Inquérito apura se há ligação entre PT e PCC

A polícia de São Paulo abriu inquérito para investigar se há ligação entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o PT, após flagrar, por meio de escuta telefônica, presos coordenando os ataques da facção iniciados em maio passado em São Paulo. Nas conversas, os detentos ordenam atentados contra agentes penitenciários e políticos - "qualquer um, menos do PT".

Os diálogos mostram que, entre políticos, o alvo preferencial eram integrantes do PSDB - partido que, até abril, governava o Estado e a capital paulistas. Procurado pela Folha de S.Paulo em julho, quando a publicação teve acesso às fitas, o presidente estadual do PT, Paulo Frateschi, não se manifestou sobre o caso. Ontem, sua assessoria foi informada da abertura do inquérito e condicionou uma resposta à identificação da fonte da informação.

O presidente do PSDB paulista, deputado estadual Sidney Beraldo, leu as transcrições das escutas, afirmou que elas não deveriam ser usadas na campanha política e ressaltou que "seria uma irresponsabilidade acusar o PT de ligação com o PCC".

Outras lideranças tucanas - entre elas Alckmin e o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, fizeram declarações recentemente insinuando que haveria motivação política por trás dos atentados da facção criminosa.

De acordo com a Folha, os presos Magrelo e Moringa tratam em diversos telefonemas dos ataques. Num deles, feito na noite de 12 de maio, quando começaram os atentados, eles conversam sobre quais deveriam ser os alvos. Após receberem ordens de líderes do PCC: "Prioridade: azul (agentes penitenciários). Acima do azul, políticos, qualquer um, menos do PT, entendeu, irmão?", afirma Magrelo em conversa com Moringa. Em outro trecho, Magrelo reforça que políticos do PSDB eram prioridade: "Civil, funcionários e diretores do partido PSDB".

O responsável por determinar a abertura de inquérito pelo chefe da Polícia Civil, Marco Antonio Desgualdo, foi Saulo de Castro Abreu Filho - atual secretário de Segurança de São Paulo, nomeado pelo ex-governador e candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin. As gravações foram entregues inicialmente ao secretário da Administração Penitenciária, Antonio Ferreira Pinto, que as repassou a Abreu Filho.

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