Horário eleitoral tem Lula protagonista e artilharia contra Bolsonaro. Veja

Mesmo impedido de se candidatar pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-presidente Lula foi o protagonista do primeiro programa do horário eleitoral dedicado aos presidenciáveis. O petista usou parte do espaço reservado ao PT para se declarar inocente e vítima de perseguição política, além de desafiar os juízes que o mandaram para a cadeia. “Sei como eu vou passar para história. Não sei como eles vão passar para história: se como juízes ou como algozes.” O vice de Lula, Fernando Haddad, que deve assumir a cabeça da chapa, jurou lealdade ao companheiro e disse que o partido recorrerá até o último momento para garantir o direito do líder petista disputar a eleição.

Líder nas pesquisas eleitorais na ausência de Lula, Jair Bolsonaro (PSL) foi o grande alvo da artilharia de Geraldo Alckmkin (PSDB), dono do maior tempo no horário eleitoral. A apresentadora do quadro tucano atacou o “discurso de ódio” e ressaltou que o Brasil precisa de um político “firme e equilibrado”, como Alckmin. “Não é na bala que se resolve”, disse a apresentadora do programa.
Com apenas 8 segundos para falar, Bolsonaro só teve tempo para uma frase: “Vamos caminhar juntos em defesa da família e da nossa pátria. Rumo à vitória”, conclamou.

Marina Silva, que aparece na segunda colocação no cenário sem o ex-presidente, fez um discurso totalmente voltado para as mulheres, parcela do eleitorado que mais resiste ao candidato do PSL. “Eu quero falar com você, mulher. Alguma vez já te chamaram de fraca, incapaz? Sei como é. Juntas, somos fortes. Vou trabalhar todos os dias para que ninguém diga que você não pode. Você pode sim. Essa luta é nossa.”

Ciro Gomes (PDT) defendeu sua proposta para tirar milhões de brasileiros em dívida com o nome no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Já Alvaro Dias (Podemos) se apresentou como um candidato honesto, um homem que escolheu “o lado certo”.

Assista ao vídeo do horário eleitoral. Abaixo dele, um resumo com os principais momentos dos 13 candidatos:

Pátria e família
“Vamos caminhar juntos em defesa da família e da nossa pátria. Rumo à vitória”, conclamou o candidato do PSL, Jair Bolsonaro.

Só para mulheres
“Eu quero falar com você, mulher. Alguma vez já te chamaram de fraca, incapaz? Sei como é. Juntas, somos fortes. Vou trabalhar todos os dias para que ninguém diga que você não pode. Você pode sim. Essa luta é nossa.”

“Vou tirar seu nome do SPC”
O candidato do PDT aproveitou seu curto tempo no horário eleitoral para propagandear sua mais divulgada proposta de campanha: um programa para tirar os brasileiros da lista de devedores. “Se você acha que o Brasil precisa mudar, estamos juntos. Temos 13 milhões de desempregados, 32 milhões vivendo de bicos, 63 milhões com nome no SPC. Mas podemos virar esse jogo, a começar pelo problema do SPC, com o programa 'Nome limpo'. Tenho pouco tempo de TV, mas muitas ideias para mudar o país’”, prometeu.

Bolsonaro no alvo
O candidato do PSDB se apresentou como um homem "firme e equilibrado", que sempre gostou de cuidar das pessoas. Antes de Geraldo Alckmin falar, o programa mirou o candidato Jair Bolsonaro (PSL), que lidera as pesquisas sem o ex-presidente Lula. A apresentadora rebateu o “discurso de ódio”.

“Não sou diferente de você. Também estou p. da vida. Também acho que, do jeito que está, não pode ficar. Mas, por mais indignada que eu esteja, e estou muito, decidi que neste ano não votarei com raiva. Com raiva a gente não pensa e a chance de fazer besteira aumenta”, ressaltou ela. O momento é de equilíbrio, de quem age com “a cabeça e o coração”, ponderou.

O momento mais impactante do programa foi um recado claro a Bolsonaro e seus eleitores. Balas de armas de fogo explodiam livros, bolsas de sangue e melão, em referência ao analfabetismo, às filas na saúde e à fome. O último disparo é dirigido a uma criança negra. Mas, antes de chegar até ela, a bala se transforma no aviso: “Não é na bala que se resolve”.

Alckmin destacou obras e ações de sua gestão como governador. “A principal função de um governante é mudar a vida das pessoas para melhor, gerar empregos, combater a desigualdade
Quero resgatar a confiança no país, atrair investimentos, colocar o Brasil no caminho do crescimento”, declarou. “Vamos fazer um Brasil melhor para todos os brasileiros e brasileiras”, prometeu.

