HSBC paga US$ 43 milhões para se livrar de caso SwissLeaks

Banco alega que investigações foram concluídas por falta de evidências a justificar ações criminais. Espécie de multa aplicada teria como finalidade compensar autoridades por falhas organizacionais do passado

Os jornais desta sexta-feira (5) repercutem o anúncio, feito ontem (quinta, 4), de que o HSBC fechou acordo com autoridades da Suíça e pagará 40 milhões de francos suíços (cerca de R$ 135 milhões, ou US$ 43 milhões) para pôr fim às investigações sobre esquema de lavagem de dinheiro na divisão suíça do banco. O caso, que teve repercussão mundial e resultou em abertura de CPI no Senado, ficou conhecido como SwissLeaks, em referência ao vazamento de dados secretos chamado WikiLeaks.

Mesmo com o acerto junto às autoridades de Genebra – cidade suíça que é sede de diversas organizações internacionais –, o HSBC não admitiu culpa no esquema. Com o valor estipulado, trata-se da mais rigorosa punição financeira já aplicada pelas autoridades de Genebra. Mas, segundo o jornal Folha de S.Paulo, o valor está muito aquém do que já foi estipulado recentemente por instituições europeias e norte-americanas.

O jornal lembra que, em abril, seis grandes bancos internacionais – entre eles o próprio HSBC, maior instituição financeira da Europa em ativos – receberam multa de R$ 4,3 bilhões nos Estados Unidos e no continente europeu. A punição foi motivada por manipulação do mercado de câmbio global, com consequências para moedas como o real.

O HSBC, por meio de nota, alega que as investigações do SwissLeaks foram concluídas por falta de evidências a justificar ações criminais. Assim, diz a instituição, a espécie de multa aplicada tem como finalidade compensar autoridades por falhas organizacionais do passado, e não significa que o banco será criminalmente punido.

No Brasil

Reportagem do jornal O Globo de 18 de março revelou que o nome diretor-adjunto de Contratações do Senado, Humberto Lucena Pereira da Fonseca, consta da lista dos 8.667 brasileiros correntistas do HSBC na Suíça entre 2006 e 2007. Segundo o jornal, a primeira conta associada ao servidor público foi aberta em 17 de janeiro de 2000 e, em 2006, acumulava U$$ 2,5 milhões. Uma segunda conta atribuída a Fonseca conta foi aberta em maio de 2006 e tinha U$$ 2,6 milhões, em nome de uma empresa com sede no Panamá.

Com a repercussão mundial, uma CPI do HSBC foi criada no Senado para investigar suspeitas de sonegação e evasão fiscal por meio de contas de brasileiros na filial suíça do banco britânico HSBC. De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, pelo menos 106 mil clientes de 203 países aparecem na lista do SwissLeaks. O Brasil figura em quarto lugar em número de pessoas ligadas a contas no HSBC na Suíça, com 8.667 clientes. Ainda segundo o noticiário internacional, os brasileiros movimentaram US$ 7 bilhões.

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