Jornais: réus do mensalão tentaram silenciar testemunha de acusação

Reportagem do jornal O Globo mostra as investidas do Banco Rural para desqualificar delação de ex-superintendente

O GLOBO

Réus do Banco Rural coagiram principal testemunha de acusação
Réus do mensalão, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, os ex-dirigentes do Banco Rural fizeram de tudo para encurralar a principal testemunha da acusação, Carlos Roberto Sanches Godinho, ex-superintendente da área de Compliance do Banco Rural. De ações de indenização a mandados de busca e ordem judicial para vetar entrevistas, o Rural recorreu aos mais variados instrumentos para evitar que Godinho pusesse ainda mais em risco a imagem da instituição.

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Desde que saiu do banco, em setembro de 2005, ele não conseguiu mais emprego na área financeira. Hoje, divide seu tempo entre temporadas nas casas da filha, em Belo Horizonte, e do filho Sérgio, em Natal, Rio Grande do Norte. — Você vê como são as coisas: meu pai resolveu ajudar e foi como se a moeda virasse para o outro lado. Ele só fez o que achava certo. O ex-ministro da Justiça precisava saber disso, né? — diz Sérgio, criticando Márcio Thomaz Bastos, defensor de José Roberto Salgado, ex-diretor do Rural.

Na sustentação oral no STF, Bastos tratou Godinho como “um ex-funcionário posto para fora” e “um falsário”, mencionando perícia particular feita pelo próprio Rural em documento relacionado a um processo trabalhista de Godinho contra o banco, que nada tem a ver com o mensalão. — (É um funcionário) que traz uma série de intrigas, fofocas, entendimentos errados, afirmando que ocupava cargos de cúpula no banco. Era um funcionário de terceiro escalão — disse Bastos, anunciando estratégia que seria repetida pelos outros advogados dos réus do banco, baseada na tese de que Godinho ocupava posição mediana na empresa, “sem condições de acesso às informações e decisões tomadas por sua direção”.

Mas não era dessa forma que o Rural tratava o ex-funcionário quando ingressou com a ação para proibi-lo de dar entrevistas, ou ainda ao pedir um mandado de busca e apreensão na casa dele, em 2005. Na ação, a empresa o trata como “ocupante de um cargo de confiança”, um dos responsáveis por “assegurar a ética e detectar as inconformidades com a lei e a regulamentação” e, por isso, detentor de informações sigilosas.

Dilma busca substitutos para Peluso, Ayres Britto e Celso de Mello
O caldeirão jurídico ferve não só pelos primeiros resultados do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). Com a aposentadoria compulsória do ministro Cezar Peluso, a presidente Dilma Rousseff deslancha oficialmente amanhã as consultas para escolher três novos nomes para a Corte, onde terá maioria. Uma lista com 12 nomes já roda por gabinetes de Brasília. Além de Peluso, devem se afastar do STF até o fim do ano o presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto, que se aposenta em 18 de novembro; e Celso de Mello, que já avisou que deverá antecipar sua saída de 2015 para 2012.

Indiferente a pressões, Dilma não tem interesse na ideologização do STF, e seu critério será o da governabilidade, dizem seus interlocutores. Busca um jurista preparado, com viés de esquerda e que não vote preferencialmente com a opinião pública, mesmo quando isso coloque a governança em risco.

O único consenso no Planalto e no mundo jurídico é que uma das vagas é do ministro chefe da Advocacia Geral da União (AGU), Luiz Inácio Adams. Mas não se sabe se na de Britto ou de Mello. — O processo de escolha é solitário. Ela não se rende a lobby — diz uma das autoridades que assessoram a presidente. — Ela recebe a lista com os perfis dos candidatos ou, às vezes, tem um nome pré-definido. Aí consulta pessoas da área jurídica para decidir.

Segundo interlocutores, é a hora e a vez dos advogados — criminalistas ou penais — uma carência no STF. Se esse for o critério para uma das vagas, no topo da lista está Arnaldo Malheiros, advogado do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares no julgamento do mensalão.

Cachoeira tentou barrar nomeação de Marconi Perillo
Um dia antes de serem presos na Operação Monte Carlo, o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o ex-vereador de Goiânia (GO) Wladimir Garcez (PSDB) comandaram articulações sobre nomeações para o primeiro escalão do governo de Marconi Perillo (PSDB) em Goiás. Novas gravações telefônicas remetidas pela Polícia Federal (PF) à CPI do Cachoeira, com base em grampos no rádio Nextel utilizado por Garcez, mostram uma tentativa do grupo criminoso de barrar a indicação de um promotor de Justiça para a Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh).

