Joaquim: Genoino era braço político da quadrilha

Ao retomar a leitura sobre o item 2 da denúncia, a acusação de formação de quadrilha, relator do mensalão divide as funções de cada acusado. Dirceu comandava e Delúbio era o principal operador do núcleo político

O ex-presidente nacional do PT José Genoino era o interlocutor político do grupo comandando por José Dirceu com os dirigentes dos partidos da base aliada. Esta é a opinião do relator do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Ao retomar seu voto sobre o item 2 da denúncia nesta quinta-feira (18), a acusação de formação de quadrilha contra 13 réus, ele procurou dividir as funções dos integrantes do suposto grupo criminoso.

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Ontem (19), Joaquim, ao analisar depoimentos dados em juízo, disse que o ex-ministro da Casa Civil comandava o núcleo político. Hoje, começou a distinguir a posição de cada um dos demais réus dentro da acusação de quadrilha. Para ele, Genoino, além de ter conhecimento dos empréstimos que o STF julgou como fraudulentos, assinou documentos como avalista. "Havia uma divisão de tarefas no grupo. Aliás, é bastante comum em organizações criminosas", afirmou.

De acordo com o relator, Genoino tinha como missão fazer a interlocução política do grupo com os partidos da base aliada. Ele tinha que discutir com os presidentes das siglas as posições a tomar no Congresso e os principais projetos de interesse do governo. Todas as orientações eram passadas a Genoino por Dirceu. Joaquim afirmou que, mesmo afastado formalmente das decisões partidárias, era de Dirceu a palavra final sobre elas.

Já o ex-tesoureiro nacional do PT Delúbio Soares, para o relator, era o principal elo entre o núcleo político e o publicitário. "Delúbio era o principal braço operacional do núcleo político", afirmou Joaquim. Ele tinha como função negociar os valores dos repasses com o grupo formado por Marcos Valério e seus sócios nas agências SMP&B e DNA Propaganda, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach.

Em determinados momentos de seu voto, Joaquim lembrou das decisões da corte nos outros itens. Disse que os empréstimos feitos no Banco Rural foram fraudulentos, como ficou decidido na análise do capítulo 4. E que parte do dinheiro que abasteceu o "valerioduto" veio de crimes contra a administração pública (peculato) e contra o sistema financeiro.

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