João Santana assina termo para iniciar delação

Documento firmado com o Ministério Público Federal pelo ex-marqueteiro de Dilma e Lula e por sua esposa e sócia, Mônica Moura, marca o início do processo formal da colaboração premiada, mostra O Globo. Casal será ouvido sobre pagamento de campanha por caixa dois no exterior

Roberto Stuckert/Divulgação
O ex-marqueteiro do PT João Santana e sua mulher e sócia, a empresária Mônica Moura, assinaram termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR), informa O Globo. O documento marca o início do processo formal da delação premiada e antecede a assinatura do acordo com a Justiça. Em abril, Mônica tentou sem sucesso um acordo de colaboração individual, mas os procuradores não aceitaram os termos do compromisso assumido por ela.

Preso há cinco meses, o casal estará nesta quinta-feira (21), pela primeira vez, frente a frente com o juiz Sérgio Moro. Responsável pela Lava Jato na Justiça Federal, Moro vai ouvir João Santana e Mônica Moura na ação penal em que respondem por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O marqueteiro, que coordenou as campanhas presidenciais de Lula, em 2006, e de Dilma, em 2010 e 2014, é acusado de ter recebido, juntamente com sua esposa, US$ 4,5 milhões no exterior do lobista e representante do estaleiro Keppel Fels, Zwi Skornicki, também réu no processo. Os procuradores sustentam que o valor é parte da propina reservada ao PT, para financiar a campanha à reeleição de Dilma, em troca da contratação do estaleiro pela Petrobras.

Na tentativa frustrada de fechar a colaboração com o Ministério Público Federal em abril, lembra O Globo, Mônica admitiu ter arrecadado R$ 10 milhões para a campanha de Dilma, pagos a ela e a João Santana fora da contabilidade oficial, ou seja, por meio de caixa dois. Os pagamentos, de acordo com ela, foram intermediados pelos ex-ministros da Fazenda Antonio Palocci e Guido Mantega e pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Os três negam envolvimento com o caso.

A empresária também citou o grupo J&F, controlador das marcas Friboi e JBS, e o empresário Eike Batista como responsáveis por pagamentos em conta no exterior de campanhas políticas realizadas pelo casal. O grupo e o empresário também negam ter realizado os pagamentos. Mônica ainda apontou o nome de outros políticos que, segundo ela, também pagaram por meio de caixa dois no exterior.

Leia a íntegra da reportagem de Thiago Herdy no Globo

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