Leia mais sobre o caso Cachoeira

Em 28 de fevereiro, às 12h06m, Garcez e a então chefe de gabinete de Perillo, Eliane Pinheiro, combinam pelo rádio Nextel uma estratégia para evitar que o governador nomeasse o promotor. Eles articulam uma indicação conjunta de um novo nome por parte dos três senadores goianos à época: Demóstenes Torres, Lúcia Vânia (PSDB) e Cyro Miranda (PSDB). Às 12h12m, logo após a conversa com Eliane, Garcez conversa com Cachoeira, que diz que “o senador vai entrar no processo”, numa provável referência a Demóstenes, cassado em julho por deixar o mandato a serviço do bicheiro. Diante das evidências de proximidade a Cachoeira, inclusive por portar um rádio oferecido pelo grupo, Eliane deixou o cargo no gabinete de Marconi Perillo em abril deste ano.

Os planos de Carlinhos Cachoeira e Wladimir Garcez não prosperaram. Os dois foram presos na manhã seguinte, 29 de fevereiro, dia em que a PF deflagrou a Monte Carlo. O promotor de Justiça Umberto Machado, do Ministério Público (MP) de Goiás, assumiu o cargo de secretário um mês depois, mas deixou a função, em junho, diante das suspeitas de proximidade de outros integrantes do MP com Cachoeira, como o procurador-geral de Justiça (chefe do MP de Goiás), Benedito Torres, irmão de Demóstenes.

Apenas 12% dos deputados que disputam eleição pediram licença
Nove em cada dez deputados estaduais e federais que disputam eleição este ano estão em campanha sem ter se licenciado do mandato. No total, são 258 políticos que concorrem aos cargos de prefeito ou vice — 87 da Câmara dos Deputados e 179 das Assembleias Legislativas —, sem abandonar o contracheque parlamentar. O grupo representa 88% do total de deputados que estão em campanha eleitoral. Ou seja, apenas 37 se afastaram das tarefas legislativas para tentar cargo no Executivo. Embora a lei permita a parlamentares fazer campanha no exercício do mandato, levantamento do GLOBO constatou que a legalidade tem sido usada em muitos casos para mascarar condutas condenáveis.

Foi constatado, país afora, que parlamentares cumprem agenda de candidato nos horários em que deveriam estar trabalhando no Legislativo, já que não pediram afastamento. A prática é criticada por analistas políticos e até por colegas fora da campanha.

No Piauí, por exemplo, deputados faziam corpo a corpo com eleitores ou davam entrevistas como candidatos na hora da sessão plenária na Assembleia Legislativa. No Amazonas, um deputado pedia votos a mais de 600 quilômetros do Legislativo enquanto uma das sessões acontecia. Em São Paulo, um deputado fez visita a um bairro da cidade onde é candidato e faltou à única reunião semanal da Comissão de Educação, da qual é membro.

A principal razão para o baixo número de licenças durante o período eleitoral — somente 12% solicitaram afastamento até agora — é salarial. As regras variam de estado para estado. No geral, o afastamento não é remunerado pelas assembleias; portanto, afastar-se da cadeira de parlamentar para disputar uma prefeitura significa, no caso dos deputados estaduais, cerca de R$ 20 mil a menos no contracheque.

Candidatos dizem que faltas não atrapalham a atividade legislativa
Parte dos deputados estaduais ouvidos pelo GLOBO admitiu fazer campanha em horário de expediente no parlamento. Negou, porém, que as faltas trazem prejuízo à atividade legislativa. Candidato em Florianópolis, Cesar Souza Júnior (PSB), que faltou em três das cinco sessões de agosto na Assembleia de Santa Catarina, defende o engajamento de parlamentares em campanhas para o fortalecimento da democracia:

“Todos os deputados estão fortemente envolvidos com a campanha eleitoral. Isso é o exercício da democracia.” A assessoria do gabinete dele informou que as faltas foram decorrentes de reuniões com o governo e da participação em debate como candidato.

Ana Paula Lima (PT), candidata em Blumenau, diz não ver impacto negativo das eleições no funcionamento do Legislativo catarinense. A Casa informou ter antecipado para o primeiro semestre os trabalhos do período eleitoral. — O calendário está em dia, o orçamento de 2013 foi aprovado e a população foi avisada da antecipação. Não deixo a função política, não vou deixar de ser deputada.

