Hackers invadem computador de Marcela Temer

Perícias técnicas mostraram que provável futura primeira-dama teve fotos, e-mails e senhas bancárias violados. Temer trata reservadamente do assunto e preferiu Polícia Civil à Polícia Federal

A Polícia Civil de São Paulo investiga a invasão, por hackers – os chamados “piratas virtuais” que invadem dados privados no mundo virtual –, do computador pessoal da mulher do vice-presidente da República, Michel Temer.  Há cerca de três semanas, perícias técnicas preliminares mostraram que Marcela Temer teve informações privadas copiadas por equipamentos localizados, em um primeiro momento, nos municípios paulistas de São Bernardo e Santo André.

Segundo nota do site Diário do Poder – que publicou a história em primeira mão – aprofundada por veículos como  revista IstoÉ deste fim de semana, há cerca de 20 dias Temer começou a ser alvo da chantagem de indivíduos não identificados que, supostamente em poder dos dados pessoais de Marcela, cobraram-lhe dinheiro em troca da não divulgação do material em redes sociais. No começo, o cacique peemedebista pensou se tratar de um trote, diz a reportagem, mas o detalhamento, por parte dos infratores, de mensagens eletrônicas trocadas por Marcela com familiares e amigos do casal deu ao vice-presidente a certeza de que a violação fora mesmo cometida.

Na iminência de se tornar presidente da República, caso se confirme o afastamento da presidente Dilma Rousseff na próxima quarta-feira (11), Temer preferiu não acionar a Polícia Federal – entraria em um “terreno arenoso” em meio ao momento de crise política, registra a revista. O caso ganhou status de segredo de Estado entre integrantes da equipe do peemedebista, que já articula abertamente a composição e as linhas gerais do provável governo de transição.

Além dos e-mails de Marcela, os hackers fizeram cópias de fotografias e senhas bancárias, que não chegaram a ser utilizadas. A interlocutores, Temer diz que “nada demais” foi roubado dos registros virtuais de Marcela, mas que o crime não pode ficar impune. Ao final dos trabalhos de investigação, acrescenta a reportagem, Temer pretende divulgar amplamente a ocorrência.

“Não temos a certeza de que houve um crime político, mas não podemos descartar essa hipótese de forma alguma. O fato de ter sido feita uma chantagem de ordem financeira pode ter sido apenas uma forma de procurar desviar nossas apurações”, declarou, na última quinta-feira (5), um delegado paulista que se mantém em anonimato e se nega a dar mais detalhes sobre o caso.

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