Joaquim Barbosa: ‘Há futuro para a Fifa e para a CBF?’

Ex-presidente do STF foi ao Twitter para comentar o escândalo de corrupção no mundo do futebol. “FIFA: em abstrato alertei em palestras ultimamente para o risco, alcance e eficiência da Justiça dos EUA em matéria de combate à corrupção”, disse

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa fez reflexões em sua conta pessoal no Twitter e perguntou aos seus seguidores se, diante do enredo de corrupção em que se meteram, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ainda têm “futuro”. Usuário frequente de redes sociais, Joaquim postou a mensagem na noite da quarta-feira (27), como mostra nesta sexta-feira (29) reportagem do jornal O Estado de S.Paulo assinada pelos repórteres Julia Affonso e Fausto Macedo.

“Para os brasileiros fanáticos por futebol: resta ainda algum futuro para a FIFA e para a CBF como instituição de comando desse esporte?”, quis saber o ex-presidente do STF. O ex-magistrado, que agora atua na advocacia privada, elogia a eficiência da Justiça norte-americana, bem como a “legislação ousada” dos Estados Unidos – as investigações são encabeçadas pelo FBI, o equivalente à Polícia Federal brasileira –, e faz uma espécie de advertência aos corruptos do futebol.

“FIFA: em abstrato alertei em palestras ultimamente para o risco, alcance e eficiência da Justiça dos EUA em matéria de combate à corrupção”, escreveu Joaquim, demonstrando naturalidade em relação à deflagração das investigações e prisões de dirigentes das duas entidades do futebol. “É o combate internacional à corrupção em marcha…”

 

 

Leia a íntegra da reportagem


CPI a caminho

Na última quarta-feira (27), o FBI prendeu dirigentes ligados à Fifa por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e extorsão – um dos presos é o ex-presidente da CBF José Maria Marin. O esquema de desmandos era operado, em resumo, aproveitando-se a organização de competições e contratos de marketing e televisionamento. Além de Marin, o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e o antecessor de ambos no posto, Ricardo Teixeira, também estão no alvo das investigações, embora ainda não formalmente citados.

Preso na Suíça, onde participaria do congresso da Fifa iniciado ontem (quinta, 28), Marin deixou a presidência da CBF em abril deste ano, e será também afastado de uma das cinco vice-presidências da entidade. Ele é acusado de, na condição de presidente da entidade, negociar propinas, no valor de R$ 346 milhões, pela cessão dos direitos de transmissão da Copa América até 2023.

A CBF também será investigada por contratos de patrocínio fechados com a multinacional norte-americana Nike e intermediados pela Traffic, empresa brasileira de marketing esportivo. As negociatas foram fechadas durante o mandato anterior ao de Marin na presidência da CBF, exercido pelo brasileiro Ricardo Teixeira. Ao contrário de Marin, Teixeira ainda não foi citado judicialmente, mas não está descartado nas investigações.

Diante do escândalo – já apelidado de “A Copa do Mundo da corrupção” –, o senador Romário (PSB-RJ), desafeto de Marin e Del Nero, recolheu em tempo recorde adesões para a instalação da CPI da CBF. O requerimento para instalação do colegiado foi lido ontem (quinta, 28) e, publicado nesta sexta-feira no Diário do Senado, formaliza a criação da CPI.

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