Deiró Marra (PR) está na lista dos mais faltosos no Legislativo de Minas Gerais. Ele marcou presença em apenas uma das 20 reuniões das atas de frequência a que o GLOBO teve acesso. Ele concorre à prefeitura de Patrocínio, mas não atendeu à reportagem.

Eleições fazem Alerj suspender votações por falta de quorum
No estado do Rio, 21 dos 70 deputados da Assembleia Legislativa (Alerj) estão em campanha. Oito deles, licenciados. Os demais tentam conciliar suas atividades legislativas com as agendas de campanha, mas, na prática, a falta de quórum tem sido uma constante. Em pelo menos um terço das sessões de agosto, cinco votações previstas não aconteceram por falta de quórum mínimo — 36 parlamentares.

Para que os trabalhos não parassem, O GLOBO apurou que foi feito um acordo velado para garantir a presença mínima dos parlamentares no plenário às quartas-feiras — quando as matérias do Executivo são analisadas e votadas.O presidente da Alerj, Paulo Melo, negou que exista acordo e que o processo eleitoral esteja “obstaculizando” o plenário. Explicou que pediu que as matérias mais importantes, “em especial os projetos do governo do estado”, sejam colocados em pauta às quartas-feiras: — Estabeleci isso porque temos que ter uma data para que as pessoas, inclusive os que estão em campanha, possam se organizar e votar. Para as questões essenciais, as matérias do governo e os projetos importantes dos deputados não falta quórum — disse o presidente.

O esvaziamento do plenário virou motivo de piada na quinta-feira. O deputado Paulo Ramos (PDT), que presidia a sessão, chegou a implorar em tom de brincadeira que ninguém pedisse verificação de quórum, já que só havia 32 deputados no plenário. Na terça-feira, um projeto de resolução derrubou a sessão, já que só 34 deputados votaram.

AGU tenta recuperar R$ 6,5 bi de desvios de dinheiro público
O setor da Advocacia-Geral da União (AGU) que fechou acordo com o senador cassado Luiz Estevão para reaver R$ 468 milhões do Fórum Trabalhista de São Paulo tenta recuperar mais de R$ 6,5 bilhões em outros casos de desvios e danos a bens públicos. Levantamento feito pelo GLOBO no Departamento de Patrimônio e Probidade, com dados dos últimos três anos, mostra que foram ajuizadas 8,8 mil ações, e retornaram aos cofres federais R$ 1,1 bilhão.

A meta do departamento até 2016 é garantir uma taxa de retorno de 25%. Em tese, isso significaria reaver R$ 25 de cada R$ 100 desviados e cobrados judicialmente. Na prática, porém, os cálculos são mais complexos. De qualquer forma, a taxa de retorno vem crescendo: até 2005, era inferior a 1%; em 2010, chegou a 6,93%; e, em 2011, a 15,39%.

O departamento funciona como braço jurídico do Tribunal de Contas da União (TCU). Uma de suas tarefas é buscar, na Justiça, o ressarcimento de desvios apontados pelo tribunal. A Controladoria-Geral da União (CGU) também envia diretamente à AGU investigações que apontem desvios superiores a R$ 500 mil.

São 127 advogados espalhados pelo país. A procuradora-geral da União, Helia Bettero, acredita que os resultados da equipe já começam a incomodar corruptos e criminosos: — Dentro do nosso país, tem o ralo da corrupção, do dinheiro que vai por água abaixo. À medida que crescemos, encontramos essa rede, que é invisível, mas existe.

O ESTADO DE S. PAULO

Apartamentos funcionais do Executivo são ocupados irregularmente em Brasília
Pessoas que deixaram há mais de duas décadas o serviço público ocupam até hoje boa parte dos apartamentos de luxo de propriedade do governo federal. Dos 498 imóveis residenciais administrados pela Secretaria do Patrimônio da União no Plano Piloto, um dos metros quadrados mais valorizados do País, 121 são alvo de ações judiciais ou estão em processo de retomada. Ou seja, praticamente um a cada quatro apartamentos destinados a funcionários do Executivo tem ocupação irregular. A "imobiliária" União tenta despejar de imóveis de até cinco quartos e 223 m² assessores e comissionados do tempo, inclusive, da ditadura militar.

