Jackson Lago decide sair do Palácio dos Leões

Mário Coelho


O governador cassado do Maranhão, Jackson Lago (PDT), decidiu desocupar o Palácio dos Leões, sede do governo local, na manhã deste sábado. Ele se recusava a sair do local desde quinta-feira (16) à noite, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ratificou a perda do seu mandato e do vice, Luiz Carlos Porto (PPS). Neste momento, o pedetista faz uma vistoria no local, acompanhado pelo presidente do Tribunal de Justiça estadual (TJMA), desembargador Raimundo Freire Cutrim.


Inicialmente, Lago daria uma entrevista coletiva à imprensa para explicar os motivos que o levaram a ocupar o palácio. Entretanto, no início da manhã de hoje mudou de ideia. Ele entregou um manifesto ao presidente do TJMA e depois discursou aos simpatizantes que permaneciam no pátio da sede do governo. Ele primeiro fez uma espécie de mea-culpa, afirmando que, no início do governo se afastou dos movimentos sociais.


No primeiro ano de governo, Lago enfrentou uma série de greves de servidores públicos. Durante o discurso, o pedetista disse que poderia ter sido mais sensível na hora de sentar à mesa com os sindicatos e representantes das categorias. Depois, ele voltou a criticar a família Sarney. Segundo ele, é um retrocesso o governo voltar às mãos de quem "domina o estado há 40 anos". "Fomos interrompidos por conta de um acordo entre as elites", afirmou Lago, referindo-se à decisão do TSE.


Passeata


Após a vistoria no prédio - a intenção do ex-governador é mostrar que o Palácio dos Leões está intacto -, o pedetista e seus correligionários partem em passeata até a sede do PDT em São Luís, distante aproximadamente 500 metros da sede do governo. Antes, em protesto, Lago queimará um boneco representando a família Sarney. A saída deve-se à derrota de ontem no Supremo Tribunal Federal (STF).


Logo após a sentença do TSE, a coligação Frente de Libertação do Maranhão, encabeçada pelo governador, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de liminar para suspender a decisão de quinta-feira, com o objetivo de que Jackson pudesse se manter no cargo ao menos até a publicação do acórdão no Diário da Justiça. Relator do requerimento, o ministro Ricardo Lewandowski negou deferimento à liminar.


Mas a defesa de Lago não desistiu e impetrou na noite de ontem novo recurso para suspender a decisão do TSE. A alegação: um dos ministros do STF considerou que, como o acórdão ainda não havia sido publicado, a decisão da Justiça Eleitoral ainda não poderia ser analisada. O relator, Marco Aurélio Mello, ainda não se pronunciou. Como não conseguiu uma decisão favorável, o pedetista decidiu desocupar o Palácio dos Leões e esperar pela manifestação do Supremo.

A segunda colocada nas eleições de 2006, Roseana Sarney (PMDB), tomou posse ontem pela manhã em São Luís. Seu primeiro dia como governadora foi no Palácio Henrique De La Roque, sede da Casa Civil do Maranhão. Ela havia anunciado que não tomaria nenhuma medida para tirar Lago do prédio do governo e reclamou de não haver uma transição entre os grupos políticos.

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