânia sem a sombra do bicheiro
O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), foi reeleito em pri­meiro turno com 57,6% dos votos válidos, derrotando seu principal adversário, Jovair Arantes (PTB). A eleição na ca­pital de Goiás foi tranquila e marcada pela pouca propagan­da pelas ruas. Mais um efeito da Operação Monte Carlo, que prendeu o bicheiro Carlos Au­gusto Ramos, o Carlinhos Ca­choeira. Cerca de 830 mil elei­tores ignoraram o calor de 36° e a baixa umidade (que chegou perto de 15% nos meio da tar­de) e foram às urnas. A absten­ção ficou em 12,45%, percen­tual considerado baixo.

Garcia, que era vice do ex- prefeito Íris Rezende — que deixou o cargo para se candi­datar ao governo de Goiás — acompanhou a apuração dos votos no galpão onde foram gravados seus programas elei­torais. Confirmada a vitória em primeiro turno, ele agradeceu os votos e atribuiu sua eleição a Íris Rezende. "Ele foi funda­mental na campanha", disse o prefeito reeleito, assegurando que vai governar Goiânia com os partidos que fizeram parte de sua coligação. "A aliança é sólida e de longo prazo. Por is­so, vamos governar com a aliança", observou Garcia.

A vitória de Eduardo Campos
O primeiro teste do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), de olho na elei­ção presidencial de 2014, foi aprovado no Recife. O candidato Geraldo Julio (PSB), até então ilustre desconhecido que nunca havia disputado uma eleição, iniciou a briga nas urnas com 4% das intenções de voto e conseguiu se eleger no primeiro turno com 51,15% dos votos vá­lidos. Numa manobra arriscada, Eduardo se aliou ao seu histórico inimigo político, senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), para quebrar a hegemonia petista que durava 12 anos. Desagradou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas saiu bastante fortalecido. O azarão Daniel Coelho (PSDB) cresceu na reta final e ficou na segunda colocação, com 27,65%.

Na coletiva, após a divulga­ção oficial do resultado, Eduardo Campos minimizou sua participação na vitória de Geraldo Julio e deixou no ar a tentativa de disputar a eleição presidencial. "Quem elegeu Geraldo foi o povo do Recife. Em 2014, vou trabalhar pelo Brasil", declarou o governador. O prefeito eleito Recife agradeceu os votos rece­bidos e fez questão de salientar que vai trabalhar para conquistar a confiança da outra metade da população. Vencido o primeiro desafio, Eduardo, agora, entrará de cabeça na campanha do candidato a prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e tentará aparar as arestas surgidas a partir do enfrentamento "PT x PSB" na capital pernambucana.

O tabuleiro de 2014
Na capital mineira, os petistas viram na vitória de Marcio Lacerda (PSB) no primeiro turno contra Patrus Ananias (PT) um sinal de peri­go para a presidente Dilma Rousseff. Ali, ela trabalhou não só na montagem da chapa, como fez questão de comparecer ao palan­que. Aécio, por sua vez, foi o mentor do arco de alianças de Lacerda. Na reta final da campanha, os dois padrinhos se apresentaram. Dilma, no palanque de Patrus, atacou Aécio, que respondeu transfor­mando o encerramento da cam­panha numa disputa entre ele e Dilma.

No Recife, entretanto, em­bora Humberto Costa (PT) tenha ficado em terceiro lugar, os petis­tas tentam relativizar a vitória de Geraldo Julio (PSB), deixando clara a ausência de Lula e de Dilma na campanha da capital pernambu­cana. Ou seja, evitou-se assim que fosse tratada como uma derrota de Lula ou da presidente.

Ministra fora do páreo
A disputa pela prefeitura de Vi­tória ficou entre dois candidatos de partidos da oposição ao gover­no federal. Luciano Rezende, do PPS, e Luiz Paulo Vellozo Lucas, do PSDB, passaram para o segun­do turno. Rezende obteve o me­lhor desempenho, com 39,14% dos votos válidos, seguido de per­to pelo tucano, 36,69%. A candi­data do PT e ex-ministra de Polí­ticas para as Mulheres, Iriny Lo­pes, ficou com 18,41% e está fora. O médico Luciano Rezende lide­ra uma coligação de sete partidos pequenos — com PR, PP, PHS, PtN, PRP e PSC — e tem o apoio do senador Magno Malta (PR), nome forte da política capixaba.

O ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo é um nome tradicional e inte­gra a coligação que reúne parti­dos mais tradicionais: além do PSDB, conta com a presença do PTB, PMDB, DEM, PMN, PTC, e PTdoB. No palanque, o tucano contou com o apoio ostensivo do ex-governador Paulo Hartung (PMDB). Até meados de setem­bro, Luiz Paulo era o favorito, mas perdeu força na reta final.

Desejado capital político
Excluído do segundo turno da campanha pela prefeitura de São Paulo depois de sangrar a um rit­mo de meio ponto percentual por dia ao longo de três semanas, desconstruído pelos adversários que exploravam a superficialida­de das propostas contidas em seu programa de governo e, em parti­cular, pela impopularidade do projeto do bilhete único — que puniria o eleitorado mais pobre com tarifas de transporte mais caras para o deslocamento dape- riferia para o centro da cidade —, Celso Russomanno (PRB) pode­ria ser descrito como o grande derrotado da corrida pelas prefeituras de 2012. Em vez disso, foi al­çado ao posto de aliado em po­tencial, cobiçado pelos dois re­manescentes na disputa pela ca­pital paulista.