Localizados nas quadras mais caras da capital, os apartamentos custam no mercado na faixa de R$ 1 milhão a R$ 2,5 milhões, com aluguéis mensais que chegam a R$ 5,6 mil. Pelas normas, os apartamentos só podem ser ocupados por funcionários de cargos comissionados que não têm imóvel em Brasília. A aposentadoria e qualquer outro desligamento da função implicam a saída do imóvel, sem exceções.

Em conversa com o Estado, ex-servidores citados numa lista publicada pelo Ministério do Planejamento apresentaram uma série de alegações para não devolver as chaves dos imóveis. Aylton Ventura, de 79 anos, é um dos dez ex-servidores que ocupam apartamento funcional desde o governo Geisel, em 1976. Há 21 anos, quando se aposentou, ele perdeu o direito de permanecer no imóvel de cinco quartos, com área total de 220 metros quadrados, num prédio da Superquadra Sul 315.

Ex-ministros ‘indicam’ sucessor de Peluso
Para ocupar a cadeira de Cezar Peluso, que se aposentou na sexta-feira, 31, do cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, a presidente Dilma Rousseff deve escolher um jurista não só independente, mas com visão de estadista e antenado com as mudanças da sociedade. Se for mulher, ainda melhor. As opiniões são de ministros aposentados do STF que passaram pela Corte desde a década de 1980 e que hoje advogam e dão pareceres, aulas e palestras.

Na prática, a presidente tem a chance de, até o ano que vem, indicar até três novos ministros para a Corte. Além de Peluso, que já se despediu, o atual presidente, Carlos Ayres Britto, aposenta-se em novembro e é possível que o ministro Celso de Mello antecipe sua saída no início de 2013. Com isso, Dilma seria responsável pela nomeação de praticamente metade do Supremo - ela já indicou os ministros Luiz Fux e Rosa Weber.

Para ex-integrantes do tribunal, essas futuras escolhas devem ser feitas com grande critério. Aos 91 anos, o decano no quadro de 16 ministros aposentados do Supremo, Aldir Passarinho, advoga até hoje e afirma que, além de dedicado ao trabalho, entender de direito e ter boa reputação, o ministro do STF deve sempre se atualizar a respeito das mudanças da sociedade. O tribunal recentemente deu decisões na área de costumes sociais, reconhecendo a união entre pessoas do mesmo sexo, autorizou as pesquisas com células-tronco embrionárias e liberou a interrupção de gestações de fetos com anencefalia.

Documento contradiz Russomanno em processo
Uma conta de luz pode complicar a vida do líder isolado nas pesquisas de intenção de voto na corrida pela Prefeitura de São Paulo. Celso Russomanno (PRB) é acusado pelo Ministério Público de mentir sobre seu domicílio eleitoral e simular o aluguel de um imóvel em Santo André com o objetivo de disputar a vaga de prefeito da cidade do Grande ABC em 2000. Uma série de testemunhas e, principalmente, a falta de consumo de energia do apartamento onde ele dizia morar naquela época põem em xeque a versão apresentada por ele no caso.

As informações constam de uma ação penal na qual Russomanno é réu desde junho, quando o Supremo Tribunal Federal recebeu a denúncia contra ele. Após o recebimento, o processo voltou para a primeira instância porque o hoje candidato do PRB já não tinha mais foro privilegiado - ele deixou de ser deputado federal no ano passado. Russomanno tem depoimento marcado para dar explicações à Justiça no dia 29 de janeiro de 2013.

Para o Ministério Público, embora tenha afirmado em documento que morava no apartamento da região central de Santo André, ele nunca residiu no imóvel. A legislação exige que o candidato more na cidade onde se vai disputar um cargo pelo menos três meses antes de pedir a transferência do domicílio eleitoral. Instado a se explicar nos autos, o candidato apresentou, via seus advogados, um contrato de locação e o recibo dos pagamentos dos aluguéis de julho, agosto e setembro de 1999, como forma de comprovar o domicílio.

O Ministério Público, porém, chamou várias testemunhas para depor. Na ação penal, o porteiro do prédio e o vizinho de porta afirmam nunca ter visto Russomanno por lá. "É muito difícil ele ter morado lá e eu nunca ter visto", disse Davi Scatena, um vizinho de porta, à Justiça. "Não conheço ele. Eu nunca o vi entrar no prédio" afirmou Evaristo Ferreira, o porteiro, que trabalhava no edifício de segunda a sábado.

