Gráfica petista diz que foi contratada por delator

Investigadores da Lava Jato dizem que a Gráfica Atitude recebeu, a pedido de ex-tesoureiro do PT, aproximadamente R$ 2,5 milhões do esquema de propina na Petrobras. A empresa nega e alega que foi contratada por Augusto Ribeiro, dono de empresa investigada, para fazer jornalismo pago

Em memorial apresentado nesta segunda-feira (13) à Justiça Federal do Paraná, advogados da Gráfica Atitude LTDA. alegam que a empresa foi contratada pelo dono da Setal Engenharia, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, para “veicular conteúdo noticioso e opinativo sobre temas relacionados com o desenvolvimento e proteção da indústria nacional no Brasil”. Em outras palavras, Augusto, um dos delatores da Operação Lava Jato, teria usado dinheiro suspeito para bancar o expediente conhecido no círculo da imprensa como “jornalismo pago”.

 

 

Leia o memorial dos advogados na íntegra

A versão dos advogados vai de encontro à acusação do Ministério Público Federal (MPF) no curso das investigações da Lava Jato. Segundo os investigadores, a Gráfica Atitude recebeu, a pedido do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, aproximadamente R$ 2,5 milhões do esquema de propina da Petrobras. Os repasses foram feitos por Augusto Ribeiro de Mendonça Neto a mando de Vaccari, conforme o MPF.

De acordo com Augusto Ribeiro, em pelo menos três oportunidades Vaccari lhe solicitou que as contribuições ao PT fossem feitas por meio da Gráfica Atitude. Os repasses ocorreram, ainda segundo o empreiteiro, nos anos de 2010, 2011 e 2013. Os pagamentos, acrescenta, seguiam o mesmo modelo utilizado pelo doleiro Alberto Youssef: os repasses eram efetuados após simulação de contrato. O delator afirmou ainda que “sequer sabia” se eventuais anúncios foram publicados.

Defesa

Os advogados da Gráfica Atitude, por outro lado, alegaram que foi Augusto Ribeiro quem contratou os serviços da empresa. A contratação ocorreu em abril de 2010, de acordo com a defesa, e tinha como objetivo a publicação de reportagens sobre o setor de petróleo e gás em uma revista.

“Com a entrada do contrato, passou a Gráfica Atitude a publicar uma série de matérias que tratavam da extração de petróleo e derivados, passando a divulgar temas que antes representavam parcela bastante reduzida de suas publicações”, argumentam os advogados, para quem foram veiculadas pelo menos 30 matérias relacionadas às atividades empresariais de Augusto Mendonça.

“Desenvolvido com o objetivo de ampliar as fontes de receita para veículos de comunicação, vem ganhando este tipo de publicação cada vez mais espaço na imprensa nacional, atraindo empresas interessadas na publicação de matérias que possam, de maneira mais indireta, fortalecer suas marcas”, argumenta a defesa. “Em vez de anunciarem, simplesmente, produtos que pretendem inserir no mercado, patrocinam essas empresas matérias jornalísticas que trazem benefício por via colateral.”

Suspeitas

Extratos apreendidos pelo Ministério Público Federal indicam que as empresas Tipuana e Projetec, controladas por Augusto Ribeiro, depositaram R$ 1,5 milhão, entre junho de 2010 e agosto de 2013, nas contas da editora Gráfica Atitude LTDA.

Durante as eleições de 2010, por exemplo, a empresa recebeu quatro depósitos no valor de R$ 93.850 cada, conforme informações do MPF, totalizando R$ 375 mil, e mais dois depósitos de R$ 93,8 mil após o processo eleitoral.

“Assim, tenham os anúncios sido realizados ou não, o fato é eles se trataram de um mero artifício, uma simples formalidade, para simular uma causa para o recebimento da vantagem indevida por João Vaccari em nome do Partido dos Trabalhadores”, afirma o MPF, na petição de prisão do ex-tesoureiro do PT.

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