Crise entre PF e PGR trava investigação de políticos na Lava Jato

Disputa por protagonismo entre investigadores leva a decisão do STF, a pedido do Ministério Público, que suspende diligências em inquéritos de nomes como Renan Calheiros e Eduardo Cunha

Divergências entre procuradores da República e policiais federais envolvidos na Operação Lava Jato está impedindo o avanço no núcleo das investigações referente ao envolvimento de políticos suspeitos de participação no esquema de corrpução descoberto na Petrobras. Trata-se de uma disputa por protagonismo entre os investigadores cujo resultado foi a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do Ministério Público Federal, que suspende diligências em inquéritos que reúnem, entre outros, os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Em resumo, essa situação levará ao atraso na investigação de políticos denunciados ao STF pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em 6 de março.

Desde então, discordâncias entre investigadores têm se intensificado, culminando com o impasse nesta semana. Como informa o jornal O Estado de S. Paulo, procuradores telefonaram para parlamentares sob suspeita para lhes informar que não seriam, necessariamente, exigidos depoimentos na sede da Polícia Federal em Brasília, e que tais oitivas poderiam ser realizadas em locais como a sede da Procuradoria-Geral da República.

O contato feito diretamente com os políticos incomodou membros da PF e levou a uma troca de telefonemas entre o diretor-geral do departamento, Leandro Daiello, e Janot – este se antecipou e relatou a Daiello que alguns investigados pediram para serem ouvidos na PGR, e não na PF, evitando-se, dessa forma, a presença de policiais federais. Daiello disse então que qualquer decisão sobre procedimentos deveria ser comunicada e autorizada pelo STF.

Ao investigar a razão da resistência dos políticos à presença de policiais em depoimentos, PF descobriu que foram os próprios procuradores que orientaram os investigados nesse sentido, agravando a crise entre as instituições. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a quem a PF é subordinada, precisou entrar em campo para apaziguar os ânimos. Ontem (quinta, 16) à noite, Cardozo ligou para Daiello e Janot, individualmente, e depois disso a PF desistiu de veicular nota oficial sobre o episódio.

Leia a íntegra da reportagem do Estadão

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