Investigação atinge Mesa, CPI e Conselho de Ética

Além de lideranças partidárias, dirigentes das duas Casas, integrantes da CPI da Petrobras, do Conselho de Ética e da CCJ aparecem na lista de suspeitos de participar de desvios na Petrobras

Com a autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), as investigações da Operação Lava Jato vão respingar em parlamentares que ocupam os principais postos de comando e colegiados do Congresso. Além dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), outros três integrantes das duas Mesas Diretoras serão investigados. Dois membros da CPI da Petrobras também terão de se explicar à Justiça, assim como um titular do Conselho de Ética da Câmara, todos sob suspeita de participar do esquema de desvio de recursos da Petrobras.

O Conselho de Ética abriga, ainda, filhos de dois ex-parlamentares sob investigação. As apurações também recaem sobre quatro líderes partidários, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e o vice-presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO). O presidente da comissão mais poderosa da Câmara, a de Constituição e Justiça (CCJ), Arthur Lira (PP-AL), também será alvo de inquérito, assim como outro titular do colegiado, o ex-ministro Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

Entre os 27 titulares da CPI da Petrobras, criada para apurar o esquema de corrupção na estatal, um está na lista dos investigados: Lázaro Botelho (PP-TO). Suplente da comissão, Sandes Júnior (PP-GO) também aparece entre os suspeitos. Os parlamentares fazem parte do grupo que, segundo o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, recebia repasses mensais do chamado petrolão. Eles negam envolvimento com as irregularidades.

Lázaro também é titular do Conselho de Ética, responsável por analisar processos de cassação de mandato. O Psol já anunciou que entrará com representação contra os parlamentares sob suspeita. Filhos de dois ex-deputados sob investigação na Lava Jato também ocupam assentos no conselho: Covatti Filho (PP-RS), filho de Vilson Covatti (PP-RS), e Cacá Leão (PP-BA), suplente do colegiado e filho do atual vice-governador da Bahia João Leão (PP-BA).

Mesas e lideranças

O presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), terá a companhia de outro membro da Mesa Diretora, o 1º vice-presidente, Waldir Maranhão (PP-MA), que também responderá ao Supremo. Já o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), terá dois companheiros de Mesa sob investigação assim como ele: o 2º vice-presidente, Romero Jucá (PMDB-RR), e seu 3º secretário, Gladson Cameli (PP-AC).

Três líderes do Senado também terão de conciliar os compromissos da liderança com as explicações que serão chamados a dar à Justiça: Humberto Costa (PT-PE), Fernando Collor (PTB-AL) e Benedito de Lira (PP-AL). O líder do PP na Câmara, Eduardo da Fonte (PP-PE), também não escapou da chamada “lista de Janot”, em referência ao nome do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, responsável pelos pedidos de abertura de investigação no Supremo.

Diferentemente da Câmara, onde as comissões já elegeram seus presidentes, o Senado ainda tem disputa por seus dois mais poderosos colegiados: a CCJ e a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Mas os novos inquéritos devem dificultar a vida da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que disputa internamente a indicação com o também petista Delcídio do Amaral (MS), para o comando da CAE. Delcídio comemora o pedido de arquivamento de investigação sobre seu nome. Na CCJ, Edison Lobão (PMDB-MA), outro alvo de investigação, perde fôlego na concorrência com o também peemedebista José Maranhão (PB).

O ministro Teori Zavascki autorizou ontem (6) a abertura de investigação contra 22 deputados federais, 12 senadores, 12 ex-deputados e uma ex-governadora. O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e lobista Fernando Soares, mais conhecido como Fernando Baiano, também estão na lista dos investigados no Supremo.

Por meio de nota, a Procuradoria-Geral da República (PGR) diz que havia pagamento mensal a políticos a partir de propinas pagas para a obtenção de contratos junto à estatal, uma espécie de continuação do mensalão. Uma das petições reúne 35 políticos, quase todos do PP e do PMDB.

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