Henrique: votação do Código Florestal foi “noite dos sonhos”

Novo presidente da Câmara cita sessão que aprovou nova legislação das florestas e impôs derrota ao governo como exemplo de caso em que os deputados tomaram a frente do Executivo

O novo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou em seu primeiro discurso após ser eleito que a Casa tem de ser palco de debates “palpitantes” e não se furtar a tomar decisões. Ele afirmou que a votação do Código Florestal, na qual o governo saiu derrotado, foi “a noite dos sonhos” porque amplificou uma decisão tomada pelos próprios parlamentares.

“Aquela foi a noite dos meus sonhos”, afirmou Henrique na tarde desta segunda-feira (4). Ele disse que o Legislativo não deve acelerar nem atrasar decisões, mas discutir e votar o que vier ao debate. “Este Parlamento não foi feito para ganhar tempo, para enrolar. Foi feito para debater e votar”, afirmou, em meio a aplausos do plenário. Henrique foi eleito com 271 votos, contra 165 de Júlio Delegado (PSB-MG), 47 de Rose de Freitas (PMDB-ES) e 11 de Chico Alencar (Psol-RJ). Três deputados votaram em branco.

Henrique condenou setores da imprensa e da sociedade que, segundo ele, fazem “críticas absurdas” ao Congresso. Também disse que o Executivo e o Judiciário serão respeitados em suas funções. “Que eles não se esqueçam que aqui só tem parlamentares abençoados com o voto popular”, disse, sob novos aplausos do plenário.

O presidente da Câmara é investigado pelo Ministério Público por repassar R$ 357 mil a duas empresas suspeitas. A princípio, o valor bancou aluguel de veículos para o deputado. A "proprietária" de uma empresa disse desconhecer a existência da firma. A outra fornecedora pertence a um ex-assessor do PMDB. Uma emenda dele também beneficiou uma empresa sem identificação no Rio Grande do Norte, cujo dono era um funcionário do deputado.

Família caçada

Emocionado, Henrique lembrou de seus 42 anos como deputado. Depois de chegar à Câmara com 22 anos de idade, teve 11 mandatos, atuou em 15 eleições para presidente da Câmara e durante seis ocasiões foi líder de seu partido, o PMDB, ao qual está filiado desde o início de sua carreira política. O novo presidente da Câmara disse que suportou períodos difíceis na ditadura militar, mas que chegou “inteiro” à Mesa. “Minha família foi a mais cassada na ditadura militar”, revelou. “Eu sei o medo que tive que superar”, afirmou.

Promessas

Entre as promessas de campanha, ele promete trabalhar para que os vetos presidenciais sejam analisados. Hoje, existem 3 mil vetos acumulados. O deputado afirmou que, amanhã, vai criar três comissões especiais para analisar PECs que obrigam as emendas parlamentares individuais serem pagas obrigatoriamente pelo Executivo. Também promete fazer parcerias com as TVs Legislativas dos estados para que o trabalho dos deputados nas bases eleitorais seja noticiado pela TV Câmara.

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