Jaqueline Roriz admite caixa 2 e pede afastamento

Mário Coelho


A deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) vai entrar com um pedido de licença médica de cinco dias na Câmara dos Deputados. Em nota, ela também admitiu que houve caixa 2 na sua campanha a deputada distrital em 2006. O afastamento ocorre após a divulgação de um vídeo onde ela aparece recebendo, junto com o marido, dinheiro das mãos de Durval Barbosa, delator do esquema de propina que resultou na Operação Caixa de Pandora.


Pela primeira vez desde a divulgação das imagens, em 4 de março, a parlamentar brasiliense se pronunciou sobre as denúncias. Em comunicado à imprensa, ela afirmou que esteve "algumas vezes" no escritório de Durval, "a pedido dele", para receber recursos financeiros. No vídeo, Jaqueline apareceu recebendo R$ 50 mil, "que não foram devidamente contabilizados na prestação de contas".


No entanto, Jaqueline disse que aguarda resposta do Supremo Tribunal Federal (STF) para tomar "conhecimento completo" do teor do vídeo. Na sexta-feira (11), a defesa da parlamentar protocolou na corte um pedido para ter acesso às imagens após perícia. Até o momento, o relator do inquérito, Joaquim Barbosa, não se pronunciou. Ele recebeu os autos nesta segunda-feira. Além do pedido da defesa, a Procuradoria Geral da República pediu a perícia e a tomada de depoimento da deputada.


Além de admitir que recebeu dinheiro e não questionar, por enquanto, a autenticidade do vídeo, Jaqueline afirmou que vai entrar de licença médica por cinco dias. A estratégia foi discutida por ela com advogados e assessores. Porém, até agora, o pedido de afastamento por doença não foi apresentado à terceira secretaria da Câmara, responsável por examinar os requerimentos de licença de até 120 dias e justificativa de faltas dos parlamentares.


Para definir o afastamento, assessores da parlamentar pediram informações à terceira secretaria sobre qual o procedimento a ser usado. Não usaram o nome dela, mas questionaram sobre a possibilidade de enviar o atestado médico por fax. De acordo com as regras da Câmara, é preciso entregar o original junto com o ofício de licença, o que pode acontecer após os cinco dias fora do exercício do mandato.

Mais cedo, após reunião, a bancada de deputados federais do Distrito Federal decidiu aumentar a pressão pela investigação contra Jaqueline Roriz no Conselho de Ética da Câmara. Os oito parlamentares devem entregar amanhã uma carta ao presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), reforçando a gravidade das denúncias e a "necessidade de apuração rigorosa". O texto ainda não está pronto e vai passar antes pelo crivo dos integrantes da bancada.


Leia a íntegra da nota da deputada:


Comunicado da deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) à imprensa


1. Durante a campanha eleitoral de 2006 estive algumas vezes no escritório do senhor Durval Barbosa, a pedido dele, para receber recursos financeiros para a campanha distrital, que não foram devidamente contabilizados na prestação de contas.


2. Aguardo a resposta do Supremo Tribunal Federal sobre o pedido dos meus advogados para tomar conhecimento completo do teor do vídeo.


3. Por recomendação médica, estou entrando de licença médica na Câmara dos Deputados por 5 dias.


Deputada Federal Jaqueline Roriz


Presidente do PMN do Distrito Federal

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