Janot organizou esquema de escutas clandestinas na PGR, diz revista

 

Reportagem da revista IstoÉ deste fim de semana diz que o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot idealizou, mesmo antes de assumir o mais alto cargo do Ministério Público Federal (MPF), um esquema de escutas clandestinas na Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo a publicação, Janot solicitou a aquisição de modernos equipamentos de escuta telefônica quando ainda era subprocurador e secretário-geral da PGR, entre 2003 e 2005, e aperfeiçoou o esquema quando assumiu a chefia do MP.

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Segundo a revista, Janot, ao assumir a cadeira de chefe do MPF em 2013, aproveitou as habilidades do procurador Lauro Pinto Cardoso Neto, que fazia parte da equipe de seu antecessor Roberto Gurgel, para que ele comandasse a chamada “grampolândia”. Além das informações que já tinha acumulado, Cardoso Neto foi oficial do Exército e foi apontado como colaborador do Centro de Inteligência do Exército (CIE), investigando opositores durante a ditadura militar. Cardoso Neto convenceu Janot a pedir que o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Distrito Federal cedesse 15 de seus policiais sob a justificativa de que eles seriam responsáveis por cursos de capacitação para os agentes de segurança do MPF, mas que faziam parte da operação ilegal.

Ainda de acordo com a reportagem, Janot e Neto usaram “métodos obscuros” para grampear clandestinamente seus adversários na PGR, entre eles a atual procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e o subprocurador Antonio Augusto Brandão de Aras. Ao desconfiar que estava sendo grampeado, o subprocurador teria comprado um equipamento de detecção de escutas e comentou que o guardaria em sua gaveta, de onde o aparelho acabou sumindo.

Raquel também suspeitou que estivesse sendo espionada após uma luminária despencar do teto de seu gabinete, em novembro de 2014. Na ocasião, ela notou digitais em objetos da estante e no teto da copa e encaminhou um ofício a Janot, pedindo uma investigação de invasão. As apurações só começaram no dia 21 e contaram com uma “varredura capenga”, por não ter coletado provas.

Aras também desconfia que continua sendo monitorado pelo grupo de Janot, mesmo após a saída dele da chefia do MPF. Ele relatou à revista que conversou com colegas sobre uma reportagem que falava da PGR e, em seguida, recebeu um telefonema de Eduardo Pelella, ex-chefe de gabinete de Janot, como se ele tivesse conhecimento da conversa de Aras. Pelella afirmou que ligava para avisar que havia trocado de número. “Bem, eu nunca tive o número dele. Nem tampouco ele teve o meu. Foi muita coincidência ou uma intimidação?”, disse o procurador à revista.

Leia a íntegra da reportagem

 

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