“Abre o olho”
O candidato do Podemos, Alvaro Dias, destacou sua trajetória pessoal em vez da política. Disse que nasceu na roça às 5 horas da manhã. “Minha mãe não acreditava em promessa. Meu pai fazia acontecer”, disse. Sem citar o nome do ex-presidente Lula, ele atacou a campanha pela libertação do petista, que cumpre pena na capital paranaense. “Com eles aprendi a trabalhar, ser honesto e a ter vergonha na cara. Agora tem gente visitando minha cidade [Curitiba] para homenagear político preso. Eu escolhi andar do lado certo, e você?”

Lula livre
Depois de apresentar Lula como candidato a presidente, no horário eleitoral do rádio nesta manhã, por falta de tempo hábil de mudar a programação após o indeferimento da candidatura no TSE, o PT reforçou a ideia de que o petista é um preso político, objeto de “perseguição”.

Com um fundo azul ao fundo, uma voz contestou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de ignorar a recomendação do Comitê de Direitos Humanos da ONY de garantir os direitos políticos de Lula. Mesmo impedido de se candidatar, o ex-presidente foi o grande personagem do programa.

Em gravação feita antes de sua prisão, o próprio petista fez sua defesa. “Sou um
inocente que está sendo julgado para evitar que esse inocente volte a fazer o melhor governo da história deste país. Sei que vou passar para a história como o presidente que mais fez pela inclusão social no país, que mais fez universidades, escolas técnicas, que mais colocou jovens na universidade deste país”, disse.

Lula voltou a desafiar os magistrados que o condenaram: “Sei como eu vou passar para história. Não sei como eles vão passar para história: se como juízes ou como algozes.”

Depois de exibir imagens com militantes acampados em frente à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula está preso, o candidato a vice, Fernando Haddad, virou o personagem central do programa.

Haddad fez juras de lealdade ao ex-presidente, a quem deve substituir como candidato, criticou o governo Temer e prometeu que o PT vai recorrer até o último instante para garantir o direito de Lula disputar a eleição. “Não vão aprisionar a vontade do povo de novo”, afirmou. “Faço aqui juramento de lealdade ao presidente Lula. Não vamos descansar. Vamos trazer o Brasil de Lula de volta e libertar todos os brasileiros dessa injustiça”, prometeu

“Chama o Meirelles”
O candidato a presidente pelo MDB privilegiou sua trajetória como presidente do Banco Central do governo Lula e deixou em segundo plano sua recente passagem pelo Ministério da Fazenda, na gestão Temer. O presidenciável emedebista repisou em seu bordão “Chama o Meirelles” e destacou que tem “vida limpa”, sem processos, e que tudo que conquistou foi com o “suor” do seu rosto.

“Essa é a minha primeira eleição presidencial. Prazer, sou Meirelles, aquele cara que os governos chamam para resolver problemas que eles não sabem resolver”, disse ao se apresentar. “Primeiro quem me chamou foi o Lula. O Brasil estava em crise. Assumi a economia e o país criou 10 milhões de empregos. Depois me chamaram para consertar os erros da Dilma”, afirmou, omitindo o nome do presidente Michel Temer.

Meirelles lembrou sua trajetória de sucesso no Bank Boston, do qual chegou a ser presidente mundial, e disse que voltou ao país para trabalhar pelo Brasil. O emedebista reprisou o discurso que fez no lançamento de sua pré-candidatura. “Para mim o mundo não se divide entre quem gosta do Lula por um lado e quem não gosta, de outro. Em quem gosta do presidente Michel Temer e quem não gosta. O mundo para mim se divide entre quem trabalho quando o Brasil precisa e quem não trabalha para o Brasil.”

Fim do horário eleitoral
“Se depender de mim, esta será a última eleição com horário eleitoral obrigatório”, afirmou o candidato do Partido Novo, João Amoêdo.

Wagner Moura
O ator Wagner Mourou apresentou o candidato do Psol: “Quero apresentar Guilherme Boulos, o candidato a presidente que tem coragem de evitar privilégios e apresentar propostas para mudar a vida do brasileiro”.

Em nome de Deus
“Sou o Cabo Daciolo, 51, glória a Deus”, disse o candidato do Patriota.

Em nome do pai
“Sou João Goulart Filho. Junto com você, vamos recuperar o desenvolvimento e o orgulho de ser brasileiro”, disse o filho do ex-presidente João Goulart, derrubado pelo golpe militar de 1964. “Quem gosta do Brasil vota nele. É João Goulart Filho, é 54, é de novo João Goulart”, entoou o jingle.

Rebelião
“16 é rebelião. Isso é uma farsa. O Brasil precisa de uma rebelião”, defendeu a candidata do PSTU, Vera Lúcia.

O democrata cristão
“Vou governar o Brasil com competência, honra e caráter, sinais fortes, Brasil”, discursou o candidato da Democracia Cristã (DC).

 

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