Impedidas de limpar o Senado, entidades fazem cruz

Manifestantes que protestam contra provável eleição de Renan foram impedidos de lavar a rampa do Congresso. Polícia Legislativa reforçou a segurança com ajuda da Polícia Militar. Veja os vídeos

Cerca de 30 pessoas participaram nesta quarta-feira (30) de uma manifestação contra a provável eleição do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) como presidente do Senado. Impedidos pela segurança da Casa de lavar a rampa de entrada do prédio do Congresso Nacional, os manifestantes acabaram fazendo uma cruz com as próprias vassouras no gramado em frente à sede do Parlamento brasileiro. A manifestação começou por volta das 15h30. Primeiro, o grupo retirou as vassouras deixadas no gramado em frente ao Congresso. Depois, desceu em direção à rampa. "Nós não tínhamos pensado na cruz. Acabamos fazendo isso porque o Senado proibiu o nosso ato, mesmo com um senador fazendo o pedido", disse Antonio Carlos Costa, do Movimento Rio da Paz, em referência a Cristovam Buarque (PDT-DF), que havia solicitado autorização para a realização do ato.

 

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Em entrevista em vídeo para o Congresso em Foco, Jovita Rosa, coordenadora do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), ressaltou a importância do ato, mesmo sem poder cumprir o objetivo inicial de lavar a rampa do Congresso. Ela também afirmou a necessidade de a Câmara e o Senado elegerem presidentes que não estejam envolvidos em denúncias. "Se para ser vereador é preciso ser ficha limpa, para presidente também", disse.

Mesmo envolvido em denúncias, Renan é considerado o candidato favorito à eleição da Mesa Diretora do Senado. Como revelou o Congresso em Foco no último sábado (26), o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, denunciou o peemedebista ao Supremo Tribunal Federal (STF) no caso das notas dos “bois de Alagoas”. Apesar disso, a expectativa é que seu nome seja confirmado pelos senadores na sexta-feira (1º). Por isso, uma série de entidades, entre elas o Congresso em Foco, marcou o protesto para hoje.

Mário Coelho/Congresso em Foco

De acordo com a assessoria de imprensa do Senado, a proibição da manifestação ocorreu por causa do Ato 14 de 2005. Nele, segundo o órgão, está concedida a autoridade para a Polícia Legislativa disciplinar a entrada de pessoas no prédio. O artigo 7º autoriza, em caráter excepcional, a segurança do Senado "a fechar todos os pontos de acesso considerados vulneráveis à segurança de pessoas e do patrimônio desta Casa". Por coincidência, a medida teve como um dos autores o próprio Renan.

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