Para rebater as acusações, o hoje candidato em São Paulo apresentou quatro testemunhas que disseram tê-lo visto no prédio. A promotoria as desqualificou, justificando que uma era locador do imóvel, outra filiada ao partido de Russomanno e as duas últimas disseram tê-lo visto apenas uma vez.

Aécio usa mensalão para responder ataque de Lula
O ex-governador e senador Aécio Neves (PSDB), principal cabo eleitoral do prefeito Marcio Lacerda (PSB), citou neste sábado, 1, o julgamento do mensalão para responder aos ataques do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva feitos na véspera, durante comício da campanha do candidato do PT, Patrus Ananias, na capital mineira. O tucano disse que o PT se apropria de recursos públicos como se fossem do partido e fez referência ao entendimento dos ministros do Supremo Tribunal Federal de que houve desvio de dinheiro federal em operações do Banco do Brasil com a agência DNA,do publicitário Marcos Valério, um dos cinco réus condenados até agora. Também foram considerados culpados,entre outros, o deputado federal João Paulo Cunha (PT) e o ex-diretor do BB Henrique Pizzolato, ligado ao partido.

"O PT se apropria de empresas públicas, como fez e agora está comprovado pelo STF em relação ao Banco do Brasil. Uma vergonha, uma instituição secular, símbolo do Brasil, atender a interesses do partido. É um problema grave do PT: tem muita dificuldade em separar o que é público do que é privado", disse Aécio, ao lado de Marcio Lacerda, antes de iniciar uma carreata com o prefeito que passou por 40 pontos da Avenida do Contorno, que no passado marcou os limites da cidade.

Oposição a Dilma lidera em oito capitais
As rodadas de pesquisas eleitorais de agosto mostram que os partidos de oposição à presidente Dilma Rousseff (PT) lideram disputas em oito capitais, três delas em importantes polos regionais do Norte e do Nordeste: Manaus, Salvador e Fortaleza. Em 2008, quando Luiz Inácio Lula da Silva era o presidente, prefeitos de oposição foram eleitos em apenas cinco capitais – mas uma delas era São Paulo, a maior do País, que ficou nas mãos de Gilberto Kassab (PDB, aliado do tucano José Serra, então principal adversário do PT no âmbito nacional.

É o DEM, partido que foi praticamente dizimado ao perder parlamentares nas eleições de 2010 e com a criação do PSD de Gilberto Kassab , em 2011, quem está à frente em duas capitais importantes, Salvador e Fortaleza. Na capital baiana, ACM Neto lidera com larga vantagem sobre o principal adversário, o petista Nelson Pelegrino, que conta com o apoio do governador Jaques Wagner, também do PT.

Em vídeo, Lula pede votos aos candidatos do PT
Na semana em que o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o primeiro político envolvido no escândalo do Mensalão, o deputado federal e ex-candidato do PT à Prefeitura de Osasco João Paulo Cunha, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um vídeo em sua página no Facebook pedindo votos para os candidatos de seu partido. Em 35 segundos de gravação, o ex-presidente diz que o PT aliou "democracia política" e "democracia social" no País. "Porque com o PT, o Brasil sempre ganhou. Vote PT. Vote 13", finaliza Lula.

No vídeo, Lula diz que a sigla contribuiu para reduzir as desigualdades e gerou mais oportunidades para a população. "A grande transformação que o PT fez no Brasil foi o casamento da democracia política e da democracia social, com menos desigualdades e mais oportunidades para todos", afirmou. "Agora que vamos ter eleições em todas as cidades brasileiras, é hora de confirmar e renovar esse compromisso elegendo candidatos do PT em todo o Brasil", acrescentou.

FOLHA DE S.PAULO

STF define tratamento mais rigoroso contra a corrupção
Iniciado há um mês, o julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal) já estabeleceu teses jurídicas que deverão levar à condenação da maioria dos réus do processo e sugerem que casos de corrupção terão um tratamento mais rigoroso no Judiciário daqui para frente. A importância do caso faz com que as decisões passem a ser referência para toda a Justiça, já que essa é uma das raras vezes em que o Supremo, preponderantemente um tribunal constitucional, analisa fatos e provas penais.

Os ministros do Supremo julgaram até agora apenas o primeiro dos sete capítulos do mensalão. A conclusão é que o esquema de corrupção foi alimentado com dinheiro público, vindo da Câmara dos Deputados e principalmente do Banco do Brasil.

