Janot responde a pedido de Temer por rapidez na Lava Jato: “Investigações têm tempo próprio”

Alvo de denúncias, presidente havia pedido que acordos de delação fossem rapidamente concluídos. “O desenvolvimento das investigações obedece tempo próprio, independente da agenda política do país”, rebateu o procurador-geral

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, respondeu à demanda do presidente Michel Temer por celeridade nas investigações da Operação Lava Jato com uma nota curta. Como este site mostrou ontem (segunda, 12), Temer pediu a Janot para acelerar depoimentos de investigados ao Ministério Público Federal e finalizar “o quanto antes” os processos de eventuais homologações das colaborações premiadas – entre elas a que o tem como alvo, com denúncia de recebimento de R$ 10 milhões por meio de caixa dois. A ideia de Temer, segundo o próprio, é fazer com que as denúncias parem de gerar crise política. Mas, para Janot, os tempos da Justiça e do mundo político não convergem.

“O Ministério Público Federal somente exerce sua função de apurar indícios de crimes citados por colaboradores, com responsabilidade e profissionalismo. O desenvolvimento das investigações obedece tempo próprio, independente da agenda política do país”, diz o PGR em nota.

Na carta a Janot, Temer diz que o país enfrenta “séries crises econômica e política” e critica o vazamento de delações premiadas, responsabilidade do Ministério Público Federal (MPF). Como que a culpar as investigações pelas dificuldades políticas, o presidente afirmou que as medidas de ajuste fiscal patrocinadas pelo governo têm sofrido “interferência pela ilegítima divulgação” de depoimentos.

O peemedebista disse ainda que, enquanto delações não forem homologadas no Supremo Tribunal Federal (STF), o Brasil estará refém de um “clima de desconfiança geradora de incerteza”. Em desfavor de Temer, além das 43 citações de seu nome no petrolão, está o fato de que são 77 os ex-executivos da Odebrecht – empreiteira-pivô do escândalo de corrupção na Petrobras – que estão entre os potenciais depoentes em regime de colaboração judicial.

“O fracionado ou porventura lento desenrolar de referidos procedimentos pré-processuais, a supostamente envolver múltiplos agentes políticos, funciona como elemento perturbtador de uma série de áreas de interesse da União […]. Ante o exposto, a União pleiteia que Vossa Excelência examine a possibilidade de imprimir celeridade na conclusão das investigações em curso. Requer também que as colaborações premiadas porventura existentes sejam, o quanto antes, finalizadas, remetidas ao Juízo competente para análise e eventual homologação e divulgação por completo. Com isso, a eventual responsabilidade criminal dos investigados será logo aferida”, solicitou Temer.

Mais cedo, no início do longo dia de votações no Senado, a procuradoria-geral da República recebeu críticas do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ontem (segunda, 12) denunciado pela própria PGR ao STF em um dos inquéritos da Operação Lava Jato. Para o parlamentar alagoano, já réu em outro processo e alvo de mais de dez investigações no Supremo, o Ministério Público deixou de atuar institucionalmente e “passou a fazer política”.

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