Haddad nega ter se reunido com Ciro para discutir aliança de centro-esquerda para eleições

 

O ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) confirmou ter se reunido com o presidenciável Ciro Gomes (PDT) nesta segunda-feira (23), mas negou ter tratado de uma possível aliança de centro-esquerda para as eleições de outubro. Em seu perfil no no Facebook, Haddad escreveu que o assunto tratado no encontro foi "a situação política do país".

"Simplesmente não é verdade que eu e Ciro discutimos candidaturas ou formação de frente. Como a própria matéria revela, atualizamos a discussão iniciada em janeiro sobre a situação política do país", ressaltou o ex-prefeito de São Paulo na postagem, com o link para a reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo nessa terça-feira (24).

De acordo com a reportagem, Haddad, Ciro e os economistas Delfim Netto e Luiz Carlos Bresser-Pereira se reuniram na manhã de ontem (segunda-feira, 23) para discutir uma possível chapa centro-esquerda para as eleições. Haddad é um dos possíveis nomes do PT que podem representar o partido na disputa presidencial caso o ex-presidente Lula (PT) seja barrado da corrida eleitoral.

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Na tarde desta terça-feira, Haddad deu entrevista ao lado da presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, e afirmou que foi ao encontro como convidado do economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) José Márcio Rego. "Fui lá ouvir nessa condição de membro que vai organizar o plano de governo [do ex-presidente Lula]. Fui lá ouvir as ideias. Há muitos grupos de economistas tentando estabelecer uma rota de saída dessa crise que a direita tá aprofundando no Brasil", afirmou.

"Obviamente que quando esses encontros acontecem surgem temas políticos também, como as novas candidaturas e os perfis dessas candidaturas. [...] As conversas entre as fundações e os quadros políticos precisam acontecer, porque nós vamos precisar construir o que foi destruído", ponderou Haddad.

Os políticos, entre diversos assuntos, concluíram que o fato de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) flertar com Luciano Huck e apoiar João Dória, pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, não cria um "ambiente que ajude o Brasil a ir para frente", conforme comentou o ex-ministro Delfim Netto durante o encontro. Diante do tema e das considerações sobre Geraldo Alckmin (PSDB) não ter chances na corrida eleitoral, Haddad teria opinado: "É a centro-esquerda que tem chances reais".

"É a centro-esquerda que tem chances reais", teria sugerido Haddad em encontro com Ciro

Com a chance real de Lula não poder concorrer à Presidência da República, devido à aplicação da Lei da Ficha Limpa a condenados em segunda instância,  estratégias começaram a ser traçadas. Segundo a Folha, uma das possibilidades é Haddad vir como vice de Ciro, em uma chapa entre PDT e PT que ambos considerariam ser possível.

De acordo com o jornalista Mário Sérgio Conti, na conversa realizada no escritório de Delfim, no Pacaembu (SP), o economista Bresser-Pereira sugeriu que uma chapa com Ciro e Haddad tem condições de romper a "camisa de força" que forças políticas dominantes pretendem impôr ao eleitorado paulista. Delfim, no entanto, ponderou que Lula "preso pode causar tanto barulho eleitoral quanto solto".

Fator Joaquim

Sobre o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, que estreou nas pesquisas de intenção de voto com até 10% das preferências, o quarteto, ainda conforme a reportagem da Folha, acredita que ele tenha virtudes eleitorais como o fato de ter vindo de família humilde, não ter coadunado com a corrupção enquanto esteve a frente do julgamento do mensalão no Supremo e ser "um homem direito".

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"O problema do Joaquim Barbosa é que não se sabe o que ele pensa sobre economia, qual a sua ideia de Brasil", ressaltou Bresser-Pereira. "A tendência é que, na economia, ele se limite a repetir a receita liberal de sempre. E disso o Brasil não precisa", ponderou em seguida.

No quesito empecilhos a Joaquim Barbosa, os quatro mencionaram o fato de que a família do ministro não quer a candidatura, bem como a resistência de setores regionais do PSB ao ex-ministro. Além disso, o próprio Joaquim não sabe se quer ser candidato, segundo suas próprias palavras. Para o grupo, tal cenário pode inviabilizá-lo na corrida eleitoral.

 

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