Grupos protestam contra Marco Feliciano na CDH

Em dez cidades brasileiras, centenas de pessoas, integrantes de movimentos de direitos humanos, fizeram atos contra a eleição do deputado do PSC para presidir a comissão. Manifestações continuam durante a semana

Milhares de pessoas por dez cidades brasileiras protestaram neste sábado contra a eleição do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Em São Paulo, pelo menos 600 manifestantes se concentraram e caminharam pela Avenida Paulista. No Rio de Janeiro, outras 400 participaram do protesto. Em Brasília, número similar.

Luiz Ricardi, um dos organizadores da manifestação em São Paulo, disse que o pastor já demonstrou, com suas declarações contra negros e homossexuais, que não está apto a ocupar a posição para a qual foi eleito na Câmara. “A posição de deputado e pastor não dá a ele o direito de expressar certas opiniões. Temos direitos e perante a lei somos todos iguais. Ele não pode usar a crença dele para influenciar as pessoas contra negros e homossexuais”, afirmou à Agência Brasil.

De acordo com o portal do jornal O Estado de S. Paulo, militantes de direitos humanos, movimentos gays e grupos de combate à intolerância religiosa lideraram protesto contra a eleição de Feliciano. A manifestação reuniu cerca de 400 pessoas na Cinelândia, centro do Rio. "Não somos minorias", "Sou bi, sou normal", "A diversidade é humana", "Não acredito em um Deus que exclui", diziam algumas faixas e cartazes. Outros manifestantes pediram a saída do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

No Twitter, o deputado chegou a compartilhar com seus seguidores uma das matérias tratando das manifestações pelo Brasil contra a confirmação de seu nome para presidir a CDH. O comentário foi irônico: "Vejam que multidão…". No dia da sua eleição, Feliciano também teve que presenciar manifestações contrárias. Ele disse ontem (8) que pretende apresentar uma pauta consensual para a comissão.

Declarações

Com a possibilidade de Marco Feliciano, que é pastor da Assembleia de Deus Catedral do Avivamento, assumir a CDH, a reação contrária começou primeiro nas redes sociais. Depois, entre os próprios membros da comissão. No Twitter, em 2011, ele chamou negros de “descendentes amaldiçoados de Noé”. Contra homossexuais, chegou a dizer que “a podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam (sic) ao ódio, ao crime, à rejeição. Amamos os homossexuais, mas abominamos suas práticas promíscuas”.

Em discurso na Câmara, ele defendeu a limitação de divórcios a um por pessoa, pois, na avaliação dele, “uma família destruída hoje projeta sequelas por toda uma geração”. O deputado diz que a resistência ao seu nome é fruto de perseguição religiosa e de “cristofobia“. Hoje o jornal Correio Braziliense informou que ele usou o mandato parlamentar em benefício de suas empresas e das atividades de sua igreja. Além disso, o deputado é réu por estelionato em uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele rejeita a acusação de ser racista e homofóbico.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), deve discutir com colegas deputados a situação da CDH e a possibilidade de troca do comando do colegiado na segunda-feira (11). Desde a semana passada a comissão tem gerado noticiário negativo para a Casa com a indicação e consequente eleição do deputado para presidir o colegiado.

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