Sobre quem apoiará no se­gundo turno, Russomanno pro­meteu uma resposta rápida. "Va­mos decidir amanhã (hoje). Zera tudo a partir de agora", disse, em entrevista coletiva após reconhe­cer a derrota nas urnas.

DEM perde espaço
Mutilado pela migração de fi­liados para o PSD e no centro de denúncias de corrupção, o De­mocratas entrou desfalcado nas eleições de 2012 e amargou a elei­ção de apenas 271 prefeitos, 122 a menos do que tem hoje. Foi em relação a capitais que sentiu o único refresco. Atualmente sem nenhuma no país, o partido pode ostentar a vitória em Aracaju, com João Alves. E ainda levou a eleição para o segundo turno em Salvador, onde Antonio Carlos Magalhães Neto disputa com o petista Nelson Pelegrino.

O DEM se lançou às eleições deste ano com menos da metade dos candidatos a prefeito em 2008. Foram 729 nomes, nono lu­gar no ranking das legendas com mais concorrentes a administra­ções municipais. Com o resulta­do magro, líderes do partido ali­mentam, nos bastidores, a fusão com outra legenda, assunto que já ronda o DEM nos últimos anos. Oficialmente, o presidente nacional do partido, senador Jo­sé Agripino Maia, não admite a hipótese e diz até que o DEM cresce nestas eleições.

A briga por vagas nas câmaras municipais
Com importantes passagens por cargos públicos, políticos ex­perientes e figuras conhecidas do eleitor não tiveram vida fácil nas urnas. Um dos casos mais emblemáticos desse fracasso eleitoral é o do ex-ministro dos Esportes do governo Lula Orlando Silva (PCdoB-SP), que tentou aboca­nhar, sem sucesso, uma vaga de ve­reador ao município de São Paulo.

Mesmo tendo contado com apoio de peso do ex-presidente Lula, que foi à TV pedir votos ao seu ex-ministro, e de ex-esportistas como as ex-jogadoras de basquete Hortência e Janete, Orlando não conseguiu arregi­mentar mais do que 19.739 vo­tos, ou 0,35% das marcações vá­lidas. O número fez do ex-mi­nistro apenas o 82a mais bem votado, quando as vagas para a Câmara de Vereadores de São Paulo são 55.

Envolvido em suspeitas du­rante a gestão no ministério, Orlando Silva saiu da cena polí­tica em outubro de 2011, ao ser demitido pela presidente Dilma Rousseff. À época, ele che­gou a dizer que candidatar-se a vereador de São Paulo, cidade onde vive há mais de 20 anos, "não era um passo atrás na carreira política".

Apuração conturbada
Depois de uma apuração de votos conturbada em Cuiabá, ficou definido que o segundo turno será disputado por MauroMendes (PSB), que obteve 43,98% dos votos, e Lúdio Cabral (PT), com 42,23% da preferência do eleitorado. Uma falha no sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) impediu, por quase três horas, a contagem dos votos do candidato do PT. A situação foi normalizada apenas por volta das 21h30. Até então, os votos de Cabral apareciam como nulos nas divulgações parciais da Justiça Eleitoral. A capital apresentou ainda 16,49% de abstenções, 3,98% de votos nulo e 2,09% em branco.

Arthur Virgílio vivo na política
Desafeto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e sem cargo político desde 2010, o candidato à prefeitura de Manaus, o ex-senador Arthur Virgílio Neto (PSDB) não conseguiu levar as eleições no primeiro turno. Com 40,55% dos votos, disputará com a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) a vaga de chefe do executivo municipal. Apesar de ter ido ao segundo turno, o bom desempenho nas urnas pode se concretizar no retorno de Virgílio à política, já que na última disputa pelo Senado perdeu a cadeira justamente para Grazziotin.

A senadora foi a única candidata sem ser do PT que recebeu apoio do ex-presidente Lula em comício. "Vanessa, se você não fosse de um partido aliado, se eu nunca tivesse te visto e eu soubesse que teu principal adversário é quem é, eu viria aqui te apoiar para derrotá-lo", disse Lula durante visita a capital amazonense, deixando clara a posição em relação ao rival.

Outra contribuição veio da presidente Dilma Rousseff, que gravou participação no programa de televisão da senadora. O time de Grazziotin contou ainda com outros nomes de peso na região: o governador do Amazonas, Omar Aziz, e o senador, líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB) "A presidente Dilma nos apoia não só porque é minha amiga, mas porque temos o melhor projeto político", ressaltou Vanesssa, após votar.

O prefeito estrangeiro
O colombiano naturalizado brasileiro, Carlos Amastha, do PP, foi eleito ontem prefeito de Pal­mas, capital do Tocantins, em co­ligação com PPS e PCdoB. É o pri­meiro candidato de origem es­trangeira a governar uma capital no país. Ele obteve 49,65% dos votos válidos, derrotando o de­putado Marcelo Lelis, do PV A vi­tória do empresário Amastha não deixa de ser uma derrota para o governador Siqueira Campos (PSDB), que apoiava o deputado verde. Pela segunda vez, Lelis fi­cou perto de virar prefeito. Em 2008, o deputado chegou a amea­çar a reeleição do atual prefeito, Raul Filho (PT).

Carlos Aamstha é um dos candidatos mais ricos desta elei­ção. Declarou ao TRE do Tocan­tins que tem um patrimônio de R$ 18,1 milhões, incluindo participação em shopping centers, terrenos e vários veículos, entre eles um automóvel superesportivo italiano Maserati, avaliado em R$ 660 mil. Também decla­rou que guarda R$ 2 milhões em dinheiro vivo.

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!