Importação de médicos divide opiniões no Brasil

Governo quer trazer profissionais de Cuba e outros países para suprir demanda no interior. Dois artigos preparados para o Congresso em Foco mostram ângulos diferentes sobre a questão

Há um mês, o debate sobre a saúde no Brasil ganhou um novo tema: a importação de médicos para atender comunidades no interior do país. O anúncio do governo brasileiro de acertar com Cuba a importação de 6 mil profissionais gerou debates acalorados de parte a parte. Enquanto entidades médicas põem em dúvida a qualidade da formação no exterior, o Executivo pensa em como resolver, de forma emergencial, a questão nas áreas mais carentes.

Os dois lados são explicitados em artigos publicados no Fórum neste domingo. Doutor em Filosofia e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Bajonas Teixeira de Brito Junior coloca-se a favor da importação dos médicos. Ele critica a falta de união dos profissionais de saúde em favor da população brasileira e pontua o atendimento ruim em todas as regiões do país.

"Embora muitos médicos tenham se proletarizado nos últimos anos, com a concorrência que eles mesmos produziram ao se concentrarem quase exclusivamente nas grandes cidades, a maioria não cogita em hipótese alguma de ir para os cafundós, onde a população vegeta ao deus dará sem cuidados médicos", disse o professor no artigo publicado no site. Bajonas também ressalta que a importação de 6 mil médicos não vai resolver o déficit brasileiro na área, estimado em 54 mil.

Em artigo exclusivo para o Congresso em Foco, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto Luiz d'Ávila, ressalta que a entidade não é contra a importação de profissionais de outros país. Esclarece que o conselho quer que os profissionais passem por exames de revalidação de títulos para 'medir com régua criteriosa" o conhecimento de cada um deles. "Se o candidato não passa, é porque não está preparado", afirmou.

O presidente do CFM, no entanto, acredita que a medida é paliativa. Por isso, lembra que a entidade entregou ao Palácio do Planalto e ao Ministério da Saúde um plano de ação dividido em três etapas. A proposta sugere oferecer estímulos para médicos formados no Brasil trabalharem no interior, rigor na escolha de profissionais de outros países e interiorizar a estrutura de atendimento de saúde.

Inicialmente, a intenção do governo brasileiro era trazer médicos cubanos. Mas o Ministério da Saúde já estuda importar profissionais de outros países. "Vamos ouvir detalhes não só sobre possíveis acordos bilaterais com Espanha e Portugal, mas também sobre como países como Austrália, Canadá e Inglaterra fazem para atrair médicos estrangeiros", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de acordo com a Agência Brasil.

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