Jaques Wagner diz que relógios apreendidos pela PF em sua casa são réplicas da China

Marcelo Camargo / Agência Brasil
 

Alvo da Polícia Federal nas investigações da Operação Cartão Vermelho, que apura irregularidades e o superfaturamento na contratação de serviços para a reforma da Arena Fonte Nova, em Salvador, o ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT) afirmou, em ato de solidariedade realizado nesta segunda-feira (27), que os luxuosos relógios apreendidos pela PF em seu apartamento são réplicas de originais, compradas na China. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

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Ao cumprir mandado de busca e apreensão na residência do petista, a Polícia Federal apreendeu 15 relógios, além de celulares, computadores e documentos. Os investigadores acusam Jaques Wagner, atual secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, no governo de Rui Costa (PT), de ter recebido R$ 82 milhões em propina e caixa dois das empreiteiras OAS e Odebrecht. Segundo a PF, os prejuízos gerados pelo desvio de verbas da arena podem chegar a R$ 450 milhões.

“Como eu fui algumas vezes à China, eu comprei alguns relógios de réplica, chineses. Eu gosto de relógio, mas não ligo para marca. Esse aqui mesmo é uma réplica”, disse Wagner, apontando para um relógio em seu pulso esquerdo.

O ex-governador baiano também criticou a delegada da Polícia Federal Luciana Matutino, que, segundo ele, teria se precipitado ao dizer que os relógios apreendidos eram luxuosos. “Espero que ela faça a perícia para constatar”, acrescentou.

‘Galeria dos injustiçados’

No ato de solidariedade promovido pelo PT e partidos aliados, Jaques Wagner afirmou ainda que, com a operação, ele passa a fazer parte da “galeria dos injustiçados” pela Polícia Federal. De acordo com o petista, também integra essa lista o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli.

“É um absurdo. A investigação da Petrobras tem quantos anos? Até hoje não acharam um risco que contaminasse José Sérgio Gabrielli”, considerou.

Para o petista, a operação da PF também visa inviabilizar o seu nome para as eleições de 2018. Jaques Wagner é tido pelo seu partido como uma das principais alternativas para concorrer à Presidência da República, caso o ex-presidente Lula não possa disputar o pleito deste ano. Ele avaliou que sua situação se assemelha a do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), indiciado por suspeita de caixa dois em sua campanha para a Prefeitura, em 2012.

“É no mínimo de se estranhar. Quando a gente chega no ano eleitoral, efetivamente eu sou citado como plano B, acontece o mesmo que ocorreu com o Fernando Haddad, também tido como plano B e também foi aberto inquérito contra ele”, alegou.

‘Perseguição política’

Em nota, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), criticou o cumprimento do mandado de busca e apreensão na residência de Jaques Wagner. A petista classificou a ação da Polícia Federal como uma “invasão” e demonstração de “perseguição política” contra as principais lideranças do Partido dos Trabalhadores.

Já a ex-presidente da República Dilma Rousseff recorreu ao Twitter para dizer que "os objetivos midiáticos evidentes da operação de ontem mostram que a intenção não é a apuração dos fatos, mas a criação de factóides para atacar a reputação do ex-ministro e ex-governador Jaques Wagner".

"Ele é mais uma vítima do arbítrio e da derrocada do princípio da presunção da inocência, causadas pela partidarização da justiça no Brasil", completou a ex-presidente, cassada em um processo de impeachment por crime de responsabilidade.

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