Janela partidária incha bancada do PDT na Câmara

Em uma semana da vigência da lei que permite a troca de legendas, o recém-criado Partido da Mulher Brasileira se transforma em partido-trampolim

Uma semana após o Congresso permitir o troca-troca de partidos, o PDT foi uma das legendas que mais ganharam deputados, passando de 18 para 20 parlamentares. O partido trabalhista deixou de ser uma bancada pequena, com pouco poder e influência, para se transformar na quarta força da Câmara, à frente de legendas como PRB, PMB e com o mesmo tamanho do DEM. O prazo para a mudança de partido vai até o dia 18 de março. Após essa data, o parlamentar que trocar de legenda perderá o mandato por infidelidade partidária.

A bancada do PDT conseguiu crescer rapidamente com a saída de todos os deputados do Partido Republicano da Ordem Social (Pros) do Ceará, que tinham se filiado à legenda em 2014 por influência do ex-ministro Ciro Gomes, hoje presidente da estatal Transnordestina, e do seu irmão Cid Gomes, ex-governador cearense. O crescimento da bancada pedetista favorece a pré-candidatura de Ciro à Presidência da República em 2018.

Como o Congresso em Foco mostrou com exclusividade em 11 de fevereiro, Ciro venceu a queda de braço com o senador Cristovam Buarque (DF) na preferência do PDT para a sucessão de Dilma Rousseff, o que levou o parlamentar do Distrito Federal a abandonar a legenda e engrossar as fileiras do PPS. Informalmente, Cristovam já é o candidato do partido oposicionista na corrida presidencial.

As bancadas do PDT, PSD e PTN ganharam dois deputados cada (veja na tabela abaixo). O Solidariedade deverá perder dois congressistas, mas ficará do mesmo tamanho porque deve atrair outros dois parlamentares. Criado em setembro, o Partido da Mulher Brasileira chegou a ter uma bancada relâmpago com 21 deputados. Eles foram para a nova sigla antes de a janela partidária por se tratar de novo partido. Agora, o PMB deve minguar e virar uma bancada nanica depois de ter servido de trampolim para outros partidos.

Política local

As trocas de legenda permitidas pela janela partidária são definidas pelos interesses estaduais. O líder do Solidariedade, Arthur Maia (BA), por exemplo, transferiu-se para o PPS porque preferiu não dividir o poder estadual do partido com Tiago Cedraz e Luciano Oliveira, filhos do conselheiro do Tribunal de Contas da União Aroldo Cedraz. Maia vai presidir o PPS no estado e continuará fazendo oposição ao governo Dilma Rousseff, apoiando a reeleição do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM).

Criado em 2014, o Pros chegou a ter 21 deputados. No ano passado caiu para 12 e, hoje, tem 9 parlamentares em exercício. Esse pequeno grupo perdeu três parlamentares nos últimos dias e ganhou outros três. Até o final do prazo para a troca de partidos, em meados de março, o Pros pode se transformar em uma bancada minúscula e sem direito à liderança na Câmara.

Para ter direito a líder, a bancada deve ser de, no mínimo, cinco deputados. Essa é a meta do Partido Social Liberal, que tem como líder informal Alfredo Kaeffer (PR), o tucano que deixou o PSDB para tentar enrobustecer uma nova legenda de oposição. Kaeffer espera arregimentar, até o final do prazo para a troca de legenda, pelo menos nove colegas para ter direito a participar de debates nas emissoras de TV e rádio entre candidatos majoritários.

Confira a tabela parcial do troca-troca:

DEPUTADO SAIU FOI
Alberto Fraga DEM PP
Alfredo Kaefer PSDB PSL
André Abdon PRB PP
Antônio Jácome PMN PTN
Arthur Maia SD PPS
Átila Nunes PSL PMDB
Domingos Neto PMB PSD
Eros Biondini PTB PROS
Expedito Netto SD PSD
Leonidas Cristino PROS PDT
Mendes Thame PSDB PV
Ricardo Teobaldo PMB PTN
Vicente Arruda PROS PDT
Vicentinho Junior PSB PR
Vitor Valim PMDB PSC *
Uldurico Junior PTC PROS *
Toninho Wandscheer PMB PROS *

* Os deputados ainda não confirmaram a adesão aos novos partidos.

 

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