Mais do que isso, os ministros derrubaram boa parte das teses apresentadas pela defesa, fixando a base para futuras condenações. Entre elas a de que é necessária a existência do chamado "ato de ofício" para que se configurasse a corrupção. A maioria dos ministros entendeu que basta o recebimento de propina para haver o crime, mesmo que o servidor não tenha praticado nenhum ato funcional em troca.

“Já disse à presidente Dilma que vou apoiá-la em 2014” – trecho de entrevista com Cid Gomes
O governador do Ceará, Cid Gomes, 49, joga água na fervura da rixa entre o PSB, seu partido, e o PT e considera um erro tentar nacionalizar as eleições municipais. "Já disse à presidente Dilma que estarei com ela em 2014", afirma, minimizando a possibilidade de o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, se lançar ao Planalto. Para ele, questões locais levaram às disputas entre os dois aliados – inclusive em Fortaleza, onde lançou candidato contra o indicado da prefeita Luizianne Lins (PT).

Em seu segundo mandato, Cid diz que o Centro de Convenções do Ceará é a maior obra de sua gestão e ironiza a polêmica sobre o concerto de Plácido Domingo na inauguração, com cachê de R$ 3 milhões: "Olhar essa miudeza é uma mesquinharia".

A seguir trechos da entrevista concedida à Folha, na quarta-feira, por telefone:

Folha - Seu governo acaba de inaugurar um centro de convenções enorme. Há demanda para isso no Ceará?
Cid Gomes - Fortaleza tem uma vocação turística muito forte, e o Ceará tem 10% de seu PIB ligado ao turismo.Temos uma taxa de ocupação da rede hoteleira elevada na alta estação, mas há uma demanda desse setor por uma participação maior no turismo de negócios. Nosso centro de convenções era o quarto do Nordeste, o que nos tirava capacidade de concorrer por grandes eventos.

Qual foi o custo?
Trata-se de um investimento de R$ 600 milhões, a maior obra já concluída do meu governo. Vai representar um incremento de 1% no PIB do Ceará e de 11% no PIB do turismo, que por sua vez responde por 10% de toda a geração de riqueza estadual. É um equipamento multiuso, que permite até oito eventos simultâneos e tem capacidade total para 20 mil pessoas. É o maior do Brasil e tem 150 eventos já agendados.

Não é exagero gastar R$ 3 milhões por um show de Plácido Domingo na inauguração?
Fizemos um evento para mostrar o centro aberto ao público, com skate, forró, axé, humor. O concerto de Plácido Domingo foi promocional, voltado para empresários, potenciais clientes. Olhar essa miudeza é uma mesquinharia. Esse equipamento coloca o Ceará no circuito nacional de eventos.

O sr. lançou candidato contra o nome da prefeita Luizianne Lins em Fortaleza. Por quê?
Temos uma aliança importante, que quero preservar. Fiz tudo que estava ao meu alcance para apoiar um nome do PT. Mas a prefeita tem uma avaliação muito ruim e, a despeito disso, impôs um candidato. Lançar um candidato sem viabilidade, para perder? Vou apoiar isso em nome de quê? Procurei Dilma, Lula, Rui Falcão. Ninguém fez nada, então me senti liberado.

Esse quadro se repete em várias capitais. O PSB ensaia rompimento com o PT?
Alguns tentam propalar a tese de que o PSB está se contrapondo ao PT, mas a verdade é que cada capital tem sua realidade própria. Tentar nacionalizar a disputa municipal é irracional, ilógico. Já disse à presidente Dilma que vou apoiá-la em 2014.

Manuela foca gestão e deixa ideologia de lado
A candidata do PC do B, Manuela D'Ávila, 31, se afastou dos embates ideológicos que marcaram eleições em Porto Alegre e investe em motes como "gestão", "inovação" e "tecnologia". A deputada federal licenciada empatou tecnicamente na liderança com o prefeito José Fortunati (PDT), segundo o Datafolha. Reduziu pela metade os oito pontos de dianteira que o rival tinha.

O vermelho, a foice e o martelo do PC do B não aparecem na campanha de Manuela. Suas críticas ao prefeito abordam a suposta ineficiência da administração burocrática. Num dos debates com Fortunati, citou seis vezes o lema de "menos papel e mais tecnologia" no governo.

Aliada a siglas como PSD e PSC, virou alvo de partidos esquerdistas na cidade. Antes da campanha, a candidata afirmou que "pouquíssimas questões do município" se decidem no terreno da ideologia e que essa discussão deveria ocorrer mais na macroeconomia.

A juventude e a proximidade com movimentos estudantis ajudam a conquistar o eleitorado com menos de 35 anos. Mas perde por larga margem para Fortunati entre idosos e mais escolarizados. Manuela disse à Folha que seu programa não tem proximidade com o modelo de "choque de gestão", celebrizado pelo PSDB: "Gestão não é uma palavra patenteada, é um mecanismo de governo."

Os combatentes de Dilma
"Eu vou dar uma de Arno Agustin [secretário do Tesouro] e mudar de posição para concordar com a presidente", brincou o economista Bernardo Figueiredo, um dos principais nomes do Executivo, escolhido para ser o presidente da poderosa Empresa de Planejamento e Logística. A provocação levou aos risos o grupo que hoje opina sobre a infraestrutura do governo Dilma Rousseff.

Trata-se do time de "espancadores" da Esplanada, aquele que há mais de três meses vem montando um novo modelo de concessões nas áreas de portos, aeroportos, energia, rodovia e ferrovia. O nome do grupo faz alusão ao hábito da presidente de somente tirar um projeto do forno se este sobreviver a uma "sova" sistemática de críticas.

O desafio não é pequeno: a transferência de obras e serviços à iniciativa privada é vista como essencial para dinamizar a economia e dar conta dos investimentos. Além de definir o destino de diversos setores cruciais, as reuniões ilustram como as decisões são tomadas.

Quando a presidente está fora, as discussões são mais longas e menos objetivas. Quando ela está presente, os encontros são mais focados, e também mais tensos. Não raro, uma proposta execrada durante semanas volta à lista de medidas prováveis. Os debates presidenciais têm duas fases: a do "corredor polonês", ou hora da bronca, e a "sessão tricô", quando Dilma costuma notar o sapato novo de um, a gravata repetida do outro ou contar uma piada para relaxar.

Pretensões acadêmicas – trecho de perfil de Fernando Haddad
"As perguntas que Giannotti faz são muito boas. Pena que eu não possa dizer o mesmo de suas respostas." O autor da frase é o paulistano Fernando Haddad, hoje com 49 anos e candidato do PT à Prefeitura de São Paulo. O ano, 1996. Giannotti é José Arthur Giannotti, um dos filósofos mais respeitados do país e, naquela época, o intelectual mais poderoso do Brasil – era um dos conselheiros prediletos do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Haddad estava apenas terminando seu doutorado em filosofia na USP e participava de um seminário sobre marxismo. Ao seu lado estavam Leda Paulani e Ricardo Musse, que haviam falado sobre Ruy Fausto e Paulo Arantes, dois outros expoentes da academia brasileira. Enquanto seus colegas elogiaram os dois intelectuais, Haddad foi crítico a Giannotti. Ao fim da apresentação, foi repreendido por professores. "Aquilo incomodou algumas pessoas na faculdade, porque era um aluno falando de um homem poderoso", lembra Musse, hoje professor de sociologia da USP.

Graduado em direito e mestre em economia, Haddad era um "forasteiro" na filosofia – e muitas vezes era tratado como tal. Paulani, professora de economia da USP, também se recorda das reações: "Foi como se perguntassem 'quem é você para falar assim?' e dissessem 'que atitude arrogante'. Mas ele não fugia das discussões. Encarava, mesmo".

Disputa por centro acadêmico foi estreia na política
Antes de lançar-se candidato a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) encabeçou apenas uma campanha eleitoral: a disputa pelo Centro Acadêmico 11 de Agosto, da Faculdade de Direito da USP. Diferentemente de hoje, quando Haddad se apresenta como candidato da mudança, naquela época o petista era o nome da situação. Tesoureiro do centro acadêmico em 1984, durante a gestão de Eugênio Bucci, Haddad, indicado pelo presidente, disputou a sucessão no ano seguinte e elegeu-se.

O grupo de Haddad e Bucci era de esquerda, mas apresentava-se como alternativa aos modelos soviéticos. A chapa era chamada "The Pravda", que misturava o nome do principal jornal da antiga União Soviética com a tipografia do norte-americano "The New York Times".

CORREIO BRAZILIENSE

Mansões no Lago Sul são usadas por empresas para lobby com políticos
Os jardins da entrada, as piscinas da parte interna e a ausência de placas na fachada disfarçam o perfil comercial de dezenas de casas usadas para funcionar como entreposto político de empresas de grande porte no Lago Sul. O bairro mais luxuoso de Brasília foi escolhido pelas firmas com maior peso no Produto Interno Bruto (PIB) para abrigar verdadeiros quartéis generais destinados a desempenhar uma das missões mais estratégicas para as empresas: o lobby com o governo.

No quadro hierárquico das empresas, as casas de representação são chamadas de departamentos de assuntos governamentais. Na prática, as residências do Lago Sul funcionam como um oásis de conforto e discrição para que representantes de empresas e autoridades do Executivo e Legislativo discutam assuntos de interesse comum.

Dilma manda o ministro da Justiça resolver impasse na Polícia Federal
Após o envio do projeto de lei que fixa o Orçamento-Geral da União de 2013 com adesão de quase todos os servidores públicos federais ao reajuste de 15,8% proposto pelo governo em três anos, a decisão de agentes, escrivães e papiloscopistas da Polícia Federal de manter a greve criou um impasse dentro do governo, pois se esgotou o prazo para a assinatura dos acordos salariais. A presidente Dilma Rousseff quer que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, resolva de vez o imbróglio, pois há um mês foi informada de que a situação estava sob controle, o que os fatos desmentiram.

Os dirigentes sindicais da categoria pretendem recorrer ao relator do projeto de lei do Orçamento de 2013, senador Romero Jucá (PMDB-RR), para que ele convença o governo a conceder aumento maior que os 15,8% oferecidos. Pressionado pela presidente, Cardozo não gostou da ameaça feita pelos policiais de parar as investigações em curso e disse que aplicará a lei. “Seremos rigorosos no controle do ponto”, garantiu o ministro na última sexta. Embora tenha sido incluído na proposta do Orçamento, os servidores do Judiciário também não aceitaram o reajuste linear de 15,8% em três anos. A presidente Dilma encarregou a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, de conversar com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Brito, para tentar convencer a categoria a aceitar a oferta.

Consumo alavanca o PIB e governo pressiona bancos a liberarem mais crédito
O minguado crescimento da economia brasileira — há oito trimestres consecutivos, o Produto Interno Bruto (PIB) se expande abaixo de 1% — poderia ter sido ainda pior, não fosse a resistência da renda dos trabalhadores, que mantém o varejo distante da crise que atormenta a presidente Dilma Rousseff. Em média, nos últimos cinco anos, o rendimento das famílias aumentou 5% acima da inflação e, pelas contas da Tendências Consultoria, deve continuar avançando 4% anualmente entre 2013 e 2018.

Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a força da renda está compensando a relutância dos bancos em ampliar a oferta de crédito. No seu entender, foram as duas pontas agindo na mesma direção que garantiram o incremento do consumo das famílias por 35 trimestres consecutivos, conforme constatou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por isso, a necessidade de as instituições financeiras voltarem a liberar empréstimos e financiamentos. “Os bancos precisam deixar um pouco do conservadorismo de lado”, diz.

Ministério elabora projeto para coibir a violência policial nas ruas
Mal pronunciou a frase, os olhares desconfiados se voltaram para ele. “Era como se dissessem: ‘todo pai fala isso’”, lembra Daniel Eustáquio de Oliveira. Mas o eletricista de 50 anos estava disposto a provar que o filho, César, não era bandido. Ao longo de 28 dias, mesmo em luto pela morte do garoto de 20 anos, o homem coletou provas e arriscou-se atrás de testemunhas até conseguir mostrar aos investigadores as inconsistências da versão apresentada pelos policiais militares. Pela história oficial, César e um amigo de infância, Ricardo, morreram ao trocar tiros com os agentes, em uma perseguição em São Paulo, em julho. As informações levantadas por Daniel apontaram, entretanto, que os dois foram covardemente assassinados. Seis PMs estão presos desde o início deste mês.

Não fosse a obstinação de um pai, César e Ricardo teriam engrossado uma grave estatística no país: a dos mortos em confronto com a polícia. Foram 756 no Brasil em 2010 — aumento de 935% em uma década, segundo os registros do Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde (veja arte). Também notificadas como autos de resistência, essas mortes não passam por qualquer investigação, sob a premissa de que o policial agiu em legítima defesa. César, Ricardo e tantos outros mostram, porém, que o expediente serve para disfarçar execuções sumárias cometidas por fardados. Para coibir a violência policial, o Ministério da Justiça (MJ) elaborou uma minuta de projeto de lei sobre o assunto para encaminhar ao Congresso Nacional.

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