João Santana afirma que Dilma autorizou caixa dois, diz revista

Marqueteiro está em fase de negociação de acordo de delação premiada e disse aos investigadores que a presidente autorizou as operações de caixa dois em sua campanha, e aponta o ex-ministro Guido Mantega como operador do esquema

O marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas do PT em 2014 e 2010, disse aos investigadores da Operação Lava Jato que pode fornecer informações capazes de “destruir” a presidente Dilma Rousseff. Segundo reportagem da revista Veja, ele e a esposa Mônica Moura negociam um acordo de delação premiada, e, entre as revelações oferecidas aos investigadores, está a de que presidente autorizou as operações de caixa dois em sua campanha – fato que vem sendo veementemente negado por Dilma.

“Eu, que ajudei a eleição dela, não seria a pessoa que iria destruir a presidente”, disse Santana durante as negociações, quando ainda relutava considerar o acordo de delação premiada. Agora o marqueteiro já informou aos procuradores da Lava Jato que quando foi convidado pela presidente para a campanha de 2014 ele quase recusou em função de problemas no recebimento do pagamento da última campanha, em 2010. Dilma, porém, assegurou que a situação não iria se repetir e afirmou que o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, seria o responsável por negociar o caixa paralelo com os doadores.

De acordo com a publicação, o marqueteiro contará em sua delação que os recursos foram utilizados até mesmo para o pagamento de despesas pessoais e assessores de Dilma.

Segundo Santana, o papel de operador do caixa dois nas campanhas do partido foi exercido até 2011 pelo ex-ministro-chefe da Casa Civil Antonio Palocci, que deixou o governo após a abertura de investigação sobre seu aumento de patrimônio. A reportagem da revista afirma que a proposta de delação do marqueteiro inclui um capítulo somente sobre Palocci – apontado como responsável pela organização do fluxo de pagamentos clandestinos que financiaram serviços como o do próprio marqueteiro nas eleições de 2006 e 2010 do partido. O relato acrescenta ainda que o ex-ministro tinha uma conta junto às empresas envolvidas no petrolão, e seu braço-direito no serviço era Juscelino Dourado, responsável pela distribuição do dinheiro.

O casal João Santana e Mônica Moura foi solto na última segunda-feira (1) por determinação do juiz Sérgio Moro, que estipulou fiança no valor de R$ 31 milhões. Eles estavam presos desde o dia 23 de fevereiro.

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