Impeachment: testemunhas dizem que decretos não afetaram meta fiscal

Comissão ouviu duas testemunhas arroladas pela defesa da presidente Dilma, que reforçaram que a edição de decretos suplementares não afetaram a meta fiscal. Em função da prisão do marido, senadora Gleisi Hoffmann não participou da reunião

A comissão do impeachment ouviu nesta quinta-feira (23) mais duas testemunhas de defesa da presidente Dilma Rousseff. O subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Anderson Lozi da Rocha, falou sobre o decreto de suplementação de R$ 62,5 milhões editado para a pasta - um dos quatro emitidos em 2015 que embasam a denúncia contra a presidente afastada. Segundo a testemunha, os decretos envolveram apenas recursos existentes, resultado do excesso de arrecadação do ministério em decorrência de doações ou convênios, e não representaram aumento de despesas.

A ex-secretária de Orçamento Federal Esther Dweck, segunda testemunha ouvida no dia, reforçou o argumento de que a abertura de créditos suplementares não afetaram a meta. O depoimento do diretor da Associação Nacional dos Servidores de Carreira de Planejamento e Orçamento, Leandro Freitas Couto, foi dispensado a pedido do relator, Antonio Anastasia (PSDB-MG), e aprovado pelo plenário do colegiado.

A senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) oficializou hoje sua renúncia à vaga de titular do colegiado após assumir, na última terça-feira (21), a liderança do governo no Congresso. No lugar da senadora assumirá Magno Malta (PMDB-ES), favorável ao impeachment de Dilma. Na reunião de hoje (quinta, 23) a comissão também aprovou um requerimento solicitando ao Banco do Brasil um parecer de auditores independentes sobre demonstrações financeiras do Plano Safra 2015.

Defesa desfalcada

A reunião desta quinta-feira foi considerada rápida para os parâmetros do colegiado. Durou pouco mais de 4h e não contou com a presença de uma das parlamentares mais ativas, a senadora Gleisi Hoffmann, esposa do ex-ministro Paulo Bernardo, preso na manhã de hoje pela Polícia Federal, na Operação Custo Brasil, um desdobramento da Lava Jato. A senadora ainda não se pronunciou sobre o caso e não apareceu no Senado.

A avaliação geral é de que a prisão preventiva de Paulo Bernardo enfraquece a defesa de Dilma na comissão do impeachment. Gleisi comandou a Casa Civil entre 2011 e 2014 e é uma das figuras mais próximas da presidente afastada.

Em vídeo divulgado em seu perfil no Twitter, a senadora Vanessa Grazziotin comentou a prisão do marido da colega. “Creio que a justiça precisa continuar investigando, os fatos precisam ser esclarecidos, mas não há nada que tenha a ver com o processo que corre contra a presidente Dilma”, disse a senadora, que refutou os argumentos de que a prisão de Paulo Bernardo enfraqueceria a defesa da presidente no colegiado. “Uma coisa não tem nada a ver com a outra”, enfatizou Grazziotin.

O advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo, reforçou que os processos são distintos e não interferem na defesa da presidente. "É evidente que os fatos que estão sendo objeto da investigação desta operação não tem nada a ver com os fatos discutidos aqui, absolutamente nada a ver", disse Cardozo. "A senadora Gleisi é uma senadora combativa, competente, séria e eu acho que ela vai continuar exercendo o seu papel. É claro que as circunstâncias não são as melhores. Na realidade eu não sei nem o porquê houve essa decisão, desconheço os termos, mas eu tenho certeza que a senadora a Gleisi Hoffmann tem muita força interior e saberá enfrentar esse momento", acrescentou.

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