Impeachment de Janot não deve avançar no Senado, diz jornal

Ao jornal O Estado de S. Paulo, líderes dizem que proposta não tem apoio nem da base, nem da oposição. Atualmente, há cinco pedidos de impedimento do procurador-geral da Republica, Rodrigo Janot, a serem analisados por Renan Calheiros

O processo de impeachment contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não encontra muita receptividade no Senado, de acordo com os principais líderes da base do governo e da oposição. Apesar de ter sido colocada em análise pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), a saída do PGR não tem apoio dos parlamentares, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

Consultado pelo Estadão, o líder do governo no Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP), defende que o momento é para aprovar leis importantes, não para colocar mais lenha na fogueira. "Não acho que ajuda a pacificar o ambiente. Quanto menos marola, melhor. É um momento que estamos precisando aprovar leis importantes, acho que isso não ajuda", disse em entrevista.

Grande aliado de Renan, o líder do PMDB, senador Eunício Oliveira (CE), vê a iniciativa como precipitada. "Acho que não é um momento bom para se fazer qualquer tipo de embate. Está tudo muito tumultuado. Acho que a nossa preocupação no momento é fazer com que o Brasil possa retornar ao eixo. Essa questão de impeachment tem que ser avaliada com muita cautela", afirmou.

Se na base governista de Michel Temer a proposta foi mal recebida, na oposição ela é tida como uma afronta à Operação Lava Jato. Segundo a senadora Vanessa Grazziotin, o impeachment de Janot seria um "ato de retaliação" para enfraquecer o judiciário. Para ela, não há a "menor possibilidade" de o pedido prosperar. Líder informal da minoria, Lindbergh Farias (PT-RJ) ressaltou que o "tema foi tratado na reunião de líderes, mas não existe apoio". Segundo ele, "ninguém concorda com essa agressividade, essa disputa entre poderes".

A denúncia contra Janot foi protocolada na última segunda-feira (13), pelas advogadas Beatriz Kices e Cláudia Faria de Castro, ligadas a movimentos pró-impeachment da presidente Dilma. Segundo as autoras, ao pedir a prisão preventiva de membros da cúpula do PMDB, Janot concedeu tratamento diferenciado ao partido, uma vez que não tratou com a mesma rigidez nem a presidente Dilma nem seu antecessor, Lula, envolvidos em “situações análogas” na Lava Jato, de acordo com elas.

O pedido de Janot foi negado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, na última quarta-feira (15). No dia seguinte, Renan fez duras críticas ao procurador no Plenário do Senado e deu uma espécie de recado a Janot, sem menção direta ao seu nome. “Nós continuamos a receber pedidos de impeachment de autoridades. Já recebemos aqui, com relação à Procuradoria-Geral da República, nove pedidos de impedimento do procurador-geral [Rodrigo Janot]. A maioria deles arquivei por serem ineptos. Mas, a partir de agora, nós vamos novamente examinar com o critério de sempre, sem nenhuma preponderância de fatores políticos ou pessoais”, declarou em plenário.

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