Jornais: submarino nuclear brasileiro sairá do papel em 2016

Empreitada custa cerca de R$ 21 bilhões, um dos três maiores empreendimentos públicos do país, mostra O Estado de S. Paulo

O ESTADO DE S. PAULO

Submarino nuclear brasileiro sairá do papel em 2016
O sol em Cherbourg, litoral da Normandia, na França, anda escasso. Dias nublados, de chuva e vento frio soprando de sudoeste, enganam quem espera o calor do verão. Ainda assim, na sexta-feira, 6, com o termômetro batendo nos 13 graus, houve festa nos estaleiros da DCNS, a Direction des Constructions Navales et Services.

O parceiro francês no programa de construção de quatro avançados submarinos diesel-elétricos e de um outro movido a energia atômica, para a Marinha, festejou com o grupo brasileiro de especialistas em treinamento - cerca de 50 deles - a oficialização da data do início do ProSub - o Projeto do Submarino com Propulsão Nuclear Brasileiro. A cerimônia que marca a contagem do tempo foi realizada no Centro Tecnológico da Marinha, em São Paulo, no campus da USP.

O contrato, incluindo obras civis, vale US$ 6,7 bilhões, cerca de R$ 21 bilhões, um dos três maiores empreendimentos públicos do País. O grupo brasileiro majoritário no empreendimento é a Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT). A contar do dia 6 de julho, a agência de desenvolvimento dos projetos vinculados ao ProSub terá três anos, talvez pouco menos, para produzir a concepção básica do submarino. Segundo o coordenador, almirante José Alberto Accioly Fragelli, "terá início, então, a parte dos planos detalhados, junto com a construção do navio em 2016, no estaleiro que está sendo estruturado em Itaguaí, no Rio".

Complexo de Itaguaí poderá receber até 16 navios ao mesmo tempo
O conjunto formado pelo estaleiro e a base de Itaguaí terá capacidade para atracar 16 navios ao mesmo tempo, sendo 6 submarinos nucleares, 4 convencionais, 1 socorro especializado, 3 rebocadores portuários, 1 lancha oceânica de apoio a mergulhadores e 1 de recolhimento de torpedos. A área industrial poderá conduzir a construção simultânea de dois submarinos de quaisquer tipos, e a troca da carga nuclear ou dos reatores completos.

Promotoria quer fim de bolsa-paletó de vereador em SP
Após derrubar antiga regalia - o auxílio-paletó - concedida pela Assembleia Legislativa de São Paulo a seus 94 deputados, o Ministério Público agora está de olho nas Câmaras municipais em todo o Estado. A promotoria quer identificar Legislativos que pagam o benefício e agir para excluí-lo do contracheque dos vereadores.

A estratégia é fazer inicialmente um levantamento junto às presidências das câmaras dos 644 municípios paulistas e verificar quem está pagando a verba inconstitucional, formalmente chamada ajuda de custo. O procedimento seguinte será a expedição de uma recomendação para interrupção do desembolso. Em caso de resistência, o caminho poderá ser a Justiça.

Na quinta-feira, 5, o Ministério Público deu o primeiro passo na ofensiva antipaletó. A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital - braço do Ministério Público que investiga corrupção e improbidade -, encaminhou ofício 4.231/2012 ao setor da instituição que coordena as promotorias com atuação na área cível e da tutela coletiva.

Auxílio-paletó vira 14º e 15º salários
O auxílio-paletó é pago, geralmente, em parcelas. Cai na conta dos parlamentares duas vezes ao ano, no início e no encerramento de cada sessão legislativa, independentemente da prática de qualquer ato ou despesa do parlamentar que a justifique. O valor da parcela corresponde ao subsídio mensal do político. Na prática, o paletó representa uma espécie de 14.º e 15.º salários.

A recomendação do Ministério Público tem amparo no artigo 130-A da Constituição e no artigo 6.º da Lei Complementar 75/93 (Lei Orgânica do MP). O agente público que a ignora pode ser acionado judicialmente por improbidade se seu gesto implicar prejuízo ao Tesouro.

PT tenta justificar aliança com Maluf para militantes
A aliança com o PP do deputado federal Paulo Maluf voltou a ser um dos principais temas abordados no início da tarde deste sábado, no segundo dia oficial de campanha do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. Em plenária realizada no bairro do Itaim Paulista, extremo leste da Capital, o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP) abriu os discursos justificando a polêmica aliança do PT com o partido de Maluf, sob o argumento de que ela foi feita para que Haddad, ainda pouco conhecido da população, tivesse mais tempo na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV.

Apesar de justificar o acordo para cerca de cem militantes petistas presentes ao evento no bairro do Itaim Paulista, Jilmar Tatto evitou citar o nome de Paulo Maluf. Em seu pronunciamento, o parlamentar argumentou que o acordo com o PP não vai interferir no conteúdo programático da campanha de Fernando Haddad: "O tom de nosso projeto de governo será tocado pelo PT e pelo candidato Fernando Haddad". Tatto disse, ainda, que depois de perder o apoio do PR (que fechou aliança com o tucano José Serra, adversário de Haddad neste pleito), o PT teve de buscar outras alternativas, como o PP, legenda que vinha sendo disputada pelos adversários, sobretudo o PSDB.

Depois das justificativas feitas pelo deputado federal, Haddad falou aos militantes, mas com um outro foco: centrando seu discurso nos ataques ao adversário José Serra e ao prefeito Gilberto Kassab (PSD). O candidato petista acusou Kassab de cuidar apenas de seu recém-criado partido e trabalhar somente meio período pela cidade. E voltou a lembrar que José Serra deixou a administração municipal com menos de dois anos de mandato para disputar o governo do Estado.

FOLHA DE S.PAULO

'Pessimismo empresarial trava retomada' – trecho de entrevista com o presidente do BNDES
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, comemora o fato de não estar mais "solitário" na defesa de uma taxa cambial competitiva e insinua que o real poderia estar ainda mais desvalorizado. Conselheiro da presidente Dilma Rousseff, Coutinho afirma que o empresariado é ciclotímico e está numa posição "muito mais pessimista" do que o momento justifica.

Segundo ele, esse é um fator para a demora na recuperação do crescimento que, afirma, começa a dar sinais. O presidente do BNDES, no entanto, evita fazer previsões sobre o desempenho do PIB brasileiro deste ano.

Folha - No momento em que o BNDES faz 60 anos, a indústria passa por um mau momento, a economia não dá sinais de recuperação. Qual o papel do banco?
Luciano Coutinho - Não sei se é um momento delicado, acho que é rico em desafios positivos. Caminhamos para um patamar de juros condizente com nossa condição macroeconômica. O Brasil é um dos poucos países com um deficit nominal muito baixinho, de 1%. Todos os países desenvolvidos estão com deficit de 6%, 7%, 8% do PIB. Os europeus vão suar sangue para chegar a 5%, 6%. Temos caminho para desenvolver o sistema financeiro privado e o mercado de capitais e uma fronteira de investimentos de alta rentabilidade, que serão propulsores do crescimento. Essa combinação nos permitirá crescer a taxas mais altas. Tanto mais altas quanto mais capazes sejamos de enfrentar dois grandes desafios: a competitividade industrial e a estrutura tributária.

Mas a confiança do empresário segue muito baixa.
O empresariado é muito ciclotímico. O mercado é ciclotímico em geral. Vai para a euforia e, quando as coisas são mais difíceis, cai numa posição muitas vezes mais pessimista.

PT é sigla com mais candidatos próprios
Há quase dez anos no comando do governo federal, o PT é o partido que mais terá candidatos a prefeito nas 85 principais cidades do país (capitais e municípios com mais de 200 mil eleitores). Os petistas lançaram nomes para disputar as prefeituras em 62 dessas 85 cidades. Na sequência estão PSDB (43 candidatos), PMDB (36), PDT (32) e PSB (30). O levantamento, feito pela Folha ao longo da semana que passou, computa os candidatos próprios e as alianças firmadas entre os 14 maiores partidos do país.

A liderança petista também aparece na capacidade de atrair apoios, o que cria amplas coligações que permitem mais tempo de propaganda na TV e no rádio. O PT é o aliado prioritário de 8 dos 14 principais partidos. Só não é o "preferido" do PDT, do PSD e dos oposicionistas PSDB, DEM e PPS.

A aliança mais repetida nessas 85 cidades será entre o PT e seu aliado histórico PC do B, juntos em 22 disputas. Trata-se, porém, de uma parceria desigual. Enquanto os comunistas entregam seu apoio a 19 candidatos do PT, os petistas apoiam comunistas em apenas três cidades.

Em crise com o PSB, PT volta a estreitar aliança com o PMDB
A crise entre o PSB e o PT está reaproximando o partido de Dilma Rousseff de seu principal parceiro na coalizão governista, o PMDB. Não para menos, a presidente sinalizou nesta semana que a presidência da Câmara em 2013 pode ficar nas mãos de um peemedebista.

Um acordo feito pelos dois partidos quando o deputado Marco Maia (PT-RS) assumiu a presidência da Câmara em 2011 prevê que os petistas apoiem um nome do PMDB para o cargo no próximo ano. O Planalto jamais mostrou simpatia por esse acordo e nunca se comprometeu de fato com ele, mas na terça-feira, durante jantar com Marco Maia, Dilma fez um gesto nesse sentido, de acordo com relatos de seus interlocutores.

A presidência da Câmara é cobiçada pelo deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Na segunda-feira, enquanto negociava com seu vice Michel Temer (PMDB) uma candidatura alternativa à do PSB à Prefeitura de Belo Horizonte, a presidente teria dito, conforme relatos, que a parceria entre PT e PMDB era preferencial e que as duas siglas deveriam estar juntas não só na capital mineira, mas também na Câmara.

'O PT cria mais problema para Dilma do que o PSB' – trecho de entrevista com o governador de Pernambuco
Visto por setores do PT como virtual candidato à Presidência em 2014, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, afirma que o partido da presidente Dilma Rousseff a atrapalha mais do que o PSB. Campos diz, contudo, que apoiará a eventual campanha de reeleição de Dilma, insinuando que seu projeto de poder é para 2018. Nas últimas semanas, PSB e PT romperam em Recife, Fortaleza e Belo Horizonte.

Folha - Que crise é essa do PSB com o PT?
Eduardo Campos - Não damos dificuldades para o governo Dilma. Significa que nosso partido vai ser satélite do PT? Não é da nossa história, nem da nossa política.

É essa a raiz da discórdia, não querer ser satélite do PT?
O que tem Fortaleza a ver com Belo Horizonte? São Paulo a ver com Recife? O PSB agora virar inimigo oculto do PT chega a ser ridículo. Ser colocado como inimigo número um e a gente ver históricos adversários virarem amigos de sempre. Está errado.

O senhor está falando de Paulo Maluf [que se aliou ao PT em São Paulo]?
Estou falando de muitos outros, não só do Maluf. Você vê em Curitiba: Gustavo Fruet [ex-tucano e ex-deputado de oposição] virar o melhor amigo do PT, e o PSB virar o inimigo? Nós não vamos fazer o jogo de alguns, que querem afastar de Dilma aqueles que têm mais identidade com o governo dela.

O sr. está falando do ex-ministro José Dirceu?
De todos. Se estiver nisso, falo dele também. A história que nos trouxe até aqui não deve colocar dúvida na cabeça do presidente Lula, nem na minha, nem na da presidente Dilma sobre a qualidade da relação que temos.

Mas chegou perto, né? Ele chegou a ter essa dúvida...
Vamos ter que ter paciência para esperar a história daqui pra frente. Quem viver 2014, verá. Porque eu já vi muita gente ser subserviente, agradável, solidária em meio de mandato e, quando bate a primeira crise, muda imediatamente de lado. Como nunca mudamos de lado, eu sei onde vou estar em 2014.

Onde?
Do lado que sempre estive. Acho que o PSB deve em 2014 apoiar Dilma para se reeleger presidente.

O sr. não será candidato...
E quem disse que eu seria?

Seus correligionários...
Toda vez que fui candidato, eu disse que era candidato. Ser candidato contra Dilma só porque eu quero ser? Ela está na Presidência e tem a prerrogativa da reeleição. Para a reeleição de Dilma, o problema não somos nós.

Qual é o problema?
O próprio partido dela [o PT] cria mais problema para ela do que o PSB. No sentido que vocês noticiam e no sentido de tentar tirar de perto dela quem pode ajudá-la.

Cachoeira passa mal após prisão de ex-cunhado
O empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso desde o dia 29 de fevereiro acusado de comandar um esquema de jogos ilegais, ficou abalado com a prisão de seu ex-cunhado, anteontem. Segundo a defesa, Cachoeira passou mal ao saber que Adriano Aprígio fora detido sob a suspeita de ter ameaçado, em e-mail, a procuradora da República Léa Batista de Souza, que investigou Cachoeira durante a Operação Monte Carlo. A Folha apurou que Cachoeira teve uma crise de tontura e vomitou ao ser informado da prisão, por telefone, por sua mulher, Andressa Mendonça.

A ameaça a investigadores por parte do grupo de Cachoeira é um dos motivos que têm levado a Justiça a negar liberdade provisória ao empresário. Já foram feitas ao menos quatro tentativas judiciais de soltura.

Subversivos VIP – Como a ditadura monitorava Chico, Caetano e outras estrelas da cultura
Callado e a mulher, Ana Arruda, foram os primeiros a serem detidos. Desembarcavam no aeroporto do Galeão, no Rio, no voo 861 da Varig, procedente de Nova York. O oficial de migração, ao identificá-los, comentou: "Eles chegaram. Agora só faltam os dois". Horas depois, os dois apareceram: Chico Buarque de Hollanda e Marieta Severo vinham escoltados por policiais dentro de uma Kombi cinza. Coincidentemente, o compositor e a atriz, vindos de Lisboa num voo da TAP, chegaram ao Rio pouco depois de Callado e a mulher.

Os casais se encontraram no subsolo do terminal. Estavam presos, "para averiguações", sob suspeita de subversão. "Marieta, sempre despreocupada, olhou para a minha cara e disse: 'Logo você, que nem viajou para Cuba!'", recorda Ana. Marieta conta que a detenção era previsível. "Sabíamos que isso ia acontecer, já esperávamos pela polícia." O depoimento à Polícia Federal, ainda no aeroporto, durou mais de três horas. Chico e Callado tinham estado na ilha de Fidel Castro no mês anterior, em janeiro de 1978. As bagagens de ambos foram meticulosamente revistadas.

Chico trazia discos italianos e portugueses, livros e uma correia de violão com a inscrição "Cuba". "Confiscaram praticamente toda a nossa bagagem", confirmou o compositor à Folha, por email, de Paris, onde passa férias. Em busca de coisas escondidas, os policiais quebraram o braço da boneca da pequena Kadi, de 4 anos, que Ana e Callado conduziam de volta para o pai, o percussionista baiano Tutti Moreno.

Após responderem a um questionário com mais de 70 itens, geralmente aplicado aos exilados (que já começavam a voltar com os primeiros ventos da abertura política), Chico e Callado foram liberados. Não sem mais uma convocação. "Fomos intimados para novo depoimento na semana seguinte, o Callado e eu, separadamente", recorda o compositor.

Agora cozinheiro, ex-dirigente do PT diz torcer por amigos
Em janeiro de 2008, o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira anunciou que se dedicaria a "pilotar fogão" no restaurante da família em Osasco (SP), logo após fazer um acordo com a Justiça para ser excluído do processo do mensalão. Hoje, depois de prestar 750 horas de serviços comunitários e se livrar da acusação de formação de quadrilha no caso, ele migrou da política para a culinária. Mas mostra estar conectado ao julgamento que ocorrerá em agosto.

Pereira admite erros da direção do PT no episódio, mas os qualifica como "políticos". A palavra encaixa-se na tese do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que alega que o dinheiro do esquema era para pagar dívidas de campanha e não para comprar apoio de congressistas. "Erros políticos nós cometemos, sim. Delúbio é réu e assumiu isso. O erro que competia a mim eu já assumi. Estou quite com a Justiça."

O GLOBO

Proposta barra poder do Ministério Público de investigar
A Câmara dos Deputados está prestes a analisar uma proposta de emenda constitucional que acaba com a possibilidade de o Ministério Público fazer investigações. A medida, defendida pelas associações de policiais, deixou procuradores e promotores alarmados país afora. O temor deles não é apenas em relação à impossibilidade de continuarem fazendo investigações. O pior, dizem, seria a brecha aberta para que as investigações já realizadas sejam consideradas inválidas pela Justiça.

Um levantamento feito pelo Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG) em 15 estados mostra que o MP teve papel decisivo em muitas das operações contra políticos e agentes públicos nos últimos anos. A lista do CNPG inclui as operações Caixa de Pandora, Aquarela e Monte Carlo. A primeira levou à renúncia do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e de seu vice, Paulo Octavio. A segunda fez com que o ex-governador Joaquim Roriz também renunciasse, mas a seu mandato de senador. A última foi a que levou Carlinhos Cachoeira à prisão e está prestes a levar o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) à cassação. O levantamento identificou 40 grandes operações em 14 estados com participação direta do MP.

Segundo o procurador-geral do Rio de Janeiro, Cláudio Lopes, que preside o CNPG, a atuação do Ministério Público ocorre justamente quando a polícia se omite. — Os casos em que o MP em regra procede ou são casos que envolvem policiais, ou são crimes que não são praticados por policiais, mas que a polícia não está investigando por algum motivo. Pode ser homicídio, tráfico de drogas, quadrilha de roubo de carga, mas sempre casos em que a polícia não faz a investigação por estar sem condições, por interesse, por omissão ou por conivência — justifica.

A proposta de mudança na lei atual foi feita pelo deputado federal Lourival Mendes (PTdoB-MA), que é delegado da Polícia Civil. A tendência é que ela esteja pronta para ser votada no plenário da Câmara a partir de agosto e, se aprovada, seguiria para a apreciação do Senado. Antes que ela termine de tramitar no Congresso, a tendência é que o Supremo Tribunal Federal se posicione sobre o tema.

Crise paraguaia põe em xeque ação do Itamaraty
A reação do governo brasileiro à deposição do presidente paraguaio Fernando Lugo pôs em evidência um debate que ganhou corpo nos últimos anos: a linha de atuação da diplomacia tupiniquim. O mal-estar ficou claro quando Luis Almagro, chanceler do Uruguai, um dos parceiros do Brasil no Mercosul, reclamou da pressão brasileira para que a Venezuela fosse aceita no bloco, aproveitando-se da suspensão do Paraguai, cujo Congresso se recusava a aprovar o ingresso do novo membro.

A polêmica também agita os meios acadêmicos, políticos e diplomatas ouvidos pelo GLOBO. Para alguns, a política externa brasileira tem um forte componente ideológico que compromete a defesa dos interesses nacionais. Para outros, ocorre o inverso: a diplomacia brasileira tem acertado mais que errado, fortalecendo e dando destaque internacional ao país.

O ex-embaixador brasileiro nos Estados Unidos Rubens Antonio Barbosa (1999-2004) diz que a política externa brasileira, tradicionalmente apartidária, passou a sofrer forte influência do PT ao longo da última década: — O Itamaraty nunca foi partidário. Depois, nestes últimos anos, muita gente oportunisticamente se aliou ao PT. Mas depois, quando mudar o governo, vai mudar também. Esse pessoal não tem importância. O importante é que a chefia do ministério concorda com certas coisas que eles sabem que não são de acordo com o interesse nacional.

Muito ‘Brasil’ e pouco ‘PT’ nas palavras de Dilma
Discreta, durona e empenhada em preservar a própria intimidade e a de sua família. Essa é a imagem que a presidente Dilma Rousseff cultiva dentro e fora do governo. Mas uma leitura atenta dos 266 discursos, pronunciamentos e manifestações públicas que ela fez em seu primeiro ano e meio de mandato revela um pouco mais dos desejos, das preferências e das expectativas de Dilma. E, uma vez mais, expõe diferenças importantes em relação a seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O GLOBO analisou as falas públicas de Dilma classificadas como discursos na página oficial da Presidência da República na internet, no período que vai da posse, em 1 de janeiro de 2011, até 29 de junho de 2012. Ficou de fora apenas o juramento feito pela presidente perante o Congresso, no dia da posse, por se tratar de mera repetição de texto protocolar.

As diferenças entre Dilma e Lula não são apenas de modo, mas também de conteúdo. Enquanto Lula dificilmente fazia um discurso sem citar o PT, Dilma só abriu a boca três vezes para falar no partido, duas delas ao saudar correligionários.

Zuzu Angel era monitorada no Brasil e no exterior
Documentos inéditos dos órgãos de informação detalham como a estilista Zuzu Angel, mãe do ex-militante do MR-8 Stuart Angel Jones, morto em 1971 após ter sido preso nas dependências da Aeronáutica, no Rio, era perseguida e monitorada no Brasil e até no exterior por arapongas do regime militar. Zuzu morreu em março de 1976, num acidente automobilístico. Em 1998, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, então vinculada ao Ministério da Justiça, reconheceu a responsabilidade do Estado na morte da estilista. Os novos documentos serão encaminhados pelo Arquivo Nacional à Comissão da Verdade.

Um informe do Estado Maior do Exército, de fevereiro de 1972, foi categórico: “Seria conveniente que sua saída do Brasil fosse comunicada a fim de que elementos amigos pudessem acompanhar mais de perto seus passos” — registrou o documento militar, repassado a todas as unidades de inteligência, e que foram abertos agora no Arquivo Nacional. Zuzu era estilista e viajava com frequência a Nova York para expor seus modelos. A luta de Zuzu para descobrir o paradeiro de Stuart é conhecida. Já foi retratada em filme e na música popular. Mas é a primeira vez que surgem registros oficiais sobre sua rotina naquele período.

— Não tinha conhecimento desses documentos oficiais. Extraoficialmente, evidentemente, tínhamos conhecimento. Vivemos isso como uma realidade. Mamãe sabia que era seguida, vigiada. O surgimento dos documentos é um detalhe, porque para nós era real. É uma complementação dos fatos — disse a jornalista Hildegard Angel, filha de Zuzu e irmã de Stuart, que recebeu esses documentos enviados pelo GLOBO.

Candidatos buscam votos nas mídias sociais
Os candidatos à prefeitura do Rio sabem que a campanha nas redes sociais é importante para um bom resultado nas urnas. Se no pleito anterior as ferramentas ajudaram a catapultar candidaturas, como a de Marina Silva (PV), este ano a expectativa é ainda maior. Muitos cariocas começam a transformar o Facebook em uma arena de debate político, com discussões e debates sobre o futuro da cidade.A candidatura do prefeito Eduardo Paes (PMDB) à reeleição, que pretende gastar até R$ 25 milhões, não quis dar detalhes da estrutura que está montando para esta área. Entretanto, representantes de outras campanhas, que possuem menos recursos, falaram sobre o tema.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), candidato com maior penetração nas redes sociais até agora, conta com a ajuda do produtor e empresário do Teatro Mágico, Gustavo Anitelli, de 29 anos. Ele tem a experiência de ter montado a estratégia de sucesso do grupo musical na web, e se prontificou a contribuir nestas eleições.

A candidatura de Rodrigo Maia (DEM) conta com o movimento #rioestamosdeolho, ação de fiscalização dos problemas da cidade por meio das redes sociais. O coordenador da campanha de Aspásia, Paulo Senra, tem por enquanto apenas três pessoas na equipe para cuidar das redes sociais, mas pretende usar a força dos militantes do PV na rede e o aprendizado adquirido na campanha de Fernando Gabeira em 2008 para surpreender. Já a candidatura de Otávio Leite (PSDB) terá uma equipe de até 15 pessoas trabalhando nas redes sociais.

CORREIO BRAZILIENSE

1,5 mil funcionários da Câmara e do Senado terão as remunerações divulgadas
Muitos servidores se desesperam, a sociedade civil comemora e a Câmara e o Senado adotam a estratégia do “divulga você primeiro” antes de inserirem o Legislativo federal na era da transparência da folha de pagamento. As duas Casa devem divulgar, nos próximos dias, os contracheques de 21 mil funcionários efetivos e comissionados. A partir daí, os cidadãos poderão conhecer os 1.576 servidores identificados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) que recebem acima do teto constitucional de R$ 26,7 mil.

Leia tudo sobre os supersalários e sobre a Lei de Acesso à Informação aqui no Congresso em Foco

Os supersalários do Congresso também estão na mira do Ministério Público Federal (MPF), que engrossa com pareceres os seis volumes de processo em curso na 9ª Vara do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A Justiça analisa como as Casas gastam verba pública do Orçamento na composição dos salários, concedendo pelo menos 45 diferentes tipos de gratificações, muitas delas não sujeitas ao abate-teto, drible que possibilita o estouro do limite constitucional.

Especialistas chamam atenção para cuidados com o dinheiro nas férias
Se já é difícil equilibrar o orçamento mês a mês, imagine nas férias, quando as crianças têm tempo livre e, muitas vezes, sonham com passeios e viagens. Mesmo que você não possa satisfazer os desejos da família, saiba que virão pressões de todos os lados e que, por isso, é sempre bom deixar uma graninha reservada. Certamente, a ida a shoppings, lanchonetes e cinemas deve aumentar.

“Nas férias, qualquer descuido faz com que os gastos sejam maiores do que a capacidade de pagamento da família”, alerta Fábio Moraes, diretor de Educação Financeira da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Segundo ele, nesse período em que muitos membros da família têm mais tempo livre, é importante prestar atenção no orçamento para evitar que a empolgação fale mais alto na hora do consumo.

Fernando Haddad pede alternância do poder em campanha por São Paulo
Dada a largada oficial, os candidatos a prefeito em São Paulo já cumprem agenda extensa na busca por votos para a eleição de outubro. Com o início da campanha, os ataques foram reforçados. Ontem, no segundo dia de campanha, o petista Fernando Haddad esteve no Itaim Paulista, bairro da Zona Leste da capital, onde participou de uma plenária em apoio à reeleição do vereador Zelão. Em seu discurso, voltou a criticar o candidato tucano José Serra e a atual gestão de Gilberto Kassab, lembrando que a alternância no poder é uma regra da democracia — mesmo com o PT há quase 10 anos no comando do Palácio do Planalto.

Na sexta-feira, Serra sugeriu que uma vitória do PT na cidade daria ao partido a hegemonia no cenário político nacional. Em seu discurso ontem para mais de 100 militantes petistas, Haddad afirmou que Serra tentou “assustar a população” ao dizer que o futuro da democracia brasileira está em jogo na eleição paulistana. O candidato também chamou atenção para a parceria Serra e Kassab, citando os baixos índices da atual gestão municipal. “O Serra quer dar continuidade à gestão do Kassab, mas 80% das pessoas já disseram que não querem. O Serra quer brigar com a maioria”, afirmou.

Aumenta a presença estrangeira nas empresas brasileiras
O capitalismo brasileiro começou o semestre menos verde e amarelo. A perda para investidores estrangeiros do comando acionário de empresas símbolos em diversos setores, uma delas até centenária, evidenciou dificuldades da livre-iniciativa em resistir à crise internacional e em obter financiamento barato. Nos últimos meses, em particular o último, orgulhos nacionais jogaram a toalha. De uma hora para outra, as marcas líderes do varejo no país — Pão de Açúcar e Carrefour — reproduzem o mesmo embate que travam pelo mercado francês. Isso porque, após seis décadas sob controle da família do empresário Abílio Diniz, o sócio francês Casino tomou as rédeas do Pão de Açúcar.

Ao lado da expressiva presença estatal na economia, a desnacionalização de companhias privadas revela ainda a impossibilidade de o setor privado nacional capturar plenamente os bônus do cobiçado mercado interno. Nessa mesma toada, a rede de churrascarias Fogo de Chão passou às mãos do fundo norte-americano THL, e a Yoki se incorporou ao grupo alimentício General Mills, também dos Estados Unidos. Não escapou nem a tradicional cachaça cearense Ypióca, fundada em 1846, que agora faz parte do leque da britânica Diageo, dona do uísque Johnnie